TAM e outros modelos aplicados ao contexto da saúde
Holden & Karsh (2010) sugerem testes, com a aplicação do TAM e outros modelos, a amostras significativas ligadas aos cuidados de saúde, assim como a realização de estudos longitudinais entre grupos, de forma a procurar saber: em que circunstâncias as variáveis do TAM têm impacto dominante na aceitação e utilização de tecnologia; quais os antecedentes, causas ou variáveis importantes; como diferem as relações entre os constructos, dependendo do nível de tecnologia (pré-implementação, primeiros meses, um ano após a implementação); quais as características individuais ou a nível de grupo que afectam as relações no TAM; e quais os resultados, além da intenção e utilização, que são afectados pelas variáveis do TAM (e.g. satisfação, produtividade, qualidade).
Variáveis adicionais
Tsiknakis & Kouroubali (2009) acreditam que modelos parcimoniosos com foco em apenas uma ou duas variáveis de previsão de sucesso estão a simplificar em demasia a complexidade dos sectores organizacionais, nos quais a tecnologia é introduzida. De acordo com Kim & Chang (2007), é bastante significativo estender o TAM, não só para explicar a intenção de utilização de uma tecnologia, mas também a satisfação do utilizador. Está comprovado que variáveis externas, tais como norma subjectiva, imagem, posto de trabalho e literacia informática, quando adicionadas aos constructos tradicionais do TAM, ajudam a entender a aceitação de tecnologia no sector de saúde (Yu et al., 2009). Neste sentido, a adição de variáveis externas ao TAM pode aumentar o grau de previsibilidade (de Veer & Francke, 2010), o que torna importante a procura e teste de variáveis adicionais (Tung et al., 2008, Holden & Karsh, 2010) que possam melhorar a previsão de intenção de utilização com mais precisão (Tung et al., 2008).
Condições facilitadoras
Aggelidis & Chatzoglou (2009) propõem mais investigação relativamente às condições facilitadoras, uma vez que os resultados dos seus estudos revelaram-se diferentes dos de estudos prévios, o que leva os autores a ponderar que poderá ser devido ao facto de os sujeitos do estudo serem na maioria pessoal administrativo. Estes autores (id.) propõem ainda a decomposição das condições facilitadoras em três factores: formação, suporte técnico e suporte administrativo, de forma a investigar os efeitos directos e indirectos na formação da intenção comportamental. Gagnon et al. (2003) propõem também um aprofundamento no estudo das condições facilitadoras no que se refere à utilização de Telemedicina, por parte dos médicos, no contexto de uma larga difusão desta tecnologia.
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Características do utilizador
As características individuais do utilizador também podem ter um papel crucial na compreensão da intenção de utilização de uma tecnologia. Desta forma são necessários estudos mais detalhados sobre as características do utilizador, pois habilidades cognitivas como o raciocínio, memória ou processamento podem contribuir bastante para a explicação da aceitação de tecnologia (Lishan et al., 2009). Lankton & Wilson (2007) referem a falta de estudos no que se refere às expectativas de afecto. Factores emocionais tais como ansiedade e auto-eficácia também deveriam ser considerados em estudos futuros (Lishan et al., 2009, Rahimpour et al., 2008). Outra sugestão de Lankton & Wilson (2007) refere-se à investigação relativa à influência que o hábito pode ter nas expectativas de serviços onLine e futura satisfação.
Participação do utilizador
Estudos com grupos de utilizadores, entrevistas e observações proporcionariam uma melhor compreensão das necessidades do utilizador (Morton & Wiedenbeck, 2009). Desta forma o desenvolvimento de estudos prospectivos, em amostras significativas, seria muito útil, de forma a avaliar os efeitos da participação do utilizador ao testar e implementar uma tecnologia (Ernstmann et al., 2009).
Sectores / utilizadores / tecnologias diferentes
De acordo com Lankton e Wilson (2007), seria útil haver investigação que procurasse saber se os resultados sobre as expectativas variam dependendo do serviço oferecido, pois diferentes especialidades médicas podem ter diferentes utilizações de um mesmo sistema, assim como também diferentes grupos de utilizadores podem ter atitudes diferentes, dependendo do sector de trabalho (Morton & Wiedenbeck, 2009). Além
disso, os resultados também podem variar dependendo de cada tecnologia que é implementada, devido às suas características específicas (Kijsanayotin et al., 2009).
Estudos do ponto de vista do paciente
Ernstmann et al. (2009) sugerem o estudo da aceitação de tecnologia não só do ponto de vista médico, mas também sob a perspectiva do paciente.
Kim & Chang (2007) referem que deveriam ser desenvolvidos mecanismos que permitissem descobrir o que leva o utilizador a utilizar os mesmos webSites.
Estudos pré-implementação
As necessidades de aceitação devem ser investigadas e promovidas antes da sua implementação (Rahimpour et al., 2008).
De acordo com Tsiknakis & Kouroubali (2009), o modelo FITT poderia ser utilizado em estudos prévios à implementação da tecnologia como uma ferramenta de previsão, de forma a identificar condições em falta para o sucesso da tecnologia em questão. Como resultado, poderiam ser tomadas medidas de intervenção antes da implementação, de forma a preparar melhor a organização e os utilizadores.
Estudos pós-implementação
De acordo com Kim e Chang (2007), existem poucos estudos que lidam com o processo pós-aceitação, para além do TAM. Morton & Wiedenbeck (2009) sugerem que deveriam ser feitos estudos pós-implementação sobre a usabilidade, de forma a entender o impacto da tecnologia nos processos de trabalho e produtividade dos utilizadores. Assim como também sobre a real utilização das tecnologias, de forma a
77 verificar se as atitudes pré-implementação realmente predizem comportamentos reais (Morton & Wiedenbeck, 2009, Tao, 2008).
Lankton & Wilson (2007) destacam também a importância dos factores e respectivos efeitos nos utilizadores numa fase inicial e de continuação de utilização de serviços onLine.
Criação de ferramentas de medida / avaliação
Ammenwerth et al. (2006) focam a necessidade de desenvolvimento de instrumentos de medida de análise do ajuste entre dimensões (utilizador, tarefa e tecnologia) o que permite uma melhor previsão, de forma a planificar a adopção de tecnologias da informação com sucesso.