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4. Results and discussion
4.4 Comparing the results
Há questões importantes relacionadas com a forma de sensibilizar pais dentro de grupos, no que se refere à educação preventiva, como fazer desconstruções de mitos, valores e crenças sobre maneiras inadequadas de educar os filhos. Isso acontece, entre outras razões, pelo fato destes pais terem vivido impasses, pois reforçaram negativamente mudanças de posturas, internalizadas pelos valores de suas famílias de origem.
É importante desmistificar o terror das educações repressoras e tentar abrir o caminho para uma educação mais democrática, em que os sentimentos e questões das crianças sejam valorizados e os pais consigam promover novas maneiras de comunicação, ampliando a sua visão do que é certo e errado no processo da educação dos filhos.
“ Poderá o trabalho com grupos de pais favorecer a compreensão,
contextualização, desconstrução e redefinição dos comportamentos dos mesmos, numa possível co-construção para a mudança dos padrões intergeracionais nas estratégias educativas e de reconstruir aquelas julgadas inadequadas?”
Baseado nos pressupostos de que um grupo organizado em qualquer contexto possui papéis sociais que todos os indivíduos da mesma cultura compartilham em diversos graus, definimos o Sociodrama- criado por Moreno (1892-1974) como métodos de tratamento de grupos por seus próprios recursos. É incidental saber quem são os indivíduos na sua privacidade pois é o grupo na sua totalidade o que importa e a perspectiva coletiva com que os temas e os papéis nele envolvidos são propostos, discutidos e experienciados. O Sociodrama busca a subjetivação de uma realidade objetiva através da simbolização e da captação do que Moreno chamou de processos co-conscientes e co- inconscientes desenvolvidos nas relações grupais.
Cada elemento do grupo é um observador participante de cada indivíduo em relação aos demais e ao grupo como um todo, na consumação dos enredos sócio-individuais apresentados.
O Sociodrama propõe-se a ser um método que objetiva a subjetividade baseado no fato de o homem como ser social atuar de maneira espontânea e
observar o que se passa ao seu redor e em sua subjetividade in status nascendi. Assim, através das relações em ação o co-consciente passa a ser observado e a ação por si mesma conduz à realidade objetiva do grupo onde os participantes são ao mesmo tempo sujeitos da experimentação e experimentadores.
O Sociodrama Construtivista (Zampieri,1996) especificamente aplicado neste trabalho busca evidências e descobertas do que se passam no nível coletivo em relação às crenças, pensamentos, sentimentos, conceitos e preconceitos armazenados em nossa história; catalizados nos temores e ansiedades dos pais no processo de educar filhos.
O Construtivismo data do século XIX e preocupa-se com o observador humano que elege o que observa alterando a percepção da realidade. Focaliza o paradigma narrativo e visa entender os fenômenos sociais em termos de narrações. Pergunta epistemologicamente: o que conhecer no mundo? Como conhecer? Quais os limites desse conhecimento? Que possibilidades de conhecimento objetivo temos de nós mesmos e do mundo? Vivemos uma situação de mundos subjetivos diferentes.
Existem num mesmo tema grupal, múltiplas possibilidades; portanto diferentes visões devem ser validadas. Os temas e as narrativas sociais são representados pela linguagem que, por sua vez, possui alto nível simbólico. Nas histórias há sempre aspectos étnicos, culturais, de intergeracionalidade e de vários mitos de origem. A realidade é conhecida, então, pelo que é contado.
Da articulação filosófica, teórica e técnica destes dois campos de conhecimento: O Sociodrama e o Construtivismo, nasceu a proposta deste método que chamamos de Sociodrama Construtivista e que busca o conhecimento da realidade no “aqui e agora”, por respostas espontâneas e criativas pela dramatização do tema protagonista de um drama social, articuladas à busca contínua da co-elaboração da realidade pela desconstrução da mesma em sua significação, estrutura e práticas sociais.
O Sociodrama Construtivista é um método de educação grupal com corpo teórico, técnico e filosófico que compreende etapas, procedimentos, contextos e instrumentos próprios. Como método para orientação de pais tem como proposta realizar uma pesquisa qualitativa, desenvolvida num espaço intergrupal onde as
realidades do contexto de vida que os pais elaboraram dentro de si poderão ser reconstruídas. Essa reconstrução acontecerá na tentativa do aparecimento de novas e mais adequadas respostas, que espontâneas, surgem nas co- construções grupais junto à pesquisadora e sua equipe.
A pesquisa qualitativa aqui proposta como Sociodrama Construtivista para trabalhar com grupos de pais, objetiva fazer uma desconstrução das repetições intergeracionais e abrir um espaço para que haja uma reconstrução de novas e mais adequadas respostas nos grupos.
Os estudos de pesquisa qualitativa diferem entre si quanto ao método, à forma e aos objetivos. Godoy (1995) ressalta a diversidade existente entre os trabalhos qualitativos e enumera um conjunto de características essenciais capazes de identificar uma pesquisa deste tipo, a saber:
1- ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental;
2-.O caráter descritivo;
3-.O significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do investigador;
4-.Enfoque dedutivo.
6.1 Participantes da pesquisa
Os grupos estudados neste trabalho pertencem às classes com poder aquisitivo alto e baixo. São compostos por pais que trabalham, têm nível superior completo, incompleto, 1º e 2º graus completos e incompletos e analfabetos, e estão dentro da faixa dos 23 aos 53 anos.
Serão trabalhados quinze grupos de pais em dois diferentes locais. Inicialmente serão feitos oito Sociodramas Construtivistas numa clínica pediátrica, onde os pais têm filhos de 0 a 16 anos e alto poder aquisitivo, na faixa etária de 25 a 54 anos; e os sete grupos que finalizarão este trabalho serão feitos numa ONG, onde os pais têm filhos de 0 a 18 anos com baixo poder aquisitivo, na faixa etária de 25 a 53 anos.
6.2 Instrumentos de Investigação
Como instrumento de investigação será utilizado um questionário individual com os participantes, que tem como objetivo conhecer os temas que despertam o interesse dos pais relacionados à educação dos filhos. ( Anexo 1 – volume 2)
6.3 Estratégias
As estratégias utilizadas na pesquisa são as do Sociodrama Construtivista, descritas por Zampieri como: “... um método de ação que remete uma narrativa verbal ao espaço e ao tempo, produzindo diálogos e captando mensagens do co- inconsciente grupal quando este faz movimentos corporais e os maximiza. No Sociodrama, portanto, a realidade psicológica da interação social é ampliada. Utilizamos a concretização – ação dramática transformada em atos, mensagens e metáforas do grupo, na busca de compactar informações, expandir percepções e evocar emoções. Um tema social trazido para fora do grupo, por meio da concretização ou ação dramática, pode mostrar como os vários aspectos do drama social originam-se e se interconectam, possibilitando uma visão multifacetada sobre o assunto em pauta, em que vários “eus” e vários “outros”, trazidos pela representação dos papéis sociodramáticos, ampliam o diálogo dramático.” (Zampieri,1996.p.96). A mesma autora afirma que o método sociodramático construtivista possibilita “...a desconstrução de uma dada realidade para obtenção de mudanças de respostas, aliada à sensibilização pela vivência de múltiplos papéis sociais.” (idem, p. 98)
O Sociodrama Construtivista dispõe de cinco instrumentos que são: diretor, ego-auxiliar, grupo (protagonista),platéia e palco. Cabe ao diretor, sua equipe e grupo co-criarem as realidades no Sociodramas Construtivistas. A função do diretor, o sociodramatista, neste trabalho é instrumentalizar e processar o Sociodrama; os egos auxiliares são psicodramatistas que desempenham o papel de atores terapêuticos e agentes sociais do grupo; o grupo é o protagonista das descontruções e reconstruções de uma realidade social, e que funciona como agente terapêutico e educador de si próprio. O quarto instrumento é o platéia que tem como integrantes pessoas do grupo que estão fora do contexto
sociodramático como observadores; e o quinto instrumento é o palco ou cenário onde acontecem as cenas protagonizadas num contexto dramático em suas inúmeras possibilidades de atuação.
No Sociodrama Construtivista serão utilizadas três fases: aquecimento,
dramatização e comentários. Na primeira fase de aquecimento, teremos duas
partes: inespecífico e específico. No aquecimento inespecífico o diretor mostrará o método, os objetivos, deverá conhecer o grupo e pontuar diretrizes para o trabalho. No aquecimento específico acontecerá o processo de conhecimento do grupo, a interação grupal e onde deverão aparecer os conteúdos para serem trabalhados nas dramatizações. Na fase de dramatização o diretor trará conceitos do tema escolhido para o trabalho onde o grupo poderá atuar de forma dramática para compreender e vivenciar as questões. A fase final do Sociodrama Construtivista chama-se fase de comentários onde acontecerão as elaborações de novas respostas pelos grupos e o compartilhar de tudo que será vivenciado no contexto sociodramático do mesmo.
6.4 Procedimentos
Nesta pesquisa será desenvolvido um questionário aplicado junto aos pais usuários de uma Clínica Pediátrica e de uma ONG, para detectar potencialmente as dificuldades que os mesmos encontram no dia-a-dia na educação de seus filhos.
Serão utilizadas como estratégia do Sociodrama Construtivista nas suas três formas – como fonte de informação, como estratégia educativa e como auxiliar na manutenção do processo de interação entre pais e filhos.
A pesquisa totalizará 08 Sociodramas Construtivistas com grupos de 30 a 50 pais na Clínica pediátrica e 07 grupos numa ONG, ambas em São Paulo. Os Sociodramas Construtivistas serão filmados e fotografados para posterior transcrição, com autorização prévia dos pais. Todos os participantes assinarão um termo de consentimento livre e esclarecido (anexo 2- volume 2).
6.5 Análise dos dados
Os dados serão analisados qualitativamente e os conteúdos dos Sociodramas Construtivistas categorizados de acordo com os temas de cada sessão, buscando aspectos importantes, tais como:
1-Os tipos de ansiedades e medos que apresentavam os elementos dos grupos, quando procuraram orientações;
2-As crenças, valores, mitos relativos a cada tema.
3-Personagens sociodramáticos que emergiram em cada tema, que permitam avaliar a relação família-atual com a família-origem.
4-Sentimentos que eventualmente possam emergir nas sessões que são importantes para caracterizar a ligação intergeracional.
5-As repetições intergeracionais identificadas mais freqüentes nos Sociodramas Construtivistas.
As desconstruções feitas pelos grupos, por intermédio de personagens que surgiram nos Sociodramas Construtivistas serão avaliadas e mostradas as forma como os pais fizeram as reconstruções do papel parental objetivando mudanças de comportamentos na educação.
6.6 Considerações Éticas
Esta pesquisa esteve sob a avaliação do Comitê de Ética da PUC-SP, e foi aprovada para operacionalização no que se refere aos aspectos éticos.
Uma postura ética na presente pesquisa pressupôs uma relação de respeito e confiança, não coercitiva e não manipuladora e implicou a solicitação da assinatura do consentimento informado, a garantia do direito à privacidade e ao sigilo, e a proteção contra possíveis danos aos participantes. Os resultados também lhes foram disponibilizados.