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Conclusion and suggestions for further research

O presente estudo, do ponto de vista dos objetivos, adotou a pesquisa descritiva, uma vez que trata do estudo e da descrição das características, propriedades e relações existentes na comunidade, grupo ou realidade pesquisada. Observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir, com a precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características (SEVERINO, 2007; GIL, 2008). Justifica-se essa escolha considerando que se descrevem as características dos atores e coautores do GT2/ENANCIB, para, posteriormente, perceber as suas relações de coautoria.

De maneira complementar à pesquisa descritiva, realizou-se um estudo do tipo pesquisa documental que, ao utilizar as fontes impressas e/ou eletrônicas proporciona ao pesquisador dados ricos (GIL, 2008). Os documentos são fontes estáveis que podem ser consultadas várias vezes, fundamentam afirmações do pesquisador e complementam informações obtidas por meio de outras técnicas (LUDWIG, 2009).

Entre as vantagens da pesquisa documental está a riqueza e a estabilidade dos dados contidos nos documentos, além do baixo custo da pesquisa e a não exigência do contato com os sujeitos pesquisados (GIL, 2008). Segundo Lemieux e Ouitmet (2004), está entre as técnicas mais utilizadas para a coleta de dados relacionais. A escolha pela pesquisa documental justificou-se considerando que os dados foram coletados nos anais do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação e, complementarmente, no Currículo Lattes e no Diretório de Grupos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Mapeou-se um

número significativo de documentos e coletaram-se dados de 297 atores e a descrição mais precisa da relação entre 25 atores e seus 70 coautores em um período de sete meses e cuja coleta dependeu, exclusivamente, do pesquisador, sem necessidade de pesquisa de campo. A escolha foi considerada a mais adequada devido ao seu alcance, sem, necessariamente, demandar outro tipo de técnica de coleta de dados.

Considerando que a produção científica é um indicador de medida fundamental para identificar resultados de investigação (GUERRA PÉREZ, 2007), a pesquisa documental foi fundamental para a constituição da unidade de análise do estudo e para a identificação das variáveis que possibilitarem a análise da dinâmica da rede de coautoria a ser estudada.

A natureza deste estudo é do tipo qualiquantitativa, uma vez que, os métodos qualitativos são considerados a forma adequada para se entender a natureza do fenômeno e os métodos quantitativos, “na análise da informação, as técnicas estatísticas podem contribuir para verificar informações e reinterpretar observações qualitativas, permitindo conclusões menos objetivas” (RICHARDSON, 2007, p.89).

Essa combinação de métodos de coleta (descritivo e documental) e de análise de dados (qualitativo e quantitativo) foi apontada em estudos sobre redes sociais, a exemplo de Marteleto e Tomáel (2005), que chamam a atenção para a vantagem de apresentar medidas que especificam os padrões de relacionamento por meio do método quantitativo e “dar voz” aos atores da rede, interpretando seus desejos, opiniões e representações, por meio do método qualitativo. Essas autoras afirmam que o uso desses métodos no estudo das redes sociais permite qualificar posições e relações de interdependência entre os atores e ressaltar os seus papéis. De um modo geral, a abordagem quantitativa representou as relações da rede social estudada e a qualitativa permitiu interpretar o seu potencial e o seu sentido.

Este estudo pode ser caracterizado como quantitativo, uma vez que trata os dados coletados por meio de técnicas estatísticas para medir as relações entre os atores e os seus coautores em uma configuração de rede e também por adotar categorias para a coleta de dados sobre atores, produção científica, natureza das relações e redes sociais. Também caracterizou-se como qualitativa, por buscar compreender e classificar processos dinâmicos e possibilitar o entendimento mais profundo das particularidades do comportamento dos indivíduos (RICHARDSON, 2007). Este foi o sentido de sua aplicação ao estudo quando se preocupou em

entender a dinâmica das relações no contexto social dos atores que constituem uma rede que se forma a partir da produção científica, para reafirmá-las e/ou complementá-las.

Adotou-se a triangulação de dados e de métodos, coletados em momentos e formas diferentes no estudo de um fenômeno (BRAGA, 2007). Nesta tese, metodologias ou técnicas são combinadas (MORAES; FADEL, 2008) e integra-se o trabalho de campo e o levantamento quantitativo (GALLIVAN, 1997) para responder a uma questão empírica. Segundo Moraes e Fadel (2008), para que haja uma triangulação na pesquisa, deve haver interação entre os métodos qualitativo e quantitativo de análise, sendo condição que haja pelo menos um método qualitativo e um quantitativo de coleta de dados; que os dados qualitativos e quantitativos estejam presentes e sejam analisados e; que a pesquisa esteja endereçada a uma questão teórica. Os autores recomendam a triangulação para uma pesquisa com foco nas pessoas tanto na sua forma “entre métodos”, utilizando o qualitativo e o quantitativo, como na “intramétodos”, com o uso de múltiplas técnicas de coleta.

Essa triangulação justifica-se, segundo Moraes e Fadel (2008, p.37), quando “[...] se busca tanto a validação externa (entre métodos) quanto à consistência interna e confiabilidade (intramétodo)”, obtendo-se “convergências entre múltiplas e variadas fontes de informação para formar temas ou categorias de estudo, de forma a obter dados mais confiáveis” (CRESWELL; MILLER, 2000, p.126). A triangulação metodológica entre métodos é, pois, “quando dois ou mais métodos distintos são congruentes e desenvolvem dados comparáveis” e a triangulação intramétodo ocorre quando a pesquisa “utiliza múltiplas técnicas dentro de um dado método para coletar e interpretar dados” (MORAES; FADEL, 2008, p.36-37).

No presente estudo, definiu-se a triangulação metodológica para o estudo das interações sociais, com foco nos autores e coautores de trabalhos apresentados no grupo temático 2, ORC, publicados nos ENANCIBs realizados entre 1994 e 2011 pela ANCIB. Isto ocorreu tanto em sua forma “entre métodos” configurada pela abordagem qualiquantitativa, tanto quanto na forma “intramétodos” pelo uso da pesquisa documental e pelos diversos instrumentos de coleta de dados (planilhas, formulários e softwares) nos anais do ENANCIB, no Currículo Lattes dos atores e no Diretório de pesquisa dos coautores. Essa caracterização metodológica pode ser resumida no Quadro 5.

QUADRO 5 - Caracterização metodológica da pesquisa

Tipo de pesquisa Descritiva Documental

Natureza Quantitativa Qualitativa

Campo Produção científica da temática ORC na ANCIB

População Atores dos trabalhos de ORC publicados nos anais do ENANCIB

Corpus Rede de atores mais produtivos do GT2/ENANCIB e

seus coautores

- Abordagem nominalista

- Rede ego com conexões “amigas” - Amostragem por tipicidade (intencional)

Instrumentos de coleta Planilhas Formulários Software Excel Software Pajek

Fontes Fontes documentais impressas (anais do ENANCIB) Fontes documentais eletrônicas (anais do ENANCIB, currículo Lattes e diretório de pesquisa do CNPq)

Metodologia de análise Análise de redes sociais Fonte: Dados da pesquisa, 2012

Uma vez abordado o tipo e a natureza da pesquisa, bem como as suas fontes auxiliares, nas seções seguintes descreve-se o campo, a população, o corpus, os instrumentos e a metodologia de análise.