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O encontro I proposto na metodologia da figura 04 teve o objetivo de representar simbolicamente o nascimento do grupo. Para tal, optamos inicialmente em provocar as integrantes por meio da expressão escrita, porém o grupo não respondeu efetivamente à dinâmica proposta.

As mães, no entanto, utilizaram-se da expressão oral para simbolizar o momento, por meio de uma ciranda, sendo que cada integrante proferiu uma palavra que representasse seus sentimentos como integrante do grupo. Dentre as palavras, as mais significativas foram amizade, paz, amor, compaixão, casal, sexualidade, filho, oportunidade, família, mãe.

O encontro II teve o intuito de reaver a vivência das mães em relação ao nascimento e primeiros cuidados com as filhas. A estratégia inicial consistiu em uma vivência com relaxamento e mentalização de alguns comandos, ao som de uma música relaxante.

Durante a vivência, solicitamos que ficassem sentadas confortavelmente. Ao longo da dinâmica, pedimos para relembrarem sentimentos presentes desde a gravidez até o nascimento das filhas (ANEXO C).

Ao final da dinâmica, passamos uma caixinha com objetos (mamadeira, roupinhas, cartão da criança, foto de adolescente grávida, figura de mulher amamentando). Ao retirar o objeto, comentavam, expondo os sentimentos provocados durante a reflexão. Nos depoimentos os mais marcantes foram:

Quando fiquei grávida tive medo, mas quando minha filha nasceu, lembro da ajuda da minha tia, não sabia nada e com aquela criança nas mãos, me lembro bem disso. (MATUTINA).

No inicio senti medo, mas depois eu senti muita felicidade, foi muito bom, toda miudinha, me senti mais mulher. (VALDINETE).

O nascimento de minha filha foi lindo, tive apoio de meu marido e da família dele, ter aquela menina nos braços era a melhor coisa. (JAQUELINE).

Eu acho lindo a gravidez, mas quando vejo uma adolescente grávida fico com pena, porque sei que ela vai ter muita dificuldade na vida como eu tive e como minha mãe passou também. (EUDINHA).

Sobre os comandos memorizados, quatro mulheres relataram que o primeiro sentimento quando souberam da gravidez foi medo, principalmente de não ter condições de criar a criança. As demais relataram que a sensação foi de satisfação e alegria.

Em relação às mudanças do corpo, nenhuma descreveu sensações negativas e sim como um acontecimento normal e prazeroso. E, quando referiram o sentimento em ver uma grávida, referiram alegria, no entanto, quando a gravidez se refere a uma adolescente, revelaram frustração, pois associam a dificuldades na vida.

Em relação ao desenvolvimento das filhas, o medo de perda é visto até os dois anos de idade, conforme relataram algumas mães:

Tinha medo que minha filha não chegasse a se desenvolver, aqui na época não tinha tanto recurso, quando tinha uma febrezinha corria para o hospital. (EUDINHA).

Até os dois anos minha preocupação era que elas não tivessem nenhum problema, depois isso passou, acho que é o medo de mãe. (LURDES).

Sobre as dificuldades, o sustento era a principal preocupação. A situação socioeconômica das entrevistadas demonstra a falta de oportunidade de emprego que assegure melhores condições de vida, bem como o acesso a creches e bens de serviço que garantam o cuidado dos filhos na ausência dos pais.

Às vezes o dinheiro era pouco e minha filha tinha que se alimentar, cheguei a deixar com vizinha que eu pouco conhecia para poder ir trabalhar. (FATINHA). Em uma época meu marido e eu estávamos desempregados, e eu já tinha dois filhos, o medo que dava de não ter o leite para dar era o que me preocupava todo o dia. (FRANCISCA).

Quando indagadas sobre os sentimentos mais presentes nessa fase, relatam que a boa interação emocional com as filhas e o carinho eram as principais características do nascimento e desenvolvimento.

o nascimento foi doloroso, mas conforme minha filha ia desenvolvendo o que eu mais gostava era quando ela dava carinho, abraçava, beijava, depois vai passando. (JAQUELINE).

A gente nunca esquece de quando elas eram pequenas, a aproximação e o carinho. A gente tem impressão de que elas são tão indefesas que a gente vai cuidar delas assim o resto da vida. (EUDINHA).

Ao final, todas as participantes avaliaram o nascimento como uma experiência positiva em que a interação mãe-filha é essencial para a auto-estima, tanto da mãe quanto da filha. O inicio da comunicação, por meio das primeiras palavras, e a transmissão de valores, são reconhecidos como imprescindíveis para a formação do caráter dos filhos nessa fase. Não obstante, o único fato destacado como negativo foi a necessidade de trabalhar e deixar as filhas com outros parentes ou amigos, o que na opinião das participantes, pôde ter influenciado um distanciamento entre mães e filhas. Essa realidade pode ser percebida nos depoimentos a seguir:

Quando a Aninha era bebê, só pude ficar com ela 5 meses, depois tive que ir arranjar trabalho e deixei ela com minha amiga. Ela era uma pessoa legal, mas tinha mania de receber todo o tipo de gente em casa e aquilo deixava minha filha agressiva. Por essas e outras coisas acho que o certo é a mãe criar desde cedo. (EUDINHA)

A minha filha foi criada pela minha tia desde pequena, eu ia trabalhar e ela ficava com outras mais velhas, às vezes chegava em casa machucada e com o tempo começou a machucar o povo lá de casa. Eu me senti mal, porque não estava fazendo meu papel de mãe. (MATUTINA)

Eu acho ela é assim espevitada porque quando era bebê ficava numa senhora que cuidava de criança. Eu ficava fora o dia todo e não podia dar atenção o tempo todo, de noite estava cansada. Ela se criou no meio de um monte de crianças maiores que tinham educação errada. (JAQUELINE)