• No results found

3. Theory for thermo-hydraulic modeling of flow in flare systems

3.3. Different flow considerations

3.3.2. Compressible flow

Com mais de uma hora de atraso, ainda tem professoras chegando para a reunião.

Duas delas ficam ao fundo e começam umas conversas paralelas. O que mais incomoda o grupo é o fato de que depois elas começam a perguntar o que já foi falado

e a tumultuar as apresentações.

(Nota de Campo 11, de 15/05/06)

O grupo de professores de Arte do CEMEPE, como qualquer outro tipo de organização social, apresenta participações diferenciadas de seus integrantes, destacando-se ora as qualidades anteriormente mencionadas, ora os seus contrários. A imagem que sugerimos para facilitar a compreensão das diversas configurações presentes no grupo pesquisado é a de um caleidoscópio: a imagem configura-se dependendo do movimento.

Um mesmo e único conjunto de peças, articuladas na unidade de um único e mesmo objeto, aproximam-se ou distanciam-se, compondo, ao sabor do movimento que lhe é impresso, uma multiplicidade de figuras distintas e não estáticas. Na vida social, os dizeres e práticas significam nas condições de uma enunciação concreta. Os significados vão-se tecendo (e se modificando) no movimento de articulação/negação/negociação das possibilidades em jogo na dinâmica interativa (FONTANA, 2000, p. 70).

Observamos que o grupo investigado possui dinâmicas diversificadas, principalmente por estas serem protagonizadas por múltiplos sujeitos, possuidores de características e singularidades próprias.

Percebo que algumas palavras não são muito bem compreendidas e vejo que isso acontece mais pela falta de atenção de algumas professoras do que pelo que é dito acerca do vídeo exibido pela palestrante. Três professoras entram na sala depois que o vídeo foi apresentado e não conseguem acompanhar muito bem a discussão; outras três chegam para a reunião somente na hora do lanche. Algumas professoras hoje se justificaram para sair mais cedo

(Azaléa, Branca e Carmim), outras simplesmente desaparecem como é de costume.

(Nota de Campo 06, de 10/11/05)

Então chega a Oliva. Já faz tempo que não a vejo, quando ela aparece está geralmente

atrasada. Cravina fica falando de outras coisas que não têm nada a ver com o que viemos

tratar aqui. Jasmim tenta retomar o assunto e a conversa fica “costurada” em ponto de

ziguezague, num constante vaivém. Coisas que poderiam ser votadas rapidamente continuam sendo retomadas sem qualquer acréscimo, num falatório generalizado, que ao meu ver é como “chover no molhado”.

(Nota de Campo 16, de 18/09/06)

Durante a apresentação, Amarílis conversa ora com a Pink, ora com a Branca, que estão ao

seu lado. Amarílis, que geralmente tem uma boa participação nas reuniões, hoje parece estar

alheia ao que é dito. [...] Percebo que a Amarílis hoje está bastante aérea e vez ou outra a

vejo conversando com a Branca sobre outros assuntos. Isso me chamou a atenção porque

comumente ela não age assim. [...] Durante a apresentação de hoje vejo que a Amarílis, junto

com Vitória-Régia, Rubra, Tulipa e Dália, olha um colar e elas conversam baixinho sobre

essa bijuteria.

(Nota de Campo 18, de 06/11/06)

Em Domenico De Masi (1999), estudamos vários grupos criativos, ricamente detalhados e analisados pelos autores desta organização bibliográfica. Acerca de um desses grupos, O Blooomsbury, Gori (1999, p. 160), citando Clive Bell nas suas memórias (1956), o descreve como “um grupo cujos membros não agem sempre em comum como fazem os grupos tradicionais: não é um templo ou uma camarilha, mas uma reunião de indivíduos, cada um com idéias e preferências próprias”. O mesmo se pode afirmar do grupo de professores de

Arte do CEMEPE, que na sua multiplicidade de comportamentos e atitudes, reitera o seu caráter heterogêneo e diversificado.

A reunião começou há uma hora e meia atrás e ainda vejo pessoas chegando e se alojando mais ao fundo da sala, parecendo não ter muito interesse no que é exposto pela convidada. A conversa paralela aumenta e perturba a apresentação. [...] Ao retornar para a sala depois do intervalo, percebo que algumas pessoas já foram embora, principalmente as que chegaram atrasadas. [...] Faltando ainda quarenta minutos para o término da reunião, saem mais quatro pessoas juntas, deixando para trás um constrangimento nos demais componentes do grupo por essa atitude, principalmente por causa das palestrantes convidadas.

(Nota de Campo 10, de 03/04/06)

Ao encerrar a apresentação, já bem no limite de horário de saída (às onze e meia) os componentes do grupo se despedem e saem. Contudo, quero ressaltar que nesse momento somos menos da metade dos participantes. Algumas das professoras têm a necessidade de sair mais cedo porque dão aula no período da tarde, outras saem muito mais cedo sem justificar tal ação. Eu tenho notado que são geralmente as mesmas pessoas a chegarem atrasadas e a sair antes do horário, contudo, fico feliz em perceber que compõem uma pequena minoria, muitas vezes de membros antigos do grupo que parecem não valorizar a sua formação continuada. Uma delas, por exemplo, quando vai às reuniões, tem o costume de se atrasar mais de uma hora para chegar, geralmente atrapalha o andamento das atividades (ora com conversas paralelas, ora com comentários infelizes) e seu horário de saída comumente coincide com o horário do intervalo.

(Nota de Campo 11, de 15/05/06)

É impossível afirmar que existem relações padronizadas entre os membros do grupo pesquisado, mesmo que no nosso estudo tenhamos encontrado, com um maior relevo, relações alicerçadas nos indicadores anteriormente descriminadas: alegria,

amizade/acolhimento, solidariedade, coesão, comprometimento e negociação. O grupo por

nós investigado é composto por pessoas que têm idéias e valores nem sempre comuns e que estabelecem relações cujas formas e intensidades variam. . Desse modo, vimos que

Várias são as qualidades essenciais a quem integra uma equipe. Saber trabalhar em equipe implica, além de ter conhecimento a respeito do trabalho e mostrar adesão espontânea aos compromissos e metas da organização, ser atento, estar disponível para cooperar com os colegas, ter humildade de pedir ajuda quando necessário, participar oferecendo sua contribuição (SENAC.DN, 1996, p. 39).

Contudo, no nosso estudo, percebemos que nem todos os sujeitos demonstram gozar de tais predicados em todos os momentos, apresentando muitas vezes, ao contrário, atitudes opostas a estas acima descritas. O jeito de ser particular dos indivíduos, membros do grupo, queiramos ou não, interfere tanto na sua dinâmica quanto na qualidade das soluções dadas aos problemas, pois, mesmo que haja um número ínfimo de sujeitos desinteressados e/ou alheios

ao que ocorre nas reuniões, os objetivos do grupo certamente não são alcançados com total facilidade. Nesse sentido, destacamos, a seguir, alguns exemplos para melhor clarificar tal questão.