AISLAMIENTO E IDENTIFICACIÓN MEDIANTE EL ANÁLISIS MULTIGÉNICO DE
4 COMPARACIÓN ENTRE LOS MÉTODOS DEPENDIENTES E INDEPENDIENTES DE CULTIVO Y CON ESTUDIOS PREVIOS
Dolz & Schneuly (2004, p.74), na tentativa de articular práticas sociais, gêneros textuais e objetos de ensino, argumentam que o “gênero [deve ser] utilizado como meio de articulação entre práticas sociais e os objetos escolares, mais particularmente no domínio do ensino da produção de textos orais e escritos”. Estes autores afirmam que é a partir dos gêneros que as práticas de linguagem se transformam em atividades de linguagem para os alunos. Dessa forma, a “heterogeneidade das práticas de linguagem” (cf. DOLZ & SCHNEUWLY 2004, p.75) é atravessada pelo gênero, que faz surgir regularidades no uso, no propósito e função, ou seja, as atividades de linguagem são capazes de proporcionar maior domínio de um gênero, no tocante ao seu uso, propósito e função.
Com base nas teorias bakhtinianas, que os PCN apontam para o ensino das línguas, seja portuguesa, quanto estrangeira, deve ter como base o ensino de gêneros textuais.
Nessa perspectiva, não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino as que decorrem de uma análise de estratos, letras/fonemas, sílabas, palavras, sintagmas, frases que, descontextualizados, são normalmente tomados como exemplos de estudos gramaticais e pouco têm a ver com a competência discursiva. Dentro desse marco, a unidade básica do ensino só pode ser o texto. (PCN – LP, p.23).
E ainda:
A utilização em sala de aula de tipos de textos diferentes, além de contribuir para o aumento do conhecimento intertextual do aluno,
pode mostrar claramente que os textos são usados para propósitos diferentes na sociedade. (PCN – LE, p.45)
Ressaltamos que a citação dos PCN – LE não utiliza o termo “gênero”, contudo, ao mencionar “tipos de textos”, é sobre o conceito de gênero que se refere. Por outro lado, ao abordar os eixos em que os conteúdos de língua estrangeira estão organizados - conhecimento de mundo, conhecimento sistêmico, tipos de textos e atitudes – mais uma vez é perceptível que, ao explicar o eixo “tipo de texto”, o conceito se refere ao de gênero textual.
Percebe-se que os PCN, da mesma forma, salientam que a língua estrangeira tenha seu ensino calcado na concepção de língua(gem) como “prática social com possibilidades de expressar opiniões, valores, sentimentos, informações oralmente e por escrito”, bem como em uma concepção sociointeracionista de ensino e aprendizagem, segundo a qual “aprender é uma forma de estar no mundo social com alguém em um contexto histórico, cultural e institucional” (PCN – LE, 1998, p.54-57).
Alguns estudiosos, como Bronckart (1997/1999), Schneuwly (1994), Dolz & Schneuwly (1996 & 1998), Rojo (2000), Machado (2000), Marcuschi (2002), têm seguido a linha de pensamento bakhitiniano, o qual frisa a importância da necessidade do estudo dos gêneros na escola.
O domínio dos gêneros é importante, diante das novas demandas sociais, para a socialização e cidadania dos aprendizes, frisam Marcuschi (2002); e Johns (2002). Marcuschi (2002, p.29) afirma que: “[...] quando dominamos um gênero textual, não dominamos uma forma linguística e sim uma forma de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares”. Já Bronckart (1999, p.103) afirma que “[...] a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, de inserção prática nas atividades comunicativas humanas”.
Corroborando com esta ideia, Meurer (2000, p.149) propõe “que o aprendizado da linguagem humana [...] seja visto como o desenvolvimento da competência no uso de um número crescente de gêneros textuais”. A sugestão deste autor, ao mencionar a importância da competência no uso de gêneros, é que nas escolas, o ensino da linguagem:
explore situações que permitam aos alunos ter acesso a um amplo número de gêneros textuais, levando-os a investigar, comparar, questionar e compreender as regras e recursos implicados em seu uso. Estabelecendo tais relações, o indivíduo estará mais apto ao exercício da cidadania, a realizar as ligações inteligentes, produtivas e vantajosas entre textos e seus contextos de uso (MEURER, 2000,p.158).
Ainda que a sala de aula não seja um lugar autêntico para o ensino de gêneros (FREEDMAN 1994; apud JOHNS, 2002, p.9) e, embora, o número de gêneros esteja na mesma proporção das situações sociais e contextos que exigem os usos específicos de linguagem, se não for apresentado aos discentes o maior número de gêneros quanto possível, estará reduzindo de forma drástica seu acesso ao letramento e engajamento na comunidade discursiva na qual queremos inseri-los como participantes. Salienta Rojo (2000, p.34) que “[...] os gêneros discursivos ou textuais são tomados como objetos de ensino nos PCN e são, portanto, responsáveis pela seleção dos textos a serem trabalhados como unidades de ensino”.
Conforme já mencionado, os PCN, tanto de Língua Portuguesa, como de Língua Estrangeira, sugerem que o trabalho com o texto deve se basear nos gêneros, sejam eles orais ou escritos. Marcuschi (2002, p.35) afirma que quando se fala em Linguística Aplicada, é preponderante que se estudem os gêneros textuais, sobretudo no ensino de línguas, já que se ensina a produzir textos e não enunciados soltos.
Da mesma forma, os PCN da Língua Portuguesa (BRASIL, 1997, p.23), trazem à tona a visão do gênero em sentido mais amplo, importante para a discussão:
Pode se ainda afirmar que a noção de gêneros refere-se a „famílias‟ de textos que compartilham algumas características comuns, embora heterogêneas, como visão geral da ação à qual o texto se articula, tipo de suporte comunicativo, extensão, grau de literariedade, por exemplo, existindo em número quase ilimitado. (BRASIL, 1997, p.23)
Os gêneros possuem caráter ilimitado, sendo assim, é possível o resgate de traços dessas famílias de textos, contudo, possuem certa estabilidade, bem como podem surgir novos gêneros a cada dia (MARCUSCHI, 2002). Assim é possível apresentar aos alunos um grande número de gêneros, para que, dessa maneira, tornem-se mais engajados discursivamente na língua
objeto de estudo. Meurer (2000), por sua vez, frisa que vem sendo dada pouca ênfase aos gêneros, no ensino tradicional, contribuindo para sua ineficiência. Assim, diz ele:
o ensino tradicional da linguagem humana fundamentado na gramática, coesão e nas modalidades retóricas, bem como em aspectos da coerência textual, tem se mostrado altamente ineficiente, não se preocupando e não dando conta das situações específicas em que os indivíduos efetivamente utilizam a linguagem como instrumento de interação, reprodução e/ou de alteração social (MEURER, 2000, p.152)
Contudo, o principal é fazer com que os alunos transitem entre as várias estruturas e funções dos textos como leitores e escritores sendo função do professor possibilitar que os alunos mobilizem conhecimentos para o agir, usando diferentes gêneros textuais.
Como são ferramentas indispensáveis de comunicação, todos usamos gêneros para nos comunicar, por isso acreditamos que quanto mais gêneros textuais as pessoas dominarem, mais oportunidade elas terão de socialização e cidadania.
Na sequência, apresentamos o conceito de sequência didática e a possibilidade de utilização destas, no processo de ensino e aprendizagem de LI.