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Case 1: Yahoo! and the promotion of hatred 56

Part III: Method and Research

8.1 Case 1: Yahoo! and the promotion of hatred 56

Para ilustrar o primeiro grupo de conceitos e conteúdos, uma citação de Laban (1978):

O corpo é nosso instrumento de expressão por via do movimento. O corpo age como uma orquestra, na qual cada seção está relacionada com qualquer uma das outras e é uma parte do todo. As várias partes podem se combinar para uma ação em concerto ou uma delas poderá executar sozinha um certo movimento como “solista” enquanto as outras descansam (p.67).

O autor destaca que o corpo é o instrumento por meio do qual o homem se comunica e se expressa e que qualquer pessoa que trabalha com o movimento precisa usar o corpo e suas articulações com clareza tanto na imobilidade quanto na mobilidade.

A partir dessa idéia, este primeiro bloco de conhecimentos está relacionado ao que Preston Dunlop citada por Marques (2004) denominou de ‘o movimento e suas estruturas’, ou o que Laban chamou de aspectos coreológicos da Dança, o qual engloba:

a) o que se move – o corpo; b) como se move – os fatores; c) onde se move - espaço;

d) com quem o movimento ocorre – relacionamento/forma.

Vejamos a seguir, cada um deles detalhadamente.

a) o que se move – O CORPO

O corpo existe e pode ser pego. É suficientemente opaco para que se possa vê-lo. Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo. O corpo existe porque foi feito. Por isso tem um buraco no meio. O corpo existe, dado que exala cheiro. E em cada extremidade existe um dedo. O corpo se cortado espirra um líquido vermelho. O corpo tem alguém como recheio. Arnaldo Antunes

As experimentações e a compreensão do corpo envolvem-no em diferentes situações, podendo estar parado ou em movimento. Quando o corpo está parado podemos perceber os ossos, os músculos, o volume, a simetria, a assimetria, as angulações, os pontos de tensão, entre outros. Quando o corpo está em movimento, podemos estudar a movimentação do corpo como um todo a partir das partes, com as articulações, as superfícies, as torções, as progressões, entre outros.

Entender seu corpo e perceber suas possibilidades está relacionado com a consciência corporal, a qual explora as sensações, postura e estrutura do corpo, além de envolver o experimentar, reconhecer, compreender e respeitar as possibilidades e limitações de movimento do próprio corpo. Esta linha de trabalho é desenvolvida pela Educação Somática14 que, é entendida como atividades nas quais

o corpo é trabalhado com a preocupação de integrar todos os aspectos que o compõem: social, psíquico, físico, entre outros.

A conscientização corporal está relacionada com a sensibilização, canal que abre as portas da percepção do corpo (IMBASSAÍ, 2003). Quando pesquisamos nosso corpo e nosso movimento, nos aproximamos dessa percepção, ressignificando-os como protagonistas da comunicação e da expressão em níveis cada vez mais conscientes. Dessa maneira, estimula-se a propriocepção, sensibilidade própria aos ossos, músculos, tendões e articulações, informando como o corpo está e qual caminho utilizará para se movimentar, expressar.

A compreensão da estrutura e do funcionamento do corpo é essencial para a expressividade na Dança (ALEXANDER, 1991). Este percurso (da consciência corporal) leva a pessoa ao autoconhecimento, a partir do qual se gera a expressividade, tão importante na comunicação do corpo do professor de Educação Infantil com o aluno.

O trabalho de consciência corporal está focado na autorregulação do tônus muscular e na organização postural por meio de sensibilização do corpo, proporcionando ao aluno condições para detectar suas tensões e proceder à regulagem das mesmas.

Para discutir a consciência corporal iniciamos pelo desenho do próprio corpo e, em seguida, estudamos a estrutura do corpo (ossos, músculos, volume, simetria, assimetria, pontos de tensão), a respiração, o equilíbrio e os apoios. Com isso, partimos para o estudo da movimentação do corpo inteiro, de sensibilização de

partes isoladas, das articulações, das superfícies. Todos esses aspectos da consciência corporal foram envolvidos por técnicas de percepção do próprio corpo e do corpo do outro.

b) como se move – A QUALIDADE DE MOVIMENTO (FATORES)

Em cada passo percorremos diversos caminhos, em cada giro viajamos o mundo, em cada olhar transmitimos desejos, em cada toque multiplicamos sensações, em cada queda transcendemos a emoção, em cada dança sonhamos com os pés no chão. Rinaldo Donizete de Freitas

O como o corpo se move estuda as qualidades expressivas do movimento, as dinâmicas do movimento das quais fazem parte os quatro fatores: peso, espaço, tempo e fluência. Essas dinâmicas trazem significados e significações às ações do corpo no espaço, expressando nossas sensações e transformando-as em ações. Cada fator tem suas características, as quais foram trabalhadas durante as aulas conforme a demanda do trabalho e de todos os envolvidos. O quadro abaixo pontua as particularidades de cada um deles.

Fator de movimento

Qualidades Relativo a Desenvolve a Afeta o poder humano

de

fluência Livre ou controlada

como progressão Sentimento espaço Direto ou

indireto

onde atenção Pensamento

peso Leve ou firme o quê intenção Sensação

tempo Prolongado ou repentino

quando decisão intuição

LABAN (1978, p. 186)

c) onde nos movemos – ESPAÇO

Era uma casa muito engraçada Não tinha teto, não tinha nada Ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede Ninguém podia fazer xixi porque pinico não tinha ali. Vinicius de Moraes

O Espaço15 envolve a “arquitetura do espaço” criada por Laban, na qual

existem elementos que organizam o movimento. Trata-se da “organização espacial dos movimentos que Laban desenvolveu” (RENGEL, 2003, p.36), enfim trata do espaço no corpo e do corpo no Espaço.

Este estudo envolve: o espaço pessoal, chamado por Laban de kinesfera, e o espaço global. A kinesfera, esfera que se encontra ao redor do corpo, dentro da qual e com a qual nos movemos, determina o limite natural do espaço pessoal, pois é demarcada pela circunferência que se pode alcançar com as extremidades do corpo sem mudar o lugar de apoio. Este espaço pessoal (Kinesfera) pode ser ocupado de diversas formas, abrangendo os seguintes aspectos:

- planos: porta/frontal (altura e largura), mesa/horizontal (largura e profundidade), roda/sagital (altura e profundidade);

- níveis: baixo, médio e alto;

- direções: para cima, para baixo, para frente, para trás, para direita, para esquerda; - distância: perto e longe.

O espaço global é onde nos encontramos e este tem ligação com o homem, com a esfera pessoal dele. Por onde quer que vá, parado ou em movimento, está envolto nesta esfera pessoal.

De acordo com Preston Dunlop (1989), as formas que um corpo em movimento ou parado desenha no espaço estabelecem: as tensões espaciais (espaço vazio entre as partes do corpo); as progressões (caminhos delineados pelo corpo); e as projeções (espaços projetados fora do corpo que são delineados pelo olhar).

d) com quem nos movemos – RELACIONAMENTO/FORMA

f o r m a r e f o r m a d i s f o r m a t r a n s f o r m a c o n f o r m a i n f o r m a f o r m a

José Lino de Grünewald

15 Espaço aqui está relacionado com a “arquitetura do espaço” e não com o fator de movimento “espaço”. Para

diferenciar um do outro costuma-se escrever Espaço com letra maiúscula para o primeiro, o qual indica onde ocorre o movimento; e com letra minúscula para o segundo, o qual está relacionado ao fator de movimento espaço que indica o como nos movemos, a qualidade de movimento com a qual nos movemos.

“Quando nos movimentamos, nós criamos relacionamentos mutáveis com alguma coisa. Esta alguma coisa pode ser um objeto, uma pessoa ou mesmo partes de nosso próprio corpo” (LABAN, 1978, p. 109).

O autor enfatiza que o “com quem nos movemos” fala sobre as alterações do volume do corpo em movimento, em relação a si mesmo ou a outros corpos. Fala, portanto, do relacionamento do corpo consigo mesmo, com o outro e com o meio.

Ao nos relacionarmos com esta alguma coisa, não há evidentemente qualquer necessidade de contato físico. Esse relacionamento ocorre por meio das ações em um determinado espaço. O corpo no espaço, realizando tais ações, define cinco formas específicas: Bola, Parede, Agulha, Parafuso e Pirâmide. Quando o corpo está em forma de Bola, ele se encontra arredondado e com volume (limão, esfera); na forma de Parede, está achatado (caixa, caderno); na forma de Agulha está fino e comprido (garrafa, obelisco); em Parafuso, se encontra torcido como um espiral (saca-rolhas, mola); e, na forma Pirâmide, está com uma base larga e o topo afunilado (FERNANDES, 2002).

Quando o corpo está em movimento, essas formas se moldam no espaço de três maneiras: forma fluida (relacionamento do corpo consigo, entre suas partes); forma direcional (relacionamento que traça caminho linear ou em forma de arco, como esticar seu corpo em direção a algo); forma tridimensional (relacionamento do corpo com o meio ambiente ou com o outro) (IDEM).

Dentre muitos exemplos, ressaltamos as danças populares, as danças sociais e as danças corais, as quais retratam o dançar com o(s) outro(s), proporcionando a integração entre as pessoas, a dança pelo prazer de dançar. Muitas dessas danças contemplam os três modos de mudança de forma ou mudanças do volume do corpo em movimento. Enfim, essa é uma maneira descontraída e dinâmica para envolver os alunos, os pais e a comunidade escolar na Dança, considerando as características de movimentação de cada pessoa no dançar junto com os outros.

Ressaltando tal aspecto, Godoy (2007) diz que é preciso considerar a “possibilidade, criada pela Dança, de se trabalhar coletivamente, incorporando qualidades individuais em benefício do grupo” (p. 58). Além disso, devemos considerar o prazer que a Dança proporciona a quem a realiza e a aprecia.

Laban (1990) destaca a Dança como uma arte possível a todos, a qual se utiliza dos movimentos cotidianos do homem para agir, interagir e reagir sobre o mundo. Este fato fortalece a relação consigo, com o outro e a situação.

Considerando essas questões, o estudioso da arte do movimento salienta que trabalhar com o corpo é, antes de tudo, uma atitude de respeito às individualidades e colocar em comunicação o mundo interno com o externo e vice-versa. Neste caminho, a Dança “não é um fim em si, mas um meio pelo qual se fomenta a expressão artística de maneira criativa” (IDEM, p. 108).