O histórico da referência bibliográfica começa pela biblioteca de Alexandria. Campello (2006, p. XI) menciona que o poeta Calímaco (310-235 a. C.) foi o chefe da biblioteca de Alexandria e que este elaborou em 250 a. C. o Pinakes: “[...] um dos
primeiros instrumentos de organização bibliográfica de que se tem notícia.” O Pinakes era uma lista de referências das obras existentes na biblioteca de
Alexandria, constituída pelos autores, em ordem alfabética, com uma breve nota biográfica sobre cada um. Os autores eram divididos por assuntos, como direito, literatura épica, comédia, poesia, medicina, matemática, ciência naturais, etc.
Mais adiante na história, segundo século depois de Cristo, Fonseca (1973, p. 14) menciona que um médico grego chamado Galeno escreveu uma grande quantidade de livros e, devido a este fato, os autores da época passaram a confundir que livros eram realmente da autoria destes e que livros pertenciam a Galeno. Esse médico sentiu, então, a necessidade de indicar o que era de sua autoria e, então, surgiu a primeira bibliografia manuscrita da história, denominada De libris propriis liber. Percebe-se, pela primeira vez registrada na história a necessidade de evidenciar o conhecimento literário e científico através da elaboração das referências. Portanto, Galeno foi o primeiro autor a utilizar o recurso de elaboração das referências bibliográficas, criando simples listas dos seus próprios livros.
invenção da imprensa em 1456, com a publicação da Bíblia, por Johann Guttenberg e Fonseca (1973, p. 62) faz menção à primeira bibliografia impressa, do médico francês Symphorien Champier, a obra De medicina claris scriptoribus, publicada em Lyon, cidade localizada na França, no ano de 1506.
No panorama nacional brasileiro, com relação à história da bibliografia, observa-se que todos os autores citados, a seguir, também eram médicos e que as primeiras bibliografias de publicação periódica, portanto, referem-se à área médica:
1. O primeiro índice de publicação periódica foi o dos Anais da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, compreendendo 55 volumes dessa revista, nos anos de 1831 a 1890;
2. As primeiras bibliografias publicadas no Brasil, de acordo com a Bibliografia das bibliografias brasileiras do bibliógrafo Antônio Simões dos Reis, são bibliografias médicas, divulgadas pelo Diário de Saúde do Rio de Janeiro, de 1835 a 1836;
3. Benjamin Franklin Ramiz Galvão, médico, considerado o “pai da bibliografia nacional”, foi diretor da Biblioteca Nacional em 1876;
4. Augusto Vitorino Alves Sacramento Blake, médico, autor do primeiro Dicionário bibliográfico brasileiro, em 1902.
Percebe-se, através dos exemplos dos médicos Galeno, Symphorien, Benjamin Galvão e Augusto Blake que “[...] os médicos sempre se destacaram, entre os cientistas, pela preocupação com a bibliografia e com a documentação.” (FONSECA, 1973, p. 62). Foram eles que iniciaram a utilização das referências bibliográficas, consequentemente, elaborando listas bibliográficas em suas próprias obras.
Fonseca ainda afirma que “[...] a bibliografia surgiu como solução natural para o problema bibliográfico, quando esse problema se fez sentir pela primeira vez na face da terra.”, ou, seja a lista de referências bibliográficas vista como uma forma de organizar o conhecimento científico.
começa pela Biblioteca de Alexandria (250 a. C.), destaca a década de 1980 do século XX, com a divulgação do primeiro Programa Gerenciador de Referências Bibliográficas (PGRB), o ProCite, e finaliza em 2009 com o lançamento do PGRB mais recente, o Jumper.
2009 200 1400 1665 1983 1960 1945 1895 1848 1550 1445 4 5 6 7 8 9 10 3 2 1 “Espiral do Saber" 2006 A.D. (Πίνακες).
1. Galeno: "De libris propriis liber".
2. John Boston: "Catalogus scriptorum ecclesiae" (catálogo coletivo).
3. Johann Tritheim: "Liber de scriptoribus
ecclesiasticis"; “Catalogus iIlustrium virorum Germaniae” (bibliografia nacional).
4. Konrad Gesner: "Bibliotheca Universalis" (bibliografia universal).
5. Denis de Sallo: "Le Journal de Savants" (periódico científico).
6. William Frederick Poole: “An alphabetical index
to subjects treated in the reviews and the periodicals” (Índice Poole – índice coletivo de periódicos).
7. Otlet e LaFontaine: Documentação (“Répertoire
Bibliographique Universale”). 8. Vannevar Bush: “MEMEX”.
9. ABNT: PNB 66 – Referências bibliográficas. 10. Victor Rosenberg: ProCite (primeiro PGRB). 11. PGRB Zotero.
12. PGRB Jumper.
11 12
Figura 4: Histórico da referência bibliográfica. Fonte: Criação da autora.
A figura 4 ainda identifica a evolução da referência bibliográfica através do catálogo, da bibliografia e da documentação. Ela remonta a antiguidade até os dias atuais.
Acontecimentos cronológicos5:
0. Biblioteca de Alexandria – Pinakes (Πίνακες) – era uma lista de referências bibliográficas, organizada por assuntos diversos, em que constava a biografia dos seus autores;
1. Galeno – “De libris propriis líber” – é a primeira bibliografia de que se tem notícia. Foi uma iniciativa do autor em organizar seu próprio conteúdo bibliográfico através das referências;
2. John Boston – “Catalogus scriptorum ecclesiae” (catálogo coletivo) – o autor registrou os títulos dos livros encontrados nas bibliotecas dos mosteiros e em ordens eclesiásticas da Inglaterra;
3. Johann Tritheim – “Liber de scriptoribus ecclesiasticis” – o autor reuniu 7.000 obras de 982 autores; “Catalogus illustrium virorum Germaniae” – foi a primeira bibliografia nacional;
4. Konrad Gesner – “Bibliotheca Universalis” – o autor tentou elaborar uma bibliografia universal, arranjada por autor, com índice de assunto. Estima-se que esse levantamento correspondeu apenas a 1/5 da bibliografia existente na época, com 12.000 obras de 3.000 autores;
5. Denis de Sallo – “Le Journal de Savants” – foi o fundador do primeiro periódico literário e científico da Europa;
6. William Frederick Poole – “An alphabetical index to subjects treated in the reviews and the periodicals” (Índice Poole – índice coletivo de periódicos) – o autor criou o primeiro índice alfabético de publicações periódicas;
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5 Estas informações foram baseadas nos documentos de Shera; Egan (1961), Pinto (1987) e WIKIPEDIA
7. Otlet e LaFontaine – Documentação – os autores criaram o Instituto Internacional de Bibliografia (IIB), em Bruxelas, hoje Federação Internacional de Informação e Documentação (FID). Chegaram a compilar 11 milhões de fichas, formando uma espécie de catálogo coletivo mundial, o “Répertoire Bibliographique Universel”. O instituto fomentou bastante a atividade bibliográfica mundial, através da publicação de bibliografias, boletins, catálogos. Tinham, no entanto, uma visão utópica do problema do controle bibliográfico, não analisando as dificuldades de um trabalho bibliográfico a nível internacional. Funcionou até a Primeira Grande Guerra;
8. Vannevar Bush – Memory Extension (MEMEX) – Extensão de memória – o autor criou uma máquina que organizava e recuperava as informações com base em associações. Este equipamento é o precursor do hipertexto;
Figura 5: Equipamento Memex. Fonte: (TRAJANO; ARAÚJO, 2010).
9. ABNT – Projeto de Norma Brasileira (PNB 66) – Referências Bibliográficas – esta norma foi criada em 1960 pela ABNT, baseada nos documentos da International Organization for Standardization (ISO/PR 23) - Citações bibliográficas e ISO/PR 24 – Referências bibliográficas, ambas de 1955;
10. Victor Rosenberg – “ProCite” – o autor foi o idealizador do primeiro PGRB, criado em 1983;
11. Zotero – PGRB lançado em 2006 pelo Roy Rosenzweig Center for History and New Media (CHNM);
12. Jumper – é o PGRB mais recente, lançado em 2009, pela instituição Jumper Networks, Inc..