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Consideramos igualmente importante, as considerações de van Dijk (2006) acerca do léxico, tendo em vista de que se trata de um suporte tanto para as representações sociais quanto para as ideologias. O autor considera ser este o componente mais produtivo para uma análise ideológica do discurso. Nesse sentido, postula que,

A análise lexical é, portanto, o componente mais óbvio (e também frutífero) da análise ideológica do discurso. O simples fato de explicar todas as implicações das palavras utilizadas em um discurso e contexto específicos provê, quase sempre, um amplo conjunto de significados ideológicos. Como método prático, a substituição de uma palavra por outras mostra imediatamente a diferença semântica e, frequentemente, os “efeitos” ideológicos de dita substituição. Teoricamente, isto significa que a variação de elementos léxicos (isto é, o estilo léxico) é um importante meio de expressão ideológica no discurso. (VAN DIJK, 2006, p. 259, tradução nossa)19

Em relação à variação dos itens lexicais, o autor observa que dependendo de determinados fatores contextuais como, idade, classe, posição, status, poder, relação social etc., os usuários da língua podem empregar diferentes palavras para se expressar quer seja sobre coisas, pessoas, ações ou acontecimentos. Além disso, essas variações reforçam tanto as opiniões pessoais como as de grupos de participantes, daí poder-se afirmar que atitudes e ideologias são uma restrição contextual importante e, em consequência, uma fonte importante de variação léxica.

Van Dijk (2005) também chama a atenção para o fato de que em determinados contextos a seleção das palavras de um discurso são muitas vezes escolhidas em função das pressuposições e implicações ideológicas que carrega, nesse sentido, escreve que,

Assim, em geral a seleção de um tema é evidentemente mais “intencional” que a estrutura sintática detalhada ou a entonação de uma frase. A seleção de palavras está a meio caminho (entre a seleção do tema e a estrutura sintática) – a lexicalização é principalmente automática uma vez que tem como base os modelos mentais subjacentes e o léxico, mas geralmente as palavras

19 El análisis léxico es, por lo tanto, el componente más obvio (y también fructífero) del análisis

ideológico del discurso. El simple hecho de explicar todas las implicaciones de las palabras utilizadas en un discurso y contexto específicos provee, a menudo, un amplio conjunto de significados ideológicos. Como método práctico, la sustitución de una palabra por otras muestra inmediatamente la diferencia semántica e, a menudo, los “efectos” ideológicos de dicha sustitución. Teóricamente, esto significa que la variación de elementos léxicos (esto es, el estilo léxico) es un importante medio de expresión ideológica en ele discurso. (VAN DIJK, 2006, p. 259)

específicas são deliberadamente escolhidas, e dependem do gênero e o contexto (que são) bastante controlados, sobretudo na comunicação escrita. (VAN DIJK, 2005, p. 16, tradução nossa)20

O autor cita como exemplo os discursos políticos, como, por exemplo, o de um presidente ou de candidatos à presidência em que praticamente cada palavra é escolhida em função dos valores ideológicos que lhe podem ser atribuídos. Segundo defende van Dijk (2005), a ideologia se expressa no discurso valendo-se do léxico, por meio da seleção de termos positivos ou negativos. Os primeiros, para referir-se a “nós”, isto é, ao nosso grupo e os termos negativos aplicando-se a “eles”. O autor dá como exemplo a seleção “terrorista” vs “lutador pela liberdade”, em que a carga semântica é alterada, segundo seja a intenção de quem produz o discurso, de quem se deseja qualificar ou desqualificar.

Vemos, assim, que as ideologias se manifestam no discurso por meio de diferentes formas de expressão, como, por exemplo, pela entonação, sintaxe, morfologia ou pelo léxico. Muitas vezes pode ser facilmente depreendida, em outras, pode aparecer de maneira indireta, implícita ou escondida em estruturas do discurso menos óbvias como a entonação ou o uso de um pronome (van Dijk, 2003). Cabe assim, ao analista do discurso estar atento aos diferentes usos e possibilidades de articulação e, para tanto, faz-se crucial conhecer as condições de produções em que se dão os eventos comunicativos.

Consideramos que examinar o discurso sobre a avaliação requer conhecer que se trata de um discurso estreitamente relacionado com a naturalização das relações de poder e ideologia. Nas palavras do autor “as ideologias são as crenças fundamentais que formam a base das representações sociais de um grupo” (VAN DIJK, 2003, p. 57, tradução nossa)21.

Consoante o exposto, postulamos que um exame do léxico, tendo em vista os sentidos que evocam, permitir-nos-á depreender as crenças socialmente compartilhadas (ideologias) pelos sujeitos que constituem a representação social construída sobre a avaliação. Durante a análise nos interessará enfocar a forma como os sujeitos

20 Así, en general la selección de un tema es evidentemente más “intencional” que la estructura sintáctica

detallada o la entonación de una frase. La selección de palabras está a medio camino (entre la selección de tema y la estructura sintáctica) – la lexicalización es principalmente automática dado que tiene como base los modelos mentales subyacentes y el léxico, pero a menudo las palabras específicas son deliberadamente escogidas, y dependen del género y el contexto (que son) bastante controlados, sobre todo en la comunicación escrita. (VAN DIJK, 2005, p. 16)

21 “las ideologías son creencias fundamentales que forman la base de las representaciones sociales de un

caracterizam o objeto de representação que vimos analisando, e, para tanto, importa-nos examinar os termos usados para referenciá-lo, tendo em vista os valores avaliativos envolvidos nos posicionamentos tomados.

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APÍTULO

3-

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO

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METODOLÓGICA DA PESQUISA