4.2 Theoretical Framework
4.2.2 Conceptual Definitions
O processo de Gestão Competitiva pode ser entendido como um conjunto de técnicas que possibilitam às empresas e organizações elaborar Estratégias Comerciais, e fazer com que estas sejam alinhadas com a Estratégia Corporate ou Global. A análise e implementação efectiva de um framework competitivo irá gerar melhores resultados sustentáveis, identificando o caminho para a maximização de lucros. Assim, foi analisada a cadeia de valor do Taguspark, para identificar as vantagens competitivas decorrentes da eficácia e eficiência do modelo de gestão da sociedade Taguspark, SA. Empiricamente tem-se verificado perda de competitividade, facilmente auferida pela menor procura de espaços por parte de novos clientes, assim, como pela resolução de contratos e consequente saída de clientes, não só pelo contexto actual recessivo, mas também por factores endógenos do próprio parque. Analisado o framework competitivo do Taguspark, foram identificadas diversas ineficiências que se apresentam sistematizadas segundo várias dimensões: Tecnológica, Territorial, Comercial e Marketing, Financeira, Operações e Logística. O actual grande desafio que se impõe ao Taguspark é como inverter a perda de competitividade. Para o efeito, após observação dos últimos Relatórios e Contas da Taguspark, SA. e outras fontes109, foram identificados algumas ineficiências de acordo com as referidas dimensões.
109 Taguspark SA (2010), “The Oeiras Valley Technological Park”, Programa Estratégico Taguspark,
Oeiras, Teixeira, Rui Pedro C; “Parques de Ciência e Tecnologia”; Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, Junho 2009, Coimbra. Steiner, João E.; Cassim, Marisa Barbar; Robazzi, Antonio Carlos; “Parques Tecnológicos: Ambientes de Inovação”, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, Brasil.
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Assim, na dimensão financeira, concluiu-se que a actividade operacional não tem libertado meios suficientes para suportar os novos investimentos constantes da estratégia aprovada, à qual acresce a fraca rendibilidade dos capitais accionistas investidos, conforme consta da análise financeira em anexo a este projecto (ponto A.4.4 Principais indicadores da Taguspark, SA).
Na dimensão tecnológica, as ineficiências identificadas, no que respeita às entidades de ensino e unidades de investigação, resultam de um leque pouco variado de cursos tecnológicos e consequentemente de poucos alunos, no caso do IST, e do modelo de ensino à distância da UAb, que não atrai a frequência de jovens para o parque. Por outro lado, apenas existem alguns grupos específicos de investigação, pois a investigação core continua a ser realizada no campus do IST em Lisboa. Acresce ainda a inexistência de formação em Empreendedorismo, essencial para a dinamização das actividades relacionadas com a incubadora do Taguspark, e da consequente ausência de incentivos a jovens estudantes para a criação de empresas. Por outro lado, no que diz respeito às EBCTs, grande parte das empresas instaladas no parque desenvolvem actividade na área das TIC. Por seu turno, estas empresas são essencialmente PME nacionais, o que não cria visibilidade internacional ao parque. No que diz respeito à Incubadora Taguspark, esta apenas apoia empresas de TIC, oriundas principalmente do IST, o que comparando com outras incubadores nacionais (i.e. Instituto Pedro Nunes), retira competitividade à mesma. Tem existido uma falta de investimento no processo de incubação e o estímulo à criação de spin-offs, ou seja, os processos de transferência tecnológica entre Universidades, Investigação e Empresas é fraco. Consequentemente aponta-se também fragilidades ao nível de apoio à propriedade intelectual. No que diz respeito ao Taguspark como parque integrado no sistema “Oeiras Valley”, são quase inexistentes as sinergias entre parques empresariais da região, e de outras entidades de investigação e de ensino avançado, que poderiam criar uma maior competitividade empresarial ao Taguspark. O parque não tem contribuído para as redes regionais de conhecimento que alimentam o sistema de “Oeiras Valley”, assim como, não tem existido promoção de eventos culturais com incidência tecnológica ao nível nacional e internacional. No que diz respeito á participação nas Redes Globais de PCT, apesar de estar inserido no universo da IASP, tem faltado ao parque uma atitude mais dinâmica que permita a
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exportação e a importação de conhecimento e consequentemente potenciar a atracção de investimento estrangeiro.
Na dimensão Comercial e de Marketing foi identificada a necessidade urgente de contratação de uma equipa especializada para fazer o reposicionamento, em termos de marketing, do Taguspark no mercado. Tem-se verificado a saída de diversas empresas do parque, por motivos de insolvência ou simplesmente pela concorrência apresentar uma estratégia comercial mais convidativa. Tal situação, no curto prazo, não coloca em causa a elevada robustez financeira da Taguspak, SA. no entanto a médio / longo prazo pode comprometer a sua viabilidade. Constata-se, que o parque tem vindo a perder competitividade, devido à cada vez menor procura dos seus espaços. O parque tem uma fraca relação com consultores e mediadores imobiliários, esta é uma fonte de angariação de clientes que deveria ser potenciada, até porque a selecção final continuaria a ser feita pelo Conselho Científico e Tecnológico. Detectou-se ainda, que do ponto de vista comercial, as propostas feitas aos clientes não demonstram uma visão clara das condições e do potencial a que os clientes podem ter acesso. Por exemplo, o facto de se misturar a energia eléctrica e a energia entálpica na proposta, pode não ser muito producente, não explicando os benefícios que estes serviços representam. O Taguspark, nos últimos anos não tem fornecido informação ao LPI (Lisbon Prime Index) que é o único índice imobiliário que inclui uma indicação de volume de m2 transaccionados, além de indicar os valores de arrendamento praticados na região da grande Lisboa, o que coloca o parque fora das análises pelos gestores deste índice. Foram também detectadas poucas iniciativas entre as universidades e as empresas do parque. Existem relações entre alguns professores e algumas empresas do parque, mas com pouca divulgação e em quantidade reduzida. Da análise aos vários edifícios existentes no parque, pode-se assinalar diversas fragilidades que vão desde alguns preços de arrendamento elevados face às condições oferecidas até a existência em excesso de inúmeros espaços pequenos que não permitem mais facilmente a diluição dos custos. No entanto conclui-se que existe um grande número de edifícios que requerem intervenção ao nível estético e de eficiência, com vista á sua actualização. No que diz respeito às zonas comerciais dos diversos edifícios e do Núcleo Central do Taguspark, os lojistas têm sentido uma acentuada quebra na procura dos seus produtos, pelo que
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têm pressionado a Administração do Parque no sentido da redução de rendas, sob pena de não conseguirem continuar com os seus espaços abertos ao público.
Na dimensão Territorial foram identificados factores que constituem défices de competitividade do Taguspark, que estão associados à sua localização, modelo urbano e respectivas redes de infra-estruturas e equipamentos. A localização do Taguspark pode considerar‐se idêntica aos diversos PCT de referência (Alershof / Berlim e One North /
Singapura) em relação ao tempo médio de deslocação para o aeroporto internacional ou
a um interface de comboios, mas tem uma menor integração em relação às redes locais de transportes públicos urbanos (metropolitano, eléctricos rápidos, entre outros) e ligações pouco eficientes aos interfaces rodo‐ferroviários por ausência de sitio próprio para o transporte colectivo. No que se refere à acessibilidade e a mobilidade interna, estão muito dependentes do transporte individual ou de transportes colectivos privados supletivos dos públicos, com o custo correspondente a suportar pelas empresas e instituições de I&D. Existe ainda a crescente competitividade no contexto territorial da Área Metropolitana de Lisboa: Eixo Oeiras-Taguspark / Parque das Nações. Este último é um pólo urbano multifuncional com grande potencial de atractividade e tem vindo a consolidar‐se como uma localização prime para escritórios de empresas multinacionais. Por último, na dimensão de Operações e Logística, foram identificadas algumas fraquezas que condicionam a competitividade do Taguspark. De forma a manter uma imagem de edifícios bem cuidados e em perfeito estado de conservação, existe a necessidade de realizar diversas intervenções e fazer upgrades em termos tecnológicos a alguns edifícios. Concluindo esta exposição dos diversos factores competitivos de acordo com as várias dimensões, será necessário mitiga-las com medidas de combate específicas a incluir na estratégia corporate, para que o Taguspark possa reconquistar a relevância competitiva no mercado nacional e internacional.