• No results found

Herndon (122) descreveu mais de 150 escalas de avaliação com diferentes objetivos: comportamental, atividades diárias, cognitivas, desenvolvimento motor fino, desenvolvimento motor geral, qualidade de vida, sensório-motor, etc. Algumas dessas avaliações foram desenvolvidas para patologias específicas, outras são genéricas. Contudo, para avaliar funcionalidade na criança duas escalas são as mais citadas: uma delas é a WeeFIM (versão pediátrica da FIM – Functional Independence Measure) e a outra o PEDI (Pediatric Evaluation of Disability Inventory) (123) que foi traduzida para o português como Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (124) .

2.2.1 Instrumento utilizado

Utilizou-se o PEDI por ser validado para a população brasileira, por ser mais complexo e sensível quando comparado ao WeeFIM (122) e principalmente por abranger o desempenho funcional, levando em consideração todos os aspectos do desenvolvimento, desde a função motora até a função social, sabidamente comprometida nos indivíduos autistas.

O PEDI é um instrumento que foi desenvolvido para proporcionar uma avaliação do desempenho funcional da criança de 0 a 8 anos e do nível de independência nas atividades diárias em seu meio ambiente, avaliando três áreas de desempenho: autocuidado, mobilidade e função social (124) .

Esta avaliação é dividida em três partes distintas, sendo que cada parte inclui as três áreas de desempenho citadas acima. A primeira parte avalia as habilidades ou capacidades funcionais da criança; a segunda parte informa sobre a quantidade de ajuda ou assistência que a criança recebe para desempenhar as atividades funcionais e a terceira parte documenta as modificações do ambiente necessárias para o desempenho de tarefas funcionais (124).

2.2.2 PEDI - Parte I

A primeira parte do teste informa sobre as habilidades funcionais da criança para realizar atividades e tarefas de seu cotidiano, nas três áreas de função: auto- cuidado (73 itens), mobilidade (59 itens) e função social (65 itens). Cada uma destas áreas constitui uma escala funcional que, ao serem administradas, fornecem um escore bruto total. Na escala de autocuidado, o desempenho da criança é documentado nas seguintes tarefas: alimentação (14 itens); higiene pessoal (14 itens); banho (10 itens); vestir (20 itens); uso do toalete (5 itens) e controle esfincteriano (10 itens). Os 59 itens de habilidades funcionais da escala de mobilidade são agrupados nas seguintes atividades: transferências (24 itens); locomoção em ambiente interno (13 itens); locomoção em ambiente externo (12 itens) e uso de escadas (10 itens). Na escala de função social, os 65 itens ou habilidades funcionais são assim agrupados: compreensão funcional (10 itens); expressão funcional (10 itens); resolução de problemas (5 itens); brincar (15 itens); auto-informação (5 itens); orientação temporal (5 itens); participação na rotina doméstica/comunidade (10 itens) e noções de auto- proteção (5 itens) (124) .

Para cada item da Parte I deste teste, das três escalas funcionais, é atribuído o escore 1 (um ponto), se a criança for capaz de executar a atividade funcional, ou o escore 0 (zero ponto), se a criança não for capaz de executar a atividade funcional. O escore total bruto obtido em cada escala desta parte é o resultado do somatório dos escores pontuados pela criança nas atividades incluídas em cada área de função (124).

Para a interpretação do PEDI os escores brutos são transformados em escores normativos de acordo com a idade da criança, de acordo com o manual da versão brasileira adaptada (124).

2.2.3 PEDI – Parte II

A Parte II deste teste informa sobre a independência da criança, que é inversamente documentada pela quantidade de ajuda fornecida pelo cuidador na realização de 20 tarefas funcionais nas mesmas áreas de autocuidado (8 itens); mobilidade (7 itens) e função social (5 itens). Desta forma, quanto mais ajuda a criança receber de seu cuidador para realizar tarefas funcionais, menor será a sua independência nestas tarefas. Nessa parte, a escala de autocuidado informa sobre a

independência de criança nas tarefas de alimentação, higiene pessoal, vestir (parte superior e inferior), uso do banheiro e controle esfincteriano (124) .

A escala da mobilidade documenta a independência para realizar transferências variadas (isto é, no banheiro, no carro/ônibus, na cama, no chuveiro), e para locomoção em diversos ambientes (ambientes internos, externos e subir/descer escadas) (124).

A escala de função social da Parte II informa sobre a independência da criança nas seguintes tarefas: compreensão de ordens e informações, expressão, resolução de problemas, brincar com outras crianças e noções de tempo e segurança (124).

Cada item desta parte é pontuado em uma escala ordinal, que varia do escore 5, se a criança desempenhar a tarefa de forma independente, sem qualquer ajuda ou assistência do cuidador, ao escore 0, se a criança necessitar de total assistência do seu cuidador, sendo completamente dependente no desempenho da tarefa funcional. Escores intermediários descrevem quantidades variadas de ajuda fornecida pelo cuidador, tais como supervisão (escore 4), assistência mínima (escore 3), assistência moderada (escore 2) ou assistência máxima (escore 1) (124) .

2.2.4 PEDI – Parte III

A terceira parte do teste PEDI documenta as modificações do ambiente utilizadas pela criança no desempenho das tarefas de autocuidado, mobilidade e função social. Nessa parte, as modificações do ambiente são documentadas na forma de freqüência, em escala nominal que inclui quatro categorias distintas: nenhuma, centrada na criança, de reabilitação ou extensiva. Essa terceira parte do teste se caracteriza como escala qualitativa, uma vez que as modificações não são pontuadas com escores (124).

2.2.5 Administração do PEDI

O teste PEDI pode ser administrado de três métodos diferentes, quais sejam: 1- Método de entrevista: a aplicação do questionário pode ser realizada por meio

de entrevista estruturada com o cuidador da criança. Para tanto, deve-se escolher como entrevistado aquele indivíduo que melhor puder informar sobre o desempenho típico da criança no seu cotidiano (124) .

2- Método de julgamento clínico: neste caso, o questionário será aplicado no formato de julgamento clínico de um ou mais profissionais que estejam familiarizados com a criança e que possam informar sobre o desempenho funcional no ambiente doméstico. É importante, aqui, considerar que muitas vezes o desempenho apresentado pela criança no ambiente clínico ou institucional pode ser diferente do desempenho típico da criança em ambiente residencial (124) .

3- Método de observação direta: o questionário pode ser aplicado por meio da observação direta da criança na realização das atividades propostas. Alguns conteúdos do PEDI, entretanto, podem ser restringidos por observação direta, por incluir situações que a criança possa se sentir intimidada com a presença do avaliador (124) .

3. MÉTODOS