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Comparison of result from Schaal oven test and OSI

3. Result and discussion

3.4 Comparison of result from Schaal oven test and OSI

Dahlberg (1976) destaca como o pai da moderna Teoria da Classificação o matemático e bibliotecário indiano Shialy Ramamrita Ranganathan, que em 1933 concebeu a Teoria da Classificação Facetada, a qual teve sua inspiração nos trabalhos do classificacionista Henry Evelyn Bliss dos Estados Unidos. O sistema de Ranganathan se diferenciou dos outros esquemas de classificação (apresentados brevemente na seção 2.2.3.3.1) pelo fato de não

trabalhar com classes pré-estabelecidas, advindas da teoria descritiva17, visto que estas precisavam adequar os assuntos tratados nos documentos à estrutura classificatória existente nos esquemas. No esquema facetado, a classificação dos livros era criada somente no momento em que um livro fosse analisado de acordo com os elementos constitutivos de seu assunto. O conhecimento para Ranganathan era visto como algo dinâmico, sendo necessário desenvolver uma teoria que fosse capaz de superar algumas barreiras apresentadas nos esquemas de classificação até então em uso. Surgia, assim, a Teoria Dinâmica do Conhecimento. Tal teoria justifica-se em ser apresentada em função de ser objeto de investigação da presente pesquisa, visto que, no processo de construção de ontologias, a análise facetada pode ser empregada na fase de modelagem do domínio. Segundo Prieto-Díaz (2003, p.5), “um esquema de classificação [...] pode ser considerado uma taxonomia estendida ou uma ontologia reduzida” e ainda “ [...] técnicas derivadas de esquemas de classificação podem ser usadas para sistematicamente iniciar a criação de ontologias” 18.

Segundo Campos (2001), a Teoria Dinâmica do Conhecimento propõe organizar assuntos novos e já conhecidos em lugares apropriados no esquema de classificação. Tal teoria encontra-se explicitada através dos princípios, cânones e postulados nos Prolegomena to library classification (RANGANATHAN, 1967) publicado por Ranganathan pela primeira vez em 1933, a Classificação de Dois Pontos, conhecida como Colon Classification19; em seguida, uma segunda edição em 1957, descrevendo a Teoria Dinâmica da Classificação Bibliográfica; e uma terceira edição em 1967, contendo uma versão mais avançada da Teoria Dinâmica.

Os princípios da Teoria Dinâmica influenciaram um novo tipo de Classificação Bibliográfica, a Classificação Facetada. A Classificação Facetada divide um assunto por seus múltiplos aspectos ou facetas, isto é, em grupos de classes20 reunidas por um mesmo princípio de divisão (BARBOSA, 1972; DAHLBERG, 1976; VICKERY, 1980, GUINCHAT e MENOU, 1994).

17 Descreve o estado atual do conhecimento e não possui mecanismos que permitam atender as mudanças advindas das diversas áreas do conhecimento (CAMPOS, 2001).

18 “A classification scheme […] can be considered an extended taxonomy or a reduced ontology.” “[…] techniques for deriving classification schemes can be used for systematically initiating the creation of ontologies.”

19 Tabela de classificação elaborada para a organização do acervo da Biblioteca da Universidade de Madras, na Índia (CAMPOS, 2001, p.27)

20 Barbosa (1972) define classe como um conjunto de coisas que apresentam algo em comum e, quando aplicada uma diferença, resulta numa subclasse.

Dahlberg (1976) ressalta que para classificar um documento faz-se necessária uma análise temática ou um tratamento descritivo sobre seu conteúdo, ou seja, uma análise conceitual do documento. Após a análise, é feita a ordenação desses elementos (denominados isolados) em facetas, as quais representam uma coleção de termos com relacionamento hierarquicamente igual ao assunto geral, com princípios de divisões comuns. Cada elemento pertencente à faceta é denominado um foco. Tal abordagem é denominada por Dahlberg (1976) de método analítico-sintético.

Um conjunto de facetas com características comuns é chamado de categoria, que é uma divisão altamente generalizada do conhecimento. Barite (2000, pgs. 5 e 6) explicita que “[...] categorias são relevantes como instrumentos de análise e organização de objetos, fenômeno e conhecimento”. E ainda que “[...] a noção de categoria facilita o processo de análise de assunto [...] ajuda no estabelecimento da correta precedência entre os vários assuntos nos documentos [...]” 21. Jacob (2004, p.518) afirma que o mundo é dividido em grupos ou categorias que compartilham alguma similaridade dentro de um domínio. As categorias especificadas podem variar de domínio para domínio de acordo com o poder de abstração de quem está modelando o sistema. Desta maneira, os aspectos cognitivos tornam- se importantes nesse processo.

Campos (2001) afirma que a premissa básica para entender a Classificação Facetada seria compreender a definição de idéia, informação, conhecimento e assunto. A autora descreve tal definição segundo a visão de Ranganathan, no qual diz ser a idéia um produto do pensamento, da reflexão, da imaginação, que, com a ajuda da lógica do intelecto, integra uma seleção de percepções. A informação se constituiria no momento em que a idéia é comunicada a alguém ou obtida por meio do estudo pessoal e da investigação. O conhecimento seria o conjunto de todas as idéias conservadas pela humanidade. E, por fim, o assunto é visto como um conjunto de idéias organizadas e sistematizadas num campo de interesse específico.

Diante desse conjunto de idéias organizadas e sistematizadas, Ranganathan cria cinco idéias fundamentais para serem utilizadas na análise dos assuntos contidos nos documentos, de forma a organizar os componentes desses assuntos em um sistema de classificação - as chamadas categorias fundamentais para a Classificação Facetada, conhecidas pelo acrônimo PMEST – Personalidade; Matéria; Energia; Espaço; e Tempo. A categoria Tempo é

21 “[…] categories are only relevant as instruments of analysis and organization of objects, phenomena and knowledge”. E ainda que “[…] the notion of category facilitates the subject analysis process […] helps to establish correct precedence among several subjects in a documents […]”

considerada a mais fácil em termos de visualização, por ser evidente em si mesma (período associado com o assunto). A categoria Espaço é geralmente uma área geográfica da localização de um assunto. Já a categoria Energia pode ser reconhecida pela conotação de ação. A categoria Matéria manifesta em si mesma como material e propriedade. E, por fim, a categoria Personalidade, considerada por Ranganathan como indefinível. Tal categoria é considerada a mais difícil de ser identificada; geralmente reconhecida por critérios de eliminação, ou seja, após a identificação das categorias Espaço, Tempo, Matéria e Energia em um determinado assunto, a faceta será enquadrada na categoria Personalidade. Esse método é chamado de Método de Resíduos (RANGANATHAN, 1985).

Além das categorias, Ranganathan introduz três níveis distintos no processo de criação de sistemas de classificação: da Idéia, o Verbal e o Notacional. O plano de idéias é considerado um trabalho de análise do assunto, considerado um processo pelo qual se estabelecem as relações a serem reconhecidas entre os conceitos; a definição da sintaxe, ou a relação entre os termos da linguagem, seria o plano notacional. E a padronização da terminologia para servir de comunicação das idéias ou conceitos (livre de homonímia e sinonímia) pertenceria ao plano verbal.

Podemos visualizar na Teoria da Classificação Facetada a importância dada aos conceitos, que podem ser considerados como unidades de conhecimento. Tais unidades quando arranjadas de uma maneira sistematizada, através das facetas ligadas às categorias fundamentais, permitem formar qualquer assunto. O ambiente da documentação, desta forma, transcende ao Universo de Conhecimento.