3 THEORETICAL BACKGROUND
4. ANALYTICAL PART
5.1 Catch, advised and agreed TAC in area IV
O segundo ponto de amostragem localiza-se nos limites do setor Morada do Sol entre as coordenadas 22K 0678551/8161024, denominado genericamente de ponto 2 (Figura 38).
O setor Morada do Sol foi implantado na década de 1990 a partir da ocupação e urbanização de um conjunto de sítios e chácaras existentes na região (Figura 39). Na mesma época, outros cinco setores foram criados, mantendo os termos “sítios” e “chácaras” em seus nomes oficiais. São eles: Chácaras São Joaquim, Chácaras Rosa de Ouro, Parque Tremendão, Chácaras Maria Dilce e Sítios de Recreio Panorama.
Figura 38: Mapa com a localização do ponto de coleta realizada no Setor Morada do Sol em Goiânia (GO)
O contexto ambiental assemelha-se ao do Jardim Fonte Nova, pois ambos encontram- se assentados sobre a mesma vertente, com declividades pouco acentuadas (5-10%). No entanto, o Setor Morada do Sol encontra-se totalmente consolidado, dispondo de poucos lotes ou terrenos vazios (Figura 40). O ponto de amostragem localiza-se às margens do córrego da Divisa, um dos principais cursos d’água da região, afluente do ribeirão Caveirinha.
Figura 40: Visão parcial do Setor Morada do Sol, com indicação do ponto de coleta às margens do córrego da Divisa
Fonte: Google Earth, data da imagem: 09/04/2013 Fonte: DVDOC/SEMDUS/Prefeitura de Goiânia
Figura 39: Vista geral do entorno do ponto de coleta no Setor Morada do Sol no ano de 1992
Vila Finsocial Setor Morada do Sol
Vila Finsocial Setor Morada do Sol
Dada à intensa ocupação da área, pode-se verificar a ocorrência de inúmeros problemas ambientais, a começar pela presença de resíduos sólidos urbanos no leito do curso d’água (Figura 41). Estes materiais, transportados e depositados pelo curso d’água, especialmente nos períodos de precipitação mais intensa quando há um incremento natural da vazão, são oriundos das áreas de topo e das vertentes ocupadas pela população, tornando-se fontes de materiais que são conduzidos aos canais de drenagem, carreados pelos fluxos de escoamento superficial que, após a ocupação, sofrem a interferência dos arruamentos e do sistema de microdrenagem urbana (galerias, sarjetas, bocas coletoras).
O perfil coletado apresenta grande diversidade de artefatos, tais como fragmentos de vidro, cerâmica, madeira, tecido, carvão, entre outros, incorporados às camadas de sedimentação (Figura 42).
Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 41: Ocupação da planície e presença de resíduos sólidos no leito do córrego da Divisa, no trecho do Setor Morada do Sol
Devido aos elevados teores de areia, comuns aos ambientes fluviais, foi possível inserir o testemunhador a uma profundidade de 95 centímetros. Após a abertura do tubo e utilizando-se dos mesmos critérios adotados para o ponto anterior (cor, materiais constituintes e textura), foi reconhecida a existência de cinco camadas distintas, descritas a seguir.
As camadas identificadas apresentavam grande diversidade de materiais constituintes, com destaque para fragmentos de plástico, vidro e também carvão na camada “D”. Do ponto de vista textural, predominaram as frações do tamanho areia, como pode ser observado na tabela compiladora dos resultados da análise granulométrica (Tabela 11).
Camada Espessura (lado esquerdo e
direito)
Cor (Carta de
Munsell) informações Outras
A 10 cm – 14 cm 7,5YR 3/4 Presença de raízes
e fragmentos de vidro e cerâmica
B 4 cm – 3 cm 7,5YR 5/4 Presença de raízes
e fragmentos de vidro, tijolo, plástico e madeira
C 22 cm – 21 cm 7,5YR 4/3 Presença de raízes
e fragmentos de plástico, cerâmica
e madeira
D 50 cm – 48 cm 10YR 4/4 Presença de raízes
e fragmentos plástico, tecido e
carvão
E 9 cm – 9 cm 10YR 4/6 Presença de raízes
e fragmentos de plástico e vidro
Org.: do autor
Transpondo-se os valores obtidos para o Diagrama de Classes Texturais, identificaram-se basicamente duas classes texturais: areia franca e franco arenosa. A seguir o croqui representativo do depósito coletado (Figura 43).
Camada Areia Argila Silte Textura
% g.kg-1 % g.kg-1 % g.kg-1 A 86,45 864,51 9,10 91,00 4,45 44,49 Areia Franca B 84,74 847,42 10,20 102,00 5,06 50,58 Areia Franca C 81,79 817,86 13,80 138,00 4,41 44,14 Franco Arenosa D 86,92 869,21 10,67 106,67 2,41 24,12 Areia Franca E 89,33 893,28 10,10 101,00 0,57 5,72 Areia Franca
Figura 43: Croqui do depósito tecnogênico coletado no setor Morada do Sol e texturas reconhecidas em cada camada de deposição
Tabela 11: Resultado da análise granulométrica realizada nas camadas pertencentes à amostra coletada no Setor Morada do Sol
Org.: do autor
As amostras contendo areia foram submetidas ao fracionamento. Os resultados apontam para um elevado teor de areia média e fina em todas as camadas e considerável incremento de areia muito grossa e grossa na camada “E” quando comparada às demais. Considerando-se que os materiais (sedimentar e tecnogênico) constituintes deste depósito são de contribuição tanto da vertente como do próprio canal, e também o atual estágio de degradação ambiental da planície, é possível identificar as alterações ocorridas no ambiente fluvial em decorrência do uso-ocupação a montante e no entorno.
Ao converter os resultados de porcentagens para gramas (g.kg-1), os dados obtidos
foram os seguintes (Tabela 12):
Quanto à tipologia do depósito, tomando por base a proposta de classificação integrada elaborada por Peloggia et al (2014) e considerando o critério da composição, pode- se dizer que o depósito coletado no Setor Morada do Sol é constituído basicamente por materiais úrbicos, definidos por Fanning & Fanning (1989) como “materiais terrosos que contêm artefatos manufaturados pelo homem moderno, frequentemente em fragmentos, como tijolos, vidro, concreto, asfalto, pregos, plástico, metais diversos, pedra britada, cinzas e outros, provenientes, por exemplo, de detritos de demolição de edifícios”. Do ponto de vista de sua gênese podemos enquadrá-lo na categoria de depósito sedimentar induzido aluvial, uma vez que sua origem está relacionada à ação das redes de drenagem atuais.
Camadas Areia muito grossa (g.kg-1) Areia grossa (g.kg-1) Areia média (g.kg-1) Areia fina (g.kg-1) Areia muito fina (g.kg-1) A 12,0 69,4 286,2 432,8 173,4 B 35,4 128,8 291,3 366,7 154,6 C 38,5 102,7 253,4 416,5 168,1 D 33,9 146,6 312,1 368,0 126,5 E 121,8 284,1 336,6 212,3 39,3
Tabela 12: Resultado do fracionamento da areia por camada do depósito tecnogênico coletado no Setor Morada do Sol
Org.: Do autor