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7.5. COMPARISON OF ZFS AND HAMMER
É pelas duas principais pergunt as que Plat ão lançou à ciência cognit iva que pret endemos iniciar a últ ima part e dest e capít ulo: “ O que sabemos?” e “ Como sabemos?” .
Apesar da amplit ude de respost as às quais suscit am t ais pergunt as, o obj et ivo dest a invest igação não é esgot ar o assunt o da const rução do conheciment o, mas apenas t ent ar
pont uar os principais f at ores que possam elucidar os caminhos da busca cognit iva.
Para buscarmos as respost as a t ais pergunt as, recorremos, inicialment e, ao f uncionalismo,
pois a met at eoria dominant e da ciência cognit iva af irma que a ment e é um programa rodado pelo cérebro, o qual é compost o de um código e de seus comandos de at ivação. Na perspect iva f uncionalist a,
[...] a comput ação t oma a mat éria real (sinais) que represent am coisas (t ipos verdadeiros/ f alsos), arranj a e rearranj a essa mat éria real de maneira ef icaz com base apenas em considerações est rut urais e produz uma mat éria real que t ambém represent a coisas. Essa reformulação implica, mais t ecnicament e que a comput ação é t ant o sint át ica (at ua sobre as coisas at ravés de suas próprias caract eríst icas est rut urais e das caract eríst icas est rut urais delas) como semânt ica (apropria-se de coisas e produz out ras que possuem uma verdade) (FRAWLEY, 2000, p. 79).
92 A t eoria conexionist a busca responder a uma out ra pergunt a, est a de Wit t genst ein: Como a linguagem se enquadra ent re máquinas e pessoas?
De acordo com a t eoria conexionist a, as capacidades comput acionais da ment e se desenvolvem em função de uma variedade de recursos especializados para lidar com formas part iculares de inf ormação. O código int erno é uma imensa rede de aprendizagem com nós
e conexões (links), const ruída a part ir de unidades simples com níveis de at ivação, unidas umas às out ras por conexões ponderadas que inibem ou que at ivam out ros nós (FRAWLEY, 2000, p. 75).
Port ant o, o código int erno não só é est rut urado como t ambém é o local onde est á sit uado o conheciment o, sendo coincident e com a ment e.
Sob o pont o de vist a sócio-int eracionist a def endido por Vygot sky, mudanças na vida social e mat erial produzem t ambém mudanças na vida ment al, ou sej a, o mecanismo de mudança
individual, ao longo do desenvolviment o, t em sua raiz na sociedade e na cult ura. De acordo com Sancho & Hernández (2006, p. 35):
Vygot sky concede grande import ância à int eração social no processo cognit ivo. Est abelece uma relação ent re aprendizagem e desenvolviment o, most rando a impossibilidade de concebê-los e est udá-los de f orma separada. Seu conceit o de zona de desenvolviment o proximal, ent endida como “ a dist ância ent re o nível real de desenvolviment o, det erminado pela capacidade de resolver independent ement e um problema, e o nível de desenvolviment o pot encial, det erminado pela resolução de um problema sob a orient ação de um adult o ou em colaboração com um colega mais capaz” , é uma f errament a int elect ual e pedagógica de pot encial incalculável na hora de planej ar os cenários de ensino e aprendizagem.
93 Um dos conceit os f undament ais dest a t eoria é o de medição cognit iva. O signo (lingüíst ico ou não-lingüíst ico), como element o possuidor de significado, é o eixo sobre o qual circulam os processos de mediação. Por isso, o component e semiót ico é t ranscendent al. O reconheciment o de que a nat ureza da consciência é semiót ica implica o reconheciment o de que o pensament o humano se f orma pela aquisição, uso e domínio de inst rument os mediadores de origem cult ural, dos quais o principal é a linguagem, o que levou a aprof undar a análise que permit e conhecer o processo de const rução da consciência individual e, port ant o, da própria ident idade e o papel que desempenham os inst rument os cult urais (as t ecnologias) nesse processo.
Por sua nat ureza sócio-cult ural, est a t eoria t ambém remet e ao conceit o de Bil dung
(Formação). De uma maneira bast ant e simplif icada, podemos dizer que Bildung ref ere-se à f ormação do indivíduo inserido em seu cont ext o cult ural.
A conect ividade, a hipert ext ualidade e a int erat ividade est ão no cent ro da f ormação (Bildung) de um novo indivíduo, cada vez mais adapt ado à busca de conheciment o no
ciberespaço e, port ant o, de um ciberconheciment o, moldado pelo acesso às novas
t ecnologias e ao senso de int eligência colaborat iva e colet iva. Est a int eligência result a do processo cont ínuo de const rução e do compart ilhament o de conheciment o gerado pela
inf init a quant idade de inf ormação armazenada nas bases de dados ao redor do mundo.
Nas ciências da comput ação, bases de dados são def inidas como uma coleção est rut urada
de dados ou inf ormações. Est as inf ormações são organizadas para que possam ser rapidament e encont radas e recuperadas at ravés de um sist ema comput acional (MANOVICH, 2001, p. 218).
Dest a f orma, conf orme af irma LÉVY (1997, p. 40),
os sist emas cognit ivos humanos podem, ent ão, t ransf erir ao comput ador a t aref a de const ruir e de mant er em dia represent ações que eles ant es deviam elaborar com os fracos recursos de sua memória de t rabalho, ou aqueles rudiment ares e est át icos do lápis e papel. Os esquemas, mapas ou
94 diagramas int erat ivos est ão ent re as int erfaces mais import ant es das t ecnologias de suport e inf ormát ico.
O indivíduo da cibercult ura int erage com o mundo da mediação de t ecnologias (TV,
videogames e comput adores) e t em nas imagens e nos sons (cada vez mais hibridizados) a base dos processos comunicat ivos e cognit ivos. Esses suj eit os, assim, acabam organizando sua exist ência a part ir não apenas da lógica da escrit a e da linearidade, mas t ambém por
meio de pensament os hipert ext uais e associat ivos.
At ravés do ciberespaço, abre-se, port ant o, um imenso pot encial para a const rução do conheciment o onl ine, na medida em que est e poderá t rilhar caminhos cognit ivos de f orma
mais lúdica, conf orme vist o ant eriorment e. Est e conheciment o, quando pot encializado pelas expressões hipermidiát icas, origina o que nest e t rabalho denominamos
hiperconheciment o.
O ciberespaço pode ser ent endido, dest a f orma, como um comput ador monument al com espant osos bancos orgânicos de memória e processadores paralelos. É um cérebro que
nunca pára de t rabalhar, de pensar, de produzir inf ormações, de analisar e de combinar. (SANTAELLA, 2004, p. 106).
Dessa maneira, a idéia da exist ência de um hipercórt ex pensant e, f ormado a part ir dos
mais diversos ambient es virt uais, e por t oda a ext ensão de uma rede int erconect ada de comput adores sinápt icos, se t orna nít ida.
Resumidament e, compreender é ent ender-se na coisa (BAIRON, 2002, p. 144). Volt amos, assim, ao nosso pont o de part ida:
95 O agir do suj eit o é um conhecer em vários planos que une processo (o agir no mundo), produt o (a t eorização), a valoração (o est ét ico) nos t ermos de sua responsabilidade inalienável de suj eit o humano, de sua f alt a de escapat ória, de sua inevit ável condição de ser lançado no mundo e, t er ainda assim de dar cont as de como nele agiu (BRAIT, 2005, p. 118).
Por isso que nomeamos ser a experiência com a hipermídia um prof undo exercício
palinódico de compreensão, no qual o desdit o sempre acompanha o dit o. Algo só pode se t ransf ormar em compreensão porque esconde um universo de sent idos não revelados. A compreensão na hipermídia é, essencialment e, uma presença f eit a de ausência (BAIRON,
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3 Do Sítio ao Labirinto do Picapau Amarelo
“ Já aprendi a língua dos marcianos. Compreendo perfeit ament e o que eles falam. E sabem o que o rei est á dizendo? Est á dizendo a um cara de crocit o que o planet a foi invadido por ent es est ranhos” .
Emília, Viagem ao Céu
Como vimos at é agora, a inf ormação, em det erminado cont ext o, pode se t ransf ormar em conheciment o aplicável a diversos out ros cont ext os. Est e pot encial cognit ivo inf ormacional t em o poder de expandir-se à medida em que lançamos mão de recursos midiát icos que,
em primeiro lugar, devem ident if icar-se com os recept ores para que, em seguida, como conseqüência diret a do seu uso, possam est imular suas percepções e despert ar seu senso crít ico-criat ivo.
Mont eiro Lobat o com suas Obras Compl et as — O Sít io do Picapau Amarelo — f oi capaz de
perceber est e pot encial midiát ico e, à luz de sua época, resgat ou, de maneira singular, os
mais diversos assunt os sob uma perspect iva lúdica, divert ida e, dent ro das limit ações do suport e, int erat iva (ergódica), despert ando o int eresse dos leit ores sobre os mais diversos assunt os, da mit ologia à geologia, da gramát ica à ast ronomia, muit as vezes, mist urando
dois ou mais t emas em um único, sem inclinar-se à banalidade ou à incoerência.
Tão signif icat ivas quant o suas hist órias são as personagens que criou, as quais t ranscendem as barreiras f ísicas limit adoras dos livros, ora mist urando-se aos leit ores, agindo em sua
realidade, ora est endendo-lhes a mão como um convit e ao passeio lit erário ent re cont os e f ábulas, at ravés das prazent eiras páginas da imaginação.
97 Por t odas essas caract eríst icas é inegável o pot encial cognit ivo da obra inf ant il lobat iana. Inegável t ambém, é o f at o de que mereça ser remidiada na hipermídia, o que lhe permit iria at ingir a máxima int erat ividade, at ravés de um nível maior de imersão que só
pode ser possível at ravés do ambient e virt ual.
Remidiar ef et ivament e o Sít io do Picapau Amarelo signif icaria, port ant o, realizar algo mais
do que uma simples adequação hist órico-evolut iva às novas mídias; signif ica, t ambém, um processo de int ercâmbio cult ural. A obra — que j á t eve versões remidiadas na TV e na mult imídia — reconf igurada num novo suport e, o hipermidiát ico, represent a, t ambém, a
hipermidiação do próprio Mont eiro Lobat o. O resgat e do lado humano e cordial do aut or most ra-se imprescindível e consolida-se num processo que poderia, at é mesmo, ser denominado como l obat ização da hipermídia.