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Immanuel Kant cit. in Hensen (1964), fundador do apriorismo, no seu livro Crítica da Razão Pura (1781), indica que o conhecimento tem dois tipos de elementos: a priori e a posteriori. A priori seria o conhecimento adquirido absolutamente independente da experiência e de todas a impressões dos sentidos. A posteriori seria o conhecimento que só pode ser adquirido por meio da experiência, o conhecimento empírico.

Lakatos e Marconi (2000) aguçam a existência de dois tipos de conhecimento: o popular e o científico. Para as autoras, o que os distingue é a forma, o modo, o método e os instrumentos do “conhecer”.

Trujillo cit. in Lakatos e Marconi (2000), por sua vez, regista a existência de quatro tipos de conhecimento: o popular, o científico, o filosófico e o religioso. De acordo com a sua profundidade e aproximação da verdade, Oliveira D.(2001), distingue, na figura 1, dois graus de conhecimento:

ASSISTEMÁTICO Empírico (vulgar) CONHECIMENTO

SISTEMÁTICO Científico/ Teológico/Filosófico

Figura 2. Graus de Conhecimento. Fonte: Oliveira (2001).

Na figura 2 podemos verificar que o conhecimento empírico é fundamentado apenas na experiência; o científico exige manifestações, submete-se à prova, ao teste; o filosófico procura conhecer as causas reais dos factos, não as causas próximas como as ciências particulares, mas as causas profundas e remotas de todas as coisas, a origem das coisas e as suas respostas e o Teológico / Religioso é fundamentado em crença e rituais, que são aceites pela fé, não podem ser provados e sobre os quais não se admite crítica, porque é a única fonte de verdade.

Boisot cit. in Choo (2003) organiza os tipos de conhecimento com base na casualidade de ser codificado ou imediatamente difundido: é público quando é codificado e divulgável; de senso comum quando é disseminado mas muito menos codificado; pessoal quando é idiossincrático, difícil de articular e privado quando é conhecimento que a pessoa ou grupo desenvolve e codifica com o objectivo de dar sentido a determinada situação.

Verifica-se, pois, que o conhecimento foi qualificado, por diversos autores, em tácito e explícito. Esta será a classificação adoptada neste trabalho por ter sido considerada a mais adequada, para o estudo das empresas de conhecimento intensivo.

A estrutura conceptual básica do conhecimento tem como base duas dimensões – a ontológica e a epistemológica. Pela dimensão ontológica, em termos restritos, o conhecimento só é criado por indivíduos, que, quando criativos, são apoiados ou lhes são proporcionados contextos para a criação do conhecimento. A criação de conhecimento organizacional é um processo que amplifica em toda a empresa o conhecimento criado pelos profissionais, cristalizando-os como parte da rede da empresa (Nonaka e Takeuchi, 1997).

A dimensão epistemológica baseia-se na distinção entre conceito tácito e explícito. O conhecimento tácito é pessoal, específico ao contexto e difícil de ser formulado e comunicado. O conhecimento explícito refere-se ao conhecimento capaz de ser transmitido em linguagem formal e sistemática. A tabela 1 apresenta algumas distinções entre o conhecimento tácito e explícito:

TÁCITO (SUBJECTIVO) EXPLÍCITO (OBJECTIVO)

Conhecimento da experiência (corpo) Conhecimento simultâneo (aqui e agora)

Conhecimento análogo (prática)

Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento sequencial (lá e então)

Conhecimento digital (teoria)

Tabela 1. Os Dois Tipos de Conhecimento. Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997).

O conhecimento tácito e explícito não são dois tipos inteiramente separados mas sim reciprocamente complementares. Interagem um com o outro e influem trocas nas actividades criativas dos seres humanos (Nonaka e Takeuchi, 1997). Esta interacção é denominada pelos autores de “conversão de conhecimento”, processo onde o conhecimento tácito e explícito se expande, tanto em qualidade quanto em quantidade. Assim sendo, a informação pode ser vista por duas perspectivas: a informação sintáctica (ou volume de informação) e a informação semântica (o significado).

Nonaka e Takeuchi (1997) apresentam um modelo, figura 3, em que a criação do conhecimento está intimamente ligada ao pressuposto crítico de que o conhecimento humano é criado e expandido através da interacção social entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito.

CONCORRÊNCIA

SOCIALIZAÇÃO EXTERNALIZAÇÃO

Compartilhar Conversão do experiências conhecimento tácito

em explícito

INTERNALIZAÇÃO COMBINAÇÃO

Incorporação do Sistematização de conhecimento explícito Conceitos no conhecimento tácito

COOPERAÇÃO

Figura 3. Formas de Conversão de Conhecimento. Fonte: Adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997).

Neste modelo, são postulados quatro modos diferentes de conversão do conhecimento:

Socialização (do conhecimento tácito em tácito, através da partilha de experiências; os

aprendizes trabalham e aprendem com os seus mestres através da observação, imitação e da prática), Externalização (do conhecimento tácito em explícito; é provocada pelo diálogo ou pela reflexão colectiva, combinando dedução e indução, e é também a chave para a criação do conhecimento, pois permite a elaboração de conceitos novos e explícitos), Combinação (do conhecimento explícito em explícito; utiliza-se o diálogo e envolve a combinação de conjuntos diferentes de conhecimento explícito, sendo realizado através da troca ou combinação de conhecimento, de meios como documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação computadorizadas. Também assume essa forma, o conhecimento adquirido através de escolas e de formação formal) e Internalização (do conhecimento explícito em tácito; incorporação do conhecimento na prática. É o aprender fazendo).

O conhecimento tácito é o conhecimento implícito usado pelos membros da empresa para realizar o seu trabalho e dar sentido ao seu mundo (Choo, 2003). É assimilado durante

longos períodos de experiência e de execução de uma função, durante os quais o indivíduo desenvolve uma capacidade para fazer juízos intuitivos sobre a realização bem sucedida da actividade. O conhecimento explícito é aquele que pode ser expresso formalmente com a utilização de um sistema de símbolos, podendo ser facilmente codificado e difundido.

O mesmo autor acrescenta ainda a definição de conhecimento cultural, expresso pelas pressuposições, crenças e normas usadas pelos membros da empresa para atribuir valor e significado a novos conhecimentos e informações.

Spender cit. in Nonaka e Takeuchi (1997) classifica o conhecimento tácito em três categorias: consciente, automático e comunal, cada uma com diferentes implicações estratégicas.

Em contrapartida, é importante entender que o conhecimento tácito nunca pode ser reduzido a conhecimento explícito (Senge, 1999). Na verdade, falar sobre “conversão de conhecimento tácito em explícito” reflecte uma compreensão superficial da própria noção de tácito. Em última análise, contemplar o significado mais profundo do conhecimento tácito leva a reconhecer as tenuidades do que significa “saber” para os humanos.