TRABALHO PROJECT SHOP (PS) MATERIAS, HOMENS E MÁQUINAS SÃO LEVADOS AOLOCAL DE MONTAGEM. FLOW SHOP (FS) HOMENS E MÁQUINAS SÃO AGRUPADOS EM CENTROS DE
TRABALHO.
MATERIAIS FLUEM ATRAVÉS DOS CENTROSDE TRABALHO
COM UM ROTEIRO FIXO
JOB SHOP (JS) HOMENS E MÁQUINAS SÃO AGRUPADOS EM CENTROS DE
TRABALHO.
MATERIAIS FLUEM ATRAVÉS DOS CENTROS COM UM ROTEIRO
5.3.1.4 Exigências físicas combinadas
As exigências físicas das matérias-primas, produtos desejados e operações necessárias, aliam-se aos princípios de menor percurso percorrido pelos materiais durante e entre as operações, menor gasto de energia, menor tempo de execução e assim por diante, tanto na seleção dos equipamentos quanto em sua disposição, caracterizando dessa forma o fluxo dos materiais nos empreendimentos.
Assim, pode-se inferir que matérias-primas contínuas induzem a adoção de fluxos lineares e contínuos. Matérias-primas discretas e perecíveis induzem a adoção de fluxo linear em massa com linhas dedicadas ou produção de lotes em linhas bloqueadas. Matérias-primas discretas não perecíveis permitem a fabricação em sistemas de produção em lote com fluxo do tipo job shop ou em massa com fluxo preferencialmente do tipo flow shop. Essas opções por sua vez estão associadas ao volume de produção e ao nível de repetitividade.
Nos casos em que os produtos são obtidos pela desagregação de componentes das matérias-primas, a eventual dispersão das propriedades destas induz a adoção da produção em lotes. A condição de lote é criada, restringindo-se a dispersão das propriedades das matérias-primas por limites dos tipos: inferior, superior ou ambos; criando-se então, faixas de aceite e aplicação pré-definidas. Um exemplo característico é a composição de lotes de abate bovino em que são ou podem ser considerados a raça, a origem, a idade dos animais, o peso e as condições gerais de sanidade, visando à obtenção de alguma homogeneidade nos produtos resultantes. A transformação de uma única matéria-prima, no caso de contínuas ou perecíveis, reforça a noção de alta repetitividade em flow shop, indicando preferencialmente a fabricação de produtos padronizados. As condições físicas delimitam as opções de fluxo, mas a definição deve também atender a parâmetros de mercado, traduzidos na estratégia industrial.
5.3.2 Segunda dimensão horizontal: estratégia
De acordo com Hayes & Whelwright (1984), são identificáveis quatro “atitudes” (sic) que formam a estratégia corporativa de um empreendimento. Ainda segundo esses autores, a atitude relativa à prioridade competitiva deve manter estreita relação com as exigências físicas do empreendimento. Eles destacam também que “dentro da maioria
das indústrias, diferentes companhias enfatizam uma dessas cinco dimensões competitivas: preço, qualidade, fidelidade, flexibilidade de produto e flexibilidade de volume. É tanto difícil quanto potencialmente perigoso para uma companhia tentar competir oferecendo desempenho superior em várias dimensões competitivas. Ao contrário, uma companhia deve atacar prioridades definidas que descrevem como ela escolheu posicionar-se relativamente a seus competidores”. Essas dimensões exigem, sistematicamente, barganhas que, se não forem feitas de modo consistente, implicarão lentamente na perda da distinção competitiva (Olhager & Östlund, 1990). Essas atitudes e suas possíveis escolhas estratégicas são apresentadas no Quadro 5.3.
Algumas dessas dimensões têm impacto direto na organização física e administrativa dos empreendimentos.
Quadro 5.3 Atitudes corporativas que implicam preferências estratégicas
Orientação dominante: - Mercado; - Produto ou material; - Tecnologia. Padrão de diversificação: - Produto;
- Mercado (geográfico ou grupo de consumidores); - Processo (integração vertical);
- Horizontal não relacionado (conglomerado).
Atitude corporativa diante do crescimento:
- Crescimento visado explicitamente;
- Crescimento visto como um co-produto do sucesso administrativo do núcleo do negócio.
Prioridade competitiva: - Preço; - Qualidade; - Credibilidade; - Flexibilidade de produto; - Flexibilidade de volume.
Fonte: Hayes & Whelwright (1984).
Além da priorização de uma dimensão competitiva, os autores sustentam que deve haver uma estreita correlação entre essa escolha e as decisões estruturais que envolvem:
• a capacidade logística;
• as unidades operacionais, tamanho, forma localização e especialização; • os equipamentos e a tecnologia;
No que diz respeito à sua administração, a priorização competitiva tem estreita correlação com:
• políticas que controlam o carregamento da fábrica ou fábricas – compra de materiais, manutenção de estoques e políticas logísticas;
• políticas que controlam o movimento de bens através da fábrica – projeto do processo, políticas de mão-de-obra e práticas operacionais, programação da produção e controle de qualidade;
• projeto organizacional da fabricação que coordena e dirige todos os itens anteriores.
Assim, observa-se que a escolha de uma prioridade competitiva é um elemento não só não negligenciável, como extremamente relevante na caracterização de um empreendimento.
Admite-se que a opção por uma das prioridades ocorra explícita ou implicitamente no conjunto de decisões e procedimentos adotados. A prioridade competitiva denominada “credibilidade” implica em procedimentos e controles mais rigorosos e bons suportes de serviços aos clientes, não determinando para tanto uma estruturação interna específica da empresa, ao menos diretamente. Assim, para efeito de classificação, essa prioridade pode ser conjugada à dimensão qualidade diferencial. Têm-se então as quatro seguintes alternativas de prioridade, com suas respectivas opções e implicações:
(1) Preço:
i - produtos com altas margens de lucro e pequenas quantidades, o que implica a produção em lotes ou unitária;
ii - produtos com baixas margens de lucro e grandes volumes, o que implica a produção contínua ou em massa;
(2) Qualidade:
i - alta qualidade em produtos padronizados e portanto produção contínua
ou em massa;
ii - qualidade diferencial, com produtos que oferecem semi-personalização (combinação inédita e pouco repetitiva de elementos padronizados, ou ainda produto parcialmente inédito) ou personalização (integralmente
inédito), o que implica em todos os casos, na produção em lotes ou unitária;
(3) Flexibilidade de produto: produtos não padronizados e introdução de novos produtos o que implica produção em lote ou unitária;
(4) Flexibilidade de volume: acelerando ou desacelerando a produção com produtos que oferecem padronização ou semipersonalização; essas possibilidades implicam produção em lote ou unitária.
5.3.2.1 Determinação do nível de repetitividade do sistema produtivo
Do cruzamento da classe de processo industrial com as exigências físicas e dimensão competitiva, especificadas para um dado processo, determina-se seu nível de repetitividade. Do qual deve decorrer a estruturação de um sistema de informações adequado.
De acordo com Safizadeh et al. (1996), “a escolha do processo é altamente
relacionada com o grau de personalização do produto”, razão pela qual se associa também a característica de personalização ao nível de repetitividade.
Assim, a repetitividade pode assumir características de:
(1) - um sistema contínuo (C): assume-se que um sistema de produção é denominado contínuo quando a(s) matéria(s) prima(s) é (são) contínua(s) ou definida(s) como tal e sofre(m) uma seqüência ininterrupta de ações de fabricação; o fluxo de materiais é linear e os produtos são padronizados; constitui um dos possíveis tipos de sistema de produção de alta repetitividade.
(2) - um sistema de produção em massa (M): assume-se que um sistema de produção é denominado em massa quando a(s) matéria(s) prima(s) é (são) discreta(s) e sofre(m) uma seqüência de ações encadeadas por sistemas de transporte específicos entre os postos de trabalho; nesse sistema, uma quantidade significativa de cada produto ocupa por longos períodos o tempo disponível dos postos de trabalho atuando em sua obtenção; o fluxo de materiais é linear e os produtos são padronizados; também constitui um dos possíveis tipos de sistema de alta repetitividade;