1 Introduction
3.2 Comparison of plant health
3.2.4 Plant diseases
3.2.4.1 Cereal diseases
Fonte: Acervo do arquivo do antigo Colégio Estadual de Campina Grande
Com base em Kossoy (2001), é sabido que a fotografia é resultado ou do desejo de um fotógrafo ou de uma incumbência dirigida a ele para retratar determinado personagem, documentar dado acontecimento ou “qualquer um dos infinitos assuntos que por uma razão ou outra demandaram sua atuação” (KOSSOY, 2001, p.48). Não há nenhuma dúvida que a fotografia acima foi disposta para retratar os principais participantes por ocasião do término do I Congresso dos Professores Secundários do Nordeste. As autoridades, como o governador que se encontra no centro da imagem usando óculos, aparecem bem vestidas em posição de preparação para o registro
fotográfico, focadas em uma única direção, a máquina fotográfica. Consideramos que essa imagem tratou-se de uma solicitação do governo para deixar registrado na história paraibana os grandes participantes do conclave de expressão social no Estado.
O outro acontecimento associado à solenidade de instauração do Gigantão da Prata foi a comemoração do segundo aniversário do governo de José Américo na Paraíba. Como frisamos acima, comumente os políticos aproveitam para inaugurar obras públicas em datas oportunas, como em aniversário de governo, objetivando passar a velha imagem de benfeitores do povo. Isso se acentuou no caso de José Américo em Campina Grande inaugurando o Colégio Estadual no seu segundo aniversário de governo, haja vista que esse governador estava sendo acusado, principalmente pela bancada oposicionista, de realizar investimentos apenas na capital paraibana, deixando até então o interior do Estado desprovido de ações. O trecho que apresentamos é retirado de um jornal que fazia oposição ao governo, retratando um pouco do que ressaltamos:
Não negamos que S. Excia. muito tem feito no setor da instrução. Não negamos que S. Excia. tudo tem feito como fim de embelezar a capital do Estado e isso numa amplitude tamanha que toda a verba disponível do erário público tem sido aplicada com larguesa na cidade de João Pessoa enquanto o resto do Estado vive num santo abandono. A capital do Estado é a menina dos olhos de S. Excia. [...] Campina Grande contribuiu com cerca de 152 milhões de cruzeiros para os cofres do Estado. E que recebeu em troca? Quase nada. O governador apenas terminou a construção do Colégio Estadual, iniciada na administração do dr. Osvaldo Trigueiro. (JORNAL DE CAMPINA, 08/02/1953, p. 03)
Portanto, não é no intuito de desconsiderar a iniciativa do governo em concluir as obras do colégio, mas é oportuno salientar que a inauguração do Gigantão da Prata serviu à administração estadual para minimizar as promessas que foram feitas na ocasião da candidatura para governador e ainda não cumpridas até o momento. Em outros termos, serviu para ajudar na constituição de outra visão sobre o governo, pelo menos na cidade de Campina Grande. Visão essa que especifica a necessidade “de fazer ver e fazer crer” (BOURDIEU, 2010, p. 14) em uma boa imagem do governo frente à população que se demonstrava insatisfeita.
Sobre a solenidade de inauguração do Gigantão da Prata é válido iniciar destacando a reverberação desse feito na cidade de Campina Grande e no Estado da Paraíba, já que se tratou de um acontecimento grandioso que principiou no interior da
Paraíba o funcionamento de uma instituição pública de ensino secundário, sendo para o momento “considerado um dos maiores estabelecimentos de ensino secundário do norte do país, com a capacidade para cerca de dois mil alunos” (Jornal A UNIÃO, 24/03/1953, p. 03).
Durante a solenidade de inauguração, não diferentemente do que se vem sendo registrado nos estudos que tematizam a inauguração de instituições escolares, principalmente grupos escolares, escolas normais e colégios (SOUZA, 1998; PINHEIRO, 2002; SILVA, 2009; LIMA, 2010), a população acompanhou todo um ritual, no qual se inclui o simbólico corte da fita pelo então governador, a benção do prédio, mediante missa celebrada e os discursos de autoridades públicas.
A repercussão desse evento tomou grande dimensão nos meios de comunicação escritos da época. Um exemplo dessa ampla divulgação é percebido no jornal oficial do governo, A União, que dedicou várias matérias antes da data da inauguração e quase toda uma página no dia do conclave, realizando a cobertura do acontecimento considerado de suma relevância para a formação da juventude paraibana.
É oportuno salientar que esse evento foi a primeira festividade dessa instituição de ensino, discussão a qual vamos nos debruçar mais a frente. Antecipamos que, ao se mencionar as festividades em âmbito escolar é fundamental considerá-las como:
[...] momentos especiais na vida da escola pelos quais ela ganhava ainda maior visibilidade social e reforçava sentidos culturais compartilhados. [Elas] podem ser [vistas] como práticas simbólicas que, no universo escolar, tornaram-se uma expressão do imaginário sociopolítico [...]. (SOUZA, 1998, p. 241)
Foi possivelmente focando essa visibilidade social destacada pela autora anteriormente citada que aos 31 de janeiro de 1953 se realizou a festividade de inauguraçãodo Colégio Estadual de Campina Grande. “O ato contou com a presença do senhor Governador do Estado e de várias autoridades civis, militares e eclesiásticas” (SILVA FILHO, 2005, p. 200-201). Ademais de um grande público que prestigiava o I Congresso de Professores Secundários do Nordeste.
Sobre os convidados para esse conclave, o trecho a seguir retirado da matéria A inauguração do Colégio Estadual de Campina Grande, especifica mais detalhadamente que:
[...] estará presente o Chefe do Executivo, o Secretariado, pessoas da maior projeção dos quadros culturais e do magistério paraibano, além de convidados e pessoal da imprensa, devendo o acontecimento marcar época na história da evolução educacional deste Estado. (JORNAL A UNIÃO, 24/01/1953, p. 03).
É possível perceber a importância que se deu a esse fato para a história da educação do jovem paraibano, quando se ressaltou esse acontecimento como um elemento de evolução educacional na localidade. Essa imagem foi recorrentemente divulgada nos jornais como podemos observar nesses outros fragmentos: “O Colégio Estadual de Campina Grande é uma realização de vulto, merecendo a estima de quantos se interessam pelo bem estar da nossa mocidade estudiosa” (JORNAL DE CAMPINA, 25/01/1953, p.02); “Acontecimento da maior importância para a vida cultural de Campina Grande ocorrerá amanhã, quando será inaugurado o Colégio Estadual” (Jornal A UNIÃO, 30/01/1953, p. 03). Nesse sentido, pelo menos nos jornais da época que tivemos acesso essa figuração foi consenso.
A realização da solenidade foi iniciada com o simbólico corte da fita pelo então governador, como se registrou na seguinte fotografia, na qual José Américo esteve ao lado do então deputado Elpídio de Almeida, do escritor Nilo Pereira e de outras autoridades.
Foto 11 - Simbólico corte da fita pelo governador José Américo na solenidade de