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4. A CHECKUST FOR THE SELF STUDY

digestibilidade de ração e algas no conteúdo intestinal.

Quinto passo: Observação direta no microscópio e diferenciação de características anormais e normais nas amostras.

Sexto passo: Realização de explicação e apontamento de resultados para quantificar de forma geral as doenças nos animais e problemas nos viveiros. Neste passo a índia pôde determinar o grau de severidade dos problemas encontrados por viveiro para auxiliar na tomada de decisões e evitar a perda da produção.

Tal índia foi escolhida na reunião participativa do dia 05 de novembro de 2014 pelos próprios participantes, devido estar na universidade cursando bacharelado em biologia e possuir interesse em todos os assuntos comerciais pesqueiros e de cultivo em cativeiro realizados na aldeia. Tal estudante, posteriormente, se comprometeu em receber o treinamento prático e salvaguardar os equipamentos de laboratório para análise microscópica por mim doados.

Após o treinamento, a índia Jakeline, se comunicou através de mensagens, tirou dúvidas e enviou duas fotografias microscópicas (Foto 22), as quais afirmou ser a doença White Spot (Mancha Branca) que estava causando início de mortalidade em um viveiro familiar independente, ao qual suas características foram confirmadas por mim. A providência tomada por ela própria foi indicar ao dono a retirada dos animais, evitando perda total do viveiro atingido.

Foto 22 – Mancha Branca (White Spot) na carapaça do camarão cultivado por indígenas da aldeia de Tramataia, identificada pela índia Jakeline de Oliveira, treinada para visualizar em microscopia óptica a sintomatologia das doenças do camarão exótico cultivado Litopennaeus vanamei.

64 Após muita insistência para que o produtor despescasse o viveiro, uma semana e três dias depois ele resolveu seguir a recomendação e retirar os animais, pois a mortalidade estava mais intensa. A previsão de produção do viveiro era de aproximadamente 800kg, o mesmo conseguiu retirar 600kg. Anteriormente os carcinicultores levavam o cultivo até o final de 3 meses, prazo recomendável para um cultivo normal com animais de 10 a 12g, e mesmo com os animais apresentando mortalidades, os mesmos na maioria das vezes sempre encerravam a produção em seu prazo final, o que ocasionava sobrevivências de no máximo 30%. Para este caso, foram retirados animais com gramatura média entre 6 e 8g e sobrevivência de 75%, o que é considerada excelente para a produção local.

A maior dificuldade por ela relatada é a conscientização do próprio carcinicultor que não faz parte da Cooperativa, pois demonstra ser mais independente e, com isso, passa a não seguir as recomendações técnicas, podendo iniciar o gatilho das mortalidades em massa em todos os viveiros da aldeia, já que a Mancha Branca é uma doença viral altamente contagiosa e que mata rapidamente quando não interrompido o ciclo de cultivo. Outra dificuldade apontada é a desunião entre os próprios carcinicultores familiares localizados por trás das primeiras casas da aldeia, as quais não querem seguir as boas práticas de manejo, que nestes casos são plenamente recomendadas pela ABCC (2012) em seu manual.

Os próximos passos dela, como índia moradora e estudante de biologia, é dar continuidade a conscientização sobre as boas práticas de manejo, já que pretende ficar na aldeia cultivando após se formar, para demonstrar que as doenças começarão a diminuir de ocorrência se o solo, a água, a espécie cultivada e a natureza adjacente forem respeitadas.

“Eu vou fazer um cultivo experimental totalmente orgânico, usando cabeça de peixe triturado e outros organismos e também vou usar o microscópio para acompanhar o alimento no intestino, como você me mostrou. Daí vou ver se diminuindo a densidade de animais e também se com esse tipo de manejo as doenças também diminuem, e é claro, respeitando o tempo certo para secar o viveiro no sol naturalmente e não colocar logo a água e encher, mesmo o viveiro não tando pronto. Isso é que faz o cultivo não dá certo. Também eu tenho que mostrar pros outros que não é bom desmatar o mangue ao redor e saber como e quando pegar água. É porque

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alguns aqui tem pressa e acaba que não tiram é nada porque fazem as coisas de bolo, sem conhecer direito.” (Jakeline)

CONCLUSÃO

Os impactos ambientais relatados tecnicamente, quando comparados com o saber local sobre o tema não são compatíveis, já que os indígenas acreditam que em nenhum momento estão prejudicando o ambiente, mesmo sendo visto escape da espécie exótica, desrespeito a proximidade com o estuário e o próprio mangue, desmatamentos, mortalidade de animais típicos do local, como os caranguejos, dentre outros.

Apesar da carcinicultura ser de pequeno porte na aldeia potiguara de Tramataia e os índios afirmarem que ela não é impactante por não terem provocado desmatamento, não utilizarem antibióticos e nem químicos fortes nos viveiros, de acordo com o presente estudo, ela não é considerada sustentável.

Através do desenvolvimento deste estudo, percebeu-se que a hipótese inicial de que a carcinicultura na aldeia não é sustentável foi confirmada. Porém, nota-se que o problema dos impactos causados pela atividade produtora local podem ser minimizados se houver um maior acompanhamento técnico e monitoramento contínuos junto aos índios da aldeia

Diante do quadro encontrado, torna-se urgente que ocorra uma reorganização deste tipo de cultivo em Tramataia, para que os indígenas possam tanto conseguir a regulamentação da atividade nos viveiros adequados, quanto usar a natureza de forma mais sustentável daqui para frente.

O repasse de informações detalhadas serviu para que os produtores pudessem obter subsídios para tornarem-se capazes de responder com eficiência aos problemas de suas produções, ao qual foram tomadas decisões primordiais para inicialização da resolução dos principais problemas detectados: mortalidade de animais, má qualidade de água, má qualidade de solo, desmatamento, falta de técnica de cultivo adequada, repasse de informação técnica e treinamento contínuo dos indígenas.

Após o treinamento técnico de identificação das doenças nos camarões cultivados, a índia treinada foi capaz de identificar uma das principais patologias que afligem os índios da aldeia, inclusive, sendo capaz de tomada de decisões para que a produção de camarão de um dos viveiros afetados não fosse totalmente perdida.

66 Os carcinicultores que mais se aproximam com a proposta de transformação do cultivo tradicional para o cultivo sustentável são os que participam da Cooperativa, já que estes são unidos, organizados, abertos às modificações e seus viveiros são os detentores de maior pontuação na tabela de sustentabilidade ambiental.

Quando comparados o saber técnico e o local, percebeu-se nitidamente que, apesar de não haver conhecimento científico sobre doenças e problemas ambientais entre os produtores de Tramataia, a experiência anterior como pescadores deu boa parte do subsídio para que eles pudessem cultivar sem maiores problemas até a chegada dos primeiros animais mortos por doenças típicas da espécie. Percebeu-se então que a partir daí o saber técnico se mostrou importante e foi ele quem foi capaz de desvendar o mistério que havia nas mortalidades não conhecidas. Só após o repasse de informações técnicas dos problemas ambientais e animais, os índios souberam reconhecer que os sintomas eram de doenças e de problemas com a água.

O diálogo entre o saber técnico-científico e o saber local também possibilitou uma sensibilização dos produtores indígenas e, apesar do pouco grau de instrução, eles perceberam serem capazes de organizar e identificar com coerência todos os problemas que levaram a um cultivo insustentável, tanto na atual pouca quantidade de animais despescados quanto com o próprio ambiente de cultivo e do entorno. Nota-se que, apesar desta sensibilização feita, não se vislumbra uma continuidade no âmbito de se caminhar para um futuro cultivo sustentável, devido ser ainda primária a capacitação local, haver ainda conscientização mínima, pouco acompanhamento técnico (da indígena treinada ainda em aprendizagem) e nenhum monitoramento das atividades de transformação do cultivo de camarões praticado em Tramataia. Há, por tanto, a necessidade de se haver o desenvolvimento e incentivo de projetos que levem a tal mudança, bem como, parcerias entre universidade, FUNAI, IBAMA, ICMBio e os próprios índios, já que a própria categoria indígena-carcinicultora não deseja interromper suas atividades e tais órgãos ambientais almejam a sustentabilidade local. O que não se pode é continuar com a insustentável inércia que se apodera desta região tão importante para todos os envolvidos.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA