Com a globalização econômica e os avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas, o mercado de trabalho passou a exigir maior profissionalização. Com isso, aumenta cada vez mais a demanda por profissionais qualificados para exercer funções tanto produtivas quanto gerenciais. Nesse cenário de mercado de trabalho competitivo, as instituições de ensino superior brasileiras, que a partir da década de 1990, especialmente com a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, expandiram-se e estruturaram-se desde então, com a obrigação de contribuir para a formação e credenciamento de profissionais para o mercado. Essas mudanças no ensino superior apontam para a relevância da qualidade da educação como fator essencial e diferencial para que o país possa ter competitividade frente às demandas e exigências internacional.
Nesse contexto, possuir um diploma de nível superior, tornou-se algo fundamental, para o indivíduo sentir-se realizado pessoal e profissionalmente. Nesse processo, a motivação se destaca como elemento de grande importância na busca de um desempenho satisfatório do estudante enquanto este permanecer na longa jornada que é o curso superior.
O assunto motivação tem sido colocado no centro das discussões, principalmente no contexto escolar, dessa forma Bzuneck (2009) afirma que esse assunto foi progressivamente estudado na história da Psicologia, sob vários ângulos e abordagens. Teorias estas que têm buscado compreender a motivação ou a força que leva as pessoas a agirem em prol de atingir determinados objetivos.
A motivação faz parte do cotidiano dos indivíduos nas diferentes fases da vida, englobando a área social, profissional, educacional, dentre outras. Referindo-se de modo específico acerca do contexto educacional, alunos do ensino superior encaram, principalmente nos primeiros dias de sua vida acadêmica, desafios que podem mexer com o nível motivacional dos mesmos. Alguns fatores podem estar relacionados a esses desafios tais como incertezas quanto ao curso escolhido e que profissionais pretendem ser futuramente.
Por outro lado, há aqueles alunos que já sabem o que querem, se envolvem com entusiasmo nas atividades que lhes são propostas etc., porém, é fundamental, também, nestes
casos, o papel da motivação, no sentido de identificar o que impulsionam estes estudantes a desejarem cada vez mais a busca por conhecimento.
Para os estudantes universitários de forma geral, especialmente os que estão em dúvida quanto à carreira profissional, a falta de motivação se torna um fator agravante para esses alunos que ingressam numa universidade cheios de incertezas e muitas vezes angustiados. Assim, professores, gestores e demais servidores que atuam no ambiente universitário, devem estar preparados para dar respostas e direcionamento a essas questões. Detectado os fatores que causam a desmotivação, trabalhar estratégias de motivação, pode-se evitar a falta de compromisso por parte do aluno ou até mesmo sua evasão, bem como evitar a formação medíocre de profissionais que entrarão no mercado de trabalho.
De acordo com Bzuneck (2009) a motivação tornou-se um problema de ponta em educação, pela simples constatação de que, em paridade de outras condições, sua ausência representa queda de investimento pessoal de qualidade nas tarefas de aprendizagem. Alunos desmotivados estudam muito pouco ou nada e, consequentemente, aprendem muito pouco. E o resultado dessa situação educacional é o impedimento de formação de indivíduos mais competentes para exercerem a cidadania e realizarem-se como pessoas, além de se capacitarem pela vida afora. Portanto, sem aprendizagem escolar, que por sua vez depende de motivação, o futuro fica praticamente comprometido.
Conforme a Teoria da Autodeterminação desenvolvida por Deci e Ryan (2000), a motivação em termos gerais, pode ser extrínseca, provocada por fatores externos, ou intrínseca, originada no interior do indivíduo. Fazendo uma relação entre a motivação extrínseca e a universidade, esta se encarrega da responsabilidade no que diz respeito à manutenção do bom desempenho do estudante durante o curso. Nesse contexto, pode-se elencar questões como a estrutura física da universidade, desempenho dos professores, assistência ao estudante, entre outros. Já os fatores desmotivadores que se enquadram nesse sentido, podem ser a dificuldade do aluno em se adaptar ao ritmo de estudo, bem como a dificuldade de conciliar trabalho e estudo, visto que muitos acadêmicos precisam trabalhar seja para se manterem ou completar a renda familiar (ALMEIDA, 2012).
A motivação intrínseca por sua vez, tem sua contribuição relevante durante toda a caminhada do ensino superior pois, conforme Guimarães (2009) o aluno intrinsecamente motivado, fixa metas pessoais, demonstra seus acertos e dificuldades, planeja as ações necessárias para viabilizar seus objetivos e avalia adequadamente seu progresso. Dessa forma, os fatores atribuídos a esse tipo de motivação envolvem o aprendizado, aperfeiçoamento de
habilidades, relacionamento interpessoal, perspectiva de sucesso profissional ou, em último caso, a busca pelo diploma. É interessante observar ambos os tipos de motivações intrínseca e extrínseca, bem como outros tipos presentes na literatura, devem atuar harmoniosamente, em qualquer ambiente escolar, e assim desempenharem um papel importante no processo ensino e aprendizagem.
Estudos realizados por Ruiz (2005) e Stipek (1998) comprovam que a motivação dos alunos tende a diminuir conforme as séries vão avançando. Segundos os autores, na educação infantil, o interesse, a atenção e a curiosidade pelas atividades que lhes são propostas, são claramente manifestados pelos alunos nessa faixa etária. Porém, à medida que as séries vão prosseguindo até o ensino superior, observam-se de um modo geral, comportamentos que revelam sentimentos de desinteresse, descontentamento e desmotivação.
Para Dembo (2000), as crianças e os adolescentes certamente dependem mais da orientação e atenção dos seus professores do que os universitários. Estes por sua vez, precisam ser mais conscientes em relação ao seu próprio comportamento, motivação e cognição. Devem ter crenças motivacionais positivas e praticar estratégias autorreguladas de aprendizagem, uma vez que esse aprendizado não será usado somente na universidade e, sim para a sua vida inteira.
Dessa forma, um aluno desmotivado tende a diminuir seus rendimentos, uma vez que o foco de antes vai-se perdendo e é muito comum, nessa fase, a desistência ou o abandono do curso, mesmo diante do mínimo obstáculo.
Segundo Gil et al. (2012), renunciar a algo que no começo era desejável e agora parece muito sofrido ou difícil, talvez estabeleça a diferença entre o desejo de saber e a decisão de aprender. Aprender exige tempo e esforço, os quais dependem da motivação. Por sua vez, a desmotivação pode levar a sentimentos de angústia, fracasso, frustração, entre outros.
Para Almeida (2012) o rendimento individual depende principalmente da motivação tanto intrínseca como extrínseca. No entanto, há outras variáveis, como o esforço, as capacidades individuais, o suporte social e a experiência prévia que também influenciam o rendimento, podendo haver também variáveis de caracterização pessoal, percepção do aluno acerca do curso, o objetivo de concluir os estudos e atuar na área de formação.
Assim, percebe-se que a motivação, principalmente a extrínseca, pois essa depende de fatores externos, é primordial dentro do contexto acadêmico para que o aluno permaneça e conclua seus estudos. Para isso, é necessário que a universidade além de uma boa estrutura física, professores qualificados, acolha melhor seus alunos, especialmente quando do ingresso destes, pois estudos comprovam, dentre eles, destaca-se o trabalho de Andriola (1997), que o
maior índice de evasão acontece nos primeiros semestres. Este mesmo autor, enfatiza ainda que no decorrer do tempo, a persistência ou evasão do aluno muitas vezes está relacionada com as interações deste com o ambiente acadêmico e social da instituição, o que pode favorecer ou não suas intenções e seus compromissos com o curso.