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CHALLENGES OF THE COASTAL ZONE: WHY IS COASTAL ZONE

In document Coastal Zone Research (sider 10-17)

“O aprendizado se dá quando compartilhamos experiências e isso só é possível num ambiente democrático, onde não haja barreiras ao intercâmbio de idéias” (J.Dewey)

John Dewey nasceu em 1859, no estado americano de Vermont. Estudou e escreveu sobre Filosofia, Educação, Arte, Religião e Política. Participou de movimentos sociais e defendeu a democracia. Atuou em várias universidades nos Estados Unidos, especialmente em Chicago e Colúmbia, onde foi chefe do departamento de Filosofia. Morreu em 1952.

Dewey foi um filósofo engajado em questões políticas e sociais de seu tempo. Discutiu com vários segmentos da sociedade os problemas contemporâneos à sua época. (Cunha, 2002).

Em Chicago, Dewey conheceu a Hull House, entidade assistencial que inovava ao tratar as famílias carentes, pois estabelecia entre elas uma relação de cooperação mútua. Além disso, a entidade incentivava os jovens de classe média e superior a trabalharem no auxílio às pessoas necessitadas, de modo a diminuir os desequilíbrios sociais.

Esse engajamento com a realidade e com os problemas políticos e sociais de seu tempo contribuiu para a construção do pensamento filosófico de Dewey e repercutiu em suas propostas para a educação.

No Brasil existem registros de influência de John Dewey no pensamento de educadores do período de 1927 a 1935. (Barbosa, 2002)

Penaforte observa que os fundamentos do pensamento filosófico educacional de Dewey se apresentam em três conceitos essenciais:

“1) Educação como construção da experiência, implicando a idéia de um contínuo reconstruir e organizar da interação do homem com o cosmos, com o sentido de aumentar a riqueza e o conteúdo social da existência; 2)Educação como crescimento, em que os seus fins, identificando-se com os fins da própria vida, definem-se como crescimento e desenvolvimento continuados; 3) Educação e motivação, em que a força motriz da aprendizagem se configura como uma manifestação de auto-expressão do self.” (Penaforte, 2001,p.58)”.

A experiência é elemento preponderante na filosofia educacional de Dewey. Ele acredita que cada experiência vivida modifica o sujeito da ação, tornando-o diferente para responder a experiências futuras porque dotado de novas atitudes emocionais e intelectuais. Além disso, Dewey destaca que a experiência não ocorre unicamente na esfera da subjetividade do sujeito, mas em um mundo de pessoas que possuem a cultura acumulada da espécie. A aprendizagem adquire significância quando a experiência se desenvolve no tecido social, envolvida pelas condições sociais, econômicas e históricas de uma dada comunidade.

Para Dewey, a educação como crescimento denota que ela não está subordinada a nenhum outro elemento que não seja ainda mais educação. Em outras palavras, educação “é um processo de contínua reorganização, reconstrução e transformação” (Penaforte, 2002, p.69). Assim, a interação social é fundamental porque segundo Dewey, existe uma interdependência entre os semelhantes que compartilham a vida e que, em tal situação, aprendem com as experiências uns dos outros.

É possível perceber que educação e motivação para Dewey se apresentam como pressupostos indissociáveis, porque o interesse para aprender ocorre quando o sujeito identifica um significado de apropriação pessoal com o fato a ser aprendido. Ele elabora um fluxo contínuo de aprendizagem, a partir de sua necessidade pessoal de construir conhecimento sobre a realidade em que vive. Não

é o elemento externo que motiva a aprendizagem, mas um impulso interno que faz com que o homem busque significados para o mundo em que vive, procurando entender não apenas os fins mas os meios de organização e reorganização da experiência vivenciada.

A experiência reflexiva, conforme Dewey, é a razão de ser de todo o processo de aprendizagem. Ela ocorre em cinco fases, que podem ser resumidas como perplexidade diante da situação problema, de antecipação da hipótese de solução, de exploração dos aspectos relevantes do problema, de reelaboração das hipóteses inicial e, finalmente, de uma ação que sirva para aplicar as hipóteses escolhidas e verificar os resultados.

Na experiência de aplicação da aprendizagem baseada em problemas em grupos de alunos de graduação, envolvidos com problemas sobre relações de consumo, experiência tratada no último capítulo, foi possível identificar claramente esses cinco momentos.

Convidados a analisar um problema sobre relações de consumo, os alunos apresentavam, primeiramente, uma atitude de perplexidade com a situação real narrada. Procuravam entender o motivo de ter ocorrido daquela forma e a seguir levantavam hipóteses para explica-la. Na elaboração de hipóteses, voltavam ao problema inúmeras vezes, em um contínuo ir e vir, a fim de buscar informações que houvessem passado desapercebidas, mas importantes à elucidação. Por fim, no trabalho de pesquisa individual, sistematização de dados obtidos na pesquisa e discussão em grupo desses dados, os alunos fundamentavam as hipóteses iniciais ou elegiam outras, objetivando explicar os aspectos do problema.

Nesse contínuo de construção de conhecimento utilizando as fases identificadas por Dewey em sua reflexão, foi possível perceber que os alunos, após

a solução de um problema, haviam reelaborado sua percepção da realidade e muitas vezes modificado sua forma de agir na relação pessoal de consumo, motivando outras pessoas de seu relacionamento social a atuarem de igual maneira.

Essas ações dos alunos que vivenciaram a experiência da aprendizagem baseada em problemas vem ao encontro da afirmação de Dewey:

“A experiência ocorre continuamente, porque a interação da criatura viva com as condições que a rodeiam está implicada no próprio processo da vida. Sob condições de resistência e conflitos, aspectos e elementos do eu e do mundo implicados nessa interação qualificam a experiência com emoções e idéias, de maneira tal que emerge a intenção consciente.” (Dewey, 1974, p.247)

A intenção consciente é fundamental na relação ensino-aprendizagem cujo foco central é o aluno. A aprendizagem baseada em problemas permite que o aluno vivencie situações-problema que deverão ser solucionadas e que contemplam, em sua essência, situações semelhantes àquelas vividas no cotidiano. A pesquisa individual e em grupo na busca de solução do problema propicia um duplo movimento: a identificação de elementos a fim de soluciona-lo e a identificação de situações reais análogas às do problema e que devem igualmente ser resolvidas.

Nessa proximidade do processo ensino-aprendizagem com a realidade reside um dos fatores que torna a aprendizagem baseada em problemas uma experiência significativa para os alunos.

Dewey não é a única influência da construção filosófica do paradigma da aprendizagem baseada em problemas. O construtivismo também contribuiu para o paradigma. Mas as idéias do filósofo norte-americano são sempre revisitadas por todos os que estudam o paradigma.

3.4 O PROBLEMA COMO ELEMENTO FUNDAMENTAL DA

In document Coastal Zone Research (sider 10-17)