Sistemas de apoio à decisão (SAD) são soluções tecnológicas que podem ser utilizadas para suportar a resolução de problemas e tomadas de decisão complexas [Shim et al. 2002]. Este tipo de sistemas possuem características tecnológicas, estruturais e de utilização específicas, que os distinguem de outros tipos de sistemas de informação e têm como objectivo principal apoiar processos de decisão que apresentam problemas de estruturação [Barbosa & Almeida 2002]. De acordo com Ruhe [2003c], os SAD são apropriados para um problema que tenha sido, em algum ponto, semi-estruturado ou não-estruturado. São ainda caracterizados por sugerirem um portefólio de soluções alternativas, a partir das quais o decisor pode escolher [Ruhe 2003c].
Os SAD estão a ganhar popularidade em diversas áreas, nomeadamente na empresarial, na militar e na saúde. O seu valor sobressai especialmente nas situações em que a quantidade de informação disponível é demasiada para a intuição de um decisor que não tenha qualquer tipo de suporte e em situações em que a precisão e a optimização do processo são importantes [Druzdzel & Flynn 2010].
Os SAD apoiam deficiências cognitivas através da integração de várias fontes de informação, fornecendo um acesso inteligente a conhecimento importante e apoiando o processo de estruturação de decisões. Druzdzel & Flynn [2010] defendem que os SAD podem apoiar a selecção entre um conjunto de alternativas bem definidas e podem também ser construídos para suportar abordagens formais.
Características 2.4.1.
O desenho clássico deste tipo de sistemas é composto pelas seguintes características [Shim et al. 2002]:
Capacidade de gestão sofisticada de base de dados com acesso a dados internos e externos, informação e conhecimento;
Poderosas funções de modelação acedidas por um sistema de gestão de modelos; Desenho simples e poderoso do interface com o utilizador, permitindo queries,
funções de reporte e funções gráficas interactivas.
Arquitecturas 2.4.2.
Existem diversas visões na literatura sobre os componentes que formam os SAD. Sage [1991] identifica três componentes fundamentais: (a) sistema de gestão de base de dados (SGBD), (b) sistema de gestão de modelos (SGM) e (c) gerador e sistema de gestão de diálogo (GSGD).
Por sua vez, Hättenschwiler [2001] identifica cinco componentes: (a) utilizadores com diferentes papéis ou funções no processo de tomada de decisão (e.g. decisor, especialistas de domínio, especialistas de sistema), (b) contexto de decisão especifico e definido, (c) sistema alvo descrevendo a maioria das preferências, (d) base de conhecimento construída a partir fontes externas de dados, bases de dados de conhecimento, bases de dados de trabalho e armazéns de dados, métodos e modelos matemáticos, procedimentos, motores de inferência e de pesquisa, programas administrativos e sistemas de report, e (e) ambiente de trabalho para a preparação, análise e documentação de alternativas de decisão.
De acordo com Power [2002], académicos e profissionais discutem a construção de SAD com base em quatro componentes principais: (a) interface com o utilizador, (b) a base de dados, (c) as ferramentas analíticas e de modelação, e (d) a rede e arquitectura do SAD.
Com base em várias arquitecturas existentes, Marakas [1999] propôs uma arquitectura genérica constituída por cinco partes: (a) sistema de gestão de base de dados (SGBD), (b) sistema de gestão de modelos (SGM), (c) motor de conhecimento, (d) interface com o utilizador e (e) o próprio utilizador (Figura 8).
Figura 8 – Os cinco componentes dos sistemas de apoio à decisão [Marakas 1999]
Benefícios 2.4.3.
A utilização de SAD pode trazer um conjunto de benefícios, os quais estão nomenclados na Figura 9 [DeSanctis & Gallupe 1987, Udo & Guimaraes 1994, Holsapple & Whinston 1996].
Figura 9 – Potenciais benefícios da utilização de sistemas de apoio à decisão
• Aumenta a capacidade dos decisores de processar conhecimento Melhora o processamento do conhecimento
• Aumenta a capacidade dos decisores de enfrentar problemas complexos de grande escala Permite lidar melhor com problemas grandes e complexos
• Diminui o tempo associado às tomadas de decisão Reduz o tempo de decisão
• Reduz os custos associados às tomadas de decisão Reduz os custos de decisão
• Encoraja a capacidade descoberta por parte dos decisores Aumenta a capacidade de descoberta
• Estimula novas formas de pensar sobre determinado problema ou contexto de decisão Estimula novas perspectivas
• Fornece evidencias para justificar uma decisão ou valida hipóteses existentes Melhora a concretização e fundamentação
• Aumenta a fiabilidade de processos de decisão e/ou resultados Aumenta a fiabilidade
• Melhora a comunicação entre os envolvidos de forma a tomarem uma decisão em grupo Melhora a comunicação
• Melhora a coordenação de tarefas numa tomada de decisão individual e em grupo Melhora a coordenação
• Aumenta a satisfação com os processos de decisão e resultados Aumenta a satisfação
• Permite a descentralização e participação dos trabalhadores na tomada de decisão Aumenta capacidade de decisão
• Melhora ou mantem a competitividade organizacional Cria vantagem competitiva
I N T E R F A C E SGBD SGM Motor de conhecimento Utilizador
2.5. Síntese
Este capítulo apresentou o estado da arte das medidas, métricas e estimativas de software, da selecção de COTS e dos sistemas de apoio à decisão. A aprendizagem ganha durante a pesquisa bibliográfica e a informação apresentada neste enquadramento teórico servirá como base para o restante trabalho desta dissertação.
Na temática das medidas, métricas e estimativas de software, inicialmente, foram definidos alguns conceitos basilares à sua compreensão. De seguida foram introduzidas as escalas de medição, descritos quais os contextos de aplicação das métricas, apresentadas as suas diversas classificações, papeis e atributos e, por ultimo, sintetizados os benefícios da sua utilização. No que diz respeito à selecção de COTS, o capítulo começou por enumerar as vantagens e desvantagens da utilização de COTS em relação ao desenvolvimento de software. De seguida a selecção de COTS foi enquadrada no contexto da tomada de decisão multicritério (TDMC). Foram ainda descritos os métodos de TDMC mais comuns na selecção de COTS, estudadas as actuais abordagens de avaliação e selecção de COTS e, por fim, listadas algumas das problemáticas relacionadas com a selecção de COTS.
Em relação aos SAD, foram descritas as características essenciais de um SAD, possíveis arquitecturas e potenciais benefícios da sua utilização.
A principal conclusão que se pode tirar deste capítulo é de que existem aspectos na avaliação e selecção de COTS que podem ser melhorados de forma a contribuir para o aumento da qualidade e redução de riscos e custos inerentes à sua implementação, nomeadamente através de um sistema de apoio à decisão.
Grande parte das abordagens investigadas nunca foi aplicada para seleccionar um COTS de grande escala, o que leva à incógnita sobre a sua capacidade de serem aplicadas nesses casos. Neste aspecto, um SAD tem um papel fundamental na resolução de problemas e tomadas de decisão complexos. Outro problema também levantado foi a falta de directrizes sobre limitações comuns na selecção de COTS, tais como a subjectividade das fontes, a qualidade dos dados de input, a escalabilidade, a inadequação entre os requisitos e as características dos produtos, entre outros.
Por fim importa referir que, com este capítulo foram atingidos os dois primeiros objectivos desta dissertação.