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5.1 Schizophrenia spectrum disorders

5.1.1 Clinical characteristics

No segundo encontro presencial, os professores puderam participar das oficinas de elaboração de projetos e de biomonitoramento. A formação presencial provocou, na maioria, um grande desejo de realização de trabalhos com os alunos.

A estratégia do uso da metodologia de projetos, que estabelecia o planejamento/execução de projetos, partindo de uma problemática local, permitia o envolvimento de professores e alunos no estudo do meio e estimulava uma melhor percepção do ambiente, fazia deles também sujeitos ativos no processo. O estudo do meio era uma etapa exigida pelas formadoras, dentro dos projetos, como estratégia para a reflexão e o conhecimento da complexidade local. Lopes e Pontuschka (2009) apresentam o estudo do meio como um método de ensino interdisciplinar relevante para as análises e produção de conhecimento sobre a realidade complexa:

O Estudo do Meio pode ser compreendido como um método de ensino interdisciplinar que visa proporcionar para alunos e professores o contato direto com determinada realidade, um meio qualquer, rural ou urbano, que se decida estudar. Esta atividade pedagógica se concretiza pela imersão orientada na complexidade de um determinado espaço geográfico, do estabelecimento de um diálogo inteligente com o mundo, com o intuito de verificar e de produzir novos conhecimentos.

No arcabouço dos projetos elaborados pelos professores durante o segundo encontro presencial, ficou evidente a problemática local e o desejo de conscientização ou a modificação de determinadas situações. Os “esqueletos” dos projetos, provenientes desse encontro, foram construídos no diálogo e refletidos pelo coletivo de educadores participantes, com a mediação das formadoras. Depois foram aprimorados, durante o processo, juntamente com os alunos e também por meio da mediação virtual das formadoras. A flexibilidade é uma característica no trabalho com projetos, as questões que vão surgindo a partir das reflexões vão sendo incorporadas nas etapas do projeto, de acordo com os desdobramentos surgidos nas reflexões do grupo (alunos e educadores).

Nogueira (2001) afirma que nada em um projeto deve ser engessado, o aluno deve entender que pode (re)planejar, (re)elaborar, (re)produzir, criar novas hipóteses, mudar percursos, alterar rotas e processos, ou seja, tudo pode ser mudado no decorrer das projeções.

Os educadores puderam se apropriar da metodologia e perceber o quanto ela transforma o aluno em sujeito do processo de construção do conhecimento. Isso foi observado no último encontro presencial, no qual todos os grupos apresentaram os projetos realizados com os alunos.

De acordo com os dados da ficha informativa, 26 professores afirmavam que já haviam trabalhado com projetos (74,2%), porém, pela oficina prática, percebeu-se que os grupos precisaram de muitas intervenções para o entendimento, a informação dada na ficha não condizia com a prática verificada no encontro. Não em relação à escrita em si (justificativa, objetivos...), mas em relação às características necessárias para que ele seja considerado um projeto e não apenas uma sequência didática elaborada pelo professor e executada pelos alunos.

A participação efetiva e reflexiva do aluno na construção do projeto, em todas as etapas é fundamental para essa prática, é condição para o desenvolvimento da autonomia e para o exercício consciente da cidadania, porque promove a todo momento a reflexão-ação- reflexão (individual e em grupo), por meio do diálogo. Desenvolve uma postura crítica frente ao tema destacado, neste caso, um tema ambiental. Os projetos, conforme Nogueira (2001, p.94):

[...] são verdadeiras fontes de investigação e criação, que passam sem dúvida por processos de pesquisas, aprofundamento, análise, depuração e criação de novas hipóteses, colocando em prova a todo momento as diferentes potencialidades dos elementos do grupo, assim como as suas limitações. Tal amplitude neste processo faz com que os alunos busquem cada vez mais informações, materiais, detalhamentos, etc., fontes estas de constantes estímulos no desenrolar de desenvolvimento de suas competências.

A metodologia possibilita um grande desenvolvimento dos alunos, que participam ativamente da pesquisa, fazem levantamento de dados, dão ideias, sugestões, argumentam com opiniões próprias. Os projetos incentivam a reflexão e a participação da comunidade escolar.

Na data de finalização do projeto e de comunicação dos trabalhos para todo o grupo, houve uma excelente interação entre as escolas, entre os educadores e técnicos. Os professores ficaram muito satisfeitos com os resultados alcançados, enfim, entenderam a formação como válida e relevante para sua prática educativa. Os resultados desse processo, pelo ponto de vista dos professores, ficaram visíveis através de uma pequena entrevista13 realizada com uma professora participante, gravada em vídeo e transcrita em sua íntegra: a) A partir da implantação do curso, o que você acha que mudou, na perspectiva do aluno e na sua perspectiva?

“Várias mudanças, uma delas foi a interação dos professores em uma mesma unidade escolar, professores com ideias diferentes, com ideologias diferentes, mas com objetivos comuns. Fui a única professora de área que participei do grupo de pedagogos e pude perceber que eu não sabia nada, aprendi muito com eles. A partir da plataforma, com tudo o que eu aprendi e com a troca de experiências com os meus colegas. E para o meu aluno, o que para mim é mais importante, esse aluno começou a ser mais crítico, eram crianças de 6ª e 7ª séries que não produziam textos e que terminaram o ano com uma produção melhor, foi gratificante”.

b) E quanto à percepção ambiental de seu aluno, o que você achou?

“Eu entendo que eles mudaram e o interessante é que eles são os nossos multiplicadores, levaram para casa o que eles aprenderam. A postura deles perante os cuidados com o ambiente, a questão do lixo, eles têm mudado, estão planejando um novo projeto para o ano que vem, já tomaram a iniciativa. Tem uma 7ª série que quer trabalhar com a comunidade a

13

Entrevista realizada em Mirassol D’Oeste, dia 15/12/10, com a professora participante do curso Eva Alves do Nascimento.

separação do lixo”.

Nesse trecho, há aspectos apontados que são relevantes: a melhor integração dos professores da mesma escola, a importância dos fóruns de discussão na formação em EAD, a formação do aluno mais crítico e autônomo e a melhoria da qualidade da educação, por meio de um processo de ensino/aprendizagem proativo e motivador, enfim, aspectos qualitativos positivos na formação continuada.