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4.1   E KSPERTENES  PERSPEKTIVER

4.1.4   Økonomisk  perspektiv

A história da indústria brasileira de software pode ser dividida em duas fases principais (VELOSO et al., 2003). Antes de 1990 a política para a indústria de

software era indireta, vinculada à política de hardware e buscando a autonomia

tecnológica do país por meio da implementação de políticas de reserva de mercado. Neste período algumas organizações, atuando principalmente nos setores governamental e financeiro, criaram equipes internas e estabeleceram competências para desenvolver sistemas de software. Ainda neste período produtos inovadores e interessantes foram desenvolvidos por empresas nacionais, como, por exemplo, o editor de textos “Carta Certa”. Porém, por estar crescendo isolada das grandes mudanças tecnológicas que aconteciam no plano internacional durante os anos 1980, a indústria nacional foi perdendo competitividade. Pressões financeiras e pela liberalização do mercado reduziram os subsídios governamentais diretos e os estímulos para o desenvolvimento de novas tecnologias. As firmas locais passaram a falhar no desenvolvimento de novos produtos. A principal conseqüência negativa deste período foi o aumento no custo do hardware para os usuários finais, atrasando e reduzindo o processo de difusão da TI, e mais importante, bloqueando o desenvolvimento de usuários de software maduros e sofisticados. O impacto para as novas empresas de software apresentou-se na forma de grandes barreiras de entrada e um favorecimento em relação aos setores que podiam arcar com o custo extra do hardware, como, por exemplo, bancos e instituições financeiras. Em 1991 o mercado doméstico de software correspondia a US$ 1,1 bilhões ou 1/3 do total das vendas de TI.

Os anos 1990 foram caracterizados pela implementação extensiva de políticas de liberalização, buscando maior integração internacional e redução do papel do estado na economia brasileira. Temendo que o país retardasse o seu desenvolvimento tecnológico, a política de reserva de mercado foi substituída por uma política orientada ao mercado em 1992, e, como conseqüência direta, a indústria nacional passou a enfrentar competição internacional. Para evitar exposição excessiva, diversas leis foram criadas buscando estimular a indústria brasileira; apesar dos esforços governamentais, durante estes anos o cenário do mercado alterou-se significativamente e corporações internacionais conquistaram importantes segmentos, incluindo aplicativos para computadores pessoais, bancos de dados, ERPs e sistemas de informações gerenciais.

Atualmente, o Brasil possui um mercado de software relativamente forte para o seu nível de desenvolvimento econômico quando comparado com a realidade de outros países. Este segmento contabiliza vendas de US$ 7,7 bilhões de dólares anuais (1,5% do PIB), emprega 160.000 trabalhadores e é o sexto mercado do mundo, atrás dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido e Índia (VELOSO et al., 2003).

Apesar do seu porte, a realidade da indústria brasileira de software difere significativamente da realidade vivenciada em outros países considerados referências de sucesso, já que, não obstante os estímulos governamentais, as exportações de software do país são relativamente pequenas (na ordem de US$ 300 milhões anuais3) e a indústria tem como foco principal o mercado interno. Pesquisas

realizadas na Índia, Israel e Irlanda, países que recentemente atingiram volumes expressivos de exportação de software, sugerem que o caminho para o desenvolvimento de uma indústria de sucesso é a busca de uma ampla base de exportação, constituída por empresas locais ou com investimento estrangeiro direto, e em qualquer um dos casos, com forte relacionamento com o mercado norte americano.

Composta por aproximadamente 5.400 empresas a indústria nacional é fragmentada, predominando os micro e pequenos empreendimentos. Aproximadamente 76% das empresas empregam menos de 50 funcionários. Tipicamente estas empresas têm como foco o desenvolvimento de aplicações de

nicho, explorando necessidades únicas do mercado doméstico e customizando produtos estrangeiros às práticas e linguagem locais. Estes empreendimentos carecem de escala e de competências claras, e, como as barreiras para entrada de novas empresas são baixas, o surgimento e o desaparecimento de empresas é elevado. Um pequeno número de empresas, menos de 1%, desenvolveu produtos ou serviços distintos; estas empresas usualmente possuem mais de 1.000 empregados e faturamento superior a US$ 50 milhões (VELOSO et al., 2003).

Em relação às áreas verticais, alguns setores da economia nacional destacam-se enquanto consumidores de software nacional. O setor financeiro, reconhecido por seus padrões internacionais de competitividade, é o maior e mais sofisticado mercado para as empresas de software. O setor de Telecomunicações também é importante, graças aos laboratórios de pesquisa e à presença de multinacionais. O setor de e-business é outro em que o Brasil é líder na América Latina (40% do volume total e 60% do B2B) e pode estimular a competitividade das empresas brasileiras. O governo federal também é grande e sofisticado usuário de software; porém, grande parte dos seus gastos é absorvida por empresas estatais, o que limita os efeitos multiplicadores dos investimentos governamentais no setor privado (em 2002, as oito maiores empresas do estado atingiram vendas muito superiores a meio bilhão de dólares).

As áreas horizontais, como as “Fábricas de Software” e os software Enterprise

Resource Planning (ERP), também representam boas oportunidades do mercado

doméstico. O modelo das “Fábricas de Software” enquanto processo de desenvolvimento de software estruturado e com significativa reutilização de componentes experimentou grande avanço nos últimos anos, mas mesmo nestas Fábricas ainda predomina o desenvolvimento de aplicações pequenas e customizadas. Algumas empresas nacionais lideram segmentos de mercado específicos, como o segmento de ERPs, onde duas empresas têm importância bastante grande entre pequenas e médias empresas no Brasil e na América Latina. Muitas das empresas de destaque estão buscando a sua internacionalização, algumas começando pela América Latina, mas outras diretamente no mercado norte americano. Por outro lado, estas empresas estão enfrentando maior competição devido à expansão das empresas multinacionais no mercado doméstico.

5.3.2 Resultados obtidos com a pesquisa “Estado da Prática em Engenharia de