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Os estudos realizados nos contextos internacional e nacional sobre QV dos idosos, de um modo geral, investigam as representações e percepções dos idosos sobre o significado de QV (Vieira, Reis, Morais Segundo, Fernandes, & Macdonald, 2012; Paskulin et al., 2010; Tahan & Carvalho, 2010; Bowling et al., 2003) e avaliam a QV e seus prováveis determinantes na população idosa (Baernholdt, Hinton, Yan, Rose, & Mattos, 2012; Xavier, Ferraz, Marc, Escosteguy, & Moriguchi, 2003; Valadares et al., 2011; Pereira et al., 2011; Torres et al., 2010). Há ainda outras publicações que mensuram a QV do idoso na comunidade e nas instituições de longa permanência (Farias, Nunes, Alchieri, Leite, 2013; Nunes, Menezes, & Alchieri, 2010; Vitorino, Paskulin & Vianna, 2013; Alencar et al., 2010; Faller, Melo, Versa, & Marcon, 2010), além de muitos outros voltados para a criação e validação de escalas de QV e avaliação de tratamentos de doenças nessa faixa etária (Urzúa Maria & Navarrete, 2013; Quiroz, Garcia, Castro, Encinas, & Flores, 2013; Lucas-Carrasco et al., 2011; Peel, Bartlett, & Marshall, 2007; Fleck et al., 2006).

Pesquisa realizada por Tahan e Carvalho (2010) com idosos participantes de grupos de promoção de saúde em Unidades de Estratégia Saúde da Família, no município de Ribeirão Preto (SP), teve como objetivo analisar as percepções dos idosos em relação à sua qualidade de vida após a adesão a Grupos de Promoção de Saúde. De modo geral, os resultados revelaram que os idosos valorizam a independência e autonomia na realização de suas atividades e atribuem uma vida saudável a comportamentos adequados em relação aos cuidados com a saúde. Destacaram as atividades de lazer, a participação nos grupos de promoção de saúde e os bons relacionamentos como imprescindíveis para satisfação e a qualidade de vida.

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De acordo com pesquisa realizada por Vieira et al. (2012) com idosos residentes em instituição de longa permanência e frequentadores de um grupo de convivência, ambos localizados na cidade de João Pessoa (PB), as representações sociais da qualidade de vida na velhice mostraram-se condizentes com a descrição científica e assumiu um contorno diferenciado em função do grupo de pertença. Os elementos representacionais presentes no discurso dos dois grupos estudados foram relacionados a quatro categorias gerais: aspectos físicos (relacionados à saúde e alimentação), psicológicos (ligados à felicidade), sociais (família, lazer, amizade e trabalho) e espirituais (paz e crença em Deus). No que se refere às diferenças representacionais, para os idosos institucionalizados, a qualidade de vida é algo que lhes falta, que perderam ou que buscam (autonomia, autoestima, cuidado), e, para os idosos frequentadores do grupo de convivência emergiram em suas representações sociais conteúdos ligados à prática de atividades esportivas e à importância da independência para a qualidade de vida.

Entre os estudos que avaliam a QV do idoso na comunidade, Faller et al., (2010) avaliaram a qualidade de vida de idosos cadastrados nas Unidades de Saúde da Família (USF) de Foz do Iguaçu (PR). Os resultados mostraram que os idosos do sexo masculino apresentaram melhores índices de QV em todas as facetas, exceto na faceta Intimidade. A faixa etária com melhor QV foi a de 60 a 69 anos, e esta cai drasticamente a cada década, de modo que menos da metade dos idosos com 80 ou mais anos apresentam índice de QV considerado adequado. Melhores índices de QV também foram observados entre os idosos casados, de cor/etnia branca, nos que seguem uma religião, residem com a família, não são aposentados, que exercem uma atividade remunerada, os de renda entre 1 a 3 salários mínimos e com escolaridade inferior a 8 anos. Ainda segundo os autores, o aspecto que mais compromete a qualidade de vida dos idosos é a falta de perspectivas de participação social na comunidade.

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Estudo desenvolvido por Vitorino et al. (2013) teve como objetivo comparar a percepção da qualidade de vida entre idosos da comunidade de Porto Alegre (RS), e idosos institucionalizados de duas cidades no interior de Minas Gerais (Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí) e identificar fatores associados à qualidade de vida entre esses idosos. Os resultados não apontaram diferenças estatisticamente significativas na percepção da qualidade de vida entre os idosos institucionalizados e os não institucionalizados, mas, sim, no tocante às características sociodemográficas e de saúde. Os idosos com maiores níveis de escolaridade (médio ou superior e primário completo ou ginásio), que se percebiam saudáveis e que possuíam atividade de lazer, perceberam-se com melhor QV no domínio psicológico. Os idosos com maior nível de escolaridade e mais velhos perceberam-se com melhor QV no domínio relações sociais.

Em pesquisa realizada por Alencar et al. (2010), o objetivo foi avaliar e comparar a qualidade de vida de idosas residentes em ambientes urbano e rural no Ceará. A pesquisa constatou que 46% das idosas residentes na área urbana apresentaram níveis suficientes de QV, sobrepondo-se a 40% dos indivíduos residentes na zona rural. De modo geral, concluiu-se que o fato de residir em regiões geograficamente diferentes não interferiu nos níveis de qualidade de vida da amostra estudada.

Em contrapartida, pesquisa realizada por Anes, Fernandes, Antão, Magalhães e Geraldes (2012) identificou diferenças na avaliação da qualidade de vida subjetiva, enquanto percepção individual, em idosos residentes em meio urbano e rural de duas cidades de Portugal. Em termos médios, os escores de qualidade de vida dos idosos residentes em zona rural foram superiores, quer para as dimensões físicas, quer para as psicológicas, dos idosos de zona urbana.

Os estudos sobre QV na população idosa avaliam também os prováveis determinantes da qualidade de vida nesse grupo. Carvalho et al (2010) identificaram que a

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boa autopercepção da saúde e a prática de exercícios físicos moderados ou vigorosos aumentou os escores de qualidade de vida em idosos enquanto o uso de maior número de medicamentos diminuiu esses escores. Pesquisa desenvolvida por Torres et al. (2010) também verificou que a prática de atividade física proporciona um bem-estar físico, mental e emocional que influencia na melhora da qualidade de vida de idosos praticantes de atividade física.

Partindo do pressuposto de que o espaço é produto e produtor de diferenciações sociais e ambientais que refletem sobre a saúde e a qualidade de vida da população, Tavares e Dias (2011) realizaram uma pesquisa com o objetivo de descrever o perfil sociodemográfico e a qualidade de vida dos idosos, e identificar e mapear áreas de menores escores de qualidade de vida. Foram entrevistados 2.142 idosos no domicílio, na zona urbana do município de Uberaba-MG. A distribuição espacial dos menores escores de qualidade de vida apresentou aglomerados nas regiões periféricas do município. A qualidade de vida evidenciou maiores escores para o domínio relações sociais e a faceta funcionamento dos sentidos, enquanto os menores estavam relacionados ao físico e à autonomia.

Estudo de Pereira et al. (2011) observou que variáveis como utilização de medicamentos, necessidade de cuidados médicos, ausência de cobertura por plano de saúde privado, presença de comorbidades, problemas do sono e aposentadoria são fatores de risco para baixos escores de qualidade de vida no idoso. Fatores como depressão, problemas de memória e dificuldades em realizar atividades da vida diária apresentaram associação com índices de qualidade de vida em pesquisa realizada por Baernholdt et al., (2012). Pesquisa realizada por Januário et al. (2011) identificou também que idosos participantes de programas de exercícios têm melhor percepção de qualidade de vida, principalmente quando analisados os componentes relacionados à capacidade funcional e

93 aspectos sociais.

De modo geral, os estudos sobre qualidade de vida de pessoas idosas indicam que, além dos fatores inerentes ao próprio processo de envelhecimento, existem outros determinantes que influenciam na qualidade de vida das pessoas idosas, entre eles: a capacidade funcional, o nível socioeconômico, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade (Baernholdt et al., 2012; Januário, et al., 2011; Rodrigues & Lara, 2011; Vecchia, Ruiz, Bocchi, Corrente, 2005). Além disso, estudos recentes apontam que a violência também interfere na qualidade de vida (Mascarenhas et al., 2012). Segundo a OMS, a violência contra as pessoas idosas interfere em diferentes esferas da qualidade de vida das pessoas: física, psicológica/emocional, sexual e financeira (WHO, 2008).

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