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5. THERMAL MASS ASSESSMENT

5.5 I NFLUENCE OF OCCUPANCY PATTERNS

5.5.4 Closing remarks: Occupancy patterns

Cheddi Jagan veio de uma típica família hindu. Seu pai era imigrante e cortador de cana. Cresceu em ambiente estritamente indiano, marcado pela pobreza e pelo trabalho rural, como relata em seu livro autobiográfico The West on Trial. My Fight for Guyana’s Freedom291. Inteligente, conseguiu bolsa para estudar odontologia nos Estados Unidos da América292, onde ficou por sete anos, entre 1936 e 1943. Nesse período, travou contato com as ciências sociais, com o legado de Mahatma Gandhi e com a questão indiana. Também conheceu o racismo e o preconceito293. Todos deixaram marcas indeléveis em sua formação.

Sua influência cultural variada se marcou profundamente pela leitura da autobiografia do líder indiano Nehru294, intitulada Towards Freedom. Casou-se com uma

judia americana de origem tcheca, Janet Rosenberg, com desaprovação dos dois lados da fronteira cultural295. Ela integrava a Liga de Jovens Comunistas dos Estados Unidos e o

289 Ibid., p. 34.

290 Iwokrama significa, no idioma Macuxi, lugar de refugio. A rodovia que liga o Brasil a Georgetown atravessa 72 quilômetros dessa reserva, a primeira do mundo a ser administrada por um consórcio internacional. 291 The West on Trial. My Fight for Guyana's Freedom. London: Michael Joseph, 1966.

292 Howard University Dental School, em Washington, D.C. e Northwestern University, em Chicago. 293 JAGAN, op. cit., p. 58.

294 BIRBALSINGH, op. cit., p. 29. 295 JAGAN, op. cit., p. 58.

apresentou à literatura marxista-leninista. De volta à Guiana, Jagan e sua esposa formaram grupos de jovens comunistas e em torno do Political Action Comittee, a base do partido marxista que mais tarde fundaram: o Partido Popular Progressista.

O resto da carreira de Jagan se conhece. Em 1947, elegeram-no membro do Conselho Legislativo, o parlamento da Guiana. Depois se tornou líder do Partido Popular Progressistas – PPP desde sua fundação em 1950 até sua morte em 1997. Seu partido ganhou a eleição legislativa de 1953 e após 133 dias no poder, como Chief of Ministry da então Guiana Britânica, foi removido do cargo. Venceu as eleições de 1957 e de 1961, liderou ambos os governos como Premier. Em 1964, embora seu partido tenha obtido a maioria dos assentos no parlamento foi alijado do poder por um novo sistema de representação proporcional296.

Apenas em 1992 conseguiu ser presidente, após vencer a primeira eleição sem fraude desde 1964; governou o país até seu falecimento, em 1997.

O pensamento político de Cheddi Jagan reflete o contexto social em que viveu. Ele descende de trabalhadores indianos que chegaram ao país, na segunda metade do século 19, para substituir a mão de obra africana, recém libertada da escravidão. Como parte do contrato de trabalho, esses imigrantes indianos receberam passagem de volta para a Índia e, por isso, não fizeram grandes esforços de integração ao resto da sociedade ou para assimilar as normas e as práticas sociais. Ocorre que, em vez de retornarem à Índia, eles se tornaram a maioria na Guiana e o segundo grupo étnico em Trinidad.

Desde cedo surgiu o receio de que os indianos assumissem o controle dessas sociedades, pois sua cultura “pagã” significaria o fim do processo civilizatório britânico. Justamente por isso, na Guiana, o temor de dominação indiana era grande, já que representavam a maioria da nação. Assim, enquanto em Trinidad as lideranças indianas eram mais defensivas e conciliatórias, na Guiana, ao contrário, foram inflexíveis297.

Nenhum líder indoguianense representa melhor esse radicalismo que Cheddi Jagan. Embora a rigidez messiânica tenha dado o impulso inicial à sua carreira política, assegurando- lhe expressivo sucesso eleitoral, gerou a intransigência ideológica que o impediu de trabalhar com as demais forças que buscavam a independência da Guiana. Provavelmente, isso

296 BIRBALSINGH, op. cit., p. 28. 297 HINTZEN, op. cit., p. 3

representa um importante fator para o fracasso do projeto de união política entre afrodescendentes e indianos, ocorrido em 1953.

A inabilidade política em interpretar os sinais do tempo e os espaços de poder, levou Jagan a querer implantar um Estado comunista às portas dos Estados Unidos da América, em plena Guerra Fria. Pagou a ousadia com décadas de ostracismo. Apenas após o desmantelamento da União Soviética conseguiu chegar ao poder, com um discurso social- democrata, exibindo um pragmatismo que lhe faltou ao longo de quase toda sua longa vida política.

Menos gerencial e mais ideológico, seu governo seguiu a política externa de seu antecessor, com mudanças mais verbais que práticas. Tal fato serviu para desdramatizar as relações com os Estados Unidos da América, que o perseguiram no passado. Na presidência, Jagan tentou emprestar maior visibilidade ao país frente à comunidade internacional, ao defender uma nova agenda mundial estruturada em torno de questões como democracia, desenvolvimento, redução da pobreza, perdão das dívidas das nações empobrecidas, direitos humanos e meio ambiente.

Não se pode dizer que obteve êxito em sua empreitada. O discurso adotado era igual ao de várias nações, inclusive do Brasil. Faltou-lhe projeto próprio e visão moderna de mundo. De costas para a América do Sul, não percebeu a opção que essa oferecia para a Guiana. Tampouco soube explorar as afinidades com a Índia, terra de seus pais e de boa parte da população de seu país, para buscar parceira estratégica, essencial em um mundo globalizado.

Um último ponto a ser ressaltado, embora fosse recorrente em seus discursos a menção à nova ordem democrática guianense, com incorporação da sociedade ao centro decisório, em seu governo (1992–1997) não houve alteração no processo de formulação da política externa, que continuou centrado na figura do Presidente, com pouco pluralismo e transparência.