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Conceptual framework for political communication on social media

Part II includes the five empirical articles

Chapter 3. Theoretical discussion

3.5. Conceptual framework for political communication on social media

A qualidade de vida após a lesão medular decorre da qualidade e quantidade da reabilitação, instituída desde a fase aguda, incluindo a fase imediatamente após a LVM. Esta deve ter uma abordagem holística que previna complicações que podem ter efeito devastador sobre a independência no autocuidado destes indivíduos, impedindo-os frequentemente de retornar ao convívio em sociedade (Saunders, Krause, Peters, & Reed, 2010).

A intervenção do EEER ultrapassa a simples manutenção de amplitudes articulares e o fortalecimento muscular. O EEER utiliza todo o potencial plástico demonstrado para optimizar função e promover sua independência (Hoffman & Field-Fote, 2007; Lim & Tow, 2007).

As metas de reabilitação devem ser traçadas em conjunto com o indivíduo e com a sua família. O início precoce do treino de Actividades de Vida Diária (AVD) constitui um poderoso estímulo à prevenção das perdas neuro-motoras. O ganho da independência da pessoa no seu auto cuidado nas suas rotinas de cuidado diárias favorece a vivência de um potencial produtivo, diminui os sentimentos de menos valia e diminuindo a baixa auto-estima. As estratégias a adoptar dependem das condições clínicas e das possíveis comorbilidades associadas à lesão medular (Ministério da Saúde: Secretaria de Atenção à Saúde - Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, 2012)

Para se poder descrever o impacto da LVM, especificamente da paraplegia, na pessoa, é necessário uma ferramenta estandardizada de avaliação. O uso de escalas funcionais facilita o processo de avaliação do evoluir da reabilitação, auxiliando o EEER e os restantes profissionais da equipa multidisciplinar na construção e constante actualização de um plano de reabilitação global (Ministério da Saúde: Secretaria de Atenção à Saúde - Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas, 2012).

Existem várias escalas que permitem efectuar esta avaliação. Entre as mais utilizadas encontram-se a Medida de Independência Funcional (MIF), a Medida de Independência na Lesão Medular (SCIM) e a Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) (Anderson et al., 2008; Marino, 2007).

A MIF foi desenvolvida para avaliar e monitorizar o processo de reabilitação de doentes com múltiplas incapacidades e causas subjacentes (Segal, Ditunno, & Staas, 1993). A MIF possui 18 itens, agrupados em 6 áreas de função: autocuidado, controle de esfíncteres, mobilidade, locomoção, comunicação e cognição social. Na área de função autocuidado avalia: alimentação, higiene pessoal, banho (lavar o corpo), vestir metade superior, vestir metade inferior e utilização da sanita. Cada item é avaliado numericamente entre 1 (Ajuda Total) e 7 (Total Independência) (Segal et al., 1993).

Silva, Schoeller, Gelbcke, Carvalho e Silva (2012) realizaram um estudo, aplicando a MIF, de forma a investigar o ganho funcional de 228 pessoas com paraplegia, após um programa de reabilitação global e multidisciplinar. O estudo revelou uma melhoria em todos os itens, menos relevante apenas nos itens alimentação e higiene pessoal (Silva et al., 2012).

A CIF é um modelo de estrutura preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para a definição, mensuração e consequente formulação de políticas para a saúde e incapacidade (Dunn, Sinnott, Nunnerley, & Scheuringer, 2009). Ele estabelece uma linguagem padrão e uma estrutura para a descrição da saúde e dos estados relacionados à saúde (World Health Organization, 2002). Na medida em que os estados de saúde (doenças, distúrbios, lesões, etc.) são classificados na CID-10 (World Health Organization, 2010), a funcionalidade e a incapacidade, associadas a esses estados de saúde, é classificada utilizando a CIF. Estas classificações complementam-se e devem utilizadas em conjunto. De relevar que a CID-10 é uma classificação imutável, associada ao aspecto biofísico da doença, ao passo que a CIF é uma classificação dinâmica, em que o indivíduo, no decorrer do seu processo de reabilitação e normal evolução no decurso da sua vida, irá transitar por vários níveis. No que concerne à reabilitação este factor assume grande relevo no sentido em que é impossível verificar os ganhos obtidos pela reabilitação recorrendo à CID- 10. Na CIF o funcionamento do ser humano decorre do funcionamento do corpo humano, do ser humano como um todo e do ser humano como um todo inserido num contexto (World Health Organization, 2002). A CIF utiliza na sua classificação as: Funções do Corpo (b), Estruturas do Corpo (s), Actividades e Participação (d) e Factores Ambientais (e). Cada uma das letras é seguida pelo número do capítulo

(um dígito), seguido pelo segundo nível (dois dígitos) e o terceiro e quartos níveis (um dígito cada). Os constructos da CIF organizam-se de maneira que as categorias mais amplas são definidas de forma a incluir subcategorias mais detalhadas, completando assim a taxonomia da classificação (Organização Mundial de Saúde, 2004).

Um estudo de caso, realizado por Glässel et al. (2012) revelou, naquele caso concreto de uma pessoa de 26 anos com paraplegia, existiram melhorias visíveis na avaliação com a CIF da pessoa durante e após o processo de reabilitação global, sendo que a evolução medida pela escala serviu de motivação para a pessoa prosseguir no processo de reabilitação e reintegração laboral (Glässel et al., 2012). A SCIM foi, diferentemente da CIF e MIF, construída especialmente para avaliar pessoas com LVM, encontrando-se actualmente a 3ª versão a aguardar publicação do estudo que a valida para a realidade portuguesa (Dantas et al., 2012). Os estudos revelaram que possuía maior sensibilidade na identificação de alterações na evolução e/ou alteração da função do que outras escalas, nomeadamente a MIF (Anderson et al., 2008). A SCIM possui 19 itens, agrupados em 3 subescalas: autocuidados (6 itens, entre 0 e 20), alterações da respiração e esfíncteres (4 itens, entre 0 e 40) e mobilidade (9 itens, entre 0 e 40). O score global varia entre 0 (máxima dependência funcional) e 100 (máxima independência funcional), podendo ser aplicada por observação directa ou por entrevista.

O estudo de Dantas et al. (2012) revelou uma evolução claramente positiva no score da SCIM, no decorrer do internamento, de 47 pessoas com LVM submetidos a um programa de reabilitação abrangente no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais, avaliada pela SCIM, com uma maior variação verificada ao nível do domínio dos autocuidados.