Na maioria das vezes, quando pensamos na EaDonline, conseqüentemente surge a necessidade da utilização de meios para que seja possível interagir e comunicar, promovendo assim o ensino e a aprendizagem a distância. Peters (2003) descreve que no contexto da aprendizagem em ambientes informatizados, baseado na rede, é comum encontrar a expressão “espaços de aprendizagem” e decorre, ao longo de todo seu texto, apresentando termos considerados análogos, como “campo de aprendizagem”, “local de aprendizagem” e “ambiente de aprendizagem”. Acerca deste último, seu conceito foi criado “com base na mudança de paradigma educacional de instrução com a finalidade voltada para metas, de bases empíricas, para a aprendizagem construtivista” (p.133). Nele, os estudantes não são mais vistos como objetos e sim como sujeitos de todo o processo de ensino e aprendizagem e
sua aprendizagem não consiste mais em receber e processar o conhecimento oferecido, mas em debater ativamente com um objeto de aprendizagem que eles mesmos selecionaram em um contexto que é definido a partir da interação simultânea com outros estudantes e no qual eles mesmos desenvolvem ou alteram estruturas cognitivas individuais (PETERS, 2003, p.133).
Na literatura é comum encontrarmos o termo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) para designar os meios utilizados para o ensino e aprendizagem baseados na Internet. Esta expressão, de acordo com Valentini e Soares (2005, p.19), tem sido utilizada, “de modo geral, para se referir ao uso de recursos digitais de comunicação utilizados para mediar a aprendizagem”. Para Noronha e Vieira (2005) os AVA “são cenários que habitam o ciberespaço e envolvem interfaces que favorecem a interação de aprendizes” (p.170) e ainda destacam que o foco destes ambientes é a aprendizagem, conforme o próprio termo sugere.
Almeida (2003) utiliza o termo “Ambientes digitais de aprendizagem” para designar “sistemas computacionais disponíveis na Internet, destinados ao suporte de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação” (p.6). A definição apresentada por esta autora vai ao encontro do que entendo por AVA. Para
ela, os recursos dos AVA podem ser considerados como similares aos da Internet, “com a vantagem de propiciar gestão da informação segundo critérios pré- estabelecidos de organização definidos de acordo com as características de cada software” (p.6).
Neste momento, considero importante iniciar uma reflexão acerca dos termos aqui utilizados. De acordo com o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004) a palavra ambiente pode ser entendida como lugar, meio, espaço. Para Santos (2003a), ele pode ser entendido como tudo aquilo que envolve pessoas, natureza, coisas, objetos.
Já “a palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de
virtus, força, potência” (LÉVY, 2005, p.15). Este autor destaca que o virtual não se opõe ao real, mas sim faz parte dele e afirma que “o virtual é o real. Uma palavra existe de fato. O virtual existe sem estar presente” (LÉVY, 1999, p.48). Virtual é o que existe em potência e não em ato. Corroborando Lévy, Peters (2003) ressalta que a definição do dicionário de virtual “que existe em essência ou efeito, mas não de fato” (p.143) é muito apropriada para as questões relacionadas com o espaço virtual de aprendizagem. Citando um exemplo que envolve árvore e semente, Lévy explica que toda semente é potencialmente uma árvore, ou seja, a árvore não existe em ato, mas existe potencialmente na semente. Para este autor a “virtualização passa de uma solução dada a um (outro) problema”. (LÉVY, 2005, p.18). Logo, virtualizar é problematizar e, com isso, um ambiente virtual pode ser um espaço fecundo de significação que pode condicionar a produção de conhecimentos, e, conseqüentemente, a aprendizagem. Lopes (2005), baseando-se em Lévy, afirma que “o virtual seria aquilo que possui existência definida sem estar materialmente presente” (p.102). Para ele, o “conceito de virtual, concebido como idéia matriz de um novo mundo, toma força por todos os lados” (p.103, grifo do autor).
A pergunta a ser feita, então, é se todo ambiente virtual é um ambiente de aprendizagem. Uma possível resposta leva em consideração as concepções sobre a produção do conhecimento humano. Partindo da idéia que o conhecimento é produzido por um coletivo formado por atores humanos e não-humanos, ou seja, por
coletivos de seres-humanos-com-mídias (BORBA; VILLARREAL, 2005)25, um
ambiente virtual pode ser considerado um ambiente de aprendizagem na medida em que estes atores estiverem condicionando a aprendizagem neste ambiente. Santos (2003a) teoriza sobre algumas destas questões e afirma que nem sempre um AVA está relacionado com as tecnologias informáticas, quando escreve que
é possível atualizar e, sobretudo virtualizar saberes e conhecimentos sem necessariamente estarmos utilizando mediações tecnológicas seja presencialmente, seja a distância. Entretanto essas tecnologias digitais podem potencializar e estruturar novas sociabilidades e conseqüentemente novas aprendizagens (p.3).
Nesta pesquisa utilizo o termo Ambiente Virtual de Aprendizagem como sinônimo de Ambiente Virtual, visto que, de acordo com a visão de produção de conhecimento que será apresentada no capítulo quatro, considero que a aprendizagem pode ser condicionada por um ambiente virtual e não determinada por ele. Lopes (2005) afirma que “o importante consiste em saber não se as máquinas de informação poderão se constituir em sistemas inventivos, mas, sim, se elas são
capazes de provocar, na interface com o usuário, outras formas de conhecer e pensar” (p.109, grifo meu). Compreendo as máquinas de informação citadas por Lopes como os computadores e os sistemas inventivos como, no contexto deste estudo, os AVA.
Para Valentini e Soares (2005, p.19) os AVA são mais do que um conjunto de páginas educacionais para Internet. Eles compõe
um espaço social, constituindo-se de interações cognitvo-sociais sobre ou em torno de um objeto de conhecimento: um lugar na Web, ‘cenários onde as pessoas interagem’, mediadas pela linguagem da hipermídia, cujos fluxos de comunicação entre os integrantes são possibilitados pela interface gráfica.
Para elas, a expressão AVA está relacionada ao desenvolvimento de estratégias que promovam o ensino e aprendizagem num espaço virtual. E, embora amplamente relacionado com a EaDonline, os AVA não são necessariamente utilizados apenas no ensino e aprendizagem a distância. Eles podem ser utilizados como suporte na educação presencial, como destaca Almeida (2003).
Na literatura é possível encontrar referências a diversos AVA utilizados na EaDonline e, dentre tantas funcionalidades mencionadas acerca destes ambientes, a interação é uma delas. Conforme afirmamos em Borba et al. (2007, p.27, grifos dos autores) “a interação, o diálogo e a colaboração são fatores que condicionam a natureza da aprendizagem, uma vez que acreditamos que a qualidade da EaDonline está diretamente relacionada a eles, os quais resultam na qualidade da participação dos envolvidos durante o processo de produção do conhecimento”. Sendo assim, nas próximas seções serão apresentadas uma revisão sobre estes pilares da EaDonline: interação e interatividade, colaboração e diálogo.