2. Theory
2.1 Liquefaction of Natural Gas
2.1.1 Classification of natural gas liquefaction processes
Dias e Dagnino (2007, p. 93-97) argumentam que o enfoque evolucionário parte de formulações teóricas geradas nos países centrais, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, apresenta preocupações fundamentalmente econômicas e tem foco analítico na figura da empresa, destacando o papel das inovações tecnológicas como principais elementos promotores do desenvolvimento econômico e social. O modelo incorpora noções decorrentes da teoria da firma, incerteza, dinâmica dos mercados, na área da economia, e também seleção natural, hereditariedade e mutações, da biologia. Outras contribuições das ciências sociais também são abordadas pelo modelo, tais como
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aprendizado, cooperação entre atores sociais e coordenação de políticas públicas (EDQUIST; HOMMEN, 1999, p. 67-68; MALERBA, 1999, p. 16).
O modelo sistêmico também atua no nível da firma e pressupõe a inovação como fruto da interação de diversos agentes internos e externos à organização. Assim como no modelo Elo de Cadeia, o enfoque sistêmico é participativo; nele, as interações entre os agentes levam ao aprendizado mútuo e à consequente difusão da inovação (KUPFER, 1996, p. 358-360; MALERBA, 1999, p. 9; PROCHNIK; ARAÚJO, 2005, p. 5-6).
Os dois modelos, em comparação com a visão ofertista-linear, possibilitam novo foco de análise, deixando de se concentrar nas atividades de P&D em favor de maior atenção a fatores complementares, tais como interação e cooperação entre os agentes, considerados elementos centrais no processo de inovação. A relação existente entre o avanço científico e o avanço tecnológico, segundo os enfoques evolucionário e sistêmico, seria integrada, em contraposição à visão linear, que reconhece apenas a relação de causalidade que parte do avanço científico. Ambos os modelos tratados nesta seção apoiam-se em uma concepção mais ampla e complexa do fenômeno da inovação, passível de influência dos fatores organizacionais, institucionais e econômicos nos processos de geração, difusão e uso de recursos em CT&I (PROCHNIK; ARAÚJO, 2005, p 5-6).
Além disso, os modelos enfatizam que um conjunto de políticas públicas conscientes e coordenadas é essencial para a promoção de atividades intensivas em conhecimento em todos os setores, objetivando melhorar as potencialidades das firmas e possibilitar ganhos de competitividade. Adicionalmente, apoiam-se em fundamentos da racionalidade limitada e de processos de aprendizagem e seleção, envolvendo agentes heterogêneos, além dos conceitos de ambientes dinâmicos e complexos (EDQUIST e HOMMEN, 1999; MALERBA, 1999).
Os enfoques evolucionário e sistêmico reconhecem a importância formulação e implementação das políticas setoriais e estão atreladas à concepção schumpeteriana sobre ciência e da tecnologia, segundo a qual os avanços científicos e tecnológicos são desejáveis, e estariam na base do desenvolvimento econômico. Portanto, de acordo com esses enfoques, os processos de desenvolvimento econômico caracterizam-se por mudanças estruturais na economia, a partir de descontinuidades tecnológicas que interferem e interagem com as estruturas política, social, institucional e produtiva de cada país (NELSON, 1990; KUPFER, 1996; GADELHA, 2001; CASSIOLATO e LASTRES, 2005; DAGNINO e DIAS, 2007; CAVALCANTE; FAGUNDES, 2007).
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Para Vargas (2002, p. 4), a constatação de que a inovação é um processo sistêmico, sustentado por relações entre firmas e por uma complexa rede de relações inter-institucionais leva à redefinição da firma como uma organização voltada ao aprendizado e inserida em um contexto institucional mais amplo. Essa percepção deixa de considerar a inovação como um fenômeno isolado no tempo e espaço, tratando-a como o resultado de trajetórias cumulativas e historicamente construídas, de acordo com as especificidades institucionais e com os padrões de especialização econômica próprios de um determinado contexto espacial ou setorial. Nesse sentido, a firma inova por meio da interação com outras instituições, com vistas à criação, desenvolvimento e intercâmbio de conhecimentos.
Sobre o assunto, Prochnik e Araújo (2005, p. 6) apontam que o percentual de firmas brasileiras participantes de acordos nacionais de intercâmbio e cooperação é muito baixo, e que o percentual das que cooperam com firmas no exterior é ainda menor. Com essa constatação, os autores sugerem que a pertinência do modelo sistêmico para a economia brasileira é uma questão que merece ser melhor estudada.
Referindo-se às evidências ligadas a oportunidades tecnológicas, apropriação e geração de conhecimentos inovadores, Dosi e outros (2006b, p. 896) ensinam que as condições para apropriação de conhecimentos costumam produzir efeitos limitados no surgimento de inovações. No limite mínimo, quando não houver condições para que os produtores privados de conhecimento se apropriem dos benefícios econômicos e sociais das inovações, o incentivo para produção será nulo. No outro extremo, como no exemplo de desenvolvimento de software aberto, havendo alto grau de apropriação dos benefícios da inovação, o incentivo poderá ser considerado bastante baixo. Nessa ótica, concluem não haver evidências que relacionem variações nas taxas de inovação a diferentes graus ou combinações de mecanismos de apropriabilidade, tais como proteção de direitos intelectuais, patentes, marcas registradas, segredos industriais ou vantagens na curva de aprendizagem.
Tais considerações serviram de base para que Dosi e outros (2006b, p. 896-898) defendessem a urgência de reforma nas instituições que regem os direitos de propriedade intelectual, particularmente em pesquisa e produção de fármacos, uma vez que o sistema atual não demonstra efetividade no incentivo à pesquisa e desenvolvimento nessa área, além de dificultar as relações entre os produtores que exploram linhas de pesquisa concorrentes, resultando em prejuízos econômicos e sociais para os consumidores desses produtos. Argumentam, portanto, em favor de mudanças
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nas instituições e regras voltadas à apropriação privada dos vários produtos de criação intelectual e material, além de apontar para as vantagens de um sistema de ciência aberta (Open Science System).
Cavalcante (2009, p. 11) argumenta que, nas circunstâncias em que prevalecem concepções mais sistêmicas do processo de inovação, intensifica-se o uso de instrumentos mais empresariais, como no caso de incentivos fiscais e financeiros, que tenderiam a promover um maior envolvimento do setor produtivo com as atividades de CT&I. No mesmo sentido, Dagnino e Dias (2007, p. 387-388) ilustram que tais mecanismos podem ser notados na política de estímulo a parques e pólos tecnológicos, com foco na criação de ambientes favoráveis ao desenvolvimento ou, ainda, nas políticas industrial, científica e tecnológica em setores de alta tecnologia.
Cavalcante e Fagundes (2007, p. 142) defendem que a adoção de um modelo sistêmico de CT&I possibilita conciliar os objetivos de equidade e eficiência da política nacional para o setor, pois favorece a articulação entre as esferas de governo e a adoção de medidas diferenciadas às realidades econômicas e sociais do país, além da criação de centros de excelência regionais, não de forma a sacrificar os ganhos de escala, mas distribuindo-se pelo país.
Assim, para que o avanço científico possa efetivamente se converter em avanço tecnológico e, assim, alavancar o desenvolvimento econômico e social, faz-se necessária a constituição de um ambiente propício ao surgimento de inovações, a qual pode ser alcançada por meio de reformas econômicas e institucionais.