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5. FINDINGS & DISCUSSION

5.2 O RGANISATIONAL C LIMATE & P RACTICE

5.2.3 Management & Leadership

Houve uma influência importante que determinou o curso do desenvolvimento do reggae - o surgimento do rastafarianismo. O rastafarianismo é um movimento baseado nas interpretações idiossincráticas de certas passagens-chave do Antigo Testamento. As origens do movimento Rastafári estão baseadas nas idéias do nacionalista negro jamaicano Marcus Garvey. Ele foi influenciado por uma forma de nacionalismo negro chamado de etiópianismo e começou a espalhar suas idéias de repatriação para a África no início de século XIX. Foi Garvey quem criou o slogan “África para os Africanos”.

O imperador Ras Tafari Makonnen é coroado rei da Etiópia em 1930 e este dia de coroamento é de grande importância para os rastafáris - seguidores do rastafarianismo. É neste dia que a profecia de Marcus Garvey e, também, da Bíblia é cumprida: o rei negro capaz de juntar todos os africanos foi coroado na Etiópia. Em língua amárica (idioma oficial da Etiópia), Ras literalmente significa “cabeça", um título etíope equivalente a príncipe. Tafari em amárico significa um homem que é para ser temido, ou um herói. Ras Tafari tomou o nome de Haile Selassie e adotou a alcunha de Lẽo de Judá. Os adeptos do rastafarianismo atribuíram também ao rei os

piece. Written down, it looks like a simple lineup of notes and pauses, often in itself frequently repeated, but when played, it turns out to be a sophisticated hypnotic maneouvre. Repetition is always a predominant feature of black music, but in reggae, even the pauses form a trickily syncopated pattern.

41 títulos de Rei dos Reis, Lẽo Conquistador da Tribo de Judá, entre outros, pois acreditavam ser ele a representaç̃o viva de Jah (Deus). Ras Tafari Makonnen, agora Haile Selassie, auto-proclamou-se como a linhagem do bíblico Rei Salomão e da rainha Sheba da Etiópia e afirmou que suas raízes estariam na casa do rei David (assim como Jesus para os cristãos).

A coroação de Haile Selassie inspirou o jamaicano Leonard Howell a reforçar as idéias de rastafarianismo e a formar uma comuna chamada Pinnacle, que se tornou um lugar famoso onde os Rastafáris se reuniam e viviam. Essa comunidade chegou a ser uma grande ameaça para as autoridades jamaicanas e foi destruída em 1954. Howell estava encorajando os jamaicanos a rejeitar a autoridade do rei da Inglaterra e dar a sua lealdade ao novo imperador da Etiópia Haile Selassie (KING, 2002). O rastafarianismo se afastou da cultura britânica e mudou o foco para questões locais e raciais, no sentido de reclamar a posição discriminada do negro na sociedade jamaicana. Naquela época, a maioria dos jamaicanos - especialmente as classes média e alta - desaprovou essas novas idéias. Porém, elas sinalizaram um movimento em direção à cultura local.

Algumas características principais de rastafarianismo são o nacionalismo africano, fundamentado no retorno dos negros à terra prometida (Zion), escapando da opressão da vida ocidental; separação política e social da Babilônia (ou seja, a cultura ocidental e suas influências), lutando contra a injustiça e a desigualdade; e a divindade de Haile Selassie. O rastafarianismo favorece cuidados pessoais, resultando no penteado conhecido como dreadlocks (aglomeração de fios de cabelo em formato cilíndrico) e a prática chamada de ital - um jeito de viver puramente natural. Eles negam tudo o que é modificado pela Babilônia. Portanto, comem apenas o que Jah (Deus) fornece e não consomem produtos químicos, tabaco, álcool e alimentos embalados e incentivam o consumo de frutas e vegetais naturais. Um dos símbolos do movimento rastafári, frequentemente relacionado com a cultura reggae, são as cores vermelha, amarelo e verde. Os rastafáris adotaram estas cores da bandeira da Etiópia. Em geral, de acordo com a sua filosofia pan-Africana, os rastafáris interpretam estas cores da seguinte forma: a cor vermelha representa o sangue derramado pelo povo Africano, o amarelo significa o sol da terra Africana e o verde significa a vegetação luxuriante e as terras férteis do continente Africano. Em homenagem à Etiópia, como a mais antiga nação independente da África, essas cores podem também simbolizar a

42 unidade Africana e a libertação pan-Africana. O tricolor etíope tornou-se tão intimamente associado com a música reggae que muitas vezes aparece como um pano de fundo em shows de reggae (estendida sobre o palco por trás dos músicos), em capas de álbuns de reggae, como um estilo de roupa dos regueiros (às vezes em associação com símbolos típicos, como o Leão de Judá Conquistador ou a folha de maconha) e assim por diante.

O uso da maconha é outra característica do movimento Rastafári. Os rastafáris acreditam que ganja - marijuana, cannabis, maconha - é uma erva medicinal milenar usada não para diversão ou prazer, mas sim como um sacramento religioso para limpeza e purificação em rituais controlados. Alguns rastafáris escolhem não usá-la. Muitos sustentam o seu uso através de Génesis 1:29: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento”. O rastafarianismo é freqüentemente associado com a população negra e pobre da Jamaica. Não é apenas uma religião, mas um modo de vida (HEBDIGE, 1979; ANDERSON, 2004). O rastafarianismo é de importância fundamental no desenvolvimento do reggae, junto com a consciência da injustiça social e o desejo de modificá-la.

Assim como a doutrina protestante e a liturgia católica deu origem a muitas das obras musicais marcantes da Renascença e do Barroco, o rastafarianismo formou a base filosófica para a maioria das obras verdadeiramente notáveis de cânone do reggae (ANDERSON, 2004, p. 209).25

O rastafarianismo é uma religião orientada para a mudança social. Na Jamaica, seu objetivo foi trazer o avanço dos negros através de uma valorização do seu patrimônio Africano. No inicio, o rastafarianismo estava sendo praticado principalmente na periferia das cidades da Jamaica e os rastas procuraram uma voz para a divulgação das suas ideias, para incentivar a resistência às estruturas sociais opressivas. Quando os músicos jamaicanos do reggae começaram a abraçar as ideias do rastafarianismo, o reggae se tornou um meio de propagação dessas crenças. Com o reggae, o rastafarianismo ganhou um poderoso meio de transmissão das suas mensagens por toda a ilha. O reggae e o rastafarianismo representam duas formas de

25 Much as Catholic and Protestant doctrine and liturgy gave rise to many of the landmark musical works of the Renaissance and baroque periods, so Rastafarianism formed the philosophical foundation for most of the truly noteworthy works in the reggae canon.

43 expressão, formadas no contexto de opressão. Juntos, eles têm contribuído significativamente para a mudança das ideologias, atitudes, crenças e ações do povo jamaicano. A linguagem metafórica do reggae serviu como a base para fortalecer a ideia de construção de uma nova identidade social, nacional e cultural jamaicana.

Bob Marley era um crente rastafári e com o seu sucesso internacional, ele abriu as portas para os outros artistas de reggae, avançando ainda mais na divulgação das ideias de rastafarianismo. Vários músicos jamaicanos de reggae espalharam a mensagem do rastafarianismo ao redor do mundo. Sem o reggae, provavelmente poucas pessoas saberiam sobre esta religião e suas crenças. Na análise etnográfica e técnico-linguística da presente pesquisa, a questão do rastafarianismo foi investigada em prol de identificar até que ponto os seus conceitos estão manifestados no reggae de JP-C-CG.