Chapter 2 – Satellite Communication Solutions
2.8 Commercial satellite communication providers available in the Arctic
Existem múltiplas bases de dados para o registo de catástrofes e de ocorrências, que trabalham desde a escala global à regional, como expõe no seu trabalho Inventariação e Análise de Eventos Hidro-Geomorfológicos com carácter danoso em Portugal Continental, Quaresma (2008). O mesmo trabalho seguiu a metodologia de pesquisa de eventos em jornais e, para cada evento, estabeleceu como informação relevante para a estruturação da base de dados a recolha dos seguintes elementos: título, data e fonte da notícia, data da ocorrência (dia, mês, ano), tipo de evento, localização, número de mortes, feridos, desaparecidos, evacuados e desalojados; prejuízos materiais e entidades envolvidas. Também Oliveira (2005) seguiu a metodologia de pesquisa de eventos em notícias de jornal, mas condicionou a sua pesquisa com os valores de precipitação diária.
O estudo das ocorrências de cheias em Leiria é a base nuclear deste trabalho e, por isso, foi prioritária a construção de uma base de dados georeferenciada (BDG), tendo sido a primeira informação recolhida para o tema ocorrências. Procedeu-se à pesquisa em notícias de jornais desde o início do século XX, no Arquivo Distrital de Leiria. Foram consultadas diversas publicações, uma vez que, para a área em estudo não existiam publicações que abrangessem todo o período. Sempre que se verificou a repetição de eventos/ocorrências, optou-se por seleccionar a notícia mais completa, a fim de obter mais pormenores acerca das áreas afectadas e dos danos causados.
Efectuou-se uma pré-selecção de meses onde pudessem existir ocorrências, tendo sido escolhido de imediato o período de Outubro a Abril com maior probabilidade de ocorrência de cheias e inundações, devido ao facto de coincidirem com a uma época mais húmida. Com os valores de Precipitação (P) mensal, obtidos através do SNIRH para os diversos anos, assinalaram-se num ficheiro Excel11, os meses com valores de P mensal sensivelmente igual ou superior a 190mm. No entanto, a pesquisa não foi feita só para esses meses, mas sim para todo o período considerado como o mais propenso e mais húmido, visto haver conhecimento prévio de ocorrências em meses com valores de precipitação mais baixos.
A partir dos resultados obtidos com esta pesquisa, elaborou-se um ficheiro Excel12, no qual foram apenas inseridas as notícias que estavam próximas da área de estudo. Este procedimento permitiu
11 Anexo 2 – Valores de Precipitação Mensal
uma selecção mais rigorosa dos eventos a considerar tendo em conta o Perímetro Urbano de Leiria e a possibilidade da sua georeferenciação. Foram excluídos todos os eventos que não contivessem referências geográficas e que, por isso, não permitiam a georeferenciação. Com este processo de triagem, o número de notícias utilizadas ficou claramente reduzido. A partir da informação em formato alfanumérico – ficheiro Excel e relatórios de ocorrências em pdf, cedida pelo Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria (CDOS Leiria) – foi possível criar pontos dos locais afectados por cheias.
As dificuldades sentidas prenderam-se essencialmente com a inexistência de referências geográficas consistentes que permitissem a georeferenciação e a uniformização da informação obtida. Segundo Tarhule (2005, p. 358), “a utilização de notícias de jornais apresenta inúmeros desafios à análise científica, pois a informação é habitualmente recolhida utilizando critérios, métodos e formatos que podem ser inconsistentes para procedimentos científicos (ver também Nicholson, 1979; Tarhule and Woo, 1997; Taylor and Nathan, 2002).”
O tema ocorrências - descrito no ponto 2 do presente capítulo, p. 39, linha16 - da base de dados resultou, para além das notícias de jornais, da junção de informação do Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria (CDOS) e dos inquéritos feitos à população.
O CDOS forneceu informação de dois tipos, nomeadamente: relatórios das ocorrências em formato pdf para os anos de 2006 e 2007 e seu registo em formato Excel das áreas referenciadas com risco de cheia.
Da informação recolhida através dos inquéritos procedeu-se à selecção apenas das cheias consideradas como as maiores e com informação suficiente que permitisse uma georeferenciação, verificando-se a coincidência com registos recolhidos através de notícias de jornais.
Posteriormente, efectuou-se um trabalho de uniformização dos dados das ocorrências, das três fontes de supra referidas, aglutinando-as num só tema com os mesmos atributos. Esta foi uma das tarefas mais difíceis, uma vez que foi necessário encontrar os pontos/atributos comuns e criar novos geocódigos para poder unir as tabelas.
Embora se tenha procedido à referida junção mantiveram-se as tabelas originais com a possibilidade de as unir aos temas geográficos, pois parte da informação contida nos temas originais é específica desse mesmo tema e não comum com os demais, nomeadamente, no caso dos inquéritos e dos relatórios do CDOS.
O tema de ocorrências resultante do processo exposto, figura 9, contém 154 registos de ocorrências.
Figura 9 - Localização das ocorrências
Segundo Frans et al. (2009) existem duas formas para obter a informação necessária acerca do uso do solo: recolha no terreno - dados primários -, ou a utilização de informação já existente - dados secundários. Para a recolha de dados secundários, foi solicitado à Câmara Municipal de Leiria o fornecimento de material cartográfico, e de outros elementos que pudessem contribuir para a realização do estudo13. Neste contexto, foram disponibilizadas as plantas de Ordenamento e de Condicionantes do Plano Director Municipal (PDM) em vigor, de 1995.
Procedeu-se à selecção e tratamento dos dados cartográficos, a fim de serem utilizados no estudo. Foram levadas a cabo operações de extracção de CAD, integração em SIG e transformação de coordenadas. Contudo, não foi possível corrigir os elementos necessários à construção de um Modelo Digital de Terreno (MDT) adequado, com recurso à cartografia 1:5000 e 1:2000, uma vez que as curvas de nível se apresentavam quebradas, com grandes descontinuidades e sem valor de cota atribuído, verificando-se o mesmo para as linhas de quebra (comummente designadas de