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1 Introduction

3.2 Comparison of plant health

3.2.5 Weeds and their control in organic and conventional farming

3.2.5.2 Cereals

Fonte: Acervo da Fundação Casa José Américo

Nesse telegrama a solicitação é bastante apelativa. Ao passo que se nomeasse seu irmão, Luiz Pereira Dinis, que não se adequava inteiramente aos critérios de contratação docente do momento, o requerente resolveria a pendência junto ao Ministério da Educação, regularizando o registro do professor Luiz Pereira. Analisando a relação de docentes que compuseram o quadro de professores no período de 1953-

1962, não encontramos o nome de Luiz Pereira Dinis, o que indica que nem toda solicitação era acatada pelo governador.

É relevante destacar que a realidade concernente a esse processo de nomeação de docentes observada no caso do Gigantão da Prata no referido período, não se trata de um caso isolado na história da educação brasileira. Dallabrida (2014), em estudo sobre a formação e perfil sociológico do quadro docente de uma escola secundária da região sul do Brasil, destacou a insuficiência de professores formados em nível superior em cursos de Licenciatura, nas décadas de 1940 a 1950 no país. De acordo com este autor, essa insuficiência de professores formados e com perfil adequado para constituir o corpo docente, nesse nível de ensino, gerou a criação, por parte do Governo Federal, do que foi denominado por Abreu (1955) de “Um magistério de emergência”, que se refere ao exame de suficiência. Esse exame, instituído “pelo Decreto-Lei 8.777, de 22 de janeiro de 1946, tornava aptos os professores secundaristas a lecionar onde não houvesse docentes devidamente formados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras” (DALLABRIDA, 2014, p.112).

Corroborando as ponderações anteriores, Abreu (1955) discutindo a educação secundária no Brasil ressaltou o seguinte sobre o professorado desse nível de ensino:

O ponto mais fraco da escola secundária brasileira está no seu professorado. Pelo súbito incremento do aparelho, tornou-se necessário organizar um magistério de emergência, aliciado nas sobras, lazeres e desempregos de outras profissões, ou entre outros candidatos sem profissão nenhuma. “Alguns desses elementos improvisados foram sem dúvida, verdadeiras revelações, fizeram-se professores secundários de primeira ordem; mas a maioria se ressente, a olhos vistos, da formação inadequada” (Relatório geral da comissão elaboradora do Ante-projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ). (ABREU, 1955, p. 72, citação no original)

Portanto, era nessa direção que se dava a constituição do quadro docente do ensino secundário em âmbito nacional no período em foco. Exemplificando essa realidade, ressaltamos que muitos dos professores admitidos para o Gigantão da Prata não possuíam a formação apropriada para assumir tal função, uma vez que foram contratadas pessoas ligadas à vida política, vinculados à área de direito, imprensa, intelectuais e religiosos. Considerando essa discussão, observemos a relação dos professores admitidos nos anos que focamos da história desse colégio:

QUADRO XI

Relação dos professores do Gigantão da Prata (1953-1962)

Identificação Disciplina que lecionou Ano que assumiu

Amaury Araújo de Vasconcelos História 1961

Anésio Leão Português 1955

Antônio Correia Lima História 1961 Antônio de Oliveira B. Cavalcante - 1953

Antônio Galdino - 1961

Demétrio Almeida Física 1960

Dilermano Albuquerque Almeida Geografia 1961 Djalma Andrade Albuquerque Trabalhos Manuais 1961

Djalma Barbosa Geografia 1958

Edorice Dias Pereira - 1961

Elizabeth Figueiredo Agra Português 1961 Emídio Viana Correia (padre) Latim/Português 1953 Eraldo Alves Lopes Ferreira Inglês 1953

Fernando Silveira História 1959

Francisca Bezerra Glilo - 1960

Francisco Aldo Silva - 1959

Francisco Xavier Sobrinho Matemática 1953

François Dedieu Francês 1953

Frederico Schaclar (Padre) - 1953

Gil Teixeira Filho Química/Geografia 1961

Giusepp Gioia Matemática 1953

Haenel de Carvalho Ferreira Inglês 1954 Hortensio de Souza Ribeiro História 1953 Iara Maria da Silva Moral e Cívica 1960 Idalina Soares Farias Português 1960 Ivan Gonçalves Vieira Matemática 1961 João Ferreira da Silva Matemática 1958

João Viana Corrêa Português 1953

Jose Elias Barbosa Borges - 1961

José Ewerton Nóbrega de Araújo Química 1960

José Garibaldi Latim 1961

Jose Maria Frota Matemática 1957

José Paulino Costa Filho Geografia 1953 Jose Roberto Leite Matemática 1961 Jose Rodrigues de Sousa Inglês 1961 Josefa Doziart Quirino Barbosa Português 1953

Josué Rodrigues de Sousa - 1953

Lélio Jofily Pereira Costa Química 1961 Leticio Azevedo Costa (padre) Moral e Cívica 1962 Lilete Pereira de Sá Barreto Francês 1962

Lindalvo V. Farias Física 1955

Manoel Taigy Melo Filho Geografia 1953 Maria do Céu Carvalho Espanhol 1961

Maria Luiza Ferreira Inglês 1961

Maria Nazaré Medeiros de Oliveira - 1953

Max Hans Kal Liebig Desenho 1953

Moises Martiniano de Araújo Educação Física 1953 Normando Alves Feitosa História 1953 Otília Sampaio Xavier Português 1960

Pablo Laslo Inglês 1953

Raimundo Gadelha Fontes Canto Orfeônico 1953

Raimundo Suassuna História 1953

Raul Córdula Latim 1953

Reiner Hachenburg (frei Jorge) Latim 1960 Romero de Castro Paula (sargento Paulo) Educação Física 1953 Ruth Trindade de Almeida Geografia 1961

Sinval Costa Matemática 1961

Teresa Soares da Silva Inglês 1961 Theonis Sabino de Andrade Inglês 1954 Wanda Elizabeth Ferreira de Azevedo Geografia 1953

William Ramos Tejo Desenho 1953

Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados apresentados no site do Colégio Estadual da Prata e nos jornais: Jornal de Campina e A União.

Não é nosso objetivo, pelo menos nesse estudo, adentrar na história de vida desses professores. Porém, vale chamar a atenção para a admissão de sujeitos como os padres e representantes religiosos, a saber: Padres Emídio Viana Correia, Frederico Schaclar, Leticio Azevedo Costa e Frei Reiner Hachenburg, bem como, o sargento

Romero de Castro Paula, além de outros que integraram essa relação de docentes que desempenharam outras funções ou tinham outras profissões. É importante destacar que alguns dos professores citados apenas se fizeram docentes desse nível de ensino após assumir esse cargo no referido colégio, realizando os cursos de suficiência.

Em contrapartida, alguns daqueles professores, apresentados no quadro, eram possuidores de uma vasta experiência a exemplo dos professores Pablo Laslo e François Dedieu, que respectivamente lecionaram Inglês e Francês. Pablo Laslo, conforme matéria publicada no Jornal de Campina, assim era apresentado:

O Snr. Laslo que conhece muitos países, ensinou inglês em algumas escolas da China e Japão, ensinou também, nas Ilhas Filipinas, Uruguai, Paraguai, diversos países da Europa assim como no Instituto de Letras Inglesas, em São Paulo [...] é autor de vários livros, destacando-se uma Antologia de Poetas Filipinos, em três idiomas e ainda uma outra Antologia Poética Universal em castelhano, com traduções de poetas de 25 países. (JORNAL DE CAMPINA, 08/03/1953, p. 02)

Assim como na Cátedra de Língua Inglesa, na de Língua Francesa se buscou contratar um professor de apreciável experiência, o professor François Dedieu, considerado:

Ilustre mestre francês, que é também figura de destaque nos meios universitários europeus, conta com larga folha de serviços no magistério, tendo ensinado vários anos na França e na Tchecoslováquia, representando a sua presença entre nós a ação de um valor com todas as habilitações recomendadas para o importante cargo. (JORNAL A UNIÃO, 13/06/1953, p.03)

Vale ressaltar ainda acerca dos docentes do Gigantão da Prata o que também observamos no corpo discente do colégio, a origem familiar de sobrenomes de tradição na elite paraibana.

Fechando a discussão deste item, é importante também destacar que muitos dos professores do Gigantão da Prata foram os envolvidos com o processo de fundação e ensino da Escola Politécnica de Campina Grande como também nas implantadas faculdades da cidade. A título de informação citamos alguns, na Escola Politécnica da Paraíba: Giuseppe Gioia (trabalhou com Geometria analítica); Max Hans Kal Liebig (Trabalhou com Física). Já na Faculdade Católica de Filosofia de Campina Grande,

lecionaram: Maria do Céu Carvalho (Espanhol); Frederico Schaclar (Alemão); François Dedieu (Francês), reflexão oportuna para próximos estudos. Essa observação reforça o caráter intelectual e as representações de autoridade e prestígio social do professorado do Gigantão da Prata.

5.2 – Aspectos do cotidiano escolar

No âmbito dos estudos em História da Educação tem sido dada ênfase aos aspectos do cotidiano das escolas, ou seja, às particularidades e singularidades da dinâmica interna de funcionamento das instituições de ensino, isto é, a cultura escolar. Ao se considerar essa categoria de análise o pesquisador está partindo do entendimento de que a escola é criadora de uma cultura própria, cuja formação encontra-se em constante processo.

Das várias considerações teóricas relativas à cultura escolar focalizamos na conceituação apresentada por Julia (2001), que enfatiza o conjunto de normas e práticas na dinâmica interna das instituições de ensino, conceito já refletido no primeiro capítulo dessa tese.

Nesta perspectiva, o alerta de Vidal (2005b) foi bastante norteador, haja vista que, conforme esta autora, trabalhar com a categoria analítica da cultura escolar implica enveredar pela discussão da dinâmica interna do funcionamento escolar. Sendo assim, buscamos trabalhar nesse item com aspectos da organização das disciplinas escolares e de algumas práticas escolares do Gigantão da Prata, especificamente, as festas escolares.

5.2.1- Das disciplinas escolares no colégio

Partimos, primeiramente, da noção de disciplina escolar. As ponderações de Chervel (1990) foram pertinentes, embora não sendo nosso objetivo nos debruçarmos sobre a história das disciplinas escolares. Para esse estudioso francês, a disciplina escolar é historicamente criada “pela própria escola, na escola e para a escola” (CHERVEL, 1990, p.181). Sendo, portanto, a instituição de ensino, na ótica do autor, lugar de produção de um saber particular.

Nas palavras de Bittencourt (2009, p.38) ao discutir essa noção, “as disciplinas escolares formam-se no interior dessa cultura [escolar], tendo objetivos próprios e

muitas vezes irredutíveis aos das ‘ciências de referência’, termo que Chervel emprega em lugar de conhecimento científico”. Portanto, em conformidade com a autora citada, a disciplina escolar é defendida por Chervel como “entidade epistemológica relativamente autônoma” (BITTENCOURT, 2009, p.38).

Partindo do exposto, vale iniciar com vestígios da dinâmica de funcionamento do Gigantão da Prata. É sabido que enquanto colégio, este estabelecimento de ensino era composto de três cursos: o Ginásio (quatro séries), o Científico (três séries) e o Clássico (três séries), conforme determinação do decreto-lei nº. 4.244 de 9 de abril de 1942, também denominada Lei Orgânica do Ensino Secundário. Conforme esse dispositivo legal, “Colégio será o estabelecimento de ensino secundário destinado a dar, além do curso próprio do ginásio, os dois cursos de segundo ciclo. Não poderá o colégio eximir-se de ministrar quaisquer dos cursos mencionados neste parágrafo.” (ART. 5º, § 2º, BRASIL, 1942).

O curso Ginasial, curso de maior demanda de alunado no Gigantão da Prata durante o período estudado, funcionou aproximadamente nos cinco primeiros anos apenas nos turnos da manhã e tarde, sendo o matutino destinado à matrícula das moças e o vespertino para matrícula dos rapazes. A partir do ano de 1958 observamos nos livros de matrícula encontrados no arquivo do colégio indicações do funcionamento deste curso no turno noturno e matrículas mistas, isto é, turmas integradas por estudantes do gênero feminino e masculino. Este curso sendo oferecido à noite veio a possibilitar ao jovem que trabalhava durante a manhã e/ou tarde matricular-se e ter a oportunidade de continuar os estudos.

Quanto à organização das disciplinas escolares nesse curso e nos outros que integraram o ensino nos colégios, é sabido que existia, no período, uma determinação nacional no que diz respeito às disciplinas a serem ministradas nos cursos do ensino secundário. Esta determinação, como já discutido, integrava a tentativa de uniformização e padronização alvitrada nas reformas educacionais voltadas a esse nível de ensino no Brasil. Neste período, particularmente nos anos de 1942 até 1961, a organização do ensino secundário estava norteada pela reforma Gustavo Capanema, que traçou as disciplinas a serem trabalhadas conforme os cursos e séries. Considerando, portanto, a orientação do programa de disciplinas desta reforma e tomando como foco as disciplinas ministradas no Gigantão da Prata no recorte temporal abordado nesta tese, procuramos estabelecer uma comparação entre este norteamento nacional e o programa

disciplinar implementado no colégio, justamente no intuito de perceber a investida de formação da juventude nesse estabelecimento de ensino.

Vale ressaltar que para desenvolver essa comparação utilizamos as fichas individuais dos estudantes do Gigantão da Prata, nas quais consta o programa disciplinar correspondente a cada curso matriculado pelo discente. As fichas que utilizamos se enquadram no recorte temporal delimitado neste estudo, o que não apresenta nenhuma problemática quanto à comparação com as determinações nacionais, já que foram consideradas às alterações curriculares deliberadas na orientação empreendida pela Reforma Gustavo Capanema. Em outros termos, estamos levando em consideração o Decreto- lei n.º 8.347 de 10 de dezembro de 1945, que dentre outras modificações altera as disciplinas do curso Científico; o Decreto- lei n.º 9.054, de 12 de março de 1946, o qual substitui a disciplina Biologia pela de História Natural nos cursos Clássico e Científico; Lei n.º 1.359, de 25 de abril de 1951, que modifica a disciplina de História do Brasil e Geral nos cursos do ensino secundário; Portaria n.º 1.045, de 14 de Dezembro de 1951, que expede os planos de desenvolvimento dos programas mínimos de ensino secundário e respectivas instruções metodológicas.

Observemos, portanto, a organização das disciplinas dos cursos: Ginasial, Clássico e Científico. Acompanhemos os quadros a seguir:

QUADRO XII

Quadro Comparativo da organização das disciplinas escolares no curso Ginasial (1942- 1961)

Seriação Disciplinas (determinação

nacional)

Disciplinas

(Gigantão da Prata)

Primeira Série 1)Português 2) Latim 3) Francês 4) Matemática 5) História do Brasil 6) Geografia geral 7) Trabalhos manuais 8) Desenho 9) Canto orfeônico 1)Português 2) Latim 3) Francês 4) Matemática 5) História do Brasil 6) Geografia geral 7) Trabalhos manuais 8) Desenho 9) Canto orfeônico Segunda Série 1) Português

2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) História geral 7) Geografia geral 8) Trabalhos manuais 9) Desenho 10) Canto orfeônico 1) Português 2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) História geral 7) Geografia geral 8) Trabalhos manuais 9) Desenho 10) Canto orfeônico Terceira Série 1) Português

2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) Ciências naturais 7) História geral 8) Geografia do Brasil 9) Desenho 10) Canto orfeônico 1) Português 2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) Ciências naturais 7) História geral 8) Geografia do Brasil 9) Desenho 10) Canto orfeônico Quarta Série 1) Português

2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) Ciências naturais

7) História do Brasil e geral 8) Geografia do Brasil 9) Desenho 10) Canto orfeônico. 1) Português 2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) Ciências naturais

7) História do Brasil e geral 8) Geografia do Brasil 9) Desenho

10) Canto orfeônico.

Fonte: Elaborado a partir dos dados apresentados na Reforma Gustavo Capanema e alterações deliberadas oficialmente e elenco das disciplinas do Gigantão da Prata apresentada nas fichas dos alunos (1953-1961).

QUADRO XIII

Quadro Comparativo da organização das disciplinas escolares no curso Clássico (1942- 1961)

Seriação Disciplinas (determinação

nacional)

Disciplinas

(Gigantão da Prata)

Primeira Série 1)Português 2) Latim 3) Grego 4) Francês ou inglês 5) Espanhol 6) Matemática 7) História Geral 8) Geografia Geral 1)Português 2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Espanhol 6) Matemática 7) História Geral 8) Geografia Geral Segunda Série 1) Português

2) Latim 3) Grego 4) Francês ou Inglês 5) Matemática 6) Física 7) Química

8) História Geral e do Brasil 9) Geografia Geral 10) Filosofia 1) Português 2) Latim 3) Francês 4) Inglês 5) Matemática 6) Física 7) Química

8) História Geral e do Brasil 9) Geografia Geral

10) Filosofia Terceira Série 1) Português

2) Latim 3) Grego 4) Matemática 5) Física 6) Química 7) História Natural

8) História Geral e do Brasil 9) Geografia do Brasil 10) Filosofia 1) Português 2) Latim - 3)Matemática 4) Física 5) Química 6) História Natural

7) História Geral e do Brasil 8) Geografia do Brasil 9) Filosofia

Fonte: Elaborado a partir dos dados apresentados na Reforma Gustavo Capanema e alterações deliberadas oficialmente e o elenco de disciplinas do Gigantão da Prata apresentada nas fichas dos alunos (1953-1961).

QUADRO XIV

Quadro Comparativo da organização das disciplinas escolares no curso Científico (1942- 1961)

Seriação Sistematização das disciplinas (determinação nacional)

Sistematização das disciplinas (Gigantão da Prata)

Primeira Série 1)Português 2) Francês 3) Inglês 4) Espanhol 5) Matemática 6) Física 7) Química 8) História Geral 9) Geografia Geral 10) Desenho 1)Português 2) Francês 3) Inglês 4) Espanhol 5) Matemática 6) Física 7) Química 8) História Geral 9) Geografia Geral 10) Desenho Segunda Série 1)Português

2) Francês 3) Inglês 4) Matemática 5) Física 6) Química 7) História Natural 8) História Geral 9) História do Brasil 10) Geografia Geral 11) Desenho 1)Português 2) Francês 3) Inglês 4) Matemática 5) Física 6) Química 7) História Natural 8) História Geral 9) História do Brasil 10) Geografia Geral 11) Desenho Terceira Série 1) Português

2) Matemática 3) Física 4) Química 5) História Natural 6) História Geral 7) História do Brasil 8) Geografia do Brasil 9) Filosofia 10) Desenho 1) Português 2) Matemática 3) Física 4) Química 5) História Natural 6) História Geral 7) História do Brasil 8) Geografia do Brasil 9) Filosofia 10) Desenho

Fonte: Elaborado a partir dos dados apresentados na Reforma Gustavo Capanema e alterações deliberadas oficialmente e o elenco de disciplinas do Gigantão da Prata apresentada nas fichas dos alunos (1953-1961).

Nos quadros apresentados observamos que os cursos do Colégio Gigantão da Prata atenderam, de uma forma geral, o norteamento determinado pela Reforma Gustavo Capanema e as alterações deste dispositivo legal antes citadas.

No curso Ginasial, observamos o que Gatti et al.( 2014) destacaram quanto à revitalização da formação humanista. Nesta formação, foram predominantes as disciplinas de caráter literário na formação dos jovens. Quanto às disciplinas de caráter científico, voltadas a esse curso, o próprio Capanema ressaltou na exposição de motivos da Lei Orgânica do Ensino Secundário, que “no curso ginasial, a matemática e as ciências naturais serão estudadas de modo elementar. Seria antipedagógico sobrecarregar os alunos, nessa primeira fase dos estudos secundários, com estudos científicos aprofundados.” (CAPANEMA, 1952, p. 26). Esta ênfase na formação da juventude justifica-se pelo próprio caráter dado pelo ministro Capanema a esse nível de ensino, a saber:

O que constitui o caráter específico do ensino secundário é a sua função de formar nos adolescentes uma sólida cultura geral, marcada pelo cultivo a um tempo das humanidades antigas e das humanidades modernas, e bem assim, de neles acentuar e elevar a consciência patriótica e a consciência humanística. (CAPANEMA, 1952, p. 23)

No curso Clássico, curso de menor demanda no Colégio Gigantão da Prata, cujo funcionamento inicial era no turno noturno com turmas mistas, passando a ser oferecido apenas cerca do ano de 1958 no turno da manhã, observamos que a ênfase nas humanidades ainda era maior. Além da proposta de trabalho com as línguas clássicas como se pode perceber no quadro XIII, foi enfatizado o ensino das línguas vivas estrangeiras, quais sejam: a inglesa, francesa e espanhola dada a relevância destas línguas na cultura universal, aspecto focalizado como um dos objetivos deste ensino na formação dos jovens.

Considerando ainda o quadro XIII, verificamos que o Gigantão da Prata optou por trabalhar com duas das línguas vivas ao invés do Grego, possibilidade estabelecida pelo Art. 16 do Decreto-lei n.º 4.244 - de 9 de abril de 1942, “É permitida a realização do curso clássico, sem o estudo do Grego. Os alunos que optarem por esta forma de currículo serão obrigados ao estudo, na primeira e na segunda série, das duas línguas vivas estrangeiras do curso ginasial”. Esta opção, na nossa concepção, está articulada ao que Souza (2008, p.182) salientou “a alternativa facultada aos colégios de oferecimento

do curso clássico com o Grego ou sem esta disciplina mostra a dificuldade de se restabelecer o prestígio desse conteúdo”.

O curso Científico, por sua vez, priorizado pelos estudantes do Gigantão da Prata em termos de procura, funcionou nos primeiros anos da instituição de ensino somente no período da noite, com formação de turmas mistas, passando somente a ser oferecido no turno da manhã a partir do ano de 1958, assim como o Clássico. Este curso no colégio no tocante a organização das disciplinas não apresentou nenhuma alteração em relação à orientação nacional, conforme observado no quadro XIV. Para este curso o foco foi dado no estudo das ciências com a orientação explicitada pelo autor da reforma:

Ao estudo das ciências [...], orientará sempre o princípio de que não é papel do ensino secundário formar extensos conhecimentos, encher os espíritos adolescentes de problemas e demonstrações, de leis e hipóteses, de nomenclaturas e classificações, ou ficar na superficialidade, na mera memorização de regras, teorias e denominações, mas cumpre-lhe essencialmente formar o espírito científico, isto é, a curiosidade e o desejo da verdade, a compreensão da utilidade dos conhecimentos científicos e a capacidade de aquisição desses conhecimentos. (CAPANEMA, 1952, p. 26)

De um modo geral, verificamos que o foco difundido na formação da juventude mediante a organização das disciplinas no Colégio Gigantão da Prata buscou considerar além dos estudos literários, científicos e filosóficos, contemplar uma formação do que era ser homem, do ideal da vida humana, da consciência da significação histórica da