2.5 The class diagrams in this thesis
3.1.1 The commerce domain
Para entender no que consiste de fato o Urbanismo Sustentável é preciso retornar ao início e compreender de onde surgiram as premissas defendidas por essa forma de construir o espa- ço urbano. Para tal, se faz necessário compreender três movimentos ocorridos ao final do sé- culo XX que buscavam em suas particularidades ressaltar os benefícios gerados a partir da integração dos sistemas humanos e naturais, ou melhor dizendo, a partir do equilíbrio entre o ambiente natural e o ambiente construído. São eles: O Smart Growth (Crescimento Urbano Inteligente) iniciado na década de 1970 e consolidado em 1996, O Congresso para o Novo Urbanismo (CNU) no ano de 1993 e o U.S.Green Building Council (USGBC) também em 1993.
O Smart Growth21 tem seu surgimento nos anos 70 nos Estados Unidos a partir das reformas ambientais do então presidente Richard Nixon. Juntamente com os dois principais partidos do país, Nixon criou uma legislação ambiental que permanece até hoje como diretriz da política
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Os dez prin pios do Smart Growth de a ordo om Farr (2013, p.13) : 1. Crie uma gama de opor u- nidades e es olhas de habi ação ; 2. Crie bairros nos quais se possa aminhar ; 3. Es imule a olabo- ração da omunidade ; 4. Promo a lugares di eren es e in eressan es om um or e senso de lugar ; 5. Faça de is es de urbanização pre is eis, jus as e e onômi as ; 6. is ure os usos do solo ; 7. Pre- ser e espaços aber os, áreas rurais e ambien es em si uação r i a ; 8. Propor ione uma ariedade de es olhas de ranspor e ; 9. Re or e e dire ione a urbanização para omunidades e is en es ; 10. Tire pro ei o do proje o de ons ruç es ompa as.
ambiental norte-americana. Algumas dessas leis são: a Lei da Água Limpa, a Lei da Proteção Ambiental (NEPA), a Lei de Manutenção da Zona Costeira, assim como a criação da Agência de Proteção Ambiental norte-americana. Em meio a essas novas leis surgem também duas que tinham por objetivo coordenar e controlar o uso do solo, eram a Lei Nacional da Política do Uso do Solo e os Limites de Crescimento Urbano que se tratavam de áreas além das quais a urbanização não seria permitida a fim de proteger os recursos ambientais em volta do perímetro urbano. O termo Smart Growth se consolida somente em 1996 quando é retomada a discussão ambiental para formulação dos Dez Princípios do Crescimento Urbano Inteligen- te pela Agência Nacional de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. (FARR, 2013).
O Congresso para o Novo Urbanismo (CNU) acontece pela primeira vez na cidade de Ale- xandria, Virgínia, Estados Unidos em 1993. Seus idealizadores foram os arquitetos Peter Cal- thorpe, Andrés Duany, Elizabeth Moule, Elizabeth Plater, Stephanos Polyzoides e Daniel So- lomon. Os seis arquitetos se reúnem com a proposta de utilizar o urbanismo como um aliado no combate à urbanização dispersa, o CNU deveria retomar as discussões iniciadas durante seu antecessor o CIAM (Congrès Internationale d`Architeture Moderne) ou Congresso Inter- nacional da Arquitetura Moderna, onde ambos constituíam um movimento em busca de uma reforma no desenho urbano que beneficiasse a saúde pública e aprimorasse a vida urbana e a moradia. Apesar das amplas discussões geradas durante o período do CIAM, o arquitetos do CNU apenas utilizaram as premissas do mesmo como um estudo de caso, decidindo por criar uma nova Carta que viria a substituir a Carta de Atenas formulada pelo CIAM, os moti- vos foram vários, mas podemos citar como agravante as consequências negativas originadas das diretrizes da Carta de Atenas, principalmente no quesito ambiental e na valorização do automóvel particular. (FARR, 2013, p.16-19).
Os conceitos discutidos pelo Novo Urbanismo têm demonstrado eficiência ao redor do mundo nos mais variados tipos de intervenções urbanas. Suas ideias e diretrizes tem mostrado efici- ência tanto no desenvolvimento de bairros de uso misto, como na criação de cidades com um sistema de transporte público integrado e diversificado, assim como em intervenções nos centros urbanos. Focando sempre nas propostas compactas de regeneração ou de criação de um ambiente urbano voltado ao pedestre. Devido ao caráter recente e por vezes inovador dessa prática, muitos de seus projetos entram em conflito com a legislação urbana vigente nas cidades necessitando uma busca por novas propostas e técnicas que permitam a apro- vação das intervenções (FARR, 2013, p.19). Entre as inovações mais interessantes é possí- vel destacar o transecto urbano-rural (figura 17) e o código inteligente baseado da forma (fi- gura 18 e 19), o primeiro baseia-se em um conceito chamado transecto natural que buscava mostrar em um desenho longitudinal as similaridades entre nichos ecológicos encontrados na paisagem, a partir dai o transecto urbano-rural aplica essa estrutura longitudinal como forma de descrever os assentamentos humanos variando entre um espectro que vai das áreas sil- vestres até os centros urbanos. O código inteligente baseado na forma das edificações obje- tiva de acordo com Farr (2013) substituir ou por vezes atualizar o zoneamento existente atra- vés de novos desenhos, priorizando sempre a clareza e a simplicidade, onde cada tipologia de projeto terá detalhados elementos como: implantação, estacionamento, alturas, usos, aberturas, entre outros mais. O objetivo final é o de que as variações destes índices gráficos previamente estabelecidos permitam que os novos empreendimentos possuam não apenas uma flexibilidade no processo projetual, mas também permitam uma certa previsibilidade do produto arquitetônico ou urbanístico final. Trata-se, portanto, de um exercício gráfico de pla- nejamento urbano capaz de demonstrar índices bem como diretrizes projetuais e seu futuro rebatimento espacial no desenvolvimento da cidade.
FIGURA 17: Exemplo de Transecto urbano-rural. FONTE: http://transect.org.
FIGURA 18: Esquema de Código da Forma. FONTE: Elaborado pelo autor.
O terceiro movimento necessário para compreensão do Urbanismo Sustentável é o U.S.
Green Building Council (USGBC), que surge a partir da visão de três profissionais do ramo
imobiliário americano, David Gottfried, Richard Fedrizzi e Michael Italiano. Sua inspiração foi a Cúpula da Terra do Rio de Janeiro em 1992 e a consequente publicação do documento The
Environmental Resource Guide. O USGBC estabelece duas ações que se tornam as princi-
pais responsáveis pelo seu destaque e pela consequente popularização mundial deste na lu- ta por acelerar a adoção de novas práticas voltadas ao desenvolvimento de edificações sus- tentáveis. Isso ocorre quando o movimento opta por expandir seu público para além dos pro- fissionais de arquitetura envolvidos no processo criativo e busca também valorizar a contri- buição do setor privado reconhecendo a grande influência deste no desenvolvimento urbano e buscando uma aproximação maior entre os diversos setores envolvidos na produção arqui- tetônica da cidade. (FARR, 2013, p.22).
Logo a par ir de sua undação o USGBC es abele e normas pioneiras para edi i aç es sus en á eis, as quais iriam a ado ar em 1996 o nome Leaders- hip in Energy and Environmental Design (LEE ). O sis ema de er i i aç es LEE omo iria a ser popularmen e onhe ido lançado no ano 2000 e onsis e basi amen e no seguin e:
A norma do LEED combina pré-requisitos, com créditos opcionais que geram pontos, que re- sultam em um escore total. À medida que o escore de um projeto aumenta, ele recebe a certi- ficação do LEED em níveis de desempenho crescentes que vão de Certificado, no mais bai- xo, a Platinum, no mais alto. Essa flexibilidade funciona bem no mercado, permitindo que um projeto incorpore somente estratégias adequadas de edificação sustentável. (FARR, 2013, p.22).
FIGURA 19: Esquema de Código da Forma. FONTE: Elaborado pelo autor.
O Urbanismo Sustentável pode, e deve ser caracterizado como uma união de aspectos parti- culares de sustentabilidade promovidos a partir desses movimentos. Apropriando-se das con- tribuições deixadas por eles e tendo o objetivo primário de estimular o desenvolvimento pleno e a associação eficiente dos conceitos herdados de seus predecessores.