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A ideia inicial de disseminação da mensagem do Empreendedorismo no segmento educacional, de acordo com Dolabela (2000), surgiu na FGV-Eaesp, em 1981, e difundiu-se pela atuação de diversas universidades e importantes instituições brasileiras (Sebrae, IEL, CNPq e BNDES) e por meio do lançamento de programas de educação no âmbito do Governo Federal.

Na rede federal de educação profissional e tecnológica, o ensino do Empreendedorismo começou a encontrar espaço a partir da reforma educacional iniciada com a Lei nº 9.394, de 1996, que estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional e se fortaleceu com a promulgação do Decreto nº 2.208, de 1997, que determinou um novo direcionamento para a educação profissional ao desvincular a formação geral da formação profissional. Vale destacar que ambos os documentos sugerem explícito relacionamento entre a educação profissional e as exigências do mercado de trabalho.

O professor Claudio Valerio de Paula Brotto, que presenciou as primeiras ações de inserção do Empreendedorismo no Ifes, afirma que o tema foi introduzido oficialmente como disciplina curricular na escola no início dos anos 2000, quando a instituição ainda era denominada de Cefetes. Porém, recorda-se de que, antes disso, por volta dos anos finais da década de 1990, a ideia de empreender já era trabalhada por alguns docentes em suas disciplinas, como um conteúdo transversal, em diferentes cursos da antiga ETV (BROTTO, 2015).

Claudio Brotto admite que o Empreendedorismo aportou na escola em função das políticas educacionais do governo de FHC e que esse conteúdo foi difundido na instituição, de maneira geral, como uma alternativa ao emprego formal em face às elevadas taxas de desemprego e de informalidade no mercado de trabalho que ora o País experimentava. Nesse sentido, ele deixou claro que, em conjunto com a mensagem do Empreendedorismo, havia um direcionamento para que os alunos abrissem as suas próprias empresas e excluíssem da mente a ideia de que as Escolas Técnicas só formavam alunos para atuar como empregados, visto que o emprego formal não era mais uma “realidade”. Em

resumo, a proposta era mostrar outras perspectivas para os discentes, se não a de serem donos dos seus próprios negócios, ao menos que eles se tornassem intraempreendedores (BROTTO, 2015).

O relato do professor Claudio Brotto, a respeito da inclusão do ensino do Empreendedorismo no Cefetes, está em conformidade tanto com o que consta nos documentos usados nas ações governamentais para introduzir esse conteúdo na rede federal de educação profissional e tecnológica quanto com o que foi apresentado em alguns trabalhos acadêmicos que retratam esse processo, especialmente com o de Coan (2011), que estudou a incorporação do ensino do Empreendedorismo no Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (Cefet-SC). A divergência mais marcante no processo em que ambos, o Cefetes e o Cefet-SC, se envolveram deu-se pela opção voluntária dos servidores em participar da formação para o Empreendedorismo na primeira instituição e da compulsoriedade dela na segunda.

Assim sendo, da mesma forma como ocorreu no Cefet-SC, o ensino do Empreendedorismo no Cefetes foi efetivamente incluído na matriz curricular de alguns dos seus cursos, tornando-se uma disciplina enquanto tal, como consequência do Projeto de Formação Empreendedora na Educação Profissional de Nível Técnico.

Esse projeto estava vinculado ao Programa Integrado MEC (Semtec)/Sebrae de Técnicos Empreendedores, em parceria com a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (Feesc) e com a UFSC, por meio do seu Laboratório de Ensino a Distância (LED), e tinha a intenção de capacitar, em um período de aproximadamente quatro meses (outubro de 2000 a fevereiro de 2001), os 12.971 professores, das 139 Ifets do País, para os pressupostos básicos do Empreendedorismo, no intuito de que eles pudessem, já a partir de 2001, desenvolver nos 256 mil alunos dessas insituições competências e habilidades em ações orientadas para resultados (SEMTEC/SEBRAE, 2000).

O Projeto de Formação Empreendedora na Educação Profissional de Nível Técnico foi desenvolvimento em duas etapas. A primeira fase, intensiva e presencial, concentrou-se na formação de 246 multiplicadores, professores das Ifets e profissionais indicados pela Semtec/MEC, que foram capacitados em workshops realizados em Recife,

Belo Horizonte, Florianópolis e Belém. A segunda etapa, continuada a distância, direcionou- se para a capacitação dos professores das Ifets. Os participantes receberam um kit instrucional contendo um vídeo, um CD-ROM e um guia do estudante a distância (composto por um livro- texto e um caderno de atividades); participaram de oito teleconferências e de sessões de orientação com tutores e monitores; e, ao final do curso, apresentaram o Pape, isto é, uma representação do trabalho que pretendiam desenvolver com os seus alunos em sala de aula (SEMTEC/SEBRAE, 2000).

Para complementar a formação dos seus servidores, o Cefetes promoveu ainda um treinamento com Fernando Dolabela, já anunciado nesta tese como um dos principais defensores da educação voltada para o Empreendedorismo no Brasil e autor de livros sobre o tema e de metodologias para o seu ensino. Ele incentivou os seus docentes a participar do Empretec, uma metodologia voltada para o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor e para a identificação de novas oportunidades de negócios, desenvolvida pela ONU e realizada no Brasil pelo Sebrae. É importante destacar que havia na instituição, na ocasião desse treinamento, um pequeno grupo de docentes que fazia críticas relacionadas com o discurso propagado por Fernando Dolabela (BROTTO, 2015).

De uma forma ou de outra, seja como um tema transversal às diversas disciplinas do currículo, seja como uma disciplina propriamente dita, seja apenas como uma ideia ou como um comportamento que permeia a ação das pessoas, não se pode negar que o Empreendedorismo foi introduzido e ganhou evidência no Ifes. Prova disso foi a criação do curso Técnico em Gestão Empreendedora,101 da Incubadora de Empreendimentos de Base Tecnológica, da Agência de Inovação do Ifes (Agifes) e de uma série de atividades regulares envolvendo a temática na instituição, como: apresentações de planos de negócio, formação de miniempresas, palestras com empreendedores regionais, feiras de negócios etc. Resta descobrir como esse conteúdo foi assimilado e como ele está sendo difundido na instituição.

101 Para se adequar às novas denominações do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, lançado pelo MEC em junho de 2008, o curso passou a se chamar Técnico em Administração.