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1. Introduction

1.1. The cell cycle

1.1.1 The cell cycle – An overview

Como visto anteriormente, para a construção do Balanço Orçamentário Estrutural e a consequente estimação do Resultado Fiscal Estrutural, é necessário identificar o papel do ci- clo econômico e calcular o hiato do produto para confrontá-los com as estatísticas oficiais. O cálculo do hiato do PIB de Goiás foi obtido a partir da aplicação do filtro Hodrick-Prescott (HP).

A evolução do PIB trimestral estadual, bem como sua projeção para seis (06) trimes- tres à frente, está representada na Figura 2.4 a seguir. O PIB com ajuste sazonal em base 100 (P IB_SA 100), para o período compreendido entre o primeiro trimestre de 2003 e o último trimestre de 2016, está representado na escala da esquerda e, o logaritmo desta série

RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO FILTRO HP E DO HIATO DO PIB GOIANO 54 (LogP IB_SA), está representado na escala da direita.

Figura 2.4 – Evolução do PIB Trimestral com Ajuste Sazonal - Base 100 e em LOG - Goiás 2003/2016. Elaboração do autor.

Na série, observa-se forte tendência de aumento da atividade econômica regional desde seu início até o terceiro trimestre do ano de 2014. O crescimento acumulado neste período foi de 70,03% (47 trimestres), média de 1,135% ao trimestre. Vale ressaltar que, embora o pro- cesso de dessazonalização não conserve as variações trimestrais equivalentes às anuais no curto prazo, no longo prazo a variação do período 2003/2014, na série com ajuste sazonal apontou para 69,19%, conforme Tabela A1 do Apêndice A. Esta variação é muito próxima da variação acumulada das taxas anuais oficialmente divulgadas pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (69,9%). A partir do terceiro trimestre de 2014, há uma forte rever- são de tendência, excetuando-se o primeiro trimestre de 2016, acumulando queda de 9,33% até o último trimestre de 2016, na série com ajuste, praticamente 1% a cada trimestre neste período. Sobre o prolongamento da recessão, de acordo com as projeções para seis trimestres à frente, a atual série recessiva se encerraria em 2017/1, o que coincide com o Informe Técnico n. 11/2017 do Instituto Mauro Borges, publicado em junho de 2017. Todavia, o hiato do PIB permaneceria negativo até 2018/2 significando que, potencialmente, o PIB goiano retornaria a sua tendência de crescimento de longo prazo neste momento, o que resultaria na série mais longa de hiato negativo registrada: um ciclo completo de 08 trimestres. A Tabela A2 do Apêndice A do apêndice apresenta estes dados, assim como a Figura 2.5 a seguir reporta a trajetória do PIB efetivo, do PIB tendencial (ambos na escala da esquerda) e do hiato do produto como percentual do PIB em relação à tendência (na escala à direita). A decomposição do PIB em tendência e ciclo permite o cálculo do hiato. Visualmente, também é possível observar que o componente

RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO FILTRO HP E DO HIATO DO PIB GOIANO 55 cíclico sofre forte reversão negativa a partir do terceiro trimestre de 2014. A análise do hiato permitirá identificar a contribuição cíclica para o resultado primário a cada período.

Figura 2.5 – PIB, PIB Tendencial e Hiato do Produto - Goiás - 2003/1 a 2016/4. Fonte: IMB/SEGPLAN. Elaboração do autor.

A observação gráfica revela mais claramente o comportamento do hiato que, por sua definição, quando positivo expressa que o PIB efetivo esteve acima da tendência de longo prazo, e, quando negativo, esteve abaixo. O PIB tendencial é crescente desde o primeiro trimestre de 2003 até o terceiro trimestre de 2014, quando atinge seu ápice (Tabela A2, Apêndice A). Daí em diante declina até o final da série, incluindo o período projetado. Dos 56 trimestres do período compreendido entre 2003/2016, em 24 deles o hiato foi negativo e em 32, positivo. Os principais ciclos positivos foram: 2004/1 a 2005/2 (seis trimestres); 2007/4 a 2008/3 (quatro trimestres); 2010/4 a 2011/3 (quatro trimestres); e, 2012/1 a 2015/2 - maior ciclo de negócios, totalizando catorze (14) trimestres sucessivos. Os ciclos negativos foram: 2003/2 a 2003/4 (três trimestres); 2005/3 a 2006/3 (cinco trimestres); 2007/1 a 2007/3 (três trimestres); 2008/4 a 2009/4 (cinco trimestres); 2010/2 a 2010/3 (dois trimestres)17; 2015/3 a 2015/4 (dois trimestres) e 2016/2 a

2016/4 (três trimestres).

O maior hiato positivo, de 4,07 p.p, ocorreu no quarto trimestre de 2007 e o hiato mais negativo, de -2,23 p.p, no terceiro trimestre de 2009 (crise financeira internacional de 2008). A Tabela 2.1 expressa os principais ciclos de negócios do período cuja linha “Total de ciclos” leva em conta os trimestres isolados de reversões, não demonstrados na tabela.

17Importante observar que houve a interrupção de hiato negativo em 2010/1 - um trimestre positivo - , caso

RESULTADOS DE OUTRAS ESTIMATIVAS 56 Tabela 2.1 – Períodos de Ciclos de Negócios - Goiás 2003/1 a 2016/4

Hiato (+) Qde períodos (+) Hiato (-) Qde períodos (-)

2004/1 a 2005/2 seis 2003/2 a 2003/4 três 2007/4 a 2008/3 quatro 2005/3 a 2006/3 cinco 2010/4 a 2011/3 quatro 2007/1 a 2007/3 três 2012/1 a 2015/2 catorze 2008/4 a 2009/4 cinco - - 2010/2 a 2010/3 dois - - 2015/3 a 2015/4 dois - - 2016/2 a 2016/4 três

Total de ciclos 32 Total de ciclos 24

% 57,14 42,86

Elaboração do autor.

A Tabela 2.1 também revela que, em 43% dos ciclos, o hiato foi negativo sendo que, em cinco deles, o ciclo foi maior ou igual a três trimestres; em 57% deles, os ciclos de negócios foram positivos, registrando-se quatro ciclos mais longos com, no mínimo, quatro trimestres consecutivos.

A Figura 2.6 a seguir apresenta as evoluções do PIB tendencial de Goiás - em escala logarítmica (neperiano) à esquerda - e de sua taxa de crescimento percentual, na escala da direita. A partir da análise das taxas de crescimento do PIB tendencial é possível constatar que houve um período longo de estabilização e de crescimento (2003/2010) finalizado no segundo trimestre do ano de 2010, quando se inicia uma nova trajetória longa de decrescimento das taxas. Pelas estimativas, somente no segundo trimestre de 2018 é que haverá uma nova reversão de tendência de longo prazo, dando início a uma possível nova trajetória de crescimento. Se as estimativas estiverem corretas, terão se transcorrido 33 trimestres - oito anos e um trimestre - para o retorno de um novo ciclo de crescimento econômico regional de longo prazo.

A Tabela A2 do Apêndice A demonstra as evoluções do PIB tendencial, bem como de suas taxas de crescimento, tanto a primeira variação (primeira derivada), quanto a segunda variação (segunda derivada), a qual indica reversão da trajetória da taxa de crescimento.