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De acordo com Gousty & Kieffer (1988), a cadeia de transformação pode ser subdividida em extração, primeira transformação, segunda transformação e montagem ou composição. A percepção desse desdobramento é também considerada em Lambert (2001) e Scarpelli (2001). Assim, a Figura 5.1 apresenta uma estrutura simplificada, sugerindo os agrupamentos de atividades característicos de uma cadeia de produção industrial que incorporam os progressivos desdobramentos, de forma mais generalista, apenas com o nome de processo.

Figura 5.1 Operações típicas que constituem as atividades dentro das empresas

Fonte: Elaborada pelo autor.

As setas, na Figura 5.1, indicam as possibilidades mais usuais de encadeamento. As atividades extrativistas, de produtores rurais e de indústrias de reciclagem, denominadas de primeiro processo, executam as operações responsáveis pela obtenção ou geração das matérias-primas.

As atividades de segundo processo executam as operações de refino de matérias- primas minerais, seleção de vegetais, abate e fracionamento de animais e/ou moagem de matérias-primas vegetais e minerais.

As atividades de terceiro processo executam as operações de mistura ou

1° processo 2° processo 3° processo 4° processo

Operações de Refinamento de qualidade e definição de funções Operações de agregação de funções Operações de preparação da matéria-prima Montagem, Composição Usinagem, Extrusão, Separação, Mistura, Conformação, Cristalização ou Acabamento, Inclusão, Acentuação, Exclusão ou Redução de propriedades físico-químicas. Refino, Seleção, fracionamento, Moagem, Fusão, Abate. Extração, Cultivo, Criação. Operações de obtenção da matéria- prima

blendagem de componentes, formatação básica de produtos sólidos e a acentuação, atenuação ou eliminação de propriedades químicas e físicas das matérias-primas para a obtenção de funções com valor.

As atividades de quarto processo executam as operações de montagem ou agregação de funções.

De acordo com a estrutura de análise proposta, uma empresa pode centrar sua atuação em:

(a) parte de um processo; (b) um processo completo; (c) parte de dois processos ou;

(d) dois ou mais processos, como indica a Figura 5.2.

Figura 5.2 Atividades possíveis de serem executadas nas empresas

Fonte: Elaborada pelo autor.

Em uma mesma empresa podem coexistir processos, dedicados a produtos com diferentes bases tecnológicas, que são executados em paralelo.

Embora a estratégia de segmentação e focalização tenha se acentuado na última década, significativo número de empreendimentos ainda atua englobando, parcial ou integralmente, o (1° e 2°) processo, o (1°, 2° e 3°), o (2° e 3°), o (2°, 3° e 4°), ou o (3° e 4°) processo, mantendo algum tipo de verticalização, conforme apresentado na Figura 5.2.

Considerando as crescentes exigências competitivas por qualidade, custo e

1a. transformação 2a. transformação

(a) (b) (c) (d) 4° processo Montagem e composição 3° processo Preparação de componentes 2° processo Preparação da matéria-prima 1° processo Extração, cultivo, criação.

prazo, tende a ser cada vez menor o número de empreendimentos compreendendo toda a cadeia industrial. Considerando, outrossim, as dificuldades impostas por terceirizações parciais, empreendimentos executando processos salteados também tendem a serem raros embora não impossíveis.

Para simplificar a compreensão dessa divisão considerando uma terminologia já estabelecida e as formas de verticalização mais usuais, os empreendimentos que executam etapas dentro do segundo processo serão designados como de primeira transformação. Os empreendimentos que executam etapas dentro do terceiro e quarto processos serão então designados como de segunda transformação.

Dado que diferentes empresas podem ocupar diferentes espaços do processo industrial de uma cadeia, admite-se que para classificar os empreendimentos e, assim, formular uma análise adequada deve-se primeiramente identificar como se compõe o processo, ou processos, da empresa que se deseja classificar. Em seguida, promove-se a análise individual de cada um deles, se houver mais de um.

Esse primeiro recorte mostra-se necessário, porque cada um dos processos encontrados em uma empresa impõe restrições próprias desse estágio de produção, tais como estrutura e diversidade de produtos e operações, impactos da demanda de produtos e da oferta de matéria-prima no processo da empresa e assim por diante.

Cada um dos subsistemas assim identificados atua como uma empresa individual com requisitos físicos e de administração próprios. Esses subsistemas de produção são integrados no sistema de informações por conjuntos de dados identificadores de: ordem de produção; destino dos produtos; prazo; origem e tipo das matérias-primas; quantidade; operações de obtenção e condições; datas de cada atividade; de conclusão e de aplicação ou entrega; estrutura do produto e especificações de projeto; etc.

Assim, para exemplificar, uma indústria de caixas de papelão pode ocupar o espaço da primeira transformação, na elaboração do papelão, e um espaço de segunda transformação na elaboração das caixas. De modo análogo, uma indústria de redutores que tenha uma área de fundição, uma área de usinagem e uma área de montagem, também ocupa espaços da primeira e segunda transformação. É necessário proceder ao recorte vertical, em ambos os casos, identificando cada etapa do processo industrial, para se formular a classificação. Esse recorte pode ser denominado identificação das “unidades de processo”.

A partir dos trabalhos pesquisados, verificou-se a necessidade de proceder-se à caracterização dos empreendimentos também a partir de três outras dimensões, que serão aqui denominados recortes horizontais.

A primeira dimensão diz respeito às exigências físicas das matérias-primas e produtos que, em cada etapa do processo industrial, impõem restrições diferentes ao conjunto de alternativas tecnológicas possíveis e delimita um subconjunto delas. De acordo com Hayes & Schmenner (1978), isso corresponde ao grau ou modo de especialização do empreendimento, que é identificado por esses autores como decisões de instalação.

A segunda dimensão para análise diz respeito à opção estratégica adotada pelo empreendimento. Assume-se que para cada diferente opção exista uma alternativa de tecnologia de produção mais adequada. A escolha da estratégia tem estreito relacionamento com o grau de padronização ou intervenção do usuário no projeto do produto, no nível de repetitividade de fabricação de cada item e na velocidade de resposta do empreendimento, o que, por sua vez, tem também estreita relação com o tipo de fluxo dos materiais em produção.

A terceira dimensão para análise, diz respeito aos elementos que determinam a organização das funções e o sistema de informações necessário para operar a opção estratégica do empreendimento. Essa dimensão está associada com a parcela do sistema de controle que define a forma com que atuam os subsistemas de emissão e liberação de ordens de fabricação, bem como a existência ou não de estoques e seu modo de controle (ex. produção para estoque ou produção sob pedido dos clientes).