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Nesse encontro a maioria do grupo optou por fazer a avaliação da atividade em uma roda de conversa12 no final do episódio, porém uma aluna preferiu fazer essa analise também por escrito. No Quadro 21 apresenta-se a avaliação dos alunos.

Quadro 21: O ensino de Biologia e o uso de HQ Segundo os alunos Segundo a literatura A aula com quadrinhos é muito boa, pois ajuda

tanto na relação aluno-professor quanto na interpretação de casos cotidianos que geralmente aparecem nas provas de vestibular, além de “quebrar” com a aula conteudista que muitas vezes é chata para o aluno e o desmotiva (Lia).

Histórias em quadrinhos, tiras de pequenas historias que aparecem nos jornais, charges ou caricaturas são, na maior parte das vezes publicadas com a finalidade recreativa ou crítica, mas o professor pode fazer desses instrumentos um interessante recurso pedagógico (ANTUNES, 2002 p. 146).

As tirinhas podem versar sobre o conteúdo específico curricular, contendo um determinado conceito de uma certa disciplina que integre o currículo do ensino fundamental ou médio a ser explorado e explicado (CARUSO;SILVEIRA, 2002, p. 6). O emprego de charges, cartuns, ou tirinhas no processo de aprendizado seja um instrumento que pode enriquecer uma aula, pois são inúmeras as possibilidades encontradas neste material que permitem serem aproveitadas no processo educativo, com a finalidade de se refletir sobre cidadania, ética, de discutir conhecimentos biológicos implícitos, de despertar o interesse e criar o hábito de leitura, desenvolver o espírito crítico e a criatividade” (MEHES; MAISTRO, 2011, p. 138).

Sempre gostei de histórias em quadrinhos desde criança e agora vejo que essa atividade mostrou o quanto a biologia ou outras matérias podem estar escondidas em locais diferentes, bastava a gente prestar um pouco de atenção para acha-los (Bil).

Não estava escondido! Sempre estava ali para todo mundo ver, a gente é que não presta atenção pras coisas e nem todo mundo pode comprar ou tem o hábito de ler revistinhas (Olga).

No meu ponto de vista, ela não é uma novidade, pois eu já vi em provas de outros vestibulares algumas questões com charges e até na prova do ENEM, uns quadrinhos maiores o que não sei dizer é porque os professores não utilizam quase esse tipo de atividade, porque para mim foi interessante, me motivou a entender a mensagem e ajudou a aprender o assunto que estava nela (Bia).

Eu também achei muito interessante, porque às vezes a gente tem dificuldade de entender o que está sendo dito naquela historinha (Gabi).

Fonte: Elaborado pelo autor (2013)

12As informações discutidas naquele momento não puderam ser gravadas por problemas técnicos e

como não se queria perder a iniciativa dos alunos para falar, pois a maioria já dava indicativos de desestimulo em escrever, foi feito o registro em diário de campo.

A aluna Lia mostra indicativos de motivação ao dizer em quebra de aula conteudista e chata e aponta ganhos até na relação professor-aluno. A possibilidade de vinculação das HQ com os conteúdos disciplinares, como no caso da Biologia, tendo o devido cuidado para não desviar o potencial pedagógico desse tipo de procedimento didático, evitando uma imagem de passa tempo, demonstra ser um atividade de ensino interessante, prática, acessível e motivadora por estimular a reflexão. O relato a seguir representa um destaque feito ao episódio das HQ, no âmbito de potencialidade educativa desse recurso sobre a historinha do peixe-piloto.

Figura 8: Tubarão e peixe-piloto: relações ecológicas

Fonte: http://www.cartunista.com.br/seçõeshistorias em quadrinhos

A partir desse quadrinho foi feita a seguinte pergunta para a turma: Se vocês

encontrassem com essa história em uma prova de vestibular ou do ENEM e perguntassem que relação ecológica essa história se tratava, o que vocês responderiam?

A turma em sua quase totalidade respondeu comensalismo13, aparentando

confiança e convicção na resposta. Propositalmente, permaneci em silêncio por alguns segundos esperando a reação deles, que apenas me olhavam na expectativa da confirmação e em coro eles perguntaram, “Não é isso professor?” e eu respondia

que: “Não sei, essa é a resposta final e de todos vocês”. Nesse momento Bia pediu

a palavra e respondeu:

Não professor acho que é predatismo14, pois aprendemos que a relação entre o peixe piloto e o tubarão é exemplo de comensalismo quando a “rêmora” (quando a aluna usou o nome rêmora o pesquisador ficou entusiasmado) come os restos deixados pelo tubarão. Na historinha o peixe piloto está sendo comido pelo tubarão como se fosse um outro peixe qualquer, então não é harmônica, não pode ser comensalismo, ele está sendo devorado ele é uma presa que está sendo morta por questão alimentar pelo seu predador, então é predatismo.

Foi entusiasmante para mim, enquanto professor, contemplar o semblante de espanto da turma com as palavras de Bia, dando razão para a sua argumentação. A resposta da aluna além de correta de acordo com o conhecimento da literatura biológica escolar apresentava um caráter crítico e reflexivo apurado, pois fazia com maestria a relação entre teoria e observação dos fatos, imagens e contexto apresentado. Ficou em destaque nessa situação, como o exemplo havia sido memorizado pela turma, que eles desconsideraram o contexto da historia para poder fazer a sua análise e posteriormente ainda afirmaram: é assim que a gente acaba errando uma questão fácil e que a gente sabe na hora da prova (Lia).

No final dessa avaliação saiu-se daquele encontro com a sensação de que a utilização de charges e quadrinhos representa uma atividade que desperta a motivação dos alunos e contribui para alertá-los da importância de uma análise cuidadosa do que está sendo mostrado nessas imagens.

13Comensalismo é a relação onde uma das espécies é beneficiada pela simbiose aproveitando o

resto da alimentação da outra espécie. Um exemplo clássico de comensalismo é a associação entre a rêmora (peixe-piloto) e o tubarão. A rêmora possui uma estrutura dorsal aderente comparável a uma ventosa com o qual se prende ao corpo de tubarões. O tubarão fornece transporte gratuito para a rêmora que acabam se alimentando dos restos das presas caçadas pelos tubarões.

14 Predatismo é a relação em que uma espécie animal, predadora, mata e come indivíduos de outra