5 Experimental Results and Discussion
5.5 Results from CH 4 production through CO 2 injection
5.5.4 Comparison of recovery
Embora até os dias de hoje ainda predominantemente residencial, a região da Consolação é territorialmente próxima do centro da cidade de São Paulo, o que favoreceu sua rápida incorporação ao processo de expansão urbana a partir do final do século XIX. Não à toa, mesmo residencial, a região concentra uma atividade comercial relevante. Além de residencial e comercial, a Consolação é também uma região de lazer noturno para um público bastante plural. Tal cenário faz com que essa parte da cidade tenha um grande movimento de pessoas em quase qualquer horário de qualquer dia da semana.
E é aí que entra a Praça Roosevelt. Atualmente, esse território urbano assume a configuração de uma grande praça concretada, localizada exatamente em um ponto de entroncamento entre importantes vias urbanas que interligam as regiões oeste e leste da cidade – o “Minhocão” (alcunha popular do complexo viário composto pela Avenida General Olímpio da Silveira e pelo Elevado Costa e Silva) e a avenida Radial Leste. Essa conexão
viária é localizada abaixo do nível do solo da praça, feita a partir de túneis que passam por baixo do seu terreno. A própria construção da praça em sua “primeira versão” fora fortemente motivada pela construção de tais obras viárias, idealizadas no mesmo contexto (realizadas pouco antes). Mesmo assim, não se pode dizer que o impacto de tais obras se limitou à circulação de automóveis: elas produziram também uma série de deslocamentos nas dinâmicas sociais, nas interações e nas sociabilidades estabelecidas entre as pessoas, naquele espaço.
A região a sudoeste do centro de São Paulo, que já em meados do século XIX ficaria conhecida pelo seu nome atual – Consolação –, se formou a partir e ao redor da construção da Igreja de Nossa Senhora da Consolação (daí o nome do bairro). A Igreja foi construída no ano de 1799, em uma rota conhecida como Caminho dos Piques, que corresponde à atual Rua da Consolação. O caminho ligava o Largo da Memória, no Anhangabaú, a Pinheiros (FERREIRA, 2009). Ao longo do século XIX a região vai se configurando enquanto um bairro residencial, cuja paisagem era composta por chácaras e habitada por uma elite proveniente da economia cafeeira. Paisagem bucólica, ainda quase rural, mas que já começava a ser transformada pela expansão da urbanização da cidade. Em 1870, a Igreja de Nossa Senhora da Consolação (que havia sido reformada em 1840) fora elevada à condição de freguesia – ou seja, passou a poder fazer registros civis (FERREIRA, 2009). A partir daí ocorreram diversas mudanças na região. A urbanização, ainda inicial, aos poucos ia produzindo transformações e impactos.
Já na transição entre os séculos XIX e XX, muitas das chácaras existentes na Consolação vão sendo loteadas, e alguns dos proprietários mais ricos acabam migrando pra outros bairros – como Campos Elíseos, Higienópolis, Jardins, Pinheiros. Segundo aponta a bibliografia produzida sobre a urbanização, o planejamento urbano e a legislação urbanística
de São Paulo, esse momento pode ser visto como um primeiro momento de afluência das elites econômicas da região central de São Paulo. É nesse contexto que começam a ser edificados os primeiros “bairros planejados” da cidade, voltados a um público elitizado, altamente restritivos, não apenas em termos de custos quanto em relação aos critérios técnicos e estéticos para edificação (estabelecidos por leis urbanísticas específicas). Ao passo que o centro se consolidava enquanto uma região fortemente voltada ao comércio e marcadamente popular.
Das primeiras décadas do século XX até aproximadamente os anos 1950, alguns terrenos que circundam a Igreja de Nossa Senhora da Consolação são desapropriados e/ou cedidos à municipalidade, e abre-se um espaço residual, não edificado. Um espaço aberto que durante o dia – isso nos dias de semana – servia como estacionamento para os carros da classe média-alta que trabalhava na região central, e onde aos domingos de manhã acontecia uma feira livre10. Espaço este que, aos poucos, especialmente no período noturno, se tornaria também ponto frequentado por uma boemia burguesa paulistana, sediando salas de Teatro, casas noturnas, restaurantes e casas de prostituição de luxo. Eis a Praça Roosevelt, que na época nem mesmo praça chegava a ser.
A vida noturna na região da Praça Roosevelt (que na época ainda se chamava Praça da Consolação) foi amplamente impulsionada pela instalação de salas de teatro ou outros estabelecimentos culturais nas ruas adjacentes a ela. Dentre eles, destacam-se o Teatro de
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Depois da construção da estrutura concretada no local, a feira, que antes ocupava todo o espaço da praça, passa a se restringir à rua Guimarães Rosa.
Cultura Artística, fundado em 195011; o Teatro de Arena, fundado em 195512 e o Cine Biju, em 196313 (PALMA, 2010).
Entre os anos 1950 e 1960, a região presenciou a abertura de muitas casas noturnas, que além de se tornarem espaços de divertimento para a elite paulista se tornam palco para a apresentação de grandes músicos, sobretudo ligados à Bossa Nova e à MPB. Além disso, foram abertos restaurantes e outros estabelecimentos voltados a esse público frequentador, como padarias, docerias, salões de cabeleireiros e casas de prostituição de luxo14. Tais espaços eram importantes porque atuavam como uma extensão das dinâmicas que pareciam se irradiar a partir das salas de teatro – estas sim seriam as responsáveis por atrair um público de artistas e de pessoas apreciadoras de arte. A vida noturna da região parecia se espraiar a partir dos teatros, mas não se limitava a eles: a constituição de uma sociabilidade boêmia dependeu também dos espaços de lazer – sobretudo daqueles que funcionavam no período noturno (PALMA, 2010).
Nos anos 1960, a região da praça se tornaria conhecida como área de fluxo de prostituição. Diferentemente do cenário da década anterior, no entanto, se tratava de uma prostituição menos elitizada, menos “glamourosa”, que já dialogava com um movimento de intensificação da afluência das elites econômicas e de suas atividades e equipamentos
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Teatro localizado na rua Nestor Pestana. A sociedade homônima ao teatro era marcadamente elitista (era frequentada por membros das elites cafeeira e industrial além de artistas consagrados; Seu prédio fora projetado por Rino Levi e contava com um afresco de Di Cavalcanti; Suas apresentações continham majoritariamente música erudita. No ano de 1960 o teatro é cedido à TV Excelsior no ano de 1960, e passa a ser utilizado como auditório para as gravações de programas da emissora (PALMA, 2010).
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Localizado na rua Teodoro Baima. A proposta teatral do grupo que mantinha a sala se colocava enquanto contraponto ao teatro comercial, o que se expressava inclusive em sua própria arquitetura: Espaço pequeno, lugares escassos e “incômodos” (PALMA, 2010).
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O Cine Biju foi o primeiro Cine clube de São Paulo. Ao longo dos anos 60 o Cine Biju se tornaria local frequentado por estudantes universitários, especialmente os estudantes da Faculdade de Filosofia, Letra e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, na época sediada na rua Maria Antônia (bem próxima à Praça Roosevelt) (PALMA, 2010).
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Nesse contexto, segundo menciona Palma (2010), a praça Roosevelt estava inserida em uma rota conhecida como “Boca do Luxo”, faixa territorial que se estendia da Nestor Pestana à Vila Buarque, e que aglutinava casas de prostituição de luxo. O nome “boca de luxo” não deixa de ser um contraponto à “boca do lixo”, alcunha popular a uma região próxima ao Largo do Arouche, no centro da cidade, e que era conhecida como ponto de baixo meretrício.
culturais da região (FERREIRA, 2009; PALMA, 2010). A Consolação parecia ter sido absorvida pelo “movimento autofágico” da urbanização das áreas centrais da cidade, enquanto as classes mais abastadas elegiam como seu novo “centro” econômico e cultural a Avenida Paulista e a região dos Jardins.
1.2. A CONSTRUÇÃO DA PRAÇA ROOSEVELT (1969-1970) E O