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Em todos os dias úteis, a rotina escolar na AFA começa logo na alvorada, exatamente às seis horas, quando os cadetes se dirigem ao rancho para a alimentação matinal. Exatamente às seis horas e cinquenta minutos, em formatura eles se deslocam para as respectivas salas de aulas na DE para enfrentar a primeira jornada acadêmica, que ocorre entre as sete e onze horas e vinte minutos.

É previsto, no caso dos aviadores do 2º e do 4º esquadrão, que eles se dirijam até os Esquadrões de Instrução Aérea (EIAs), caso estejam programadas atividades de voo. Assim, a “rotina do cadete aviador é comparecer, dia sim dia não, para receberem instrução aérea (no 2º e 4º ano), dividindo espaço com a DE, chegando a permanecer até 12 horas naquela dependência.” (BAQUIM, 2008, p.40).

Enquanto na DE, o período da manhã é preenchido com cinco aulas de quarenta e cinco minutos cada, quase sempre consecutivas, que se interrompem apenas por pequenos intervalos de cinco minutos entre elas e o horário do almoço. Durante os intervalos é permitido que o cadete se ausente da sala de aula para ir ao banheiro, tomar água ou, ainda, resolver problemas imediatos e rápidos, uma vez que devem respeitar criteriosamente o horário de reinício das aulas.

Ainda em relação aos intervalos, há, entre o terceiro e o quarto tempo, um intervalo maior, chamado por muitos de “Intervalão”, com duração de vinte minutos. Nesse espaço de tempo os cadetes podem usufruir dos serviços da cantina ali existente, resolver alguma pendência, procurar seus professores ou orientadores, ou resolver algum problema particular.

Concluída a rotina matinal na DE, os cadetes se deslocam em formatura para a parada diária que acontece em um pátio, em frente ao Corpo de Cadetes, às onze horas e trinta minutos. Depois da parada, os cadetes almoçam e, da mesma forma como de manhã, marcham até a DE para assistirem aulas no período que vai de 13h30min a 15h40min..

Nas salas de aula, a rotina também se diferencia bastante da rotina escolar do meio civil, começando com os três sinais que indicam o horário da instrução ou aula, assim dispostos: o primeiro toque indica que, cinco minutos antes do início a aula, os cadetes devem se dirigir para suas respectivas salas; o segundo indica que todos devem estar a postos para receber o professor e, o terceiro toque indica que a aula deve ser iniciada. Fica vedada a entrada atrasada do cadete, que pode sofrer punições caso isso aconteça.

Quanto ao professor, ele também deve atentar aos horários para evitar atrasos. Existe, na AFA, um ritual militar de apresentação no início de todas as aulas. Nesse procedimento, logo que o professor entra na sala de aula, o Cadete escalonado “Chefe de Turma”, se pronuncia: “Atenção Sala”, gesto que significa que todos devem se levantar e se manter em posição de “Sentido”, até que o “Chefe de Turma” se apresente e apresente a turma, anunciando ao professor se há falta ou não, e o professor peça que a turma fique à vontade. Somente depois desse ritual a aula é iniciada.

A programação de aulas é outro aspecto que o docente deve, criteriosamente, observar, considerando que as aulas são programadas semanalmente, de acordo com as atividades militares e técnico-especializadas, previstas na AFA. Assim, as mesmas nem sempre coincidem em dias e horários.

Tendo em vista essa inconstância, é necessário que o professor acompanhe sempre a pré-programação disponibilizada na rede interna da AFA uma semana antes de sua efetiva aprovação. Caso haja qualquer inconsistência, como “choque” de aulas, aulas escaladas nos dias de dispensa do professor, ou qualquer outro problema, o docente deve requisitar o remanejamento de aulas, ainda na fase da pré-programação, que fica disponível uma semana antes da efetiva programação que, se aprovada, raramente permite alterações.

Os professores também devem estar atentos à programação de suas provas ou exames que, como as aulas, são divulgadas na pré-programação, e cuja importância está atrelada ao prazo estipulado para sua entrega. Em respeito às normas, os docentes devem elaborar as avaliações e encaminhá-las ao setor de Avaliação, juntamente, com outros documentos exigidos pela Instituição, com um prazo mínimo de cinco dias úteis, para que a mesma possa ser apreciada e analisada em termos ortográficos, de clareza ou, ainda, em relação à metodologia. Quando necessário, existe tempo hábil para que o professor possa corrigi-la ou ajustá-la aos padrões previstos nas normas.

O rigor se aplica em relação a escala semanal de Fiscalização de Provas, quando se divulga, todas as semanas, uma lista contendo, datas, horários e os nomes dos docentes que deverão realizar a tarefa. Assim, os mesmos devem retirar os malotes de provas na Sessão de Avaliação e aplicá-la, observando cuidadosamente as normas que envolvem o trabalho, como o tempo de realização, de início e de término, as informações que devem ser passadas preliminarmente aos Cadetes, como a possibilidade, ou não, de uso de materiais extras, se vai haver consulta ou não, e outras.

Em relação à fiscalização, o professor deve ainda responsabilizar-se pela entrega da prova no prazo previsto para sua realização, diante dos cadetes, na ata de fiscalização, anotando qualquer tipo de ocorrência, inclusive faltas.

Na AFA, o controle sobre as faltas é executado tanto pelo discente, o “Chefe de Turma”, como pelo professor. Ao Chefe de Turma cabe relacionar, em papeletas de duas vias, todas as faltas e os respectivos motivos, colhendo a assinatura do professor e entregando-lhe uma das vias; deve, ainda, digitá-las em um espaço próprio da rede interna da Academia. Ao professor cabe, sequencialmente, confirmar ou não a informação disponibilizada pelo cadete.

A Atividade de Orientação, que envolve docentes e discentes da AFA relaciona-se à iniciação científica do cadete. Como para as aulas e as provas, existem tempos dispostos na programação semanal para aulas de Monografia. Esses tempos podem ser utilizados para reuniões de orientação, geralmente pré-agendadas e que ocorrem nas dependências da DE.

Além dessas atribuições, os professores estão sempre disponíveis, durante os intervalos na DE, para tirar qualquer dúvida que os cadetes tenham sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula.

A retomada do expediente ocorre da mesma forma, em todos os dias úteis, às 15h30min., quando é previsto que os cadetes frequentem as aulas de Educação Física. Assim, no toque do sinal, eles entram em formatura, marcham para o CCAer e, em seguida, se encaminham até os locais apropriados para receber esse tipo de instrução, dependendo da modalidade.

Existe, ainda, uma série de eventos e solenidades em que cadetes, professores e todos os oficiais da AFA se envolvem de forma ativa, como “Espadim”, “Espadão”, entrega de medalhas, seminários, encontros pedagógicos entre outros eventos.

Nesta dinâmica a Academia da Força Aérea se diferencia das instituições escolares civis, tanto em termos administrativos e burocráticos próprios de uma Instituição Militar que incluí estatuto jurídico próprio, estatuto de pessoal que define a carreira, os direitos e restrições, a posturas e os comportamentos, como ainda, em relação as práticas escolares a começar pelo regime de internato, pela disciplina e hierarquia, pelos horários rígidos e pelo ensino e treinamentos em ambientes distintos, entre outras peculiaridades.

Os estudos já realizados na Academia valorizam o diferente contexto vivido no interior da Instituição, entretanto, não apontam problemas diretamente relacionados com o convívio dos cadetes, nem problemas de inter-relacionamento, de indisciplina, de estrutura, mas sim a preocupação se centra no processo de formação dos futuros oficiais. As diferentes abordagens giram em torno dos conhecimentos científicos, culturais, técnicos e militares que ali são trabalhados. Assim, por mais diferente que seja o enfoque os currículos dos Cursos de Formação de Oficiais tornam se objetos marcantes na análise dos autores da AFA.

Neste mesmo sentido caminha nossa abordagem, partimos das constantes alterações curriculares que aconteceram na AFA entre 1974 a 2014 com a intenção de identificar a relação das mudanças com o processo histórico brasileiro e, ao mesmo tempo, examinar seus reflexos na formação do oficial da Academia. Deste modo, dedicamos o terceiro capítulo da presente tese a um estudo sobre a evolução do currículo do Curso de Formação de Aviadores neste percurso temporal.

CAPÍTULO 3 - AS REFORMAS CURRICULARES DA AFA E A FORMAÇÃO