Requirement specification
5.3 Class diagram and sequence diagram
Se a aprendizagem se relaciona com o participar no mundo, os autores caracterizam essa participação como Participação Periférica Legítima (doravante PPL), que é uma perspectiva analítica sobre a aprendizagem. A expressão, “legítima” corresponde às formas de engajamento, de pertencer a uma comunidade ou preservar seus ideais. Já a palavra
“periférica” se refere à maneira de diferenciar o processo de participação do aprendiz em
direção a uma participação plena futura. Os autores apreendem essa nova visão de aprendizagem a partir da PPL. Essa categoria é proposta como um descritor de engajamento na prática social que molda a aprendizagem como um constituinte integral. A legitimidade da participação é uma característica da definição de modos de pertencimento, e é um elemento constitutivo de seu conteúdo. Para Lave e Wenger (1991), “a participação periférica diz respeito a estar no mundo social. Lugares e perspectivas em mudança fazem parte das
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Esse termo se refere a um projeto sobre o uso de matemática com adultos.
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trajetórias de aprendizagem dos atores, das identidades em desenvolvimento e formas de filiação”.20 (LAVE; WENGER, 1991, p. 36, grifo dos autores).
Este descritor de engajamento, a PPL, significa que os aprendizes participam de comunidades (profissionais) e que o domínio do conhecimento e da prática exige dos novatos que se direcionem à plena participação nas práticas socioculturais de uma comunidade. (LAVE; WENGER, p. 29). No entanto, há alguns questionamentos com relação a essa visão um pouco linear de mover da periferia para uma participação plena21, como veremos com os dados empíricos nos capítulos de análise dos Congressos on-line, por exemplo.
A PPL proporciona um modo de falar sobre as relações entre os novatos e os veteranos, sobre as atividades, identidades, artefatos e comunidades de conhecimento e prática que diz respeito ao processo pelo qual os novatos tornam-se parte da comunidade de prática. Assim, na comunidade de prática, a aprendizagem é uma mudança de participação no processo do sujeito, que se torna um membro pleno, engajando-se socialmente nas comunidades de prática. Lave e Wenger argumentam que a aprendizagem situada é, normalmente, não intencional e se dá quando indivíduos participam cada vez mais de
“comunidades de prática”. O sujeito iniciante adquire conhecimentos, comportamentos e
crenças estabelecidos na comunidade de prática, e isso ocorre à medida que ele participa mais e mais de uma comunidade.
A aprendizagem situada é uma teoria da prática social e enfatiza a interdependência relacional de agente e mundo, atividade, significado, cognição, aprendizagem e conhecimento. De acordo com essa visão, aprender, pensar e saber são relações entre pessoas em atividade no mundo, com o mundo, e surgidas no mundo socialmente e culturalmente estruturado. Analisar a aprendizagem como um processo de participação dilui as dicotomias entre cérebro e corpo, entre contemplação e experiência: pessoas, ações e mundo estão implicados em todo pensar, falar, conhecer e aprender (LAVE; WENGER, 1991, p. 167-168).
Ver a aprendizagem como participação na prática social, a qual é centro de análise, é focalizar a pessoa de um modo explícito, como pessoa em ação no mundo, como membro de uma comunidade sociocultural. A aprendizagem implica estar envolvido em novas atividades, desempenhar novas tarefas e funções, dominar novas ações. Observamos no relato dos intendentes da marinha que, ao aprenderem várias funções com as experiências a bordo de
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“Peripheral participation is about being located in the social world. Changing locations and perspectives are part of actors’ learning trajectories, developing identities, and forms of membership. ”
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Em um artigo revisitando a obra Situated Learning, a própria Lave (2008) rejeita esse movimento de participação da periferia para o centro.
um navio, eles aprendem no trabalho e desempenham as tarefas iniciais e tarefas mais especializadas realizando-as na própria prática. Em nosso estudo, observaremos que as alunas em formação inicial como professoras de Espanhol aprendem participando de situações como envolver-se na prática de um Projeto Colaborativo, em ambiente digital – um congresso on- line, entre outros eventos de letramento digital. As atividades, tarefas e funções existem em relações mais amplas:
Esses sistemas de relações são reproduzidos e desenvolvidos dentro de comunidades sociais, que são em parte sistemas de relações entre pessoas. A pessoa é definida por essas relações, tanto quanto ela as define. Ignorar este aspecto da aprendizagem é deixar de ver o fato de que a aprendizagem envolve a construção de identidades. (LAVE; WENGER, 1991, p. 53, tradução nossa).22
Compreender a aprendizagem como PPL, como afirmam os autores, é uma forma de evolução do tornar-se membro de uma comunidade. E as identidades são construídas no envolvimento com a prática e são constituídas a partir das relações “entre pessoas e seu lugar e a participação com comunidades de prática – portanto, identidade, conhecimento e pertencimento social envolvem-se mutuamente23” (LAVE; WENGER, 1991, p. 153). Obviamente, há possibilidade de aprendizagem sem participação em comunidades de prática, mas em nosso estudo focaremos nas comunidades.
Tanto o desenvolvimento de identidades e habilidades na prática quanto a reprodução e as transformações das comunidades de prática se referem à PPL. Trata-se de como as comunidades de prática (doravante Cops) consistem de e dependem de um pertencimento, incluindo suas biografias/trajetórias, relações e práticas (LAVE; WENGER, p. 17). Como exemplo, citamos o processo de transição dos alfaiates Vai e Gola de grupos mais familiares de produção de roupa para grupos mais formalizados, demonstrando que as relações dos novatos com os veteranos, o modo no qual as divisões de trabalho articulam vários tipos de comunidades de prática, moldam as identidades que são construídas, e, com elas, o conhecimento, a atividade especializada (Cf. LAVE; WENGER, 1991, p. 70).
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“These systems of relations arise out of and are reproduced and developed within social communities, which are in part systems of relations among persons. The person is defined by as well as defines these relations. Learning thus implies becoming a different person with respect to the possibilities enabled by these systems of relations. To ignore this aspect of learning is to overlook the fact that learning involves the construction of identities.”
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