Quem assina o Estrella do Sul, faz o bem; quem o propaga, procede melhor. O primeiro cumpre o seu dever de católico; o segundo torna-se apóstolo da mais santa das causas: a imprensa católica.
(Estrella do Sul, 19/01/1930, p. 3)
O Estrella do Sul é uma publicação vinculada ao Centro da Boa Imprensa do Rio Grande do Sul, sob influência da arquidiocese de Porto Alegre. O Jornal
Estrella do Sul circulou de 1923 a 1939, com edição semanal e distribuição
privilegiada no centro do estado. O conteúdo é vinculado à Igreja Católica e às questões centrais disputadas no período. A primeira página é composta por artigos com temas polêmicos relacionados à pauta local ou nacional, a segunda e a terceira página são compostas de propagandas, artigos, notas, agendas, eventos e notícias internacionais; por fim, a quarta página é constituída por avisos, notícias curtas e pouca propaganda.
Dom João Becker, assim como na revista Unitas, é uma figura presente no
Estrella do Sul. Nota-se a publicação de trechos de suas cartas pastorais, de
seus textos e de seus discursos; também observamos alguns relatos da participação do arcebispo em eventos sociais e políticos. O trecho transcrito abaixo, com o destaque para a palavra Aviso é assinado por Dom João Becker e explicita o leitor pretendido pelo jornal Estrella do Sul, paralelamente responsabiliza o laicato católico e o clero pelo êxito da publicação.
A apresentação do jornal anuncia as entradas pretendidas com a publicação; nota-se que vão além das questões relacionadas ao cotidiano funcional da Igreja, o que corrobora com a ideia da imprensa católica como uma importante estratégia de disputa social no período.
Aviso
A 'Estrella do Sul', semanário genuinamente católico, inicia hoje um novo ano de sua benéfica publicação. É justo, pois que os reverendos, vigários lhe ofereçam o mais decidido apoio, procurando franquear-lhe a entrada em todos os lares católicos. No intuito de se conseguir esse fim, queiram eles ingressar-se, seriamente, pelo referido jornal, angariando novas assinaturas, que, com as antigas sejam pagas sem demora.
Essa propaganda deve ser feita pessoalmente, pelos reverendos, sacerdotes e com o valioso auxílio das corporações religiosas estabelecidas nas referidas igrejas.
Uma palavra de recomendação proferida na escola, no catecismo, antes da pregação, nas reuniões de diretoria das associações católicas será de grande utilidade.
Mas, essa propaganda constante e sistemática, além de ser útil, torna-se necessária e constitui um sagrado dever para o reverendo clero.
A 'Estrella do Sul' não representa apenas um criterioso repertório de abundantes informações, mas é, sobretudo, uma defensoria temida e acérrima dos ensinamentos e preceitos da Igreja.
O vigário que lhe nega amparo priva-se de um poderoso auxílio no desempenho de seus trabalhos apostólicos.
As revistas populares que se publicam dentro e fora do estado, ainda que mereçam nossa inteira aprovação, não podem, de forma alguma, em face de sua finalidade especial, substituir a 'Estrella do Sul', redigida com muito carinho e indiscutível competência.
Para despertar maior interesse local, é mister que os Srs. vigários mandem regularmente notícias e informações com referência ao movimento social e religioso de suas paróquias.
Porto Alegre, 1º de janeiro de 1931. João Becker Arcebispo de Porto Alegre. (Estrella do Sul, 04/01/1930, p. 1)
Dentre os diversos temas abordados pelo Estrella do Sul, focam-se aqui as questões relacionadas ao debate educacional e percebe-se a valorização do espaço escolar como espaço de formação. A frase a seguir aparece em negrito e na primeira página de algumas edições: “O pai que não manda seu filho à escola é um criminoso” (Estrella do Sul, 07/12/1930, p. 1). Tal afirmação valoriza o espaço escolar e constrói essa representação no imaginário popular; a escola é valorizada e disputada pelos católicos.
Ao contrário da Unitas, o Estrella do Sul possui uma apresentação atrativa, com imagens, textos curtos, pequenas chamadas, receitas, agendas, eventos, publicação de artigos e traduções – realiza a tradução de dois a três livros de literatura geral por ano, apresenta semanalmente pequenos capítulos ao leitor. Essas características são importantes para notarmos que o público leitor do jornal é diferente do público da Unitas; o Estrella do Sul pretende ser o jornal da família, conforme ele próprio anuncia: “O guia e consultor das famílias, para 1930, deve ser o almanaque da Estrella do Sul” (Estrella do Sul, 12/01/1930, p. 1).
Figura 5 – Estrella do Sul p. 1 Figura 6 – Estrella do Sul p. 2
Apresentamos acima duas páginas do jornal Estrella do Sul. Conforme já dito, destacamos aqui os textos curtos e as propagandas ilustradas. “Os Filhos de Ario”, na figura 6, é parte da tradução de um livro. Na mesma figura, lê-se o título de uma seção “O que houve de novo” e nela são relatadas notícias rápidas sobre acontecimentos locais, nacionais ou internacionais. Já na figura 5 apresentamos a capa do jornal que mantém um estilo padrão; nota-se diversos textos curtos que tratam de assuntos diversos, a maioria sem autor identificado; enfim, o jornal assume a autoria da maioria dos textos publicados.
O Estrella do Sul é publicado em papel jornal, tamanho A3, em torno de quatro páginas. Notamos somente uma variação na quantidade de páginas durante o período estudado, por ocasião de uma comemoração da arquidiocese. A publicação é semanal e distribuída para revenda em vários locais da cidade de Porto Alegre.
Por fim, o Estrella do Sul e a Unitas são uma publicação casada da Arquidiocese de Porto Alegre e, embora apresentem estilos e editores diferentes, são gestadas sob a mesma influência e publicam textos muito similares no conteúdo. Se consolidam como publicações complementares, pois o jornal reforça semanalmente a orientação presente na revista mensal.
1.5.3 A revista Rainha dos Apóstolos: uma publicação nacional dos