Os elementos do mobiliário urbano implantados na orla reordenada da Redinha foram levantados e analisados individualmente considerando os fatores ambientais, paisagísticos e de uso do contexto local, observando-se o atendimento das necessidades do lugar.
Elementos de iluminação: postes de iluminação pública
Os postes de iluminação pública da orla da Redinha possuem o mesmo desenho estrutural e o mesmo tipo de material daqueles existentes na orla de Ponta Negra e outras praias urbanas de Natal. A diferença é que estes postes possuem quatro luminárias apesar da área iluminada ser bem menor que a de Ponta Negra. A desproporcionalidade de altura em relação as outras estruturas do local é um aspecto contundente, já que uma boa iluminação deveria respeitar a paisagem.
O sentido de escala deve ser um fator preponderante nas relações entre iluminação, suporte, uso e local de modo a se encontrar um equilíbrio entre tais fatores. A falta de proporção e coerência formal entre os vários elementos da paisagem é um outro aspecto que interfere na legibilidade do conjunto local. Este problema agrava-se mais ainda pela existência de um outro tipo de poste instalado no calçadão da orla. Este poste em concreto armado possui um braço com uma luminária voltada para a praia, não possui tratamento superficial nem cromático.
Apesar de sua altura inferior a do poste cônico, há uma falta de coerência e proporção entre este e os outros elementos da paisagem. Um único tipo de suporte poderia ter um caráter multifuncional de uso evitando a concentração de tantos elementos num espaço reduzido com funções semelhantes.
Elementos de limpeza urbana: coletor de lixo
Este tipo de coletor padronizado e repetitivo cria uma homogeneidade funcional, morfológica e de uso semelhante àqueles implantados em outros locais da cidade. Não se observa uma preocupação com a coleta seletiva dos resíduos produzidos pelos freqüentadores daquele espaço e nem foram instalados coletores com esta finalidade. É interessante ressaltar que estes coletores encontram-se instalados apenas na praça e não ao longo do calçadão da praia e nem em suas adjacências, o que nos leva a questionar a capacidade de uso e o atendimento das necessidades dos usuários com relação a este produto, e qual a destinação dada ao lixo produzido pelos freqüentadores daquela praia.
As informações apresentadas são simplórias e não trazem dados importantes que orientem os usuários quanto a sua utilização e funções. Pode-se verificar que a manutenção do produto é deficiente e a resistência do suporte metálico de fixação ao solo às intempéries e a maresia, é baixa. Não há a presença de índices que comuniquem aos deficientes físicos a presença do produto naquela posição específica. O material utilizado é frágil, e apesar de novos, alguns coletores já se encontram danificados.
Elementos de comunicação: placas de sinalização/totens
Nos levantamentos fotográficos realizados na orla reurbanizada da Redinha não foram observados sistemas de comunicação ou de informação desenhados especificamente para o local, resumindo-se a estruturas pontuais de sinalização de trânsito e dois totens. Observou-se ainda que mesmo estas mesmas placas novas não foram implantadas seguindo-se um plado de ordenamento, direcionamento e funcionalidade do local, pois sua localização nem sempre é adequada a uma determinada área, gerando conflitos de legibilidade e uso dos espaços sinalizados.
Também não foram detectados elementos específicos de sinalização para logradouros públicos, direcionais ou de atrações turísticas do local. As propostas se apresentam como soluções pontuais que não criam um conjunto definido de elementos urbanos. Os totens existentes na praça são marcos comemorativos da inauguração da reurbanização da orla, porém não fazem alusão
a nenhum elemento referencial cultural do lugar, nem mesmo nos materiais que são utilizados na sua construção.
Os sistemas de informação e orientação não se encontram definidos no local, parecendo não ter havido uma abordagem projetual com respeito aos elementos culturais referenciais do contexto tratado durante a intervenção urbanística.
Elementos comerciais: quiosques
Os quiosques implantados na Redinha possuem uma configuração similar àqueles encontados em Ponta Negra, diferenciando-se apenas com relação ao dimensionamento – aproximadamente 7m2. Apresentam-se como um elemento de destaque na paisagem, sobressaindo-se pela coloração e pela sua dimensão, considerando-se a área reduzida onde foram posicionados.
As janelas de madeira e vidro transparente propõem uma sensação de leveza a estrutura como um todo. Porém, assim como acontece em Ponta Negra, a adequação da estrutura às características paisagísticas e culturais do local é posta em dúvida. Apesar do seu maior dimensionamento, observa-se que a inexistência
de uma estrutura de apoio para a guarda de materiais, representa um problema para os trabalhadores. Isto faz com que cadeiras, mesas, caixas de isopor etc., se amontoem em volta dos quiosques, gerando uma desorganização semelhante àquela encontrada também em Ponta Negra.
O arranjo físico desses elementos cria uma barreira física e visual muito grande, em parte também devido as suas dimensões, impedindo a visão do mar e da praia naquele trecho de orla onde se encontram instalados. A semelhança estrutural, estética e funcional com outros quiosques em praias urbanas de Natal, transmite a idéia de homogeneidade, igualdade física e paisagística para lugares que possuem características únicas.
Elementos de urbanização e limitação: guarda-corpo
Dois tipos de guarda-corpo são encontrados na orla da Redinha, instalados adequadamente apenas nos locais que representam algum tipo de perigo para os freqüentadores da área. Sua estrutura se assemelha com aqueles encontrados em outras praias de Natal e não apresentam um desenho que incorpore leituras de referenciais daquele lugar que criem uma maior identidade
entre tais estruturas e o local onde estão implantadas. O ponto favorável deste tipo de elemento é que ele não cria uma barreira visual que impeça a visibilidade da paisagem e seus elementos naturais e construídos.
Possui uma proporção mais adequada com relação aos outros elementos que constituem o ambiente construído como os quiosques, as barracas de piaçava e o próprio entorno. O conceito de espaço aberto e livre de barreiras visuais é um ponto favorável deste tipo de elemento que acaba se integrando à paisagem, apesar dos materiais, formas e acabamentos utilizados. Outro tipo de guarda-corpo bastante semelhante àquele existente em Ponta Negra é encontrado também aqui nesta praia, diferindo apenas no acabamento superficial dado às colunas. A mudança brusca entre o guarda-corpo com cordas de náilon e este outro ocorre no mesmo trecho, porém não há – aparentemente – uma razão que justifique essa alteração.
Elementos de descanso: bancos
Este assento encontra-se instalado apenas na praça defronte ao calçadão e não ao longo da orla para descanso ou contemplação da praia e da paisagem à beira-mar. Em termos de desenho, o produto apresenta-se
como uma repetição de estruturas com características semelhantes a outras, havendo apenas uma pequena variação dimensional e no seu revestimento , mas que não fazem referência a elementos culturais do lugar e nem exploram as possibilidades materiais e formais que poderiam resultar em uma solução mais adequada aquele contexto.
Não se evidencia aspectos da antropometria e do conforto térmico e postural, uma vez que os assentos de madeira não apresentam índices relativos a anatomia humana. Também verifica-se a ausência de tratamentos superficiais como cor e texturas que promovam uma maior interação entre o elemento e o usuário através de informações visuais e táteis que despertem manifestações polisensoriais.
O arranjo dos assentos naquele local não tira partido das paisagens e marcos referenciais ali existentes, limitando-se a uma distribuição simplória. A sub- utilização dessas estruturas enquanto possíveis elementos detentores de valores e mensagens culturais e sensoriais do lugar e seu contexto, pode ser verificada através da configuração geral do produto.