• No results found

5.2 Large Data Volume Rendering

5.2.2 Compression and Packing Techniques

No processo de crescimento e evolução das sociedades, o meio ambiente natural foi sofrendo profundas alterações pelos mais diferentes motivos, como a busca para satisfazer as necessidades humanas básicas, a procura incessante por matéria-prima e energia, pelo consumismo, ou ainda, devido ao descarte de resíduos de qualquer forma e em qualquer lugar, poluindo e contaminando, de forma desgovernada, construindo, assim, cenários de destruição, agressões e pressões rumo ao inaceitável, afetando diretamente a vida dos seres vivos.

Na verdade, mesmo que em momentos mais longínquos o uso e a forma de obtenção dos recursos naturais visassem apenas a suprir necessidades para garantir a sobrevivência, o homem sempre alterou a natureza com medidas extremas, provocando desequilíbrios ou

extinguindo alguns ecossistemas. Tal fato se repete há gerações, podendo ser citado, entre tantas ocorrências23:

a) o Oriente Médio, mais especificamente, a Mesopotâmia – VI milênios a.c – hoje o Iraque, berço das primeiras civilizações e de importantes sociedades, cujos desmatamento e forma de agricultura empobreceram tanto o solo, antes tão fértil, que, atualmente, só uma pequena parte da região não está desertificada;

b) a Mata Atlântica, que se estendia pelo litoral brasileiro do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, atiçou a cobiça lusitana à época do descobrimento por conta da extração do pau-brasil visando à obtenção de seu corante avermelhado, próprio para pinturas e tingimento de roupas. Era uma mina de ouro a céu aberto, e em virtude de sua exploração desmedida ao longo do tempo, hoje resta somente, 8,5%24 de sua cobertura original; e

c) a Revolução Industrial, a partir do século XVIII, gerando crescimento, vanguarda, progresso, mas também poluição, extinção, escassez, esgotamento, mudando por completo, não só os rumos das relações de mercado para o surgimento da economia capitalista, mas os rumos das sociedades em âmbito global.

Antes da Revolução Industrial, as preocupações e aspirações da humanidade eram de outra natureza, como as conquistas por novos territórios, guerras insanas pela disputa de poder entre monarquias, se o homem viveria sem o sofrimento causado pelas doenças da época, como a sífilis e a tuberculose, ou se estaria livre da tortura e opressão provocadas pelos grandes senhores de terra, dos reis e da Igreja. Enfim, vivia-se somente o presente e com bem pouco, ou seja, pouca informação, pouca saúde, pouca comida, pouco trabalho, pouco conhecimento e baixa expectativa de vida.

Com o passar do tempo as relações entre o homem e a natureza foram mudando em favor de outros interesses, principalmente o fortalecimento da manutenção do sistema econômico que move as sociedades industrializadas, tendo como objetivo maior a busca incessante do lucro a todo custo para gerar riqueza, tecnologia e alcançar o bem-estar social

23 Exemplos didáticos para reflexão sobre a relação do homem com a natureza, foi usado na cartilha elaborada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais, na construção da Agenda 21, do estado de Minas Gerais, intitulada Agenda 21- Sinal Verde para o Desenvolvimento Sustentável (CREA-MG, 2004).

24Informação fornecida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disponível em:http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=3299. Acesso em: 06 jun.2013.

(JOHNSON; EARLE, 2000), ensejando, assim, intervenções no meio ambiente25, bem mais drásticas e destrutiva, em que a poluição, a migração desordenada para os centros industriais, ocupações e desmatamentos caracterizavam cidades em franco progresso.

O fato é que, durante o processo histórico de evolução da humanidade, as necessidades do homem e o desejo de acumulação de riquezas evoluíram na mesma proporção do conhecimento e das novas descobertas, avançando ou mudando de foco a cada inovação ou solução de determinado problema, o que é inconteste. Contudo, a destruição dos ecossistemas e o passivo ambiental gerados foram ficando sem controle, concluindo-se, então, que “[...] a diferença entre a nova crise ecológica e as depredações anteriores ao meio ambiente promovidas pelo homem e por seus ancestrais é em tamanho e escala, não na forma [...]” (SHELLENBERGER; NORDHAUS, 2012, p.104).

Quer seja pela forte pressão antrópica sobre o ambiente natural, provocando crises ecológicas em virtude de tais intervenções, como as enchentes, as desertificações, extinções, deslizamentos de encostas, quer seja em decorrência de fenômenos naturais extremos, muitos deles considerados, por alguns ambientalistas, como respostas as pressões sofridas, ambos motivaram estudos e debates sobre o futuro do planeta, em diversos segmentos da sociedade e de governos de diferentes nações, tanto que, a partir de meados do século XX, chegou-se ao consenso de que o uso inadequado dos recursos naturais exerce impacto direto nos ecossistemas terrestres e aquáticos, podendo levar à exaustão dos biomas, comprometendo a espécie humana (BECKER, 2003).

Assim, novas abordagens sobre o meio ambiente foram sendo delineadas em todo mundo, questionando antigos paradigmas, entre eles: o entendimento de que a natureza é um obstáculo à modernidade e ao crescimento de um país, de que seus recursos são inesgotáveis, que os danos causados à biosfera não prejudicam a vida no planeta (BANERJEE, 2006), ou ainda, que a capacidade de suporte e de regeneração do meio ambiente é ilimitada, suportando qualquer pressão.

De fato, como são assuntos polêmicos, provocaram reações e intensos movimentos, cercados de instabilidades e crises epistêmicas em diversas áreas do conhecimento, tais como: o custo ambiental resultante das várias formas de contaminação (GALLI, 2009), as consequências de os espaços territoriais serem ocupados pela população de forma

25Meio ambiente entendido neste texto como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”, conforme prevê o inciso I, do art.3º, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que institui a Política Nacional de Meio Ambiente.

desordenada (MARTINE, 2007) e o desperdício andando lado a lado com o consumo exagerado. Ou seja, a falta de equilíbrio entre as intervenções do homem na natureza para suprir suas necessidades e desejos e as consequências de tais intervenções para o próprio homem .

Em 1972, um estudo elaborado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), intitulado “Os Limites do Crescimento” 26, de cunho alarmista e polêmico, chama a atenção da comunidade internacional para os problemas que a humanidade enfrentaria no futuro, com riscos à sua sobrevivência, em decorrência do crescimento da população em ritmo acelerado e da intensa pressão sobre os recursos naturais, até mesmo com os benefícios da industrialização e do progresso tecnológico (BRASIL, 1991).

Nesse mesmo ano, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estolcomo (Suécia) provocou um processo de chamada global, delineando a essência do conceito de desenvolvimento com sustentabilidade, além de alertar as nações para a capacidade de suporte do meio ambiente, considerando a intensidade de sua exploração e os impactos generalizados provocados por tantas ocorrências, colocando a vida no planeta em risco calculado.

Ao apresentar um quadro de devastação da ação do homem sobre o ambiente natural, esse evento revelou a corrida desenfreada pelo ganho a todo custo, sobretudo, quanto à atividade industrial altamente poluente, utilizada pelos países desenvolvidos, convocando a sociedade global a se manifestar e os governos a tomar medidas mais severas de comando e controle sobre aquelas consideradas altamente poluidoras e danosas, ao tempo em que davam satisfação à opinião pública.

Muito mais do que consensos em torno do uso e do valor da natureza e de seus limites, a Conferência foi marcada por divergências e confrontos entre os países industrializados e os não industrializados, e em virtude da crise econômica mundial da década de 1970, provocada pela desvalorização do dólar e do aumento no preço do petróleo pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o debate ambiental foi sobrepujado pelos graves rebatimentos econômicos dessa crise (BRASIL, 1991).

Segundo Maglio (2000), o processo de gestão ambiental por parte do poder público se inicia nesse período, com ações de cunho explicitamente coercitivo, em que uma série de

26Esse estudo foi encomendado pelo Clube de Roma ao MIT. O Clube de Roma foi idealizado em 1968 e é composto por um grupo informal de personalidades de padrão internacional, objetivando debaterem sobre diversos assuntos, entre eles: economia, política, desenvolvimento e meio ambiente.

mecanismos de fiscalização é implantada para atender a padrões preestabelecidos pelo Estado, imputando sanções e penalidades para conter o ente poluidor. Essa forma de atuação do Estado para reduzir os índices de poluição permanece até hoje.

No ano de 1987, um relatório elaborado pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento27 (CMMAD), intitulado Our Common Future (Nosso Futuro Comum ou Relatório Brundtland)28, retoma a polêmica discussão entre economia e meio ambiente. Embora apresentasse fragilidades, avançou no sentido de estabelecer direta relação entre desenvolvimento econômico e pobreza, reconhecendo a inovação tecnológica como alternativa eficaz para solucionar os problemas ambientais (FENZL; MACHADO, 2009) e ainda que a atuação da maioria dos países para combater a pobreza e melhorar a qualidade de vida da população deveria ser revista.

Foi a partir desse Relatório que ficou conhecido, mundialmente, o conceito de desenvolvimento sustentável - “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (BRUNDTLAND, 1991, p.46).

Considerando a importância de discutir mundialmente esse Relatório e firmar acordos internacionais para que os países membros das Organizações das Nações Unidas (ONU) revissem o seu padrão de desenvolvimento, levando em consideração as questões de cunho ambiental, a ONU realizou, em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – também conhecida como ECO- 92, Rio 92 ou Cúpula da Terra– reunindo, ao todo, 179 nações29 (BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, 2011a).

Devido a essa nova forma de pensar a relação homem/natureza nesse processo de construção do paradigma de desenvolvimento do mundo contemporâneo, a fase de preparação do evento – iniciada três anos antes – traçou as diretrizes de uma agenda global de intenções, culminando com o estabelecimento de cinco acordos: Declaração do Rio, Declaração de Princípios do Uso das Florestas, Convênio sobre a Diversidade Biológica, Convenção sobre

27 A Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento é um organismo da ONU, sem controle dos países membros.

28O nome Relatório Brundtland foi dado em homenagem à Presidente da Comissão, Gro Harlem Brundtland, então Primeira-Ministra da Noruega (GODOY, 2008).

29 Para um breve resgate histórico desse momento, ver em UNIVERSO AMBIENTAL (2010) e no site do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Mudanças Climáticas e a Agenda 21 Global30 (ECOLNEWS, 2010). Nesse evento, o Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7) foi lançado oficialmente.

Ainda que a ECO 92 não tenha avançado nas discussões e nos acordos internacionais, deixando de lado alguns temas relevantes, como a emissão de gases de efeito, a destinação dos resíduos sólidos e a utilização responsável da água, esse evento deu maior visibilidade aos problemas ambientais, colocando as questões sobre o meio ambiente no centro das discussões, em âmbito mundial, dando oportunidade para que as sociedades tivessem conhecimento de fatos importantes e se inserissem no debate, antes, restrito a poucos países e segmentos sociais.

Assim, aumenta-se a pressão sobre as organizações privadas para que elas passem a ter uma política socioambiental comprometida, com uma gestão mais ética e responsável, adotando procedimentos eficazes de cunho preventivo, para evitar ou mitigar a poluição e a degradação ambiental31, em decorrência de sua ação, e ainda para que invistam na recuperação dos danos já causados, quer seja pelo processo de produção, quer seja pelo produto em si.

O poder público também é pressionado a adotar modelos de gestão ambiental visando a um desempenho mais contundente, com resultados eficazes e de amplo conhecimento da população, e ainda a correção das falhas e solução de problemas existentes nos processos de elaboração e implantação de projetos de desenvolvimento para os mais variados fins, falhas essas que podem advir pela inobservância dos preceitos legais e das diretrizes das políticas ambientais existentes32, principalmente em projetos de infraestrutura.

Por outro lado, propostas e acordos multilaterais foram firmados ao longo dos anos em favor da sociedade e defesa do meio ambiente, entre eles, destacam-se: os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)33, apresentado em 2007 pela ONU, estabelecendo a

30A Agenda 21 Global é considerada o mais importante instrumento de planejamento criado, até então, para subsidiar os países na elaboração de suas Agendas, com o compromisso de pensarem em ações voltadas ao desenvolvimento com equilíbrio e responsabilidade ambiental e inclusão social. Consiste em um documento de 40 capítulos – sendo dois preâmbulos – organizados em quatro seções, incluindo sugestões de execuções, enfocando grandes temas, tais como: dimensões sociais e econômicas; conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento; fortalecimento do papel dos grupos principais (ECOLNEWS, 2010).

31Alguns bons exemplos são citados em Lustosa et al. (2010).

32Citam-se a própria Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA), a Política Nacional de Recursos Hídricos (BRASIL, 1997), a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (BRASIL, 2012).

33Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelece a união entre as nações para que ocorram ações visando ao “[...] combate à pobreza e à fome, promoção da educação, igualdade de gênero, de políticas de saúde, saneamento, habitação e meio ambiente [...]” (IPEA, 2007, p.6).

redução, em nível global, das disparidades e desigualdades a serem cumpridos ao longo de 15 anos; as Convenções sobre Clima e sobre as Diversidade Biológica; e a elaboração das Agendas 2134. Sem desconsiderar as ações paralelas, em âmbito mundial, visando a formar atitudes conscientes e responsáveis, e os avanços tecnológicos para evitar, reduzir ou reparar ações prejudiciais à natureza35.

Nos anos que antecederam a RIO+20, mais especificamente em setembro de 2010, os debates na Assembleia Geral da ONU giraram em torno de uma agenda visando a resultados mais concretos para que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio pudessem ser alcançados antes de 2015, data limite.

Embora o cenário econômico mundial já estivesse conturbado, a comunidade internacional esperou muito mais do que uma simples avaliação dos vinte anos da primeira Conferência sobre o meio ambiente e desenvolvimento, mas a oportunidade de serem construídas bases mais objetivas, com prazos definidos, rumo à construção de um novo modelo de desenvolvimento global, sustentando-se em duas vertentes determinantes: a economia verde e a governança internacional (PORTAL ODM, 2010).

Para Camargo (2012, p.17), esse grande evento figurava como altamente promissor, com reflexos em várias áreas e segmentos, considerando a oportunidade de se estabelecerem nexos mais fortalecidos para o meio ambiente, “[...] seja com a economia verde, seja com a equidade social, ampliando renda e empregos. Afinal, esse foi o propósito do desenvolvimento sustentável desde que foi anunciado como instrumento, não de oposição, mas de cooperação entre a visão social, econômica e ambiental”.

No entanto, mais do que debates globais sobre as melhores propostas para elevar a qualidade de vida no planeta, sem degradá-lo, e que essa degradação, por sua vez, está intimamente ligada à pobreza em que vivem milhões de pessoas, é compreender o poder que os interesses econômicos exercem sobre a tomada de decisão governamental e a dificuldade que isso acarreta para o fechamento de acordos e o estabelecimento de metas, principalmente,

34A Agenda 21 é um instrumento de planejamento com eixos temáticos e ações prioritárias e conjuntas, visando ao desenvolvimento com equilíbrio e responsabilidade ambiental, e inclusão social. Partindo de um sistema macro como a Agenda 21 Global, vai escalonando em um processo integrativo na elaboração de outras Agendas, em qualquer sistema e em qualquer tempo, tais como um país na elaboração de sua própria Agenda Nacional, o Estado com sua Agenda Estadual, a região, o município, ou seja, qualquer local ou setor, importando, apenas, que as Agendas partam dos princípios norteadores do país da qual fazem parte.

35Citam-se aqui exemplos eficazes: maior valor a reciclagem de resíduos sólidos e a invenção de equipamentos para reaproveitamento de alguns deles, como as garrafas plásticas e o papel, a utilização de produtos menos tóxicos na agricultura, cobrança de taxas e altas multas para o agente poluidor, incentivos financeiros para controle do desmatamento e do reflorestamento dessas áreas.

se isso envolver a participação de dois grandes blocos: de um lado, a soberania dos países ricos, e do outro, a luta por ascensão dos emergentes.

Na verdade, embora pareça que tais assuntos surjam como fatos novos, nada mais são do que antigas discussões e reivindicações, entre elas, a implantação de modelos econômicos em novas bases energéticas e quem pagará os gastos para que tamanha mudança aconteça (JIMENES; ARINI, 2012).

Dessa forma, fica bem mais fácil entender por que muito pouco foi definido na Rio+20, marcada por infindáveis debates para a formação de consensos, e por que pouco se viu, sem resultados efetivos em termos da definição de metas concretas para o estabelecimento de tal modelo, baseado em fontes de energia mais limpa e com padrões de consumo de recursos naturais menos intenso e invasivo.

Sobre o conceito de desenvolvimento, Cavalcanti (2009, p.32) alerta para o fato de este conceito não dever se atrelar, exclusivamente, à ideia de crescimento econômico, pois:

[...] não é qualquer desenvolvimento que serve, muito menos aquele identificado como crescimento. O sentido de qualificar-se o desenvolvimento tanto quer dizer preservar o meio ambiente, como base biofísica da economia, quanto um compromisso com um modelo de sociedade capaz de ser sustentado, indefinidamente, por sucessivas gerações. Trata-se de adotar uma alternativa de progresso que não representa necessariamente crescimento, aumento quantitativo ou material [...].

Ainda que as indefinições e a falta de comprometimento por parte de muitos países ainda prevaleçam, a sociedade, mais consciente, vem se movimentando e legitimando a dimensão socioambiental, como fator imprescindível para o desenvolvimento e crescimento de um país ou localidade, forçando, também, a revisão da gestão governamental, com rebatimentos que vão, desde o cuidado com o processo de elaboração, até um maior controle na implementação e avaliação de políticas públicas, independentemente da demanda.

Debates à parte, no campo econômico, tanto pela sua escassez e descoberta de novas fontes de energia, quanto pela riqueza que possam gerar, os recursos naturais vêm adquirindo importância mercadológica estratégica (WERNKE, 2001), adquirindo alto valor de mercado, ensejando sua mercantilização (BECKER, 2003), em toda a extensão da diversidade ecológica, dos ecossistemas da flora e da fauna (fármacos, fitoterápicos, alimentos), passando pelo ar (concessão de crédito de carbono), vento (energia eólica) e pela água (pela escassez ou potabilidade, venda a custo elevado).

Para a ex-premiê da Noruega Gro Harlem Brundtland, atualmente integrante do grupo dos Elders, “[...] de muitas maneiras, a ideia do desenvolvimento sustentável está se tornando uma realidade. As pessoas possuem um senso elevado de responsabilidade compartilhada, sabem que vão se beneficiar, por sua vez, ajudar a melhorar a vida de muitos [...]” (BRUNDTLAND, 2012). Contudo, ela afirma que “[...] a totalidade do conceito, a visão dos pilares econômico, ambiental e social numa abordagem integrada de longo prazo, um padrão de desenvolvimento sustentável, não aconteceu em lugar nenhum [...]” (ANGELO, 2012).

Importante mencionar o posicionamento de Nascimento (2010, p. 309) quando diz que o conceito de desenvolvimento sustentável foi incorporado por um conjunto variado de disciplinas recebendo múltiplas definições, o que torna a expressão “[...] um tanto generalista e sujeita a deformações, principalmente para aqueles que a usam como conotação ideológica que gera abusos e arbitrariedades [...]”.

Nessa mesma linha, segundo observações de Redclift (2006, p.52):

[...] as ligações entre o meio ambiente, justiça social e a governabilidade têm se tornado crescentemente vagas em alguns discursos da sustentabilidade, e que as relações estruturais entre o poder, a consciência e o meio ambiente têm sido gradualmente obscurecidas... na busca de uma visão mais inclusiva da sustentabilidade, a retórica política tem, frequentemente, substituído a discussão sobre questões ambientais [...].

Como toda nova ideia ou novo conceito que vai surgindo no decorrer do progresso da humanidade, conquistar o desenvolvimento sustentável é um processo lento, necessitando da interdisciplinaridade científica para fundamentar e justificar o alcance de consensos, sendo de responsabilidade de todos e não só dos governos, a mudança de postura e a revisão de antigos paradigmas, caso o intuito seja alcançar um movimento irreversível de desenvolvimento baseado em energia limpa e em benefício da sociedade. Contudo, plenamente possível, como exemplo de mudança significativa nessa direção e como o resultado de que a ação conjunta, é a saída, para a qual são citadas a diminuição no ritmo do desmatamento e a redução dos gases nocivos à camada de ozônio.

Outro ponto importante a ser considerado diz respeito às barreiras tempo e espaço, que foram sendo rompidas pelo conhecimento em escala progressiva e pela tecnologia de ponta. Isto porque, nos dias de hoje, como o acesso à informação, a inovação e o