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No ensino apoiado pela tecnologia (EAD, Elearning, m-learning) a discussão sobre qual metodologia utilizar sempre recai sobre as diversas possibilidades que vão desde aquelas que têm característica instrucional (teacher-centered) até os métodos que privilegiam uma maior participação do aprendiz, seja esta individual ou em grupo.

As ferramentas tecnológicas vão se alternando e assim também os procedimentos de ensino e aprendizagem que devem ser moldados não só pelo currículo que se pretende apresentar ao aprendiz, mas também pela tecnologia ou tecnologias que são utilizadas. Passamos, então, a pensar nas necessidades de alunos, professores e instituições ligadas à implementação ou não de determinada tecnologia ou pedagogia.

Reforçamos a idéia de que o paradigma educacional mudou porque mudaram o contexto e os sujeitos que nele se inserem. A geração de aprendizes que temos hoje, os chamados digital natives (ALEXANDER, 2004) vivenciam um contato direto e freqüente com a tecnologia por meio de internet, computadores, celulares, iPods, aparelhos de videogame etc. Isso não quer dizer que os professores sejam obrigados a adotar esta ou aquela tecnologia ou que o ensino com base na tecnologia possa promover uma aprendizagem melhor ou pior ou diferente do ensino tradicional. O que entendemos ser necessário é a adequação pedagógica

23 Quando os alunos usam computadores como parceiros, eles descarregam no computador as atividades de

memorização não produtivas, permitindo ao aprendiz pensar mais produtivamente. Nosso objetivo, como educadores usuários de tecnologia deveria ser alocar nos aprendizes a responsabilidade cognitiva para o processamento do que eles fazem melhor, requisitando da tecnologia o processamento do que ela faz melhor (JONASSEN, 1998, p. 15. Tradução nossa.)

em relação à adoção tecnológica, ou seja, trazer para a sala de aula, ou proporcionar fora dela, atividades de ensino que possam ser relevantes para o processo educacional, pertinentes à escolha pedagógica e que possam fazer sentido para a comunidade de prática (escola, alunos e professores).

A seguir, apresentamos aspectos das categorias de atividades apoiadas em cinco grandes bases teóricas (comportamentalista, construtivista, colaborativista e aprendizagem informal e por toda vida) que podem ser inseridas na ecologia educacional para o ensino e aprendizagem com os dispositivos de TMSF e uma categoria administrativa e não teórica.

Teoria Principais teóricos Tipo de atividade para aprendizagem móvel

Comportamentalista Skinner, Pavlov Atividades baseadas em estímulo e resposta.

Torpedos com perguntas e resposta, quiz, atividades.

Construtivista Piaget, Bruner, Papert Atividades que promovam reflexão; troca de informação entre aprendizes a qualquer

hora.

Colaborativista Vygotsky Atividades que promovam interação social, em que aprendizes apoiam e guiam

uns aos outros. Aprendizagem informal e

por toda a vida

Eraut Atividades que podem promover a aprendizagem intencional ou acidental. Situada Lave, Brown Atividades como coleta de dados em

atividades de campo. Realizada em contexto de aprendizagem autêntico. Suporte ao ensino e à

aprendizagem

não há Apoio aos processos administrativos, como agendamento de provas, datas, fichas de freqüência, controle de material

didático. Quadro 3 – Categorias para aprendizagem

Fonte: Adaptado de Naismith et al. (2004, p. 18).

Entendemos que há necessidade de escolha de teorias de aprendizagem que possam ser trazidas para o campo da aprendizagem móvel. Contudo, segundo Naismith et al. (2004) por não existir uma “teoria de aprendizagem com mobilidade” (aspas da autora), pode ocorrer uma integração dessas pedagogias e de atividades. Tal fato se deve à recente inclusão do aprendizado móvel nos processos de ensino. Entretanto, reforçamos que as teorias de ensino e aprendizagem supracitadas podem dar conta do uso da aprendizagem móvel no contexto educacional.

entendemos que em várias situações de ensino elas podem co-existir. Adotar uma linha teórica muito rígida ou escolher uma pedagogia que privilegie apenas um estilo ou atividade significa empobrecer as oportunidades em sala de aula.

Voltamos então à questão do papel do professor e dos alunos para que esse novo paradigma possa realmente integrar o campo educacional. Em primeira instância, os professores podem se comprometer com projetos, elaborando, desenvolvendo e implementando atividades pedagógicas. Por outro lado, podem impedir a sua utilização, como acontece em muitas salas de aula, onde o celular, por exemplo, é totalmente banido. É preciso que corpo docente e discente estejam de mãos dadas para que o processo efetivamente aconteça.

O professor disposto a utilizar a tecnologia já acrescenta muito. Contudo, é preciso que haja uma formação, ou melhor, informação sobre o que são, verdadeiramente, as tecnologias, e que haja também a identificação de objetivos e o planejamento curricular. Em contrapartida, o aluno precisa estar ciente do benefício e do ganho educacional em utilizar a ferramenta escolhida.

Todo esse processo ocorreu quando da implementação do computador nas salas de aula. Agora é a vez da computação móvel. Desse modo, assim como os professores tiveram que adquirir certo nível de letramento digital para lidar com os computadores e com a Internet, também deve ocorrer esse letramento com relação à comunicação móvel.

Traxler (2007) corrobora a visão de Naismith et al. (2004) quanto à aprendizagem móvel e à possibilidade de suporte de várias concepções de ensino, mas enfatiza as que privilegiam situações de aprendizagem personalizadas, autênticas e situadas.

Ao lado dessas observações feitas pelos referidos autores, acrescentamos que um dos possíveis pontos positivos em se implementar a aprendizagem móvel no contexto do ensino de línguas é que ela pode se tornar, em conjunto com outros recursos tradicionais, como o livro ou como o computador de mesa, mais uma possibilidade – uma chance de alunos e professores atuarem de forma personalizada, informal e contextualizada no processo de ensino e aprendizagem.