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COD STOCKS AT GREENLAND (NAFO SUB-AREA 1 AND ICES SUB-AREA XIV)

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11.1. INTRODUÇÃO

De seguida, faz-se referência a um estudo de um modelo que procurou fazer entender de uma forma mais clara, a debilidade dos sistemas insulares. Fausto Cavallaro e Luigi Ciraolo (Universidade de Catania e Universidade de Messina, respectivamente), procuraram responder às questões que se colocam quanto à sustentabilidade económica, social e ambiental nas ilhas, nomeadamente em pequenas ilhas como é o caso da Ilha de Salina, perto da Sicília, arquipélago das ilhas Aeolian.

De acordo com os autores, os sistemas económicos das ilhas revelam por vezes pouca estabilidade, já vez que são muito sensíveis a causas de stress exógenas, nomeadamente causados por factores económicos, que podem provocar consequências ambientais. As ilhas Aeolian são certamente quando vistas como um todo, uma enorme atracção turística para italianos e estrangeiros, devido à sua deslumbrante beleza natural. A indústria turística lançou-se nestas ilhas, nos anos 50, inicialmente pelo interesse científico e cultural do arquipélago. No início, os turistas eram atraídos pela invulgar actividade vulcânica presente nas ilhas Stromboli e Vulcano e as termas naturais da ilha Lipari. A partir dos anos 60, o fenómeno do turismo cimentou a sua posição e tornou-se numa verdadeira indústria.

Para satisfazer a procura crescente, iniciou-se uma outra actividade florescente, centrada na construção de novos hotéis e de outras infra-estruturas para acolher turistas. Infelizmente, devido à falta de regulamentação, a actividade turística em muitos casos, não se traduziu em oportunidades para um crescimento equilibrado da economia local, criando pelo contrário, significantes desequilíbrios territoriais e ambientais.

Com o seu trabalho, os referidos autores pretenderam desenvolver um modelo baseado numa abordagem dinâmica, de modo a:

- Simular o comportamento e a interacção das principais variáveis económicas e ambientais das ilhas;

- Analisar os níveis de estabilidade e fragilidade dos sistemas ambientais em pequenas ilhas, depois de “sofrerem” perturbações exógenas geradas por factores económicos, tais como a presença de actividade turística.

Este modelo pode, no seu entender, e com as devidas adaptações, ser aplicado noutras áreas territoriais semelhantes à analisada.

O desenvolvimento económico dos sistemas micro-insulares das ilhas Aeolian, baseia-se quase exclusivamente no turismo e nas actividades associadas. Há numerosos trabalhadores envolvidos que anteriormente trabalhavam na agricultura e na pesca. Hoje em dia, no entanto, a mão-de-obra local concentra-se na construção civil no Inverno, e no turismo no Verão. Como resultado, as actividades tradicionais acabaram por ser abandonadas. Durante muitos anos, a agricultura e a pesca foram as actividades principais e representavam por isso, a economia local, onde o Homem e o ambiente estavam em perfeito equilíbrio.

Os impactos no território eram por isso, menos significantes que os de hoje, originados pelo turismo. Como consequência desta não política de turismo, durante o Verão sobretudo em Agosto, a ilha de Salina é afectada por trânsito congestionado, produção de lixo, consumo de recursos naturais (água, energia, etc.), e um impacto no ambiente de significativa magnitude. Assim, pode dizer-se que aquela zona é colocada sobre pressão pelo “peso” do número de turistas que é considerado demasiado grande para o tamanho da ilha, a longo prazo.

O crescimento a longo termo no número de turistas pode comprometer a frágil

capacidade de carga (número máximo de visitantes que uma área pode suportar, antes

que ocorram alterações profundas e irreversíveis no meio físico e sócio-cultural) e produzir instabilidade no equilíbrio ambiental, através da adopção de práticas prejudiciais aos recursos naturais.

A indústria turística gerida de forma racional, concerteza representaria uma oportunidade para o crescimento sustentável no sistema insular das ilhas Aeolian, e nas ilhas em geral, pois sendo os recursos naturais que estão na origem dos destinos

turísticos, a sua preservação e condições de sustentabilidade implicam o respeito pelas capacidades máximas das ilhas para cada modelo de desenvolvimento sustentável.

As questões surgem naturalmente: até que ponto pode o sistema ambiental resistir às tensões provocadas pela actividade económica? Será a capacidade de auto-preservação dos sistemas, forte o suficiente para aguentar, e adaptar-se às alterações provocadas? Segundo os autores, o sistema ambiental sob a pressão de perturbações externas, incluindo exploração económica, pode apresentar dois tipos de reacção:

a) Uma reacção de estabilidade: isto implica a condição em que o sistema varia do estado de equilíbrio para um estado de stress e volta ao estado inicial;

b) Uma reacção meta-estabilidade: em que o sistema se modifica do estado inicial de equilíbrio, e alcança um novo estado de equilíbrio. Uma forte perturbação pode conduzir o sistema para outro estado de equilíbrio. Este tipo de estabilidade é conhecido como “estabilidade global”.

A questão-chave é se essa perturbação - o choque exógeno resultante da actividade económica - compromete a confiança e resistência dos ecossistemas. Os primeiros resultados da aplicação deste modelo, revelam que o sistema ambiental é claramente sensível às pressões nascidas da chegada de turistas, especialmente em áreas pequenas, como é caso de muitas ilhas.

Na simulação de controlo de fluxos as variáveis utilizadas foram:

- Taxa de entrada na ilha, que seria afixada pelas autoridades locais e que seria utilizada exclusivamente para amenizar as externalidades causadas pela indústria turística (por ex: Arquipélago de Fernando de Noronha – Brasil), nomeadamente em actividades de reconversão ambiental e na protecção de ecossistemas;

- Redução das acessibilidades, limitando a frequência e o número de transportes; - Redução da capacidade de alojamento, ao apostar mais nas casas que respeitam a

traça de arquitectura original da região, mas com todos os confortos dos nossos dias, em detrimento de grandes unidades hoteleiras).

O modelo apresentado expõe assim alguns elementos de reflexão, e concretamente e relação ao caso em estudo, conclui que o fluxo incontrolado de turistas é insustentável no longo prazo e que proporciona benefícios limitados a nível económico.

Apresenta-se outro caso de estudo, o de Calviá, nas Ilhas Baleares, como exemplo de sucesso de mudança de estratégia e de adopção de políticas de exploração do sector turístico mais sustentáveis.

Calviá é o município turístico mais importante das ilhas baleares e um dos mais visitados do Mediterrâneo. Actualmente com 50.000 habitantes, dispõe de 120.000 camas turísticas, recebendo mais de 1,6 milhões de visitantes por ano.

Calviá surge com o primeiro “boom” do turismo internacional dos anos sessenta. Desde então começou a tornar-se “destino turístico de massas”, com um crescimento imobiliário descontrolado, em boa parte por via da mão-de-obra barata, acabando por se criar uma situação de exploração insustentável de alguns recursos naturais.

Apenas 25 anos depois do “boom”, começaram a surgir os problemas desencadeados pelo desenvolvimento sem planeamento. No final dos anos 80, em Calviá, tal como noutros destinos mediterrânicos, surgiram sintomas de declínio: destruição do ambiente e paisagem, massificação do espaço turístico, perca gradual do prestígio como destino, e consequente baixa na qualidade dos visitantes.

Segundo Carolina Bosch (coordenadora da Agenda 21 Local), referida por Belo (2001), “Calviá transformou-se, então, num destino de hooligans, desordeiros e sem qualquer poder aquisitivo. Um modelo que se ia distanciando das aspirações dos seus residentes e das próprias procuras emergentes, de turistas cada vez mais maduros e exigentes.”

O modelo teórico da procura, utilizado pelos responsáveis na caracterização do caso de Calviá, baseia-se no preço e tem efeitos sobre a degradação ambiental.

Nele é exposto o princípio do aumento da degradação, como “trade off” do abaixamento do preço: baixando os preços, a tendência será para um aumento da procura. Por sua vez, o aumento da procura, tende a fazer aumentar a degradação ambiental, não apenas pela

pressão de um maior número de visitantes mas, também, pelos tipos de público atraído (pessoas menos sensíveis a questões ambientais).

De acordo com este modelo, é então considerada vantajosa, a saída da procura “por cima”, ou seja, pelo aumento de preços, com redução no número de visitantes. Esta foi a estratégia de marketing escolhida para Calviá, que tem levado a significativas reduções no número de camas estabelecidas inicialmente nos Planos Directores Municipais (PDM’s), e que conseguiu colocar Calviá como exemplo da transformação de um destino de massas, num destino sustentável.

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