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8. Social factors

9.2. Comments in the public sphere

O maior grupo foi formado pelos alunos que afirmaram ter gostado das aulas de Biologia, sendo que verifiquei entre os sujeitos diferentes destaques.

Porque é dinâmico, podemos ter aulas ao ar livre, passear, conhecer, explorar, etc. não fica aquela aula chata, monótona, parada em sala de

aula (Gal).

Porque para mim é interessante esse universo de poder compreender

melhor a si mesmo. Porém, tenho um pouco de dificuldade durante as

aulas, pois são muito abrangentes, diversos nomes [...] às vezes fico confusa, mas gosto bastante (Lia).

Biologia foi uma matéria pelo qual eu tomei um enorme gosto a partir do 2º ano, o conteúdo é incrível, te deixa super concentrado, sempre querendo mais. E a partir disso, fui tomando gosto; hoje no 3º ano, eu presto bem mais atenção do que no 1º, e não me importo de rever assunto do 2º. É uma matéria que me dá vontade de ficar ali para aprender (Gabi).

Enquanto Gal atribui o seu gostar principalmente à dinâmica do professor, Lia e Gabi focam no conteúdo ministrado como o cerne de suas satisfações, pois o adjetivam como interessante e incrível.

O que chamou atenção foi o fato de Gabi apreciar o conteúdo, a partir do segundo ano, e não se importar de revê-lo, assim como dizer que fica mais concentrada e tem motivação para aprender mais. Ao ser questionada sobre isso a aluna apenas se referiu ao fato de que “era um pouquinho chato aqueles nomezinhos da citologia” (Gabi), porém isso não foi suficiente para a aluna não ter gostado da Biologia que estudou nas aulas do seu EM.

Então posso dizer que para Lia e Gabi os conteúdos por si só foram suficientes para gostarem da disciplina, enquanto que para Gal o dinamismo das

aulas foi fator marcante na sua resposta. Porém, mesmo assim, eles apontaram algumas dificuldades descriminadas a seguir:

Quadro 12: Dificuldades encontradas pelos alunos que gostaram da Biologia no EM Segundo

os alunos Segundo a literatura

As dificuldades já senti foram em relação a quantidade de assuntos, os diversos

detalhes que são importantíssimos, e

acabam por exigir bastante atenção e aprofundamento desses assuntos (Lia). Não sinto muitas dificuldades nas aulas de Biologia, mas o que me causa uma certa dificuldade é saber os nomes em conteúdos do 1º e em poucos do 3º ano (Gabi).

Não sei! Acho que não tenho dificuldades (Gal)

O excesso de vocabulário técnico que o professor usa em suas aulas leva muitos alunos a pensar que biologia é só um conjunto de nomes de plantas, animais, órgãos, tecidos e substâncias que devem ser memorizados (KRASILCHIK, 2008, p. 56).

Cada ciência particular possui um código intrínseco, uma lógica interna, métodos próprios de investigação, que se expressam nas teorias, nos modelos construídos para interpretar os fenômenos que se propõe a explicar. Apropriar-se desses códigos, dos conceitos e métodos relacionados a cada uma das ciências, compreender a relação entre ciência, tecnologia e sociedade, significa ampliar as possibilidades de compreensão e participação efetiva nesse mundo (BRASIL, 2002, p. 219).

Fonte: Questionário 01 anexo

O vocabulário biológico é um obstáculo frequentemente apontado pelos estudantes e que precisa ser superado tanto por docentes quanto por discentes, para melhorar a comunicação e interação entre eles, pois como afirmou Krasilchik (2008, p. 57):

A palavra só passa a ter significado quando o aluno tem exemplos e oportunidades suficientes para usá-las, construindo moldura de associações. Como às vezes os termos apresentados são desnecessários, já que nunca mais voltarão a ser usados, o professor deve tomar cuidado para não sobrecarregar a memória dos alunos com informações inúteis.

O que a autora chama de moldura de associações corresponde a aplicação do conceito, pois se aquele conceito não fizer sentido, ter significado ou conexões com outros conceitos, fatalmente o aluno acabará tendo apenas que memorizá-lo. Isso representará para ele um problema, um transtorno uma dificuldade, na medida em que a quantidade de conteúdos for aumentando com o decorrer das aulas. Por isso a autora afirma que:

Tradicionalmente, as ciências têm sido ensinadas como uma coleção de fatos, descrição de fenômenos, enunciados de teorias a decorar. Assim para muitos alunos, aprender ciências é decorar um conjunto de nomes, fórmulas, descrições de instrumentos e substâncias, enunciados de leis. Como resultado, o que poderia ser uma experiência intelectual estimulante passa a ser um processo doloroso que chega até a causar aversão (KRASILCHIK,1987, p. 52).

Essas dificuldades são destacadas também por Tacca e González Rey (2008, p. 141-142), que atribuem a isso uma das possíveis justificativas para uma desmotivação dos alunos quando afirmam que:

Ao criar unidades isoladas, apresentá-las de modo isolado e simplificá-las, retira-se a dinâmica e o movimento de que é composta a realidade, extraindo também os desafios e a curiosidade para conhecê-la. O conhecimento escolar torna-se, assim, uma listagem de conteúdos e conceitos a serem transmitidos e assimilados, no que não são alcançados os seus significados e a sua lógica. A repetição é equivocadamente vista como aprendizagem, uma vez que é nela que se apoiam as avaliações. Não se pode estranhar a apatia, a falta de interesse e de motivação, que constituem a principal reclamação de muitos professores.

Assim, os professores se desmotivam e reclamam de uma suposta desmotivação dos alunos que pode ser considerada um “efeito colateral” da ação docente de transmitir vocábulos técnicos para serem memorizados e reproduzidos em uma prova, ou seja, estamos diante de um “ciclo vicioso” de desmotivações. No caso dessas três alunas percebi que:

 A aluna Lia, mesmo diante das possíveis dificuldades apontadas como a quantidade de assuntos, riqueza de detalhes, vocabulário científico ou ficar confusa às vezes, isso não foi suficiente para lhe causar desmotivação.

 A aluna Gabigosta dos assuntos mesmo apresentando alguma dificuldade relacionada com as nomenclaturas da Biologia, por que são assuntos que dão vontade de ampliar os seus conhecimentos.

 A aluna Gal faz a descrição de uma aula tradicional na sala de aula convencional, contrapondo as possibilidades que o estudo da Biologia pode oferecer. Como as aulas expositivas viram rotina são descritas como chatas e monótonas. Algumas atividades propõem o uso de ambientes diversos, outras linguagens e formas de comunicar conhecimento, assim são descritas como dinâmicas, por isso, motivadoras. Não identificou dificuldades nem nos assuntos nem nos professores como foi feito pelos

outros alunos, mas estabelece como critério de apreciação das aulas que teve no ensino médio a atuação docente que pode evitar aulas monótonas com estratégias dinâmicas, passeios, explorações etc.

Essas alunas comungam da motivação pelos assuntos abordados. Mesmo diante de algumas dificuldades como a quantidade de termos utilizados na Biologia, isto não prejudicou o grau de satisfação desses sujeitos. Agora passa-se a analisar aqueles que afirmaram ter gostado mais ou menos das aulas de Biologia que tiveram no EM.