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4.3 Preamplier

4.3.4 Common base amplier design

Enquanto o Ocidente promove contínuas ações que acredita tenderem para a erradicação da MGF, mas que proliferam na mesma medida em que também esta prática é seguida, chega-nos do Oriente um exemplo de eficácia na alteração de mentalidades e comportamentos, igualmente ancestrais.

Num artigo publicado na American Sociological Review, GERRY MACKIE explica como

a China conseguiu alterar a prática milenar do footbinding ou fenómeno do pé ligado311, pelo menos na sua maior parte, no espaço temporal de apenas uma geração. Um exemplo que o Ocidente não deverá ignorar, já que para este autor existe uma similitude entre o footbinding e a infibulação. Conforme descreveu312,

Both customs are nearly universal where practiced; they are persistent and practiced even by those who oppose them. Both control sexual access to

311

Traduz o processo por meio do qual se impedia o crescimento natural do pé, que permanecia pequeno e em forma triangular, sendo considerado ideal o tamanho de pé que não ultrapassasse os 8 centímetros. Realizado em idades compreendidas entre os quatro e os nove anos, este processo passava por dobrar e se necessário partir os quatro dedos mais pequenos do pé que ficavam firmemente pressionados contra a planta do mesmo, modelando a forma triangular. As unhas eram cortadas e reduzidas ao mínimo possível para prevenir o seu crescimento e com ele possíveis infecções. O pé ficava envolto numa ligadura ou banda de seda que permanecia colocada dia e noite. Previamente mergulhada numa solução composta, entre outras, por ervas e sangue animal, cuja mistura ajudava a suavizar o pé, a ligadura era colocada de forma a arquear o pé, fazendo com que também os ossos deste fossem partidos, pois a ligadura pressionava o calcanhar contra a planta do pé, com os quatro dedos mais pequenos por debaixo. O processo era gradual, sendo que a cada muda de ligadura, que ocorria numa base diária ou semanalmente dependendo da condição financeira da família, a pressão ia aumentando na mesma medida em que os ossos também cediam. Realizado por mulheres mais velhas da comunidade, em regra familiares, vedava- se tal tarefa à mãe face a possibilidade de esta condescender ante a dor da filha e não apertar as ligaduras com a necessária força. Tratava-se, portanto, de um processo que embora pudesse variar entre regiões, era sempre extremamente doloroso, sendo particularmente penoso nos primeiros dois anos, podendo prolongar-se até aos seis ou dez anos de tratamento. As consequências podiam variar entre a ulceração do pé, gangrena, paralisia e traumatismos vários dos membros inferiores, podendo, inclusive, embora em menor número, culminar na morte da criança-menina. V., entre outros, HILL GATES, Footbinding and

Women’s Labor in Sichuan, London-New York, Routledge Taylor and Francis Group, 2015, pp. 6-11.

312 V. GERRY MACKIE, “Ending Footbinding and Infibulation: A Convention Account”, in American

Sociological Review, Vol. 61, No. 6, American Sociological Association, December 1996, pp. 999-1000

[999-1017]; “Female Genital Cutting: The Beginning of the End”, in Female “Circumcision” in Africa:

Culture, Controversy, and Change, Edited by BETTINA SHELL-DUNCAN and YLVA HERNLUND, Colorado/London, Lynne Rienner Publishers, Inc., 2000, pp. 261 e ss. [253-281].

137 females and ensure female chastity and fidelity. Both are necessary for proper marriage and family honor. Both are believed to be sanctioned by tradition. Both are said to be ethnic markers, and distinct ethnic minorities may lack the practices. Both seem to have a past of contagious diffusion. Both are exaggerated over time and both increase with status. Both are supported and transmitted by women, are performed on girls about six to eight years old, and are generally not initiation rites. Both are believed to promote health and fertility. Both are defined as aesthetical pleasing compared with the natural alternative. Both are said to properly exaggerate the complementarity of the sexes, and both are claimed to make intercourse more pleasurable for the male.

No que respeita ao que as distingue, continuou o mesmo autor313,

(…) elite concubinage in China versus commonplace polygyny in Africa, exogamy versus endogamy, and agrarian and commercial versus pastoral and horticultural production.

Não obstante estas diferenças contextuais, o fundamento no seu essencial é coincidente, motivo pelo qual este autor vem alertar para uma situação que poderá servir de exemplo ao que se pretende implementar nos países praticantes da MGF que, conforme já referido, se concentram maioritariamente em África.

Semelhante paralelismo efetuou MARY DALY, ao identificar estas práticas através do

que apelidou ser o “síndrome sado-ritual”314. No caso do footbinding este síndrome seria justificado pela:

− Fixação na ideia de “purificação”;

− Desvinculação da responsabilidade masculina em virtude de ser realizada e assim perpetuada pelas mulheres, como se as mulheres fossem os agentes controladores, esquecendo que o mesmo era realizado na garantia de tornar a mulher adequada ao casamento;

It did not occur to them, it seems, that they were the agents behind the mutilation, demanding it and enforcing it, deceptively using their mindbound women to execute their wishes. 315

− Rápida implementação e propagação da prática realizada como ato de amor das mães pelas filhas;

− Todo o ritual que envolvia a realização da prática, que definia o comprimento e largura das bandas ou ligaduras, o seu intervalo de aplicação, o papel dos

313 V. GERRY MACKIE, “Ending Footbinding and Infibulation: A Convention Account”, p. 1000. 314 Cfr. Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism, pp. 89-99.

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familiares na realização da prática, o tamanho limite do pé a obter, a forma como as mulheres submetidas à prática deveriam caminhar, sentar e levantar, e a questão da “moda” usada para esconder a deformação gerada.

− O modo como todo este “horror”, conforme descreveu, passou a ser encarado com normalidade, visão que permitiu a sua realização durante quase mil anos. − A atração sexual pela claudicação ou “marcha incerta” que se observa nas

mulheres vítimas do culto do pé ligado, e o modo como os homens faziam uso dos pés deformados e até mesmo do calçado, entendidas como “pequenas perversões”, termo utilizado para espelhar a tortura, a incapacidade e mutilação de milhões de mulheres para satisfação dos homens.

Já no que toca à MGF, para MARY DALY316,

There are some manifestations of the Sado-Ritual Syndrome that are unspeakable – incapable of being expressed in words because inexpressibly horrible.

Segundo esta autora, os elementos do “síndrome sado-ritual” são ainda mais visíveis e marcadamente perversos. Como tal, também aqui se contata a317:

− Fixação na ideia de “purificação”: o clítoris é “impuro” porque não serve propósitos masculinos, nem realiza nenhuma função na reprodução. É um órgão estritamente feminino, que apenas serve o prazer da mulher. Nessa medida é “impuro” e a lógica é a purificação das mulheres através da sua remoção;

− Desvinculação da responsabilidade masculina porque praticada nas mulheres por mulheres, mas também pelas justificações (mitos) apresentadas para a sua realização, e acima transcritos, esquecendo que estas mulheres são “reconstruídas” para propósitos masculinos;

− Rápida implementação e propagação da prática realizada como ato de amor das mães pelas filhas, uma prática tão ancestral que se reporta à época dos faraós; − Todo o ritual que envolve a realização da prática, neste âmbito com maior

definição e participação da comunidade, nos termos acima explicados. Rituais que passam pela escolha e rudimentaridade dos instrumentos utilizados, pelas canções entoadas, pelas roupas usadas, pela alimentação prestada, pelos locais da sua realização, época do ano, etc.;

316 Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism, p. 101. 317 Ibidem, pp. 103-114.

139 − O modo como todo este ritual, passou a ser encarado com normalidade,

gozando inclusive de uma visão normativa318.

Em ambos os casos as mulheres sofreram e sofrerão duplamente: sofreram e sofrerão com a realização do ritual e com as suas permanentes e irreparáveis sequelas; sofreram e sofrerão com a constatação de se tratar de uma prática não generalizada mas localizada, regional, incapacitante, representativa da subalternização ou submissão da mulher e, consequentemente, violadora dos seus mais elementares direitos.

Focando, agora, em concreto o ritual do footbinding, não se sabe determinar com exatidão o seu início. Crê-se que terá surgido durante a Dinastia Sung (960-1279), ou mesmo antes desta319. Certo é que no início da Dinastia Ming (1368-1644) este fenómeno era já encarado com normalidade, tendo durado cerca de dez séculos.

A resistência só se fez sentir mais tarde, em plena Dinastia Qing ou Manchú (1644- 1912), que desenvolveu os primeiros esforços para a eliminar. Inicialmente sem sucesso, a proibição apenas foi conseguida em 1912. Hoje são poucas as mulheres vivas vítimas deste fenómeno cultural.

Analisando os dois fenómenos, com efeito, à semelhança da MGF, o footbinding foi uma prática com demarcado vínculo sexual, baseada na convicção de conferir maior prazer sexual ao homem, e encarada como o meio de garantir o “melhor casamento” com todas as crenças a este associadas. Era um sinal de status social, pois a incapacidade resultante da deformação do pé afastava a mulher do trabalho do campo e da pesca. Esta limitava-se a servir o marido. E ele teria que ter a capacidade financeira

318 Para JOMO KENYATTA, Presidente do Quénia (1964-78), a circuncisão da mulher era condição sine

qua non para o ensinamento de toda a lei tribal, religião e moralidade. Conforme escreveu: “For years

there has been much criticism and agitation against irua [genital mutilation] of girls by certain misinformed missionary societies in East Africa, who see only the surgical side of the irua, and, without investigating the psychological importance attached to this custom by the Gikuyu, these missionaries draw their conclusion that the irua of girls is nothing but a barbarous practice and, as such, should be abolished by law. (...) On the other hand, the Gikuyu look upon these religious fanatics with great suspicion... The abolition of irua will destroy the tribal symbol which identifies the age-groups, and prevent the Ginkuyu from perpetuating that spirit of collectivism and national solidarity which they have been able to maintain from time immemorial.” V. JOMO KENIATTA, Facing Mount Kenya: The Tribal Life

of the Gikuyu, New York, Vintage Books, 1965, pp. 127-130. LYNN M. THOMAS e MARY DALY recorrem

ao discurso de JOMO KENYATTA para explicar esta visão normativa do ritual. V. Politics of the Womb:

Women, Reproduction, and the State in Kenya, p. 25; e Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism, p. 108, respetivamente.

319 Conta-se que o Imperador Li Yu tinha uma concubina favorita, uma dançarina que terá realizado a

chamada “dança de lótus”, onde se apresentava com os pés ligados e curvados. As restantes concubinas, ambicionando obter a mesma preferência do Imperador terão ligado também os pés. Tratou-se, portanto, de um fenómeno que se iniciou nas classes mais altas, pertencentes à pequena aristocracia, e só numa fase posterior se expandiu para as restantes classes sociais. De fora, ficaram as mulheres muito pobres, as pertencentes ao grupo Hakka, ou as que trabalhavam na pesca, já que não podiam ter os pés pequenos para manterem o equilíbrio nos barcos.

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de a sustentar. Atualmente é referido como mais um exemplo da subjugação das mulheres ante o domínio dos homens.

O seu início é apontado para a Dinastia Sung, pois esta é caracterizada, entre outras, pelo declínio do papel da mulher e pela proliferação do concubinato, acompanhados por uma ideologia neo-Confucionista, que trouxe novos entendimentos sobre castidade, subordinação e reclusão femininas320.

À semelhança da MGF, o footbinding foi perpetuado pelo feminino, mas fruto de uma vontade masculina. Uma prática que exaltava a feminilidade num contexto dominado pela afirmação do masculino. Aliás, a questão de género esteve muito presente na propagação deste ritual, conforme explicou PATRICIA BUCKLEY EBREY 321,

The spread of footbinding may well have had something to do with larger shifts in Chinese construction of gender (that is, their ways of thinking about what makes people male or female). The act of binding girls’ feet and of preferring girls with small feet for brides and courtesans were powerful statements about femininity. As such they should be seen in the context of the cultural construction of masculinity to which they contrasted.

Também GERRY MACKIE refere, este fator como um dos vários argumentos

justificadores do fenómeno, conforme se segue322,

The Chinese offered various explanations for footbinding. It was said to distinguish the Chinese from the invading Mongols and other barbarians and to enhance the difference between men and women. It was believed to promote good health and fertility (…). For Chinese men, bound feet were universally associated with higher-status love and sex, and so carried strong connotations of both modesty and lasciviousness. Bound feet became a sexual fetish; they were said to be conducive to better intercourse, but this claim was medically false. (…) The historical record contains several explicit statements over the centuries that the purpose of footbinding was to hobble women and thereby promote their seclusion and fidelity. Finally, the record is abundantly clear that the immediate explanation always given for footbinding in its heyday was to secure a proper marriage.

Ambas as práticas, não obstante as várias motivações, assentam na necessidade de garantir o casamento, porque a mulheres interiorizaram que sem as realizar não

320 V. PATRÍCIA BUCKLEY EBREY, “Shifts in Marriage Finance from the Sixth to the Thirteenth Century”,

in Marriage and Inequality in Chinese Society, Edited by RUBIE S. WATSON and PATRICIA BUCKLEY

EBREY, California, University of California Press Ltd., 1991, pp. 103 e ss., 112 e ss. [97-132]; “Women, Marriage, and the Family in Chinese History”, in Heritage of China: Contemporary Perspectives on

Chinese Civilization, Edited by PAUL S. ROPP, California, University of California Press Ltd., 1990, pp.

199, 216 e ss. [197-223].

321 V. “Women, Marriage, and the Family in Chinese History”, p. 220.

141 conseguem casar. A esta necessidade social e económica, somam-se todas as crenças “mágicas” associadas, entre as quais o aumento da fertilidade, do prazer durante as relações sexuais, etc. Sendo certo que, este modo de pensar, vincadamente enraizado, é cumprido na certeza de uma verdade não questionável e na convicção de assim garantir o melhor para a vida daquelas crianças. Nesse sentido, qualquer estratégia de mudança deve passar forçosamente por educar a população para a falsidade em que tais crenças se baseiam e, consequentemente, para os malefícios que delas resultam. E foi o que se observou na China, em 1895, conforme explicou GERRY MACKIE323,

First, they carried out a modern education campaign, which explained that the rest of the world did not bind women’s feet – that China was losing face in the world and was subject to international ridicule. Second, their education campaign explained the advantages of natural feet and the disadvantages of bound feet. Third, they formed natural-foot societies, whose members pledge not to bind their daughters’ feet nor to let their sons marry women with bound feet.

Estas campanhas educativas que podem assumir várias formas, têm como propósito inicial a necessidade de as pessoas se questionarem sobre a validade das crenças e para isso é necessário demostrar que o que praticam, para além de não cumprir as funções acreditadas, gera graves consequências para a saúde das mulheres. E essa é uma realidade que desconhecem, pois na comunidade restrita em que vivem todas as mulheres são submetidas àquela prática, não havendo termo de comparação até pela idade precoce em que são submetidas às mesmas, e onde todas as consequências mencionadas surgem como algo “normal”. Portanto, o facto de uma mulher infibulada necessitar de 15 minutos para urinar é algo assumido como “normal”, por não haver termo de comparação. E esta informação da “não-normalidade” deve chegar a estas pessoas e deve fazê-las questionar-se sobre a validade das práticas que realizam.

Na China, o movimento a favor do “pé-natural” teve a sua enorme influência, aliado a outros fatores conjunturais, conforme também explicou GERRY MACKIE324,

The natural-foot movement was identified with liberal modernizers and women’s rights advocates and proceeded in the years of change culminating in the Revolution of 1911. It would be reasonable to consider the reform as part of a wave of modernization. Urban economic development encourages migration from the countryside and provides alternative opportunities of support for women (and young men). Each effect weakens the traditional

323 V. “Ending Footbinding and Infibulation: A Convention Account”, p. 1011. 324 Ibidem, p. 1011.

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family, but strengthens the independence and bargaining power of women, and so on.

Com efeito, ainda que não tenha atuado de forma isolada, o papel do movimento a favor do “pé-natural”, aliado a campanhas informativas e educativas desempenhou um papel fundamental na alteração das mentalidades, a que outros fatores culturais não foram alheios. Na verdade, a cultura envolve toda uma forma de atuar em sociedade e não se cinge a práticas isoladas. E o modo de atuação, onde se inclui a disponibilidade para aceitar a mudança, também é cultural. Nesse sentido, as campanhas educativas associadas a outros elementos conjunturais, como a vertente económica da “modernização” e a necessidade de as meninas/mulheres poderem trabalhar sem estarem limitadas à configuração do pé ligado e consequentemente ao trabalho doméstico325, contribuiu para uma rápida mudança. Rápida mudança essa, também imposta pelo facto de um abandono colectivo impedir qualquer juízo condenatório ou eventual afastamento social de quem decide incumprir a regra cultural. Como em qualquer circunstância, uma posição contrária que seja individualizada é à partida uma posição fragilizada e enfraquecida, pelo que a estratégia deverá passar necessariamente por implementar uma mudança de carácter colectivo, como a que se assistiu na China e que ditou o seu sucesso. Por isso mesmo, esta mudança deverá ser rápida, porque coletiva e não individualizada.

Ainda que o fim do footbinding tenha sido ditado pela soma de vários fatores, certo é que o desempenho do movimento a favor do “pé natural” foi fundamental, sobretudo para esclarecer a falsidade das crenças em que aquele se baseava. Uma necessidade a transpor para erradicar a MGF. Para mais, sabendo-se que esta continua a ser realizada como forma de garantir o casamento e com ele a subsistência da mulher, também a vertente económica assume primordial importância. Nesse sentido, há que fomentar o seu acesso à educação, e com este o acesso ao trabalho, como meio de promover a independência da mulher.

325 Sobre o trabalho infantil e a sua repercussão no fenómeno do pé ligado, v. HILL GATES, Footbinding

and Women’s Labor in Sichuan, London-New York, Routledge Taylor and Francis Group, 2015, pp. 79 e

ss.; 150 e ss.. HILL GATES argumentou que a concentração de mulheres vítimas do footbinding era superior onde o trabalho disponível para estas pudesse ser feito com esta limitação/incapacidade, como o trabalho têxtil doméstico. Na sua opinião o footbinding diminuiu com o aparecimento dos produtos têxteis mais baratos fruto da industrialização. A necessidade de as mulheres encontrarem outras fontes de sustento, bem como a necessidade de se deslocarem para centros urbanos, fez diminuir a incidência. E esta é precisamente uma dificuldade quando comparamos este fenómeno com a prática da MGF. Nesta última, ainda que a mesma tenha inúmeras implicações e consequências na saúde da mulher, em princípio, não se traduz numa prática incapacitante para o trabalho, ou não será incapacitante na mesma medida. Embora esta questão seja também ela discutível.

143 Por estes motivos, GERRY MACKIE identifica três medidas fundamentais para erradicar

a MGF. Conforme explica326,

First, let people know the physiological facts, explaining to women and men the advantages of natural genitals and the disadvantages of mutilation. An education campaign is a banally obvious measure. (...)

Second, international public opinion should deplore the bad health consequences of FGM, and such judgment should be conveyed tactfully to practicing populations. Some African nationalists and cultural relativists claim that FGM is a matter to be worked out by African women. This is so, but in the Chinese case, indigenous reformers were more helped by the exposure to an alternative convention and by international condemnation of footbinding as wrong than they were hindered by the obtuse xenophobia of some of the Western reformers. The followers of mutilation are good people