sistema de análise de imagem computadorizada programado a um microscópio de luz com câmera fotográfica (Axioplan 2, Modelo: MC 80 DX - Microscope Camera, Marca: ZEISS), com o objetivo de obter fotos tiradas de 10 campos ópticos selecionados aleatoriamente, 5 a partir de uma região superficial do endométrio e 5 a partir de uma região de profundidade, com uma lente de aumento 10x. Posteriormente, as fotos foram analisadas através do “software” Image-Pro® PLUS-The Proven SolutionTM para obtenção do número de
52
Foi mensurado do número de glândulas, perímetro (μm) e área (μm2) das glândulas endometriais profundas; assim como todas estas medidas para as glândulas totais (superficiais + profundas). A contagem do número de glândulas endometriais foi realizada pela leitura de 10 campos ópticos selecionados anteriormente.
5.3.12 Análise estatística da morfometria das glândulas endometriais. A análise estatística foi realizada utilizando o programa estatístico SAS (versão 9.2; SAS Institute Inc., Cary, NC). A análise estatística considerando a avaliação do número de glândulas endometriais sob o efeito de tratamento em determinado tempo, considerou-se as vacas como unidade experimental. Fez- se uma análise pontual levando em conta, no modelo, o efeito do tratamento (tratamento controle ou tratamento com bST). Considerou-se vaca com efeito aleatório e vaca dentro de cada tratamento. Na análise estatística considerando apenas efeito de tratamento (tratamento controle ou bST), considerou-se vaca com efeito aleatório e vaca dentro de cada tratamento. As variáveis contínuas foram testadas quanto à normalidade utilizando o artifício “Guided Data Analysis” do SAS e quando necessário foram transformadas conforme a sugestão do programa para alcançar a normalidade. Os dados foram analisados por análise de variância. As médias foram analisadas pelo Proc Glimmix do SAS. Em todas as análises considerou-se um nível de significância de 5%. Todos os resultados foram apresentados na forma de média ± erro padrão não transformados.
VI RESULTADOS
6.1 Experimento 1. As taxas de concepção não diferiram entre os tratamentos (p>0,05) e foram de 59,27% (115/194), 58,37% (115/197) e 65,82% (129/196) para os grupos Controle, bST 250 e bST 500 respectivamente, conforme representado na Figura 4.
53
Figura 4 – Experimento 1: Efeito do tratamento na taxa de concepção 30 dias após a IATF (D30), em vacas Nelore pluríparas submetidas à IATF, tratadas com 5ml de solução salina (Grupo Controle; n= 194) ou bST (Boostin) na dose de 250mg (Grupo bST 250; n=197) ou 500mg (Grupo bST 500; n=196), via subcutânea (SC), p>0,05
6.2 Experimento 2. As taxas de concepção não diferiram (p>0,05) entre os tratamentos e foram de 57,3% (71/124) e 60,50% (62/119) para o Grupo Controle e bST 500 respectivamente, conforme representado na Figura 5.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
54
Figura 5 – Experimento 2: Efeito do tratamento na taxa de concepção 30 dias após a IATF (D30), em vacas Nelore pluríparas submetidas à IATF, tratadas com 5ml de solução salina (Grupo Controle; n= 124) ou 500mg de bST (Grupo bST 500; n=119), via subcutânea (SC), p>0,05.
6.3 Experimento 3. As variáveis analisadas em relação ao corpo lúteo estão representadas na Tabela 1. As imagens utilizadas para a composição celular do corpo lúteo estão ilustradas nas Figuras 6 e 7. Não houve diferença (p>0.05) entre o grupo controle e bST 500 para o peso médio dos ovários (5,405 + 0,917 vs. 6,496 + 0,479g respectivamente; p=0,2712), diâmetro do ovário esquerdo (2,068 + 0,140 vs. 2,254 + 0,096cm respectivamente; p=0,2734), diâmetro do ovário direito (2,250 + 0,125 vs. 2,286 + 0,124cm respectivamente; p=0,8435), diâmetro do corpo lúteo (1,335 + 0,054 vs. 1,590 + 0,147cm respectivamente; p=0,1737), peso do corpo lúteo (2,325 + 0,226 vs. 3,010 + 0,313g respectivamente; p=0,1172), porcentagem de CLG (12,062 + 1,778 vs. 8,772 + 1,392% respectivamente; p=0,1589) e porcentagem de CLP (77,187 + 10,980 vs. 91,22 + 1,392% respectivamente; p=0,1538). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
55
Tabela 1 – Experimento 3: Média e erro padrão do peso dos ovários, diâmetro do ovário esquerdo, diâmetro do ovário direito, diâmetro do corpo lúteo, peso do corpo lúteo, porcentagem de CLG e porcentagem de CLP no D15, em novilhas Nelore tratadas com 5ml de solução salina via SC (n=9) ou com 500mg de bST (n=11) no D0 (D0=dia esperado para o estro)
Variáveis Grupo Controle (n=9)
Grupo bST 500mg (n=11)
Valor de P Peso Médio dos Ovários (g)
[(ovário esquerdo + ovário direito)/2]
5,405 + 0,917 6,496 + 0,479 0,2712
Diâmetro Ovário Esquerdo (cm) 2,068 + 0,140 2,254 + 0,096 0,2734 Diâmetro Ovário Direito (cm) 2,25 + 0,125 2,286 + 0,124 0,8435 Diâmetro do Corpo Lúteo (cm) 1,335 + 0,054 1,590 + 0,147 0,1737 Peso do Corpo lúteo (g) 2,325 + 0,226 3,010 + 0,313 0,1172 CLG (%) 12,062 + 1,788 8,772 + 1,392 0,1589 CLP (%) 77,187 + 10,980 91,22 + 1,392 0,1538
56
Figura 6 – Experimento 3: Imagem das células luteais esteroidogênicas do corpo lúteo, coradas por hematoxilina-eosina, em aumento de 40X, ilustrando células luteais grandes (CLP; diâmetro < 20 μm) e células luteais pequenas (CLP; diâmetro > 20 μm) no D15 (D0 = dia esperado para o estro) em novilhas Nelore tratadas com 5ml de solução salina via SC (Grupo Controle; n = 9).
57
Figura 7 – Experimento 3: Imagem das células luteais esteroidogênicas do corpo lúteo, coradas por hematoxilina-eosina, em aumento de 40X, ilustrando células luteais grandes (CLP; diâmetro < 20 μm); células luteais pequenas (CLP; diâmetro > 20 μm), no D15 (D0 = dia esperado para o estro) de novilhas Nelore tratadas com 500 mg de bST via SC (Grupo bST 500; n = 11).
58
As variáveis analisadas em relação às glândulas endometriais estão representadas na Tabela 2. As imagens utilizadas para a avaliação das glândulas endometriais superficiais, profundas e totais estão ilustradas nas Figuras 8 e 9. Não foi observada diferença significativa (p>0.05) entre o grupo controle e bST 500 para as glândulas endometriais superficiais quanto ao número (19,984 + 2,014 vs. 17,340 + 2,039 respectivamente; p=0,2596), perímetro (208,371 + 34,713 vs. 251,536 + 17,346Pm respectivamente; p=0,2437) e área (3173,54 + 659,087 vs. 3885,92 + 476,580Pm2
respectivamente; p=0,8435). Não foi observada diferença significativa (p>0.05) entre o grupo controle e bST 500 para as glândulas endometriais profundas quanto ao número (25,566 + 2,226 vs. 29,935 + 1,683 respectivamente; p=0,2506), perímetro (170,287 + 23,807 vs. 198,817 + 10,834Pm respectivamente; p=0,2437) e área (1920,89 + 254,89 vs. 2153,333 + 196,100Pm2 respectivamente; p=0,3806). Não foi observada diferença significativa (p>0.05) entre o grupo controle e bST 500 para as glândulas endometriais totais quanto ao número (45,550 + 8,063 vs. 47,275 + 2,644 respectivamente; p=0,8230), perímetro (378,658 + 55,636 vs. 450,353 + 19,632Pm respectivamente; p=0,1790) e área (5094,43 + 875,523 vs. 6039,253 + 555,09Pm2 respectivamente; p=0,3359).
59
Tabela 2 – Experimento 3: Avaliação do número, perímetro (Pm) e área (Pm2) das
glândulas endometriais superficiais, profundas e totais em novilhas Nelore tratadas com 5ml de solução salina via SC (n=9) ou com 500mg de bST (n=11) no D0 (D0=dia esperado para o estro).
Variáveis Grupo Controle (n=9) Grupo bST 500mg (n=11) Valor de P Número de glândulas endometriais superficiais 19,984 + 2,014 17,340 + 2,039 0,2506 Perímetro das glândulas
endometriais superficiais (Pm) 208,371 + 34,713 251,536 + 17,346 0,2437 Área das glândulas endometriais
superficiais (Pm2) 3173,54 + 659,087 3885,92, + 476,580
0,8435
Número de glândulas
endometriais profundas 25,566 + 2,226 29,935 + 1,683 0,2506 Perímetro das glândulas
endometriais profundas (Pm) 170,287 + 23,807 198,817 + 10,834 0,2437 Área das glândulas endometriais
profundas (Pm2) 1920,89 + 254,89 2153,333 + 196,100 0,3806 Número de glândulas endometriais totais 45,550 + 8,063 47,275 + 2,644 0,8230 Perímetro das glândulas
endometriais totais (Pm) 378,658 + 55,636 450,353 + 19,632 0,1790 Área das glândulas endometriais
totais (Pm2)
60
Figura 8 – Experimento 3: Imagem das glândulas endometriais superficiais, coradas por hematoxilina-eosina, em aumento de 20X no D15 (D0 = dia esperado para o estro) em novilhas Nelore tratadas com 500mg de bST via SC (Grupo bST 500; n = 11) ou com 5ml de solução salina SC (Grupo Controle; n=9), respectivamente.
61
Figura 9 – Experimento 3: Imagem das glândulas endometriais profundas, coradas por hematoxilina-eosina, em aumento de 20X no D15 (D0 = dia esperado para o estro) em novilhas Nelore tratadas com 500mg de bST via SC (Grupo bST 500; n = 11) ou com 5ml de solução salina SC (Grupo Controle; n=9), respectivamente.
62
VII DISCUSSÃO
7.1 EXPERIMENTO 1
O uso do bST em protocolos de IATF tem sido associado a maiores taxas de concepção em vacas de leite (MOREIRA et al., 2001), porém, são poucos os relatos em vacas de corte. Recentemente, Albuquerque et al. (2012) utilizaram em vacas Nelore paridas, protocolo de sincronização similar ao utilizado neste estudo, associado a aplicação de 0 (n=294), 167 (n=304) ou 333mg (n=298) de bST no dia da IATF. A taxa de concepção encontrada foi de 37,4% no grupo controle, 45,4% para a dose de 167mg e 46% para as tratadas com 333mg, tendo havido efeito de tratamento, embora não tenha havido efeito de dose. É possível observar que embora tenha havido incremento na fertilidade, a taxa de concepção do grupo controle foi menor (37,4%) comparado à taxa usualmente encontrada em rebanhos comerciais de 49,1%. (BARUSELLI et al., 2008; SÁ FILHO et al., 2009). Os mesmos autores verificaram em um segundo experimento que, quando vacas Nelore foram submetidas a IATF e receberam duas aplicações de bST, na dose de 333mg no dia da IATF e onze dias após, a taxa de concepção não foi aumentada, sendo de 48% no grupo controle e 42,3% no tratado. Pode-se observar, no segundo estudo destes autores, que a taxa de concepção do grupo controle foi maior quando comparada a taxa de concepção do primeiro estudo (48% vs. 37,4%), ou seja, quando a taxa do grupo controle foi de 48% o incremento na fertilidade não pode ser observado.
No presente estudo, quando o bST foi administrado no dia da IATF, na dose de 250 e 500mg, as taxas de concepção não foram aumentadas (59,27% vs. 58,37% vs. 65,82%). Nesta ocasião, verificou-se uma maior taxa de concepção no grupo controle (59,27%) comparada a taxa relatada em rebanhos. Altas taxas de concepção no grupo controle também foram evidenciadas no experimento 2 deste estudo (57,3%), ocasião que não houve incremento na taxa de concepção. Tais evidências permitem sugerir que o bST
63
aumenta a taxa de concepção em rebanhos de corte usualmente com menores taxas de concepção. Possivelmente, vacas com baixa condição corporal sejam favorecidas pela aplicação de bST.
Em vários estudos evidenciou-se que a aplicação de bST promoveu um aumento progressivo nas concentrações plasmáticas de GH e IGF-I ao longo dos primeiros 7 dias, quando evidencia-se um pico destes hormônios, prosseguido de um declínio diário gradual (RIBEIRO et al., 2013; ABOIN et al., 2013). Desta forma, presume-se que a aplicação de bST no momento da IATF, promove maiores concentrações de bST no período que coincidiria com o início do desenvolvimento embrionário até o sétimo dia de desenvolvimento.
Kolle et al. (2001) demonstrou que receptores de GH estão presentes no embrião a partir do estágio de duas células quando atua no metabolismo de glicogênio e no transporte de lipídios ao embrião. Spencer et al. (1999) demonstraram que o epitélio glandular do útero ovino respondeu a administração intra-uterina de GH aumentando a expressão de RNAm das proteínas que constituem o histotrófo, condição que favoreceu uma maior produção de IFN-τ. Ribeiro et al. (2013) também verificaram que o GH e IGF-I além de estimular a secreção de uma maior quantidade de histotrófo, iduziu a proliferação celular e promoveu efeitos anti-apoptóticos. O aumento da proliferação celular e o elongamento do concepto tornam-se extremamente importantes para prevenir a luteólise e manter a gestação (SPENCER et al., 1999). Tais ações associadas potencializariam o desenvolvimento do embrião aumentando as possibilidades de sobrevivência embrionária. Considerando estes relatos, no presente experimento, seria esperado um aumento na taxa de concepção, evento que não foi caracterizado. De fato, a dose de bST para vacas de corte não está estabelecida e as respostas dos embriões ao GH in
vitro foram usualmente dose-dependentes (MARKHAM; KAYE, 2003). Os
mesmos autores enfatizam a importância da dose de bST na subsequente concentração de GH e IGF-I no estímulo a fertilidade. Possivelmente, a ausência de incremento na fertilidade decorra de uma inadequada dose
64
utilizada, sugere-se que haja uma dose resposta que merece ser melhor averiguada.
Em espécies de laboratório o excesso de IGF-I no útero afetou negativamente a sobrevivência embrionária (PINTO et al., 2002). De fato, Bilby et al. (1999) e Starbuck et al. (2003) relataram que a administração de bST em vacas de corte e vacas leiteiras tipicamente aumentam as concentrações de IGF-I mas falham em aumentar a fertilidade. Segundo Chi et al. (2000) quantidades excessivas de IGF-I foram correlacionadas a uma maior apoptose na massa celular interna do embrião (CHI et al., 2000). Tais efeitos negativos seriam mediados por uma redução nos receptores de IGF nas células embrionárias, desta forma determinando um redução na absorção de glicose pelo embrião.
7.2 EXPERIMENTO 2
Considerando que a administração de bST foi realizada 7 dias após a IATF, presume-se que os maiores efeitos ocorreriam do 7o ao 14o dia de desenvolvimento do concepto, fase de elongamento do mesmo. Ribeiro et al. (2013) trataram vacas leiteiras em lactação com 325mg de bST no dia da IA ou a mesma dose no dia da IA e 14 dias após. Os autores verificaram que a utilização de duas aplicações de bST reduziu a taxa de concepção quando comparado à administração de uma única aplicação de bST, porém, promoveu um aumento progressivo nas concentrações plasmáticas de GH e IGF-I ao longo dos primeiros 7 dias. Os autores verificaram que o uso de duas doses aumentou o diâmetro longitudinal da vesícula aminiótica e o tamanho do concepto aos 34 e 48 dias de prenhez em relação ao grupo controle e única dose, embora as taxas de concepção não tenham diferido. No presente estudo a taxa de concepção não foi favorecida em animais tratados com 500mg de bST sete dias após a IATF.
65
No estudo de Ribeiro et al. (2013) a dose de 325mg promoveu aumento nas concentrações de GH e IGF-I mas não foi suficiente para alterar as concentrações de P4. No presente estudo, no experimento 2, as concentrações de P4 não foram alteradas no D7 e D16 em vacas de corte que receberam 500mg de bST sete dias após a IATF. De fato, os estudos com bST para aumentar a fertilidade não relatam seus efeitos no tecido luteal e não correlacionam seus efeitos positivos na fertilidade a maiores concentrações de P4.
Experimentos realizados in vivo e in vitro evidenciaram que o GH e IGF-I estimulam as funções uterinas e o desenvolvimento do concepto durante o estágio de pré e peri-implantação em muitas espécies (WHATES et al., 1998; SPENCER et al., 1999; KOLLE et al., 2002; MOREIRA et al., 2002; MARKHAM; KAYE, 2003; BILBY et al., 2006). Assim GH e IGF-I constitui uma importante estratégia para promover o maior desenvolvimento do concepto e desta forma reduzir a mortalidade embrionária. Sugere-se que tais benefícios são dose-dependentes (BILBY et al., 2004; RIVERA et al., 2010). Possivelmente, no presente estudo, o aumento na taxa de concepção não tenha sido evidenciado pela alta taxa de concepção do grupo controle, conforme também discutido no experimento 1 e pelo uso de uma dose inadequada de bST nas vacas de corte.
7.3 EXPERIMENTO 3
Evidenciou-se em alguns estudos in vivo e in vitro que a bST favorece o crescimento do tecido luteal. O RNAm e a proteína do receptor de bST foram localizados no CL (SCOTT et al., 1992) e nas CLG (LUCY et al., 1993). A administração de bST aumentou o peso do CL (LUCY et al., 1995) e as concentrações plasmáticas de P4 plasmática em fêmeas bovinas (GALLO; BLOCK, 1991; SCHEMM et al., 1990). Lucy et al. (1995) trataram vacas de leite com 25mg/dia bST (n=8) ou solução salina (n=8) por 16 dias após estro. As vacas foram abatidas 17 dias após a injeção de bST e os ovários, útero e
66
concepto foram coletados. Verificou-se que a bST aumentou o peso do CL e o número de folículos grandes (10 a 15 mm de diâmetro). Os mecanismos através dos quais a bST aumenta o peso do CL não estão esclarecidos. A diferenciação de células da granulosa, durante o período de peri-ovulação pode ter sido estimulado porque a bST foi iniciada no dia do estro (LUCY et al., 1995). Estudos posteriores, no entanto, não conseguiram demonstrar um efeito positivo da bST no CL durante o período peri-ovulatório (LUCY et al., 1994).
No presente estudo, considerando os efeitos do GH e IGF-I no crescimento dos tecidos, hipotetizou-se que a proporção de çelulas luteais esteroidogênicas seria alterada por tal tratamento. Tal efeito não foi observado, a proporção de CLG e CLP não foi diferente para novilhas tratadas com 500mg de bST quando comparada ao grupo controle. Verificou-se que o peso e diâmetro dos ovários e CL, assim como a proporção de CLG e CLP não foi alterada me fêmeas tratadas com bST. De fato, os estudos com bST para aumentar a fertilidade não correlacionam seus efeitos positivos na fertilidade a maiores concentrações de P4. No estudo de Ribeiro et al. (2013) a dose de 325mg promoveu aumento nas concentrações de GH e IGF-I mas não foi suficiente para alterar as concentrações de P4. De fato, Aboin et al. (2013) verificaram que as concentrações séricas de P4 e catabolismo de P4 hepática não foram afetadas pela administração BST e pelo aumento subsequente nas concentrações de IGF-I sérico. Da mesma forma, Cooke et al. (2012) avaliaram novilhas sem corpo lúteo, mas recebendo P4 exógena como uma abordagem para estimar o catabolismo hepático de P4. Estes autores relataram que novilhas que receberam 250mg de bST apresentaram semelhantes concentrações plasmáticas de P4 e semelhante taxa de degradação de P4 hepática, no D6, D8 e D10 em relação à administração do tratamento, em comparação com grupos que receberam solução salina.
Em bovinos o útero e o concepto apresentam receptores para o GH e fator IGF-I, que por ação endócrina, parácrina e autócrina atuam em ambas as estruturas durante o estabelecimento da prenhez (KOLLE et al., 2001; RHOADS et al., 2008; YASEEN et al., 2001). De fato, experimentos realizados
67
in vivo e in vitro permitiram evidenciar o efeito positivo do GH e IGF-I nas
funções uterinas aumentando a expressão de RNAm para proteínas que constituem o histotrófo e no desenvolvimento do concepto durante o estágio de pré e peri-implantação em muitas espécies (BILBY et al., 2006; KOLLE et al., 2002; MARKHAM; KAYE, 2003; SPENCER et al., 1999; WHATES et al., 1998). Considerando os efeitos de ambos no crescimento dos tecidos e seus efeitos positivos na secreção de histotrófo hipotetizou-se no presente estudo que a aplicação de bST promoveria alterações na morfometria das glândulas endometriais. Os receptores para a bST e IGF-1 estão presentes no endométrio de vacas (WATHES et al., 1998) e em alta concentração nas glândulas endometriais. Sugere-se que o IGF-1 regularia a atividade secretória de tais glândulas (MOREIRA et al., 2002a). Portanto, o aumento nas concentrações de IGF-1 em consequência do tratamento com bST exerceria um efeito estimulatório na atividade secretória das glândulas endometriais. Tal efeito promoveria um ambiente uterino mais favorável ao desenvolvimento do embrião e concepto, facilitando a manutenção da gestação (MOREIRA et al., 2002a). Entretanto, tal efeito não foi evidenciado considerando não ter havido aumento no número, perímetro e área das glândulas endometriais superficiais, profundas e totais. Desta forma, possivelmente a ação do bST no histotrófo decorra da maior expressão e síntese de proteínas que constituem o mesmo sem que haja uma promoção no número de células endometriais.
VIII CONCLUSÃO
Conclui-se que vacas tratadas com bST, no dia da IATF ou sete dias após a IATF, não apresentam maiores taxas de concepção e que a morfometria das glândulas endometriais e a proporção de células esteroidogênicas luteais não são alteradas por tal tratamento.
68
REFERÊNCIAS
ABOIN, A. C.; COOKE, R. F.; VIEIRA, F. V. R.; LEIVA, T.; VASCONCELOS, J. L. M. Effects of bovine somatotropin injection on serum concentrations of progesterone in non-lacting dairy cows. Livestock Science, v. 154, p. 240-245, 2013.
ADAMS, G.R. Insulin-like growth factor in muscle growth and potential abuse by athletes. British Journal of Sports Medicine, v.34, p.412-413, 2000.
AIRES, M. M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Editora, Guanabara Koogan, p. 673- 84, 1991.
ALBUQUERQUE, J. P.; DIAS, H. P.; BUENO, I. C.; RODRIGUES, A. D. P.; PEREIRA, M. H. C.; CARVALHO, E. R.; OLIVEIRA, W. V. C.; VASCONCELOS, J. L. M. Uso da somatotropina bovina (bST) associada a protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) em vacas de corte. REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE TECNOLOGIA DE EMBRIÕES, 26;
Anais...Foz do Iguaçu, 2012, 360p.
ANUALPEC. Anuário da pecuária brasileira. São Paulo: FNP, 2014.
ASBIA. Associação brasileira de inseminação artificial. Índex ASBIA.
Importação, Exportação e Comercialização de Sêmen. 2012. Disponível em:
<http://www.asbia.org.br/novo/upload/mercado/index2012.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2013.
BACHA, F. Hormônio do Crescimento. Disponível em: http://www.sncsalvador.com.br/mais-noticias/544-hormonio-do-crescimento.htm l. 2013. Acesso em: 29 jun. 2014.
BARUSELLI, P. S.; MARTINS C. M.; SALES J. N. S.; FERREIRA R. M. Novos avanços na superovulação de bovinos. Acta Scientiae Veterinarie, v. 36, p. 433-448, 2008.
69
BARUSELLI, P. S.; AYRES, H.; SOUZA, A. H.; MARTINS, C. M.; GIMENES, L. U.; TORRES-JUNIOR, J. R. S. Impacto da IATF na eficiência reprodutiva em bovinos de corte. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE REPRODUÇÃO
ANIMAL APLICADA, 2, 2006, Londrina - PR, p. 113 – 132.
BAUMAN, D. E. Bovine somatotropin and lactation from basic science to commercial application. Domestic Animal Endocrinology, v. 17, p. 101-116, 1999.
BAUMAN, D. E. Bovine somatotropin: review of an emerging animal thechnology. Journal of Dairy Science, v. 75, p. 3432 - 3451, 1992.
BAUMAN, D. E.; MCCUTCHEON, S. N.; STEINHOUR, W. D.; EPPARD, P. J.; SECHEN, S. J. Sources of variation and prospects for improvement of productive efficiency in the dairy cow: a review. Journal of Animal Science, v. 60, p. 538-592, 1985.
BAUMANN, G. Growth hormone-binding proteins: state of the art. Journal of
Endocrinology, v.141, p. 1-6, 1994.
BELL, A.; RODRÍGUES, O. A.; CASTRO E PAULA L. A.; PADUA M. B.; HERNÁNDEZ-CERÓN J.; GUTIÉRREZ C. G.; VRIES A. D.; HANSEN P. J. Pregnancy success of lactating Holstein cows after a single administration of a sustained-release formulation of recombinant bovine somatotropin. BMC
Veterinary Research, v. 4, p. 22, 2008.
BERNE, R. M.; LEVY, N. M. Fisiologia, 2a ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, p. 730-35, 1990.
BERTOZZI, C.; PORTETELLE, D.; PIRARD, M.; PARMENTIER, I.; HAEZEBROECK, V.; RENAVILLE, R. Is it possible to detect bovine treated with bST? In: RENAVILLE, R.; BURNY, A. (editors). Biotechnology in animal
70
BESWICK, N. S.; KENNELY, J. J. Influence of bovine hormone and growth hormone-releasing factor on Messenger RNA abundance of lipoprotein lipase and stearoyl-CoA desaturase in the bovine mammary gland and adipose tissue.
Journal of Animal Science, v. 78, p. 412-419, 2000.
BILBY, T. T.; GUZELOGLU, A.; KAMIMURA, S.; PANCARCI, S. M.; MICHEL, F.; HEAD, H. H.; THATCHER, W. W. Pregnancy and bovine somatotropin in non-lactating dairy cows: I. Ovarian, conceptus, andinsulin-like growth factor system response. Journal of Dairy Science, v. 87, p. 3256-3267, 2004.
BILBY, T. R.; SOZZI, A.; LOPEZ, M. M.; SILVESTRE, F. T.; EARLY, A. D.; STAPPLES, C. R.; THATCHER, W. W. Pregnancy, bovine somatotropin, and dietary n-3 fatty acids in lactating dairy cows. I. Ovarian, conceptus, and growth hormone insulin-like growth factors system responses. Journal of Dairy
Science, v. 89, p. 3360-3374, 2006.
BILBY, C. R.; BADER, J. F.; SALFEN, B. E.; YOUNGQUIST, R. S.; MURPHY, C. N.; GARVERICK, H. A.; CROOKER, B. A.; LUCY, M. C. Plasma GH, IGF-1, and conception rate in cattle treated with low doses of recombinant bovine GH.
Theriogenology , v. 51, p. 1285–1296, 1999.
BINELLI, M.; HAMPTON, J.; BUHI, W. C.; THATCHER, W. W. Persistent dominant follicle alters pattern of oviductal secretory proteins from cows at