3.2 La distribution du participe passé
3.2.4 Changements lexicaux
O regime de informação dá ancoragem às novas políticas de informação que se definem como o ambiente no qual o estado exerce seu poder e se autonomiza como estado informacional fortemente sustentado por tecnologias digitais de informação (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2013). O regime de informação do Incaper, um ente estatal e agente ativo junto a Cadeia Produtiva de Café (ES), de forma ampla, representa um tipo de estrutura de informação capaz de criar as condições objetivas sobre as quais as atividades do Estado ocupam lugar e definem seu domínio de intervenção.
No contexto atual se torna importante compreender as politicas de informação como poder porque desde a década de 1990 têm ocorrido mudanças qualitativas quanto ao nível de dependência de tecnologias de informação e no volume de atividades que se configuram como informativas. Segundo Braman (2006) nesse século 21 a inovação no âmbito da política de informação tem transformado na essência a natureza das tecnologias na medida que, também as sociedades têm se apresentado cada vez mais dependentes dessas tecnologias, porém as funções de comunicação têm sido relativizadas quanto ao papel que exercem ou poderia exercer junto às tecnologias. Conteúdos políticos e não políticos podem ser instrumentalizados como meios para o exercício de poder em suas formas simbólicas, estruturais ou instrumentais.
Em meio a relações ambientadas por tecnologias e fluxos predominantes de informação o Estado persiste porque as configurações políticas existentes não foram totalmente substituídas: o Estado continua com forte presença desempenhando seu papel; ainda mantém níveis de poder sobre os processos de tomada de decisão, sejam globais ou locais. Embora considerando que nos processos de governance tal tomada de decisão seja resultante do compartilhamento entre agentes públicos e privados.
Partindo da perspectiva de Braman (2006) foi somente com a transformação do Estado Burocrático para o Estado Informacional que a discussão sobre o tema política de informação pode ser retomado de forma mais completa. O uso de informação como forma ou recurso dominante de governança não é novo, mas na evolução, nas mudanças ocorridas nas ações do Estado, ou nas formas socialmente manifestadas, pode-se depreender que, objetivamente, ocorreram antes mudanças relativas ao controle da criação, processamento,
fluxos e usos de informação para exercitar o poder em seus diversos níveis (BRAMAN, 2006; GLEICK, 2013; LOGAN, 2012). Historicamente falando, já por mais de um século e meio tecnologias vêm sendo substituídas por meta-tecnologias que reorientam as estruturas das organizações até chegar-se ao que se define na atualidade como economia baseada em informação em substituição às clássicas economias industriais e agrícolas. Conforme observado por Logan (2012, p. 98): “[...] existe uma relação íntima entre informação e organização para os sistemas bióticos e para os elementos da cultura humana que, incluem a linguagem, a tecnologia, a ciência, a economia e o governo”.
Os governos contemporâneos usam informação e tecnologias sob novos modos ou novas práticas que também têm reorientado a natureza do poder e de seu exercício através de políticas de informação (BRAMAN, 2006). As tecnologias não são autônomas e o seu agenciamento é dirigido pelo homem que na interação estimula desenvolvimentos diferentes, sob novas ideias em um ambiente dinâmico, em constante revisão: meios e mensagens são constantemente reproblematizados (LOGAN, 2012; BRAMAN, 2006). De forma mais global, muitos problemas ligados à política de informação na atualidade, sintetiza Braman (2006) têm natureza duradoura, são rotulados como questões tradicionais que prosseguem no percurso histórico, como a censura, a privacidade de dados, fóruns públicos presenciais e os fóruns atuais na web. Como também novos problemas ou questões ligadas às políticas de informação emergem por decorrência de novas capacidades tecnológicas absorvidas socialmente. Da mesma forma modificam-se os modos de pensar as políticas de informação. Estruturalmente, os domínios da política de informação incluem (BRAMAN, 2006):
Governo (government) – instituições formais constituídas;
Governança (governance) - tomada de decisão com efeito estruturante no público ou no privado, formal ou informal;
Governamentalidade (governamentality) – predisposições culturais e objetivas que produzem as condições de exercício de formas particulares de governance e de governo.
Estes aspectos permanecem nas distintas formas de um Estado (previdenciário, Estado nação). Essas diferentes formas de Estado ainda mantêm elementos constitutivos, novas formas de governo dão solução de continuidade a processos anteriores, tradicionais. Segundo Koiman (1994), tem ocorrido o deslocamento de muitas questões entre Estado
(governo) e sociedade, tal como indiciado também por Frohmann (1995). Podem ser observados novos padrões de interação, por exemplo, nas áreas de bem-estar, proteção ambiental, educação e planejamento físico.
Estes novos padrões estão orientados à descobertas de possibilidades de governança (co-regulações, co-direções, co-produções, parcerias público-privado em níveis nacional, regional e local). Esses novos padrões apontam primeiro para os limites, já tratados, da capacidade de gestão politico-administrativa do Estado; segundo, para os novos níveis analíticos dessa interação: o governing e a governance. O governing busca formas sociopolíticas de governar a partir de co-arranjos, codireções evitando a dissociação plena entre o público e o privado. A governance procura entender as formas sociais de construção coletiva do processo de tomada de decisão, das práticas de tomada de decisão coletivas (KOIMAN, 1994; CHHOTRAY; STOKER, 2009).
No Estado informacional, proposto por Braman (2006), a política de informação é a chave para compreensão das mudanças ocorridas a partir da análise de como o Estado surgiu. O Estado informacional se distingue das demais formas de Estado por sua ênfase no uso do poder informativo (BRAMAN, 2006), sendo perceptíveis as tendências à emergência de políticas de informação como manifestação de mudança na natureza das práticas de
governance ao longo do tempo. A autora argumenta que a fragilidade que circunda a política
de informação é que ela não propicia uma consciência do que seja informação, ou da informação em todas as suas formas. Braman (2006) justifica o argumento indicando que diferentes definições de informação têm sido apropriadas por diversos grupos: informação como: recurso, mercadoria, como percepção de padrão, como bacia de possibilidades, como agente e como força constitutiva da sociedade. A escolha de tais definições é política. Definir a perspectiva de informação como uma força constitutiva em uma política de informação é uma abordagem desafiadora, pois cobre de forma ampla um número significativo de problemas fundamentais junto aos processos decisórios, engloba preocupações de todas as partes envolvidas e seus respectivos valores, além de revelar os efeitos políticos da informação, e seu processamento, fluxos e uso.
O valor das políticas de informação e do papel do Estado se imprime como reflexo da duplicidade de efeito das tecnologias de informação e comunicação: cada vez mais indispensáveis ao efetivo exercício das funções do Estado e por outro efeito, deixando o Estado mais vulnerável pela emergência de novas situações, modos de interação e
reprodução social que fogem do seu controle pleno, abrindo novas fronteiras digitais mais vulneráveis. Estas novas fronteiras podem ser exemplificadas pela forma como a informação e as TIC têm ocupado praticamente todas as dimensões da vida social assumindo um caráter transversal (econômica, social e cultural) com alta capilaridade e facilidade de imersão, como indica González de Gómez (2012), não mais se restringindo às jurisdições midiáticas (rádio, TV, jornais, bibliotecas) e nem às jurisdições de natureza administrativa (ligadas à gestão).
Nesse ambiente as relações, nos processos econômicos, são mediadas por ações orientadas para a cooperação e coordenação no mesmo nível que aquelas baseadas na competição. Tal ambiente social acolhe disputas pela governança das ações de informação. Um regime de informação seria então, significativo nos estudos orientados às políticas e também aos processos administrativos de informação.
Para melhor compreensão desse predomínio de processos e fluxos de informação caberia perguntar quais seriam os critérios de valor associados à informação e à dimensão
simbólica da cultura no ambiente do Incaper e especificamente sobre o ambiente organizacional orientado à cafeicultura capixaba?. Na caracterização desse ambiente de
informação podemos observar que praticamente toda a atividade principal da equipe orientada à cafeicultura capixaba é desenvolvida a partir da atividade de pesquisa para desenvolvimento de tecnologia e inovação. A pesquisa é um recurso de valor para referendar e dar status às atividades, uma situação já prevista: “A cientificização da agricultura brasileira” (SANTOS; SILVEIRA, 2008, p. 127). A técnica e a tecnologia estão claramente definidas para promover valores do coletivo (cafeicultores do café tipo arábica e do tipo conilon), de uma identidade (agricultura familiar). A comunicação científica dá credibilidade à técnica e à informação produzida: “Um discurso científico para ajudar a transformar os padrões de consumo” (SANTOS; SILVEIRA, 2008, p. 130). Um regime de informação sobre café no Incaper estaria ligado ao modo de produzir tecnologia de informação orientada ao manejo dos principais domínios de referência com os quais têm que se relacionar: política (institucional), administração (metodologia) e economia (tecnologia).
Pelo olhar a partir do território tais escolhas estão orientadas ao que Milton Santos designa como uma constituição do meio técnico-científico-informacional na gestão do território (SANTOS; SILVEIRA, 2008). O que visualizamos na contemporaneidade como um
regime de informação não se constituiu ou evoluiu de forma isolada, mas faz parte de uma evolução global. Sob o enfoque territorial proposto por Milton Santos as feições de um regime de informação expressam a sucessão dos meios geográficos no Brasil: os meios naturais, os meios técnicos e o meio técnico-científico-informacional.
No contexto das cadeias produtivas a relação entre informação e território constitui um ambiente coletivo para troca de informações, de conhecimento e de aprendizado que favorecem as relações de cooperação entre os agentes. Pela perspectiva econômica a correlação de forças entre concorrência-cooperação, na medida desejada de equilíbrio, de articulação coordenada e em níveis de confiança coletivamente orquestrados, propiciam ganhos nos custos das transações (NORTH, 1994). Reconhece-se que a organização das relações entre agentes na cadeia produtiva exige infraestrutura, sistemas de informação e coordenação baseada em informação fluida, rápida e controlada para propiciar ganhos.