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O brasão é um elemento complexo e de difícil interpretação, possui uma linguagem intrínseca que é necessário conhecer para o poder analisar, contém uma mensagem encerrada no seu formato, no conjunto de cores, peças e partições, «apresenta-nos um conjunto de sinais cuja significação, depois de

descodificada, permite uma leitura e respectiva interpretação.»55

Como afirma Sérgio Carvalho:

«A Heráldica tradicional costuma agrupar os brasões em cinco grupos consoante a sua natureza, adoptando para cada um desses grupos uma denominação que caracterize a sua tipologia.»56

Seguindo a explicação apresentada pelo referido autor, temos as «armas assumidas» que são as que passam de pai para filho pelo direito da sucessão ou pelo direito de concessão quando alguém as cede a outrem. As «armas difamadas» são as que sofreram alguma alteração após a sua execução original, é uma alteração que assinala um feito desprestigiante, por exemplo, uma cauda de leão encolhida. As «armas falsas» estão ordenadas contrariamente à lei heráldica, as «armas inquirentes» possuem irregularidades feitas propositadamente para levar o observador a inquirir da natureza da irregularidade, geralmente usa-se quando a alteração tem como fundamento um acto honroso. Por último, as «armas falantes», são brasões que usam peças ou objectos que têm uma correspondência evidente com o apelido do que vai possuir o brasão.

O brasão pode assumir diversas formas e é o escudo que delimita o campo onde se dispõem as peças e as cores que o estabelecem.

Todos os escudos derivam do quadrado, é a partir desta figura geométrica que se estabelecem coordenadas que levam à elaboração do

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CARVALHO, Sérgio Luís de, Op. Cit. p.39.

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46 escudo. Porém, existem excepções como a lisonja, o clássico, o peninsular, o circular e o oval. A lisonja tem formato losangular e é de uso exclusivamente feminino (ver figura 4), o clássico termina em ponta no rebordo inferior (ver figura 5), o peninsular termina num arco de círculo no rebordo inferior e tem esta designação por ter surgido na Península Ibérica (ver figura 6); o circular como o próprio nome indica assume a forma circular (ver figura 7) e o oval assume a forma oval (ver figura 8).

Figura 4: Lisonja. Figura 5: Clássico. Figura 6: Peninsular.

Figura 7: Circular. Figura 8: Oval.

Denominam-se esmaltes o conjunto das cores e dos metais com que se cobre um brasão. A cor possui grande carga simbólica, como tudo o que é inerente à heráldica.

Usa-se nos brasões o vermelho, o azul, o verde e a púrpura; a estas cores adicionam-se os metais que são o ouro e a prata, convencionalmente representados pelo amarelo e pelo branco. A estas cores e metais, excepcionalmente juntam-se algumas cores como o cor-de-laranja e o azul muito claro. Também se utiliza o preto que é considerado, de acordo com a heráldica, uma cor sem luz, que transmite firmeza, honestidade e ciência. Ao azul associa-se o céu, simbolizando realeza, majestade, lealdade e

47 serenidade; à púrpura associa-se a dignidade religiosa, o verde é conotado com tudo o que diz respeito à natureza, liga-se também à abundância, à liberdade e à esperança. Ao vermelho liga-se o sangue, a carne, a pujança, a força, o ânimo e os impulsos belicistas. Quanto aos metais o ouro é o metal mais nobre e simboliza riqueza, justiça e pureza, implica poder, a prata simboliza a paz, o silêncio, a fidelidade e a humildade.

Existem várias regras de aplicação das cores e dos metais num brasão, não se pode associar cor com cor, por exemplo azul com verde, ou metal com metal, por exemplo ouro com prata. Deve-se usar entre cada cor um metal e entre cada metal uma cor, devem-se alternar.

O azul e o vermelho conjugam-se no mesmo brasão com ouro ou prata; o verde só se conjuga com a prata e a púrpura só se conjuga com o ouro. Estas são normas, porém, podem-se encontrar excepções nas conjugações.

Quando os esmaltes não podem ser pintados são representados por sinais, a prata é representada por um campo branco (ver figura 9), o ouro por pontilhado (ver figura 10), o azul por linhas horizontais (ver figura 11), o vermelho por linhas verticais (ver figura 12), o verde por linhas diagonais que descem da esquerda para a direita (ver figura 13), a púrpura por diagonais que descem da direita para a esquerda (ver figura 14) e o preto por um padrão de linhas verticais e horizontais encruzilhadas (ver figura 15).

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Figura 10: Ouro.

Figura 11: Azul. Figura 12: Vermelho.

Figura 13: Verde. Figura 14: Púrpura.

49 Na sua origem, os escudos eram de madeira ou de metal, depois eram pintados com as cores já referidas ou cobertos com peles de animais, assim, deste facto a heráldica recebeu as peles ou pelúcias: o veiro que é representado por uma sequência de figuras em forma de campânulas azuis dispostas em linhas horizontais e encaixadas com figuras análogas, invertidas e de cor branca (ver figura 16), existem os contra-veiros que são a inversão dos esmaltes dos veiros (ver figura 17); o arminho que apresenta uma superfície branca com pequenas figuras pretas em forma de cruz (ver figura 18) e os contra-arminhos que são a inversão dos esmaltes dos arminhos (ver figura 19).

Figura 16: Veiros. Figura 17: Contra-veiros.

Figura 18: Arminhos. Figura 19: Contra-arminhos.

Independentemente de cores e peles pode-se cobrir o escudo com motivos naturalistas ou outros. Pode-se encher o campo do escudo com animais (ver figura 20), porém não se misturam espécies, representa-se apenas uma, pode-se encher com motivos vegetais (ver figura 21),

50 astrológicos (ver figura 22), minerais (ver figura 23) ou ainda objectos (ver figura 24).

Figura 20: Motivo: animal. Figura 21: Motivo: vegetal.

Figura 22: Motivo: astrológico. Figura 23: Motivo: mineral.

Figura 24: Motivo: objecto.

Quanto ao escudo ainda há que referir que como serve para proteger o cavaleiro quando usado, o seu lado direito encontra-se à esquerda do observador e o lado esquerdo à direita do observador. O lado «dextro» do escudo fica à esquerda do observador, a «sinistra» do escudo fica à direita.

O campo do escudo e «Entendemos por campo do escudo a superfície

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desenham e dispõem as peças e se iluminam as cores e os metais.»57 divide-

se em nove pontos como mostra a figura 25, em que 1 se denomina o ângulo direito do chefe ou cantão superior da dextra, 2 refere-se ao chefe, 3 ao ângulo esquerdo do chefe ou canto superior da sinistra, 4 ao flanco direito, 5 refere-se ao centro do escudo ou ponto de honra, 6 ao flanco esquerdo, 7 ao ângulo direito da ponta ou do contrachefe, ou cantão inferior da dextra, 8 ao pé do escudo, ponta ou contrachefe e 9 refere-se ao ângulo esquerdo da ponta ou do contrachefe, ou ainda cantão inferior da sinistra.58

Figura 25: Topografia do campo do escudo.

O campo do escudo pode-se apresentar inteiro, como é enquanto objecto, ou dividido, segundo traçados, em uma ou mais partes segundo as regras da Heráldica. Existem quatro partições principais e todas as outras que se possam encontrar resultam da conjugação destas. As quatro partições principais são o partido (ver figura 26), o cortado (ver figura 27), o fendido (ver figura 28) e o talhado (ver figura 28).

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CARVALHO, Sérgio Luís de, Op. Cit. p.60.

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Figura 26: Partido. Figura 27: Cortado.

Figura 28: Fendido. Figura 29: Talhado.

Na parte exterior do escudo podemos encontrar vários elementos que compõem o brasão, como o elmo, o virol, o paquife, o mantel,entre outros.

O elmo é de prata ou guarnecido de ouro, excepto os das armas reais ou nacionais que são de ouro, coloca-se no rebordo cimeiro do escudo, o rebordo do chefe, a parte inferior do elmo deve entrar no campo do escudo (ver figura 30). Se o portador do elmo é de descendência fidalga há mais de três gerações, o elmo deve ser colocado três quartos para a dextra com a viseira caída; para os nobres há menos de três gerações coloca-se de perfil para a dextra com a viseira caída, para os nobres de origem bastarda coloca- se de perfil para a sinistra com a viseira caída, por último, os elmos dos grandes títulos da nobreza, dos brasões reais ou nacionais colocam-se de frente, com a viseira caída ou aberta.

O elmo pode ser adornado com o «virol», o «paquife» ou o «mantel». O virol é um rolo circular colorido com dois esmaltes presentes no escudo e assenta sobre o elmo (ver figura 30). O virol suporta o paquife, que é uma imitação de penacho de plumas (ver figura 30), ou pode sustentar o mantel que é um pequeno véu. Por vezes o elmo ainda suporta o timbre, o timbre

53 representa uma figura humana, animal, vegetal, uma arma, um motivo astrológico, entre outros (ver figura 30). Como afirma Sérgio Carvalho, em Portugal, «… nas armas reais, colocava-se por vezes sobre o elmo uma

serpente alada.»59.

O exterior do brasão pode também ser ornamentado com motivos de índole vária como, por exemplo, motivos florais, como é o caso do brasão da Universidade do Minho que analisaremos.

O brasão pode ainda possuir o «mote» ou «grito de guerra» que são legendas que decoram o exterior do brasão. Dá-se o nome «mote de divisas» ao conjunto de palavras que formam o mote, que são dispostas no «listel» que é uma fita. Na maioria dos casos o listel é branco e as letras negras, o listel é colocado debaixo do escudo (ver figura 30).

Figura 30: Brasão da Escola Prática da Guarda

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54 3 – Da Heráldica à Identidade Visual Institucional

3.3- Brasão e logótipo – elementos de identificação das