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1.5 Empiri og metodevalg

1.5.2 Case-studiedataene: empiriske og metodiske vurderinger

As transcrições dos encontros constituirão o material de análise.

As finalidades da investigação social no campo da saúde têm caráter heurístico. São mais ligadas às descobertas, à produção de hipóteses provisórias e sua confirmação, ao desenvolvimento de novas hipóteses e, finalmente, à “compreensão de contextos culturais com significações que ultrapassam o nível espontâneo das mensagens” (MINAYO, 2004, p. 198). Critica-se a “repugnância dos pesquisadores de tornar evidente a sua ‘hesitante alquimia’ para transformar dados brutos em descobertas finais” (MINAYO, 2004, p. 198).

A análise proposta por Minayo articula-se no campo da Hermenêutica-Dialética definida como um “caminho do pensamento”, se inspirando em Habermas e Gadamer (MINAYO, 2004, p. 218). Respondendo ao desafio de Minayo de explicitar a “alquimia” do processo de análise do material, pontuaremos os elementos relevantes de serem incorporadas ao processo de análise.

O material a ser analisado não resulta da realização de entrevistas sobre determinados temas, questões ou experiências de vida de seus informantes, o que exigiria análises de conteúdo, discurso ou temática. Trata-se de um material que registrou conversas, e não narrativas de um sujeito na condição de informante. Espera- se que o material produzido corresponda a diálogos entre pacientes e profissionais, com objetivos terapêuticos.

Para os objetivos propostos, a análise terá que contemplar tanto a decodificação de aspectos de conteúdo (significações das falas, depoimentos, assuntos, temas e experiências pessoais) como, também, de aspectos da dinâmica relacional (qualidade da interação, performances, o contexto dos encontros e, especialmente, os modos de manejo das profissionais da tecnologia de processo em questão). O estudo,

assumidamente, tem um caráter avaliativo, uma pesquisa de avaliação da implementação de uma tecnologia leve, imaterial.

Assim, a abordagem de análise terá que contemplar dimensões diversas: a) comunicacional / intersubjetiva: compreensiva “do clima” geral e dos sentidos e significados construídos/negociados em torno de alguns temas tratados nos encontros (sentidos dos medicamentos, do viver com HIV, por exemplo); b) do manejo / condução do protocolo/tecnologia pelas profissionais: adequação da execução prática às suas bases teórico-metodológicas.

Entende-se, portanto, que a análise não se dará pelos moldes tradicionais da análise de conteúdo ou análise de discurso. Terá que incorporar elementos de ambas de acordo com as especificidades das dimensões e componentes analisados: ora mais temáticos/ de conteúdos, ora mais processuais/ operacionais, ora mais relacionados à dimensão interpessoal.

Da análise de discurso é válida sua ênfase a favor da incorporação, na compreensão de um texto, de suas condições de produção. O “discurso (dos sujeitos) é determinado por condições de produção e por um sistema lingüístico” (ORLANDI, 1987, p. 112); deve-se buscar na interpretação do texto, “a determinação histórica dos processos de significação”. A linguagem é pensada enquanto lugar do debate e do conflito, reflexão que nos parece enriquecedora e instrumental para analisar uma intervenção comunicacional que pressupõe o encontro entre profissionais de saúde (representantes de uma tradição/ discurso normativo de seu campo de formação/ atuação) e pessoas/ pacientes que vivem com HIV (cujos saberes da experiência prática se pretende conhecer). Imagina-se que emergirão na comunicação, processos de negociação de sentidos em torno de valores, prioridades, desejos, projetos de vida, conhecimentos e informações técnicas etc.

Das contribuições da análise de conteúdo, mais disseminada na literatura em saúde, buscar-se-ão nos enunciados e nas narrativas das pessoas, os elementos compreensíveis à luz seu perfil, seu meio sociocultural, seu “estilo” de conversar, o encadeamento lógico de sua narrativa, a seqüência dos assuntos, a expressão de emoções etc.

A partir da idéia de análise dos enunciados, a comunicação será entendida como:

um processo e não como um dado estático, e o do discurso como palavra em ato [...] de modo que na produção da palavra elabora-se ao

mesmo tempo um sentido e operam-se transformações, [...] por isso o discurso não é um produto acabado, mas um momento de criação de significados com tudo o que isso comporta de contradições, incoerências e imperfeições (MINAYO, 2004, p. 206).

Entende-se que premissas da hermenêutica-dialética e da perspectiva construcionista social nos estudos em saúde, são as mais diretamente alinhadas às propostas desse projeto e às bases teórico-metodológicas do próprio protocolo da intervenção. Serão os fundamentos epistemológicos mais gerais que orientarão a análise do material deste estudo, situada no campo da avaliação em saúde, conforme já explicitado.

O alinhamento da análise do material à hermenêutica-dialética justifica-se segundo Minayo (2004), pelas proposições de Habermas e Gadamer ao defini-la como uma metodologia para abordagem da comunicação, buscando superar o formalismo das análises de conteúdo e do discurso, indicando “um caminho de pensamento”. Outro ponto de convergência é que a hermenêutica-dialética busca explicar e interpretar tanto o pensamento, como a praxis; “esforçar-se pela compreensão simbólica de uma realidade a ser penetrada” (MINAYO, 2004, p. 220). Sobretudo, a hermenêutica- dialética considera a primazia da intersubjetividade como núcleo de orientação da ação e da mudança das ações por parte das pessoas no cotidiano.

Pretendemos compreender o que transcorreu “na intimidade” dos encontros terapêuticos da intervenção, desenvolvida para o cuidado de pessoas com HIV, para, entre outras finalidades, avaliar as potencialidades e as fragilidades metodológicas na implementação da tecnologia/protocolo em questão.

1.6.5 Análise estruturada do manejo da tecnologia, da interação entre